quarta-feira, 17 de maio de 2017

Renata

Por estes dias eu escrevi que a gente não é amiga só pelas afinidades, mas elas são imensas. As diferenças, não tive tempo de medir. Nem necessidade. Existem. E vamos navegando por elas. Com elas. Na companhia da Renata a viagem é uma alegria, mesmo por mares em tormenta.


Então, hoje é dia de festa lá, é dia de festa em mim. Celebro a vida que é dela, celebro esta vida na minha e todo o aprendizado, a cumplicidade, a liberdade. Festejo a caixinha, a gargalhada, o abraço, as ruas desvendadas, as mesinhas em boteco, o dia vadio.



Renata é conforto. É varanda, rede, café passado e a estrada na beirada. Renata é cor. Luz. Da que não ofusca, inspira. É convite. Venha conhecer a vida, eu digo que ela é gostosa, ai, ai. É sabedoria. Como uma biblioteca antiga, onde tudo se pode saber, sabendo perguntar.



O meu sentimento, hoje, é de gratidão. Por sermos quem vamos nos fazendo e, neste percurso, nos tocarmos. Sou imensamente grata por esta amizade que me transforma e acolhe.



A vida não está fácil. Estamos em luta e as perspectivas não são alentadoras a curto prazo. Os votos de felicidade, digo assim: amigos, risos, força, cerveja, encontros, miudezas. Que o mundo ao teu redor seja cada vez mais como seus brincos, unhas, sonhos: colorido, vibrante, bonito.



A amizade é um amor, repito. Te amo, sua linda. Feliz Aniversário.

terça-feira, 16 de maio de 2017

No Ponto

Mas atéia, atéia de todo, Luciana? Meio constrangida, confesso: ainda acredito na inveja dos deuses. 

É uma contradição interessante que eu busque respiro na psicanálise onde, sabidamente, não se pretende nem resposta nem consolo. Mas, suspeito, a beleza me basta. 

