segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Canoa e outros bairrismos




Eu frequento Canoa Quebrada desde o comecinho dos anos 90 (posso ter ido, devo ter ido, na década de 80, mas como criança, só me interessava o banho e o peixe) e confesso que é dolorido ver algumas mudanças. A Broadway com sua rua de barro e inúmeros bares onde se dançava de tudo (reggae, forró, rock, pop, mais forró, brega, cada um no seu estilo, menos o bar do meio que era uma mistura de muitos estilos) tornou-se uma rua de calçamento com lojas e mais lojas e onde não há loja são restaurantes de donos italianos, portugueses e sei lá mais qual nacionalidade (nada contra, adoro uma pizza, mas, poxa). Quando não tem aquela insuportável “música ao vivo”.

Eita, então se acabou tudo, pode-se pensar numa primeira pisada. Rá, bobinhos. Canoa tem alguma coisa mágica que não se deixa vencer. Algumas coisa boêmia e inclusiva. Resistente. Não há desigualdade, apropriação, capitalismo, turismo predatório que lhe roube isso (ou ainda não teve, né). Canoa permanece uma vila de festa e riso e diversidade e encanto e encontro noite adentro, ainda tem na rua de um tudo, hippies e suas pulseirinhas, casais com filhos, velhinhos, maconheiros animados, gente muito emperiquitada, gente de japonesa, gente jogando capoeira, gente bebendo caipirinha, gente beijando gente, gente, gente, gente.

A combinação de sons e pessoas e afetos é mágica na Canoa noturna e, tão mágica quanto, é a combinação de cores na Canoa que acorda, azul, azul, azul, laranja, amarelo, avermelhado e sei lá de que cor é o mar que mergulha na gente e a gente se encontra nele. O mar de Canoa é uma celebração.

Há praias na praia Canoa. Há praia pra quem vai pra ver, pra quem vai pra sentir, pra quem vai pra lembrar, pra quem vai pra descobrir. Tem praia pra quem nada, quem surfa, quem voa, quem durma. Tem praia para os madrugadores, para os de ressaca, praia para as famílias, para os solitários, praia para os amantes e para os grupinhos ruidosos. Tem praia pra quem vem no ônibus de turismo passar o dia e tem praia para quem veio de férias, esqueceu da volta e foi ficando já faz anos. Tem praia para o dono da pousada que deixa tudo aberto e vai cedinho mergulhar e para o garçom que começa cedo, larga às 17hs e já fica boiando. Tem praia para os de primeira viagem e para os que não conseguem deixar de voltar lá, deixaram o umbigo, talvez. Há praias na praia de Canoa digo eu, mas não se engane, não são lugares diferentes, é no mesmo lugar e quase sempre ao mesmo tempo, é que Canoa se faz do jeito que precisamos dela, quando dela precisamos.

É preciso um certo fôlego, não apenas pelas falésias mas pra viver todas as horas e formas de Canoa. Quando sozinha, tenho uma rotina: praia cedinho, água de coco, depois cerveja, pastel, cerveja, tira-gosto. Esquentou? Sobe. Tira um cochilo. Acorda para o fim da tarde, pode rolar outro mergulho pra deixar um certo sal na pele mesmo depois do banho, pôr-do-sol, alguma merenda, com sorte, tapioca e café.  Banho bem banhado, descanso na rede de pé pendurado só vendo o tempo até a rua chamar ou a fome apertar. Jantar. Bater perna prum lado e pro outro até dar liga em algum bar. Senta e bebe. De frente pra rua, claro, que o melhor de Canoa são as gentes. Paquera, se for dia de. Espera a madrugada pra sentir aquele prazer de voltar por vielas adormecidas. E cedinho, tudo de novo: praia, banho, sono, lanche, praia, banho, rua, janta, festa.

Perto de muita água tudo é feliz. Eu sou.



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De tanto ouvir falar, cogitei, algum dia, quem sabe, férias em Morro de São Paulo. Fui olhar as fotos e ponderei que Camocim tá de bom tamanho pra mim.

Aqui vizinho tem outras praias de estilo totalmente diferente como Tremembé e Redonda, em Icapuí. Praia pra deixar o vento sussurrar histórias perdidas, deixar o tempo desenhar na pele e esquecer, um pouquinho, que viver dói.

Eu tenho dificuldade de apreciar as praias de outros lugares, estados, países, é fato. Um tanto porque não sou mulher de natureza, outro tanto porque fui mal acostumada com o litoral diverso do Ceará.


quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Moinho






Eu não sou muito boa nesse negócio de lidar com seres vivos.
 
Um dos cactos deu até uma florzinha, mas todo dia olho pras plantas meio ansiosa meio surpresa de ainda estarem resistindo.
 
Brinks, ainda adoro a cozinha.

