Eu não sou muito boa nesse negócio de lidar com seres vivos.
Um dos cactos deu até uma florzinha, mas todo dia olho pras plantas meio ansiosa meio surpresa de ainda estarem resistindo.
Brinks, ainda adoro a cozinha.
Eu
gosto das coisas que são bonitas para mim. E da coleção do Freud.
Estou inclinada a abrir mão do ceticismo e acreditar que o mundo acabou em 2012 mesmo.
Uma
vontade: reler tudo que já li. Pelo menos os que ainda tenho em casa.
Realidade: reempilhar de tempos em tempos, chorar um pouco folheando um ou
outro, passar a semana espirrando.
Eu
não tenho falado muito do crime que aconteceu em Brumadinho porque realmente
não consigo. Cada pessoa é um mundo e me dói sua não mais existência material
de uma forma aguda, especialmente porque não tenho nenhum conforto de fé,
paraíso, reencarnação ou qualquer consolo transcendente. Lembro quando houve o
massacre de Eldorado de Carajás e eu me refugiei no quarto e só chorava e
chorava e chorava.
E
na mesma lógica de cada pessoa um universo, logo a seguir vem a crueldade
acintosa de proibir o Lula de ir velar o parente.
O
mundo é um moinho, bem disse o Cartola.
Eu
sempre achei que Heitor era o verdadeiro herói da Ilíada (e da Guerra de Tróia
de maneira geral).
Eu escuto o Chico cantando "eu faço samba e amor até mais tarde" e fico pensando se meu tempo passou ou nunca existiu.
E tem aquela frase da Marguerite Duras sobre ter que escrever pra sentir que viveu de verdade (ou algo assim, não vou procurar agora). Euzinha pensava que sentia assim mas suspeito que as coisas realmente importantes e que quero manter vívidas eu tenho um certo pudor de compartilhar.
Daí, escrevo, são quase verdades quase mentiras e nem eu nem elas sabemos onde está a fronteira. Ou se há.
Eu acho bonitinho quando você ri e seu olho fica miudinho e um monte de risquinhos dão vislumbres das histórias que são suas e gosto quando o riso vai virando outra coisa, meio quente meio fome e aí eu já não tenho tempo de achar mais nada e apenas me perco mesmo.
Vejo
as pessoas reclamando e penso: ain, que gente reclamona. Daí eu gargalho
porque, né, eu sou chata demais. O mundo tentando se comunicar, abrir canais e
eu pentelhando: nhé, não gosto de tumblr; nhé, não gosto do medium; nhé, não
gosto de newsletter. A verdade é que eu gosto de boteco com mesa na calçada o
que, na versão internética, é o superado blog. Só no blog, como no boteco, tem
batuque que você não precisa acompanhar, muita conversa atravessada, você
comenta atrasado e ninguém estranha e às vezes passa um desconhecido e te dá um abraço. Por isso fica a
dica: Central do Textão.
É
difícil respirar, mas ainda conseguimos fazer, de uma terça, domingo. E no
sábado dormirei ouvindo o mar.A beleza do escritório: vou terminar este post, desligar o computador e subir só com livros pro quarto #nãomaisnotebooknacama








