sábado, 26 de agosto de 2017

Aleijados, Bastardos e Coisas Quebradas

Sim, eu queria saber. Que palavras, que sons, que caminhos sua voz traria? Faço piada porque tenho receio que você saiba o sim que há em mim. Aí venho ao megafone, entre medo e esperança que o eco te alcance. Não é difícil me entender. 

Eu podia ter nos feito felizes. Eu deveria?

Quando não há mais nada a fazer além de seguir.

Começaria tudo outra vez.


Está quase minha viagem (curta, infelizmente) pro Rio. Vou sem dona, o que me deixa um pouco ansiosa (saudades, Rê). Mas tem uns risos prometidos: a hospitalidade do Cláudio, a companhia da Dani e seus olhos virgens do Rio, Babi eu te amo pra caralho Lopes, o jogo com Napaula. Encontros.


Duas vidas, ou mais. Pra viver como vivi e pra fazer outras investidas. Mas não é esboço, disse o Kundera, dolorosamente correto.


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No livro já passei pelo excelente capítulo sobre o ponto de vista da Arya (aquele que ela acaba fora do castelo) e como ela é criança! Ágil, sagaz, corajosa, mas tão, tão criança que quando se depara com uma informação relevante não sabe transmitir. E no capítulo seguinte: “Você esqueceu quem é o rei aqui?” “Não, e você, esqueceu?”. Ned, como você é maravilhoso (é, tempo presente, porque mesmo morto ele sempre será).

Muitas pessoas chamam o Ned de burro porque ele não foi escorregadio com Cersei, porque ele não traiu seus princípios e fez um acordo, etc. O que chamam burrice eu admiro como honra. Coerência. Ele tinha aberto mão do cargo de conselheiro por não concordar com a decisão de matar Daeneryzzzz (se ele soubesse como me dá sono talvez tivesse mudado de idéia). Com isso se colocava em risco, assim como a toda sua casa, desafiando o rei. Por princípios. Um rei que ele amava. Um rei de quem tinha sido amigo por tempos. Se não arregou pra Robert, porque mesmo ele abriria mão de seus valores por gente menos valorosa?


Episódio 4: neste episódio apresentam o Sam então todas as críticas ficam menores ante a incrível pertinência do ator e sua interpretação para este personagem cativante. É legal como a amizade dele e Jon se forma (ainda mais nos livros, mas paciência) e de quebra ganhamos a participação do Fantasma, yay, Fantasma, que alegria encontrar um dos lobos. Isso não significa que dá pra ignorar como trabalharam mal o personagem do Robb. Mó tristeza de ver parecer apenas arrogante o que é insegurança juvenil, crescimento, indecisão, raiva por imaginar estar diante de alguém que machucou o irmão, etc. Já a cena do Tyrion cutucando o Theon foi interessante, serviu pra contar um pouco da história que antecede o que estamos vendo. Aí tem o Ned cada vez mais desajeitado na sala dos cristais. E a boa conversa do Jaime com o comandante da guarda dos Stark (que é meio inocente, tadinho). O papo revela bastante do Jaime, como ele vai se tornando mais aberto e afável ao falar da batalha, como ele admira o Thoros e ainda tem o momento vidente: “Theon é um bom rapaz”... “Duvido”. 

Três coisas irritantes: achei um desaforo colocarem o Mundinho pra contar a história do Cão. Era uma conversa entre Sansa e Clegane que serviria pra apresentar nuances dos personagens, humanizá-los e tal. Da forma que foi não acrescentou nada, ok, o Mindinho é fofoqueiro e gosta de intriga, mas quem não sabia? Segundo: a conversa sem pé nem cabeça entre Ned e Cersei... se era pra demarcar que Lannisters e Starks eram inimigos, ué, já estava mais que esclarecido. E para mais nada serviu. Por fim, como a Daeneryzzz é interpretada de forma inconsistente, mesmo fraca. Fico espantada que tanta gente goste, fico mesmo. O diálogo dela com Jorah, aibatinomeuirmão e depois a carinha de nada, olhando pro tempo, que sono.



sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Lord Snow

O bom de reler é que a gente (a gente, sempre eu) vai reencontrando os rastros da origem dos nossos sentimentos. Uma página, outra e de repente a gentileza de Sansa com o Cão de Caça quando ele lhe conta o motivo do rosto destroçado, a forma sutil como ela torceu por ele contra o Regicida. Mais umas linhas e lá está Clegane defendendo o Cavaleiro das Flores e lutado honrosamente contra o irmão, sem nunca atingir sua cabeça descoberta, mesmo que o Montanha não se atenha a regra nenhuma. Se hoje Sansa, Cão, Sam, por exemplo, estão na lista dos meus amores é porque me provocaram ternuras. Eles tem brechas. São vulneráveis. Uma vez eu escrevi a impossibilidade de conhecer do que é feito o amor, já que para empunharmos o bisturi em autópsia e estudarmos sua anatomia, é preciso que ele já esteja morto. Mas não se aplica a este amor que sentimos por personagens, vínculo costurado com linha e entrelinha. Cada vez que volto ao texto e me deparo como uma destas cenas que citei me espanto e me alegro, como se encontrasse uma pedrinha de João e Maria no caminho de casa. Eu aprendo muito sobre mim quando leio – e quando amo o que leio ou quem leio.  

A verdade mais verdadeira é que eu admiro os sagazes, mas gosto mesmo dos honrados. Culpa dos faroestes, talvez.


Sobre o episódio 3, Lord Snow, gosto do diálogo Ned com Jaime (pra vocês verem, não gosto só do que tem no livro), gosto imensamente da forma como Ned parece desajeitado, peixe fora d’água na corte. Rústico demais, verdadeiro demais, objetivo demais. A despedida dele e Catelyn me fez chorar litros. Outro mérito que foi consolidado ao longo da série são os diálogos em dothraki. Já a dica nada sutil de que o Jorah era espião fazendo ele sair correndo logo que sabe que Daenerys estava grávida foi bem primária, né. Também não curti muito a interpretação da Velha Ama contando história, isso já deveria ter dado a dica que a série iria sempre minimizar e subutilizar os aspectos místicos e se utilizar deles só no que tange à aparência. O carão que o Jon leva do mestre de armas foi dado, na série, pelo Tyrion. Entendo que isso seja pra aumentar o tempo de tela da relação dos dois e que Peter Dinklage seja sensacional e deva sempre ser aproveitado, mas acho que a série nunca mostrou o que a Patrulha da Noite contribuiu verdadeiramente para Jon se tornar quem se tornou. Como  a série trata me parece que ele sempre seria, trata como predestinação o que foi caminhada. E a pergunta de agora foi a pergunta de sempre: CADÊ OS LOBOS?

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

A Estrada Real

Andei conversando com algumas pessoas e me parece que meu desagrado com GoT (que não é avassalador, é mais como uma crônica unha encravada) vem do fato de que, parece-me, nos livros o Martin está contando um pedacinho da História de algo maior, tipo quando a gente encontra a civilização persa nos livros na escola. Nesta perspectiva as trajetórias individuais são miudinhas. Seja lord, protetor do norte, rei ou até dragão, tudo é formiguinha ante o Tempo. A Casa Stark sabe, o Ned não vacila: o inverno sempre vai chegar. Mesmo que demore 8.000 anos. Ao mesmo tempo a responsabilidade individual é imensa, o que se faz da vida é o que ela faz de cada um. Como alguém será lembrado? Como será esquecido? E, principalmente, como será distorcido, azor ahai, príncipe prometido, último herói, tudo que já foi e que almejamos vir a ser? 