Eu gosto das coisas que são bonitas para mim. E da coleção do Freud.

Estou inclinada a abrir mão do ceticismo e acreditar que o mundo acabou em 2012 mesmo.

Uma vontade: reler tudo que já li. Pelo menos os que ainda tenho em casa. Realidade: reempilhar de tempos em tempos, chorar um pouco folheando um ou outro, passar a semana espirrando.

Eu não tenho falado muito do crime que aconteceu em Brumadinho porque realmente não consigo. Cada pessoa é um mundo e me dói sua não mais existência material de uma forma aguda, especialmente porque não tenho nenhum conforto de fé, paraíso, reencarnação ou qualquer consolo transcendente. Lembro quando houve o massacre de Eldorado de Carajás e eu me refugiei no quarto e só chorava e chorava e chorava.

E na mesma lógica de cada pessoa um universo, logo a seguir vem a crueldade acintosa de proibir o Lula de ir velar o parente.

O mundo é um moinho, bem disse o Cartola.

Eu sempre achei que Heitor era o verdadeiro herói da Ilíada (e da Guerra de Tróia de maneira geral).

Eu escuto o Chico cantando "eu faço samba e amor até mais tarde" e fico pensando se meu tempo passou ou nunca existiu.

E tem aquela frase da Marguerite Duras sobre ter que escrever pra sentir que viveu de verdade (ou algo assim, não vou procurar agora). Euzinha pensava que sentia assim mas suspeito que as coisas realmente importantes e que quero manter vívidas eu tenho um certo pudor de compartilhar.

Daí, escrevo, são quase verdades quase mentiras e nem eu nem elas sabemos onde está a fronteira. Ou se há.

Eu acho bonitinho quando você ri e seu olho fica miudinho e um monte de risquinhos dão vislumbres das histórias que são suas e gosto quando o riso vai virando outra coisa, meio quente meio fome e aí eu já não tenho tempo de achar mais nada e apenas me perco mesmo.

Vejo as pessoas reclamando e penso: ain, que gente reclamona. Daí eu gargalho porque, né, eu sou chata demais. O mundo tentando se comunicar, abrir canais e eu pentelhando: nhé, não gosto de tumblr; nhé, não gosto do medium; nhé, não gosto de newsletter. A verdade é que eu gosto de boteco com mesa na calçada o que, na versão internética, é o superado blog. Só no blog, como no boteco, tem batuque que você não precisa acompanhar, muita conversa atravessada, você comenta atrasado e ninguém estranha e às vezes passa um desconhecido e te dá um abraço. Por isso fica a dica: Central do Textão.

É difícil respirar, mas ainda conseguimos fazer, de uma terça, domingo. E no sábado dormirei ouvindo o mar.A beleza do escritório: vou terminar este post, desligar o computador e subir só com livros pro quarto #nãomaisnotebooknacama


domingo, 6 de janeiro de 2019

Tomate seco, Finitude, Fé, Dias Melhores - e aquele quando maroto

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Você já viu o Rogerinho encerrando um programa do Choque de Cultura? Pois é assim que penso na vida e sua finitude: “cabô, cabô, cabô o programa”. Eventualmente dá pra passar uma mensagem final, enganar um pouquinho e se estender nos créditos, mas, é isso, cabô.... corta, Simone.

Eu não acredito em céu, inferno, reencarnação, vida após a morte, ressurreição, espírito, alma, deuses, divindades. No contraponto, eu sou encantada com rituais e manifestações religiosas várias. Tem pouca coisa na vida mais bonita que tirar um reizado. Não que eu me considere superior ou mesmo “fora a parte”. Sei bem demais que meus valores humanistas e liberais ocidentais tem imbricada relação com o cristianismo (embora os cristãos não os pratiquem com regularidade e tal). Liberdade, igualdade, fraternidade e penduricalhos variados, inclusive o meu antropocentrismo, tudo é oriundo deste caldo civilizacional que tem o cristianismo na lista dos ingredientes principais.

Entretanto tenho sorte suficiente pra, deste combo, ter escapado da Culpa (aquela maiúscula, judaico-cristã, relativa à moralidade, olha o pelo crescendo na mão, menino! fecha as pernas e olha como se senta, menina!). A culpinha, a neurótica, parente da maiúscula, tenho, como não, inclusive me apego, neurose é uma estrutura ok pra se viver com ela.

É isso, não sou de fé e religião, não estou fora do seu alcance.

