segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Azul



Eu não encontro meu HD. Nem meu bom senso.

O amor é azulzinho. E a parede também.

A vida capricha na puxada de tapete.

Entreabrir a persiana ou escancarar a janela não faz diferença, será dia enquanto for e, depois, não mais. Vale o mesmo pro amor, acho.

Eu podia te fazer feliz, mas a felicidade não existe, escrevi em algum lugar e quase acreditei.

Eu sempre gostei da idéia de envelhecer. E tenho gostado do processo propriamente dito. Mas ninguém me avisou quantas saudades iam aparecer pra eu sentir. 

Todo amor acaba. Todas as pessoas morrem. A diferença entre a caixa de kleenex e o conto de fadas é o que chega primeiro. Final feliz é quando a gente morre antes do amor.

Sim, eu já escrevi tudo isso. Enquanto eu for em vazios, me ocupo como dá.

Quem eu fui continuo sendo, por isso copio e colo meu mal-dito.

Morangos. E mofados. Vontade de te mandar este livro, todo pintadinho com meus afetos.

Que jogão Boca X River. Futebol maior que avida, eu já disse? (post tão bom sobre a final, aperte aqui)

Parece que eu vou voltar pra Clarice.

Estamos brincando de cinema lá pelo FB. 10 filmes que me marcaram. Eu rio, claro. Eu nem sei dimensionar o lugar do cinema na minha vida. Como disse pra amiga, eu amo, amo, amo, todas as pessoas que fizeram todos esses filmes que me forjaram, que me sustentam, que me consolam, que me inspiram, que me nutrem. Todos estes filmes que iluminam minhas trevas, sim, mas que acolhem minhas sombras. Todos estes filmes que me completam, sim, sim, como não? e todos estes filmes que gritam minhas brechas. Filmes antigos, como eu nunca serei. Novinhos, como nunca fui. Meu amor pelos irmãos Lumiére e por todos que re-inventam o cinema cada vez que contam uma história.

Vai ter Toy Story 4 e eu nem duvido que vai ser maravilhoso.

2019 promete mazelas, tristezas, perdas, cansaço. Mas janeiro, ah, janeiro, meu janeiro será em abraços.

Eu queria ter te amado melhor, sabe. Não mais, não há régua ou balança para dimensionar bem querer. Eu não podia ter te amado mais, eu te amei inteira, eu te amei em cada linha escrita, eu te amei em cada livro ou disco enviado, eu te amei em lábios e pele e ânsia. Mas sim, eu queria ter te amado melhor.

Voltar para um abraço como quem atraca no cais. E deixar o lodo cobrir o casco.

Querendo trocar o nome do blog para "a coisa mais fina do mundo". Mentira, queria inventar blog novo, mas ninguém vai comigo, né? Se duvidar, nem eu.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Strip, claro

Estou tentando me convencer que o que vale é a experiência, o aprendizado, o conhecimento construído porque ganhar dinheiro mesmo com meu doutorado parece que é nunca.

E não tem quem desate o nó que se ata, não consegui tirar um artigo que seja da bicha. Pelejo, mas fico emperrada e só escuto o sussurro por dentro: ela ainda não vale nada.

Eu sou capaz de pensar em dez filmes favoritos de faroeste sem nem respirar, se duvidar sou capaz de pensar dez só com o John Wayne.

Comprei pastas, pastas coloridas. Agora vai.

Sou um fracasso como mulher autônoma: não consegui montar meu apoio ergonômico, aka suporte pra pés.

43 anos, já tá bom de começar a me endividar por razões mais maduras, né.

Faço longas cartas pra alguém.

você lembra, lembra, naquele tempo eu tinha estrelas nos olhos...