Já a série fez sua escolha ao trocar o Crônicas de Gelo e Fogo – que me remetem ora a fragmentos narrativos, ora a menestréis cantando/contando mitos e reminiscências em amplos e entediados salões... e como uma coisa puxa a outra lembrei da Cassandra de Marion Z. Bradley, irritada com o menestrel que deturpou a queda de Tróia, mas divago – que trocou o Crônicas pelo Jogo dos Tronos, um título mais circunstancial, que projeta luz acintosamente nos lords, nas intrigas palacianas, na história com h minúsculo, focada em trajetórias individuais. Na disputa pelo poder, para responder quem vai vencer, quem casa com quem, quem senta no trono, cada personagem é colocado sob o microscópio. Enquanto nos livros subentende-se um antes e implica um depois, a série acena com uma narrativa de fundação e com fim amarradinho. Ou seja: quando se joga o jogo dos tronos você vence ou morre. Quando é da vida, do tempo e da História que se trata, você morre ou morre. 

Enfim e apesar de, um episódio por dia, uns capítulos também.



Uma coisa sobre mim é que sou péssima avaliando episódios de seriados. Eu gosto mais daqueles em que os meus personagens preferidos aparecem mais. Simples. O episódio 2 da primeira temporada, assim me parece bastante bom, já que tem o Tyrion dando uns tapas do Joffrey e tem Stark a rodo. Eu nunca tinha pensado se o cara que faz o Jon é ou não um bom ator. Pra mim ele simplesmente fazia o Jon. Mas revendo tudo, claro que a gente passa a pensar irrelevâncias então lá vai: como ele cresceu. Neste episódio ele ainda era meio café com leite, a Catelyn o engole em cena. Ela, imensa e ele, tadinho, cara de muito pouco, quase nada. Hoje, mesmo fazendo papel de bobo e tendo idéias toscas, Jon é encenado com bastante estofo, acho. Ainda sobre ele, a série dá um bizu grande sobre as origens, né, no diálogo da cena de despedida antes de seguir pra Muralha, Ned diz: você é um Stark, pode não ter meu nome mas tem meu sangue.

Boas cenas: diálogos Tyrion e Jon, Robert e Ned, a chegada/visão na/da muralha, a tentativa de assassinato do Bran. Cena tosca: Catelyn achando um cabelo loiro pra deduzir que os problemas vinham da família Lannister. Cena ué: a Cersei fala de um tal filho de cabelos pretos, que não existe nos livros e, consequentemente contraria a profecia, eu fiquei imaginando que iam inserir essa lembrança pra depois contar que ela o tinha matado (sabe como é). Mas não, essa história simplesmente desapareceu. Cena duplo tuiste carpado: uma hora Daeneryzzzz tá chorando, odiando o Drogo (e como os drothaki são subestimados, apresentando só o lance chocante dos costumes e não apresentando sua cultura e tudo) e depois tá querendo saber como fazê-lo feliz. Ok, facilita pra ela também mas ficou meio vago.

Chorei litros com a cena que termina com a condenação de Lady à morte. E, sim, Sansa foi fraca e titubeante na hora de contar a verdade, mas o fato da Arya ser impetuosa e agredi-la foi decisivo pro desenlace. Eu sei, eu sei, ela era uma criança. Eu sei, eu sei, agora ela é só uma adolescente. Mas que falta faz uma educação em Dowtton Abbey. Não demonstre seus sentimentos em público, menina, diria a querida condessa viúva.

Aliás, já que o episódio termina com o Bran acordando (infelizmente sem o maravilhoso e assustador sonho) será que algum dia teremos confirmado quem, exatamente, pagou o cara pra terminar de matar o Bran ou vai ficar esquecido?

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Winter is Coming


Eu sei que está todo mundo no fim da série e tal, mas eu sou quem eu sou e sinto saudades do Ned Stark. Ou seja, fui paquerar os começos. E porque eu sinto saudades do Ned? Porque ele empunha pessoalmente a espada quando é preciso punir alguém. Porque ele vai ao bosque sagrado, depois que executa alguém, para refletir - mas aproveita pra limpar e afiar a espada. Porque ele guarda segredos que doem. Porque ele tem um senso de humor discreto. Porque ele destrói uma torre para dar sepulturas decentes ao companheiros de luta e, também, aos inimigos. Porque ele condenou a morte das crianças Targaryen. Porque ele sabe que o inverno vai chegar. 

