segunda-feira, 26 de junho de 2017

Inóspito

A verdade é que é um mundo inóspito.

E essa sanha punitivista me assusta, sempre.

Tenho enrolado bastante nesse negócio de colocar ponto final. Não tenho certeza se tenho medo de lidar com o que vem ou temo abandonar o bom que já se foi. A verdade é que eu devia estar no divã.

Queria muito que o calendário voltasse ao normal. É muito chato começar o semestre já meio cansada.

Quanto mais o Gil envelhece, mais se torna (dos) meu(s).

Eu nem ligo pra roupa, mas queria muito, muito, o guarda-roupa da Edith. Sim, tenho revisto Downton Abbey. Sim, significa.

Três livros em três dias. Futebol. Pizza com amigos. Documentário da Gal. Pão. 

Do que mais gosto é do que não serve pra nada. A gente diz, com riso no olho: “não vale uma cibalena vencida”. Gosto do que existe sem propósito. Ou ainda, do que vivemos sem propósito além do próprio desfrute do que é. Não é para. Para emagrecer, para aprender, para ficar saudável, para empoderar, para seduzir, para ficar em forma, para conquistar, para manter, para acabar. Vive-se e é. Ou está.

Mas você quer que tudo caia no seu colo? Sim.

Luciana, você quer voltar? eu quero é ir. 

Se ela tivesse a coragem. Mas não tenho, Vinícius.



quinta-feira, 22 de junho de 2017

Um Mundo Com Rita

Ontem foi aniversário da Rita. Passei o dia adiando escrever uma mensagem qualquer, feita só pra participar da festa. Queria fazer a mensagem com artigo definido, de preferência, maiúsculo. Claro que a perfeição é inimiga do bom e tal e coisa. Nem mel nem cabaça, vamos resumir filosoficamente.

Mas há males que vem para encher a página com fotos nossas juntinhas.






Rita é essa doçura na minha vida. Esse alento. Essa referência. De muito que a gente, humano, deveria, poderia, gostaria de ser.

Um mundo em que a Rita fosse feliz, um mundo que não doesse na Rita, que não assustasse a Rita, que não irritasse a Rita (sim, ela fica braba que é uma beleza) seria um mundo bem bom de se viver.

É isso, amiga, que eu desejo nesse seu aniversário: que dê tempo a gente ver frestas deste mundo que não te magoasse, irritasse, assustasse. 

E é isso que desejo, pra mim, nesse seu aniversário: estar nos outros que vão chegar. Mais pertinho, algumas vezes. Uma conversa com café e bolo. Um abraço. Conversas no Skype. Um outro livro, talvez. Um mundo com Rita me faz melhor.

terça-feira, 20 de junho de 2017

A Princesa Que Dormia

Tenho te visto por aí. Tomando banho em águas termais. Aparecendo em foto de amigo. Nas memórias de uma noite em Canoa. Fazendo participação especial nos raros sonhos de olhos fechados. E, até, todo exibido, em alguns de olhos semicerrados. Sei coisas sobre você. As mãos, textura, tamanho, temperatura. O timbre rouco. O brilho gentil no olho. O sorriso discreto. Alguma coisa irremediavelmente perdida na alma. Como na história antiga, teu coração no cerne da rosa dentro de uma redoma de vidro, dentro de uma pedra, embrulhada em seda, dentro de uma bolsa, dentro de uma arca, no fundo do mar. Tenho esta vontade de afastar, carinhosamente, teu cabelo da testa. Beijar teu canto da boca. Ver o rubor meio vergonha meio desejo quando gargalhar alto, muito alto. E tenho, quase ao mesmo tempo, a vontade de rir de mim mesma. E rio. Debochadamente. Estilhaço o cristal e aprecio as cores que o som forja em cada fragmento, como se luz fosse. Sei bem o que estas visões dizem, não de ti, mas de mim. Armo a rede, deixo o vento embalar. E resgato a voz de Bethânia pra fazer eco nos vazios de dentro: ergue a mão e encontra hera e vê que ele mesmo era a princesa que dormia.



Porque você ri tanto na hora das fotos? Deve ser para espantar, com barulho, os espíritos que roubam a alma (#MisturandoCrenças)

Cogumelos rosa (ou salmão): a escolha entre sabor ou apresentação. 