Modi quê tô falando nisso? É que ontem eu estava assistindo “Selma”* e pensando no quanto a religião e a religiosidade são escorregadias na hora de tacar um rótulo. Ninguém pode contestar o estrago que a religião está fazendo no Brasil, fez no Irã e por aí afora. Uma merda. Ou nem isso, porque não serve nem de estrume. E, no entanto. Frei Tito. Dom Oscar Romero. Irmã Dorothy. O Martin Luther King. Eles não eram quem eram apesar da religião e da sua fé, mas por causa dela. Quando Martin Luther King convocou a Marcha, em Selma, grande parte das pessoas brancas mobilizadas eram religiosas (inclusive o que foi espancado até a morte pela KKK, um pastor branco de Boston).

Às vezes eu sinto, sim, falta do consolo que a fé, qualquer fé pode oferecer. E sinto saudades do tipo de vínculo que participar de igrejas e afins proporciona (não que seja exclusivo, em associações e cooperativas e assins assins também pode rolar, mas a minha experiência na Pastoral da Juventude do Meio Popular foi muito inspiradora, apesar da minha ausência de crença, a não ser, claro, aquela da canção: "fé na vida, fé no homem, fé no que virá...").

O fim dos anos 90. Toda a década seguinte. Agora vai.

De certa forma minha pollyanice compensava a falta de fé, vai dar certo, vai ser melhor, é mais lento do que eu desejaria, mas vamos indo. Qual o quê. Que enorme balde de água gelada. Desde o golpe eu me sinto andando em areia movediça. E sentindo coisas que não me são próprias. Raiva. Muita raiva. Desprezo, um enorme e crescente desprezo por muita, muita gente. E isso não me faz bem, eu gosto tanto de gostar de gente.

Eu ainda estou aqui,ainda o riso, a esperança, o bem querer, a busca pela igualdade, a sensibilidade ante a injustiça, ainda tanto, ainda muito. Mas também aqui a sensação de que o que eu tinha pra ver de bom, de avanço, de transformação pra melhor, eu já vi e já vi retroceder. E que, sim, dias melhores virão, mas eu não estarei neles.

"nenhum homem, nenhum mito, ninguém ache que pode deter este movimento. nós proibimos, pois sabemos que é essa escuridão que mata o melhor que há em nós e os melhores de nós (...) Vocês podem perguntar quando nos livraremos da escuridão. Digo hoje a vocês, irmãos e irmãs, apesar da dor, apesar das lágrimas, nossa liberdade logo estará sobre nós (...) quando seremos livres? em breve, muito em breve, porque nenhuma mentira pode viver para sempre"



* Selma é um filme bom com atuações excelentes. Daqueles que esfregam na nossa cara que a dor é nossa, é de agora, de ontem, de hoje, de ainda. 


** Quem inventou o tomate seco, meu muito obrigada. 


segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Em trânsito

Que eu me lembre, o único livro que eu abandonei foi Ulisses.

Falando em abandono, vez ou outra eu volto na cena pós capela-de-casamento de Cristina e Burke. É das cenas - e emoções - mais bem filmadas que eu já vi. Mas a cena que me toca mesmo, que é tão Cristina, vem no começo da temporada seguinte, quando ela fica sabendo que Burke pediu demissão, a forma como reage, aparentemente displicente, o corpo tensionando, ela se obrigando a continuar o que está fazendo. Olha, posso nem comentar. I'm fine. 




Tem dessas coisas que a gente não comenta porque nos deixa assustadoramente desnudos.

Eu tento resgatar o encanto de enviar cartas e afetos pelos correios mas o custo proibitivo e a demora inexplicável inibe os sentimentos.

luciana, luciana, nunca ligue no Telecine Cult, luciana.

Vi o primeiro episódio da série My Brilliant Friend e, como eu suspeitava, vou gostar um tanto. É filmada na Itália, com gente falando italiano, fala sério, como alguém pode não gostar? (mas, Luciana, você nem amou os livros! Amei mesmo não. Aliás, com Big Little Lies também foi assim – e eu amei a série, teci loas e tudo).

Pois se até hoje eu releio dedicatórias só pra ouvir o eco da voz do amigo dizendo Lucciana. 

Um dos poucos sonhos que tive e tenho é daqueles que nunca poderá ser realizado: dançar com Fred Astaire. Sempre que menciono isso eu me lembro e geralmente mais alguém corrobora, como muitos que trabalharam com ele mencionavam que ele era perfeccionista, exigente, difícil e talz. MAS. A gente vê ele dando uma voltinha na Audrey, na Rita, Ginger, Eleanor, Ann Miller, Cyd Charisse, Judy Garland, num cabide, numa capa, num chapéu e tudo, qualquer coisa, fica leve, gracioso, harmônico nos braços dele. Eu aguentaria, feliz, o mau gênio, pra ter três minutos disso.


Eu gosto de gente mas ando com muita preguiça das pessoas.