E a primeira coisa que me chamou a atenção, embora eu ame o Boromir, é como a série tirou a gentileza do personagem (não culpo o ator, lembro bem do que ele é capaz se a direção permite). Ned não é só admirado por ser reto e justo. Ele é amado pelos filhos e servos por ser bom e até afetuoso. A série nem mesmo mostra a alegria que ele sente com a notícia que vai reencontrar seu amigo Robert. Na mesma linha de personagens que perdem pontos na apresentação achei injusto que, pra dar uma garibada desde o começo no personagem do Jon, tenham esmaecido a participação do Robb na descoberta da loba gigante, seus filhotes e tal.

Acho revelador como a Casa Stark ganhou meu coração desde o primeiro momento. Gosto dos demais POVs, gosto demais da escrita do Martin, mas sempre leio com mais atenção e afeto os que vem de lá do Norte. Idem na série, quando a ação se passa em outra locação parece mais sem graça um tiquinho. De resto, sobre o primeiro episódio, amei a primeira aparição do Tyrion, Tio Benjen e de Jorah, claro #Gatos. O primeiro capítulo de Daenerys, no livro, é envolvente. Eu senti o desenraizamento dela e a solidão que a faz amar e temer o irmão. Por outro lado, a primeira aparição de Daeneryzz na série é olhando pro tempo com cara de nada #prenúncio. Isso não me impede de achar que a cena do casamento teve uma vibe erradíssima. 

O primeiro episódio da série é bonito. Aliás essa é uma característica que mesmo nos altos e baixos narrativos não se perde. A presença forte da Muralha. As cores no bosque de Winterfell. A câmera acompanhando os malabarismos de Bran. Os figurinos mais leves e coloridos do sul e a sobriedade no norte. E a abertura? Hipnótica, tudo orna, a música, a historinha de westeros pré-narrativa da série. A pouca profundidade no desenvolvimento de alguns personagens e tramas ainda não apareceram. É envolvente. 

Revisitado o primeiro episódio (e os primeiros capítulos do livro) fiquei com a frase na cabeça: "não te amaria tanto, querida, se não amasse muito mais a honra" (querida Catelyn, querida família, querida propriedade, querida terra). Sigo na releitura, tão bom reencontrar personagens e seus desvios.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

De onde. Pra onde.

O mundo não é o que devia ser. Mas coisas que nos aproximam ou se aproximam (de forma incompleta, que seja) de aspectos deste mundo não podem, não devem ser mencionados, lembrados, que dirá comemorados, porque ajuda a manter (????) o mundo como ele não deve ser. Essa é a lógica, mas dizer que eu entendo, ah, não entendo não.

Tem muita coisa que eu tenho deixado de falar. Essa estava sendo uma destas. Mas só uma palhinha: o Lula teve milhões de votos de pessoas distintas. Depois ele teve mais milhões de outras e mesmas pessoas. Depois ele passou milhões de vontades de votar nele pra quem ele apontou como sucessora. E agora ele tem milhões de intenção de votos de um monte de gente. Será demais, demasiado esforço, imaginar que esses milhões de pessoas não são um grupo homogêneo e que grande parte dele, inclusive, não é de militância acrítica? Será muito tentar dialogar e entender os porquês além de chamar de devoto, zombar e menosprezar com virulência? A não ser, claro, que o importante não seja efetivamente a transformação do real, mas a sensação de ser moralmente melhor e mais sabido.

(aí saiu uma matéria: No enterro de Marco Aurélio, turma da manutenção e limpeza pede foto com Lula e Dilma. Se a gente se recusa a ver, se a gente não tenta entender, se não procura ouvir, dialogar, não vamos sair do buraco)

Tem dia que eu sinto muita falta do amor que você me dava.


Eu gosto muito das vidas que eu poderia ter tido. Não faz diferença que eu tenha escolhido não vivê-las. Talvez seja justamente por isso que gosto tanto delas.

Queria muito ver o mundial de paratletismo, mas me conformo assistindo o grand prix de vôlei. 
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