Tá passando um documentário sobre a Gal, na HBO. Cheio de depoimentos legais, trechos de espetáculos, memórias divertidas e tal. Falas das pessoas mais relevantes na carreira, especialmente os Doces Bárbaros. Domingo, 22hs. Vai chegando a hora, eu ligo a televisão e grito: vem, amore, vamos ver a Bethânia. 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Mulher Maravilha: primeiros comentários aleatórios

Ainda vou escrever sobre o filme, acho, mas, por agora, antes de dormir, umas considerações aleatórias (pode ter spoiler, não sei, se achar isso importante, melhor evitar).


Mulher Maravilha é um filme muito bom por vários motivos que você pode encontrar elencados em várias críticas feitas por gente mais qualificadas pra avaliar do que eu. Mas algumas coisas do roteiro são destaque pra mim:

a) Na batalha final só tem soldado envolvido. Pode parecer bobo, mas estou cansada de heróis indiferentes;
b) O deslumbramento que Diana tem diante de Londres, do mundo fora da ilha, é o mesmo que espero nunca perder;
c) A personagem cria laços, não só com o paquera.

Tocou-me especialmente o momento militante do filme: você vai, dá o sangue, se esforça paca pra ter um pequeno avanço, salvar uma pequena vila, ter uma noite de dança, riso e brindes. No dia seguinte tá tudo devastado, tão passando PEC retrógrada que impede o aborto até de vítimas de estupro e a gente fica WHAT? NO! E tem que sacudir a poeira e continuar na peleja. Não vamos salvar o mundo, eu sei, a Mulher Maravilha sabe. Mas vamos continuar por aí, pelo bem da humanidade, dando nossas porradas e falando de amor.

PS. Não nego nem confirmo que chorei quando apareceu a menininha imitando as guerreiras.

domingo, 4 de junho de 2017

Killing Me Softly

Já faz um tempo que vi the killing. Na época, achei ok. Boa. Mas não me lembro de ter causado nenhuma emoção especial. Aí, ontem. Tanta coisa, ontem. Londres e tal. E eu, que busco sentido e refúgio nos romances policiais, resolvi ver se o efeito era parecido com séries e revi um episódio aleatório de The Killing. E tem coisa que fica enterradinha que nem semente, né? Nem sabia que podia recordar tanto. Penso que o mais doloroso desta série é perceber que podemos recorrentemente enfiar o pé na jaca. Nada nos protege da nossa capacidade de errar. Moral da história: se você estiver se sentindo meio mal na vida, sempre pode rever um episódio de the killing e se sentir pior.



Tem aquela crônica maravilhosa do Verissimo do cara que era da geração errada. A primeira depois dos cachinhos em bebês e a última antes de ser absurdo bater em crianças. A última antes da pílula. Coisas assim. Hoje eu rio muito mais deste texto do que nas primeiras vezes que li. De nervoso, provavelmente. Não creio que minha geração tenha algum problema de timing. Mas ando matutando se eu não estou meio fora de ritmo. A sensação de ter chegado antes da festa começar ou ir embora quando ela está realmente ficando boa. Tento acertar a passada, mas é inútil. Fiz antes. Ou ainda não fiz. Quando sentiram as dúvidas eu já havia aprendido a lidar com elas. Suspeito que outras chegarão pra mim quando não for mais questão pra ninguém. Cada vez mais sozinha. E eu podia fazer de conta que não dou a mínima, como quase sempre, mas tem horas que. E mesmo nem sendo tantas, quando são, são sinédoque – que aprendi como metonímia (isto, imagino, seja mesmo uma questão geracional).


No Handmaid’s Tale da semana que passou, a Aia insiste em manter os encontros perigosos com o motorista. A gente pode morrer, ele argumenta. E ela não diz, mas é como se: se morrermos, significa que estávamos vivos...sem os encontros, sem alguém que saiba quem eu, é como não estar. É sendo vista, tocada, desejada que ela deixa de ser Aia e se afirma June. Quando o moço sustenta que não vai continuar encontrando-a, ela replica, com desprezo: Sob os olhos Dele. Um olhar que desintegra. Se você não me vê, desapareceremos sob o absoluto desse olhar que suprime individualidades. 

Sem o Outro, não sou. Dying softly. 

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