Somos em trânsito. Não mais, ainda não. O movimento é o que possibilita e é, também, o que impede. Com alguma sorte, cruzamentos. para quem acredita, as paralelas marcram encontro no infinito.


uma coisa realmente triste é não lembrar o sabor do seu beijo. eu lembro, sim, eu lembro, como você me fazia (me) sentir, lembro a sensação de desejo, ternura e aconchego, mas o gosto?  como era o gosto? 


Se a gente quisesse, se meu dinheiro desse.


Estou envelhecendo, né. Já suspiro, em pensamento, imaginando encarar aquela escada de casa daqui uns quinze anos. Não me atrai. Lavar três banheiros e um lavabo? Não quero. E, principalmente, suspiros, limpar os livros. Todos aqueles livros que se apegam à poeira com a mesma intensidade que eu me apeguei a eles. Ou mais. Estou envelhecendo, estou envelhecendo, estou envelhecendo, não quero magoar o joelho subindo escada, não quero escorregar lavando banheiro, não quero ter crises respiratórias limpando livros. Estou envelhecendo, tenho que começar por algum lugar a lidar com isso, daí resolvi doar mais uns tantos livros. Desapegar. Tá até na moda. Era pra ser mais fácil, viu. Tento estabelecer critérios: livros que consigo no kindle, os policiais, os que nunca reli, os que já reli bastante, os mais velhos, os menores, os maiores, os clássicos, só os de determinados autores de quem tenho muitos, só os de determinados autores que só tenho uma produção, estes, esses, aqueles, alguns, quais, quais, quais.


Eu sinto tanta falta do outono que até lixo no quintal me enternece:







segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Nunca é apenas


“Você só diz isso porque você é gorda”. Bom, eu sou mesmo, não pretendo deixar de ser e não vejo como um elemento da minha vivência poderia desmerecer um posicionamento meu sobre o assunto. Mas, olha, nem é “por isso”. Eu já tive, depois de ultrapassar 1,60m, ou seja, vida jovem e adulta, pesos variados, desde o 47 mais ou menos. Fotos minhas pós-gravidez chegam a ser meio assustadoras, de tão magra que eu estava. E sempre pensei essas coisas mesmas, com maior ou menor profundidade. Os argumentos podem ter melhorado, mas a sensação sempre foi a mesma.

um mundo em que uma criança que ainda nem aprendeu direito a falar "não se preocupe" já tem opinião sobre o que engorda é um mundo em que me custa muito viver (não coloquei nenhuma vírgula porque é bem difícil respirar mesmo, às vezes).

uma coisa que não faz sentido nenhum: perguntar se é namoro ou amizade. não são coisas excludentes, pô.

outra: dizer é "só" atração física. olha, atração física nunca é um apenas.

O Método Kominsky demanda um tubo de oxigênio e soro caseiro, a cada episódio. É uma Scania atrás da outra me atropelando, termino desidratada. A série entrega muito, eu me enterneço, rio e me deparo com meus medos, alegrias, angústias. É uma série madura, com temas delicados, diálogos inspirados e atuações envolventes. Envelhecer e sua beleza (a beleza é complexa). As perdas. A solidão. A amizade. A amizade, a amizade, a amizade.


Efeito colateral da estréia de Amiga Genial: enxurrada de expressões que me enervam, que nem esquedomacho, na minha TL. 

Ei, Luciana, você vai ver a série? mas não foi você que nem gostou dos livros? então, eu não achei os livros esta paçoca toda, mas eu li tudinho (eu leio até Sabrina se ainda cair na minha mão, gente, eu li Sidney Sheldon, leio demais a Ferrante). não considerei a tetralogia maravilhosa, achei ok. Vou ver a série, mesmo que seja bem fiel aos livros é outra linguagem - além disso  foi filmado na Itália, os atores são italianos, quem vai se desmanchar com o sotaque? o/

eu não sei paquerar. 

quem sabe eu mando uma garrafinha: pode ser ou tá difícil? ou o cartão da Renata Lins. 

eu gosto de mar. de boteco. de conversa sem rumo. de beijo na boca. gosto de gente. de prédios antigos. de fazer a mala. de comprar passagem. gosto de torresmo. de queijo, gosto muito de queijo. gosto de abraço, de contar história. de contar muitas vezes a mesma história. de ouvir. de abraçar. de fazer ciranda no terreiro, de fazer ciranda a beira mar, de fazer ciranda em reunião, aula, o que for. gosto de blusa decotada. gosto de batom vermelho - mesmo esquecendo de usar. gosto de cafuné. gosto de pele com pele. gosto de fresta, de brecha, de fenda, de deixar em aberto. gosto do quem sabe. gosto.

"tem que ter perna batendo com perna, 
coxa roçando com coxa, 
no umbigo e no pescoço, 
tem que ter um roça roça toda hora, 
um pra dentro outro pra fora, 
pra gente sentir o gosto"


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