y
se me olvido todo y la Sirena me recordó todos los sonidos.
A gente esquece. Ou pensa que. Parece até que nunca ouviu Bethânia cantando, “bate é na memória da minha pele”. De repente, um abraço. Tem gente que lembra de tudo. Eu, de quase nada, dito, feito, visto, ouvido. Mas não há olvido para as sensações. Há lembrança, e tanta, do que me fez bem. E ainda faz. Eu falo muito e há coisas que ainda não sei dizer. Talvez nunca saiba. Pode ser que não existam palavras para o que provavelmente nunca devesse ser. As cartas não são favoráveis. Ainda assim, o coração acelera e o sangue faz corar quando uma mensagem qualquer apenas é. Parece que foi ontem. Ou nem. Tanta coisa, tanta vida desde a última vez. Ainda se usava telefone. Uma frase assim quase cheira a guardado. Quase, não fosse a sensação de que agora, quem sabe. É como se. Podemos escanear o passado e trocar saudades. Como eu era no seu olhar? O que eu ainda sei: o conforto. O encaixe. Poder dizer. Rir. Tocar. Devia ter te tocado mais. Podia? Contato físico. Você gosta. Tão bonito apenas dizer: sim, eu gosto. Também eu. Gosto. Do contato físico, digo (e completo, só pra mim: do contato com você). Eu não me arrependo das grandes coisas, só das minhas pequenas mancadas. Podia ter sido mais eu e você. Mais cerveja, menos distração. Mais abraços. Muitos abraços mais. Estamos a uma língua de distância. Ou duas. Uma palavra bem dita e as lembranças que eu levaria na mala seriam outras? Ou não era nada disso, era apenas um isto, uma recordação bonita comprovada, uma gentileza, uma conversa fácil. Sempre foi fácil, com você. Eu suspiro. A gente (a gente sou sempre eu) esquece. Ou pensa que.
não há vento favorável, eu sei. Porém durmo cantarolando: "mas
se o destino insistir em nos separar, danem-se os astros, os autos, os
signos, os dogmas, os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas,
projetos, profetas, sinopses, espelhos, conselhos..."




