A gente (a gente sou sempre eu) imita.
Internaliza. Generaliza. Comportamentos. Sentimentos. É assim que a gente se
prepara pra vida. Como se vestir pra ir à praia, como se sentir depois de um
beijo desejado, o que dizer ao cumprimentar noivos. Filmes, livros, parentes,
amigos, possibilidades. A gente vai tecendo nossa peneira. Estou preparada pra
coisas que, aposto, parte significativa dos meus amigos não saberia o como.
Como agir, o que dizer, como ser uma pessoa que passou por aquilo. Eu não
estava preparada. E, dias depois, continuo sem o dito e o feito. Nem mesmo o
bom e velho “vida que segue” parece compatível. Não saber exatamente o que dói,
porque dói, como dói. Aliás, é mesmo dor? Saudade? Revolta? Espanto? Não tenho os
elementos, as marcas na trilha, as pedrinhas de João no caminho.
Eu lembro que em 2012 eu pelejava nas
caixas de e-mails falando que discurso militante tinha que ser responsável, era
diferente de posicionamento e escolhas individuais (por exemplo, mulher ficar
sem trabalhar ao ter filhos para aproveitar a maternidade e criar os filhos e
talz - jóia como escolha individual, mas não é bandeira feminista. Bandeira
feminista é lutar por creche, igualdade salarial, criação de crianças em
aldeia, alternativas, possibilidades, políticas públicas e mudanças estruturais
e culturais. E, claro, bandeira feminista é respeito às escolhas das mulheres,
mesmo que não sejam semelhantes às bandeiras e talz). 2017 e eu continuo neste
desejo de um tiquinho de compromisso ao disseminarmos idéias.
Preciso de meias e um adaptador
universal de tomadas. Provavelmente de outro mouse.