Queria estar falando ternuras. Entre sussurros de bobagens carinhosas: deixa eu ficar no seu abraço. Queria escrever, como quem lança sementes em terreno fértil: amor, desejo, ontem, sempre, quando, depois, agora, querido. Queria poder tocar. Ignorar geografia e tempo, estender a mão, leve, fortuita e delicadamente encontrar sua pele. E deslizar, como quem reconhece território para nele fazer morada. Queria ouvir seu forasteiro gemido, porque a voz do Outro é estrangeiro que às vezes faz morada. Queria não fazer planos, descansando o amor na certeza de um agora. Queria dividir o travesseiro. Encaixar minha coxa na sua. Queria era cuidar de miudezas: pão, cebola, café, alimentar o corpo, saciar o desejo. Enfileirar cervejas, esse cruzamento de estradas que somos. Queria era facilitar sua vida. Cantar, como o Chico, que ajeitava o meu caminho para encostar no seu. Queria era passar estações, reclamar do frio, reclamar do calor, celebrar as mudanças com você. Queria ver a lua. As luas. Minguante a cheia, deixar a vida fazer seu ritmo em uma cama compartilhada. Queria era dividir sonhos. Segurar na mão. Saber do trabalho. Fazer álbuns. Enfileirar poentes. Queria era mergulhar no mar e lamber o sal no seu pescoço. Entrelaçar dedos. Rir junto, olho brilhando. Queria abraçar com fome, desabotoar camisa, acordar a tua vontade. Queria ser repouso, depois. Alegria, durante. Queria era lhe ver cochilando no meu ombro. Queria diminuir distâncias. Fazer pontes. Não posso. Escaneio memórias, rabisco perguntas. E conjugo futuros dos pretéritos.

Status: reescrevendo textos, quero mais é uma realidade inventada #claricefeelings


domingo, 4 de novembro de 2018

Meias Verdades

“Não tenho ambições nem desejos 
Ser poeta não é uma ambição minha 
É a minha maneira de estar sozinho”


Ser sozinha é a coisa mais triste que existe.
E eu não sei viver de outro jeito.

Uma semana fria: mamão, melão, uva, iogurte, leite e cereais.

Assistindo ao documentário “Feministas: o que elas estavam pensando?”, que está na Netflix, não consegui – ainda – me livrar da sensação dúbia que me acompanhou. Por um lado uma intensa empatia e afeto por aquelas pessoas, aquelas mulheres, seus sonhos, suas realizações, suas frustrações, suas dúvidas; por outro uma avassaladora sensação de inutilidade, de impotência, de irrelevância. Chorei litros, claro.


De tudo, tudo, vai comigo a questão: “o que vai matar você?”

Não é que eu mesma seja triste, nopes. Sou das alegres. Ou nem, sou das contentes – se é que há real diferença.

Eu tenho essa curiosidade de saber o impossível, se e como sentiriam a minha falta. Mas já dava pro gasto saber se você me lê.

Estava fazendo a ronda de sempre nos blogs que leio e fiquei matutando. Eu sempre hesito quando me perguntam de onde eu sou. Devia ser uma resposta simples, não é? Ou dizer onde moro ou o lugar de nascimento. E, no entanto. Pois é. Há muito que eu não sei dizer sobre mim, não porque desconheça, mas porque as palavras são insuficientes. Ou a coragem para enunciá-las, vai saber. Eu sou daqui, de mim, poderia dizer e não seria falso. Mas também não seria a verdade. Ou não toda, sussurra a psicanálise.

Todo mundo falando de como esta campanha adoeceu as pessoas. Não sei quem fui que liguei para o analista depois de uns 20 anos da travessia, seja da rocha da castração, seja da fantasia. Não, não deixei recado. Ainda.

Minha irmã já arrumou a casa pro Natal e eu tenho livros empoeirados decorando a escada.

A verdade é que estou precisando de mar. Deixar arder o sal nas feridas. Mergulhar e confundir maresia e lágrimas. Lavar a alma ou tirar a areia do biquíni, sei lá.

Eu poderia te amar, mas nem eu nem você sabemos ao certo o que isso quer dizer.

[haveria muitos beijos. e abraços. e cafunés. e pernas enroscadas. e toques, muitos toques. mãos que se encontram meio sem porquê. e cafunés, eu já disse? e nariz fazendo cócegas. e abraços no meio de uma praça, apenas para rimar com o tempo que já foi - ou que podia ter sido]

E, no entanto, não há verdade maior do que cantarolar, enquanto releio cartas antigas, “se você quiser eu vou te dar um amor, desses de cinema”. Foi assim que aprendi a amar, suspeito. Com desvios encabulados do olhar e lábios oferecidos. Não, não foi a amar que eu aprendi, foi a saber histórias. Se você quiser, eu vou te dar uma história de amor, dessas de cinema.

Então, fica o plano: um fim de semana na praia, antes do ano acabar. E, por agora, o filme do Chet Baker. Obrigada, Netflix.

sábado, 3 de novembro de 2018

Eu Gostava ou Um outono que já fui

Eu li, na TL de uma querida, uma lista de como sobreviver nestes tempos difíceis e a lista incluía fazer listas e beber água. Há esperança pra mim, então, já que listar é uma das minhas atividades mais frequentes. Faço listas de viagens desejadas (oi, Minas), listas de coisas pra comprar, listas de coisas pra mudar na casa, listas de livros, de filmes, de comidas pra testar, acessórios de cozinha, lista de listas que fiz... 

É impressionante como conseguiram errar tanto no filme sobre Grace Kelly. Vou rever Drácula apenas porque sim. 

Revi. Ainda amo aqueles homens todos. E sinto saudades da minha amiga Patrícia, com quem conversava sobre pulsão, histeria, desejo.


A gente espera, como se fosse possível.
Se embeleza, põe até óculos azuis.
Como se fosse possível, eu dizia. Mas não é.

Para o escritório de transição: 
- quadro de cortiça 
- gaveteiro (quem sabe uma cômoda?)
- pastas para documentos 
 - pastas para saudades
- tirar o móvel nada a ver 
- descer uns livros 
- arrumar uma beleza qualquer pra me fazer companhia 
- cadeira de escritório 

 Estou tentando beber água e não me afogar em tristezas.

Comecei a separar os livros. Que coisa boa é livro, né? 

Aqui está uma bagunça e quando eu digo bagunça não é essa roupinha no espaldar da cadeira e três pratinhos na pia que assustam uma porção de gente por aí... é bagunça profissional. O que sustenta a barricada é a possibilidade do bolinho de arroz. 

Hoje eu ganhei fotos do outono. Fotos tão bonitas como quem, tão gentilmente, as enviou. 

Mesmo sendo da terra em que é sempre sol, o outono é minha estação–casa, minha estação-lar, minha confort-estação... se tal coisa houvesse. Eu gostava (e conjugo, neste caso, tanto em brasileiro como em português de lá) de andar com o casaco aberto, sentindo o vento frio ajudando a entorpecer a vida que arde no peito. Eu gostava de sentir as mãos frias nas minhas e o nariz gelado na nuca. Eu gostava de ver a fumacinha nos carrinhos de castanha em tantas esquinas. Eu gostava de – e é tão bonito quando o pretérito imperfeito faz as vezes de futuro do pretérito. Então, dizia eu, recebi as fotos de um outono que não é meu, mas é como se. As folhas perdendo as cores, eu perdendo sonhos. O inverno está chegando.


Um outono que já fui

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Se aquele abraço crescesse

O barulhinho da água escorrendo na calha. O apito da chaleira. A voz da Salmaso. A lembrança de um abraço. O cheiro do cangote do afilhado. Aquele monturo gostoso de mãe, filho, irmãos, pai, sobrinhada. A polpa do mamão. O cheiro de chuva. Uma rima rememorada. Uma foto na caixinha. Um primeiro dia de aula. O amanhecer no sertão. A gaitada de uma criança na rua. Bóias. 

Agradeço o afeto que tenho recebido dos amigos que moram além-da-fronteira. Muitos não entendem tudo, o que é compreensível, alguns minimizam, faz parte, mas saber este carinho é alento. 

Já a caixinha com o amigo que já foi em tantos “por aí” mas é daqui me confirma a leitura desalentada do dia a dia. Todo dia eu acordo como quem levou uma surra. Respiro, recordo como sorrir, exercito. Penso nos que amo. Tento fazer esse amor render. É exaustivo.


Quem tiver pra onde ir, vá. Mesmo. 

Talvez eu devesse voltar pra análise, ando numa vontade de doar quase todos os meus livros. 

(e a gente ri, porque, né, quem não tem pra onde ir, volta)

Um sonho desfeito: aposentadoria. 

Meu coração errante se consolava em passagens e paisagens. Agora, nem isso.

É estranho saber que gente que eu julgava me querer bem me vê como criminosa. Ou, pior, acha que não vê.

O mundo caindo e eu querendo saber se minha rosa do deserto ainda vai florir outra vez.

Eu sei que não é sobre mim. Mas dá uma dor porque, né, eu ia ser feliz. 

Outro sintoma: voltei a escrever cartas. 

A lista dos nomes do meu blog é mais explícita que um strip tease. 

Eu gostaria de poder gostar de você. Deixa? 

Escrevo por todo lado coisas sem sentido sem poder dizer o que há para ser dito porque só saberia o que dizer no teu abraço. 

Eu tento não saber a solidão que passeia, senhora, em meu peito. 

Se você, ainda. Eu, também. Então, nós. Sós. Sóis.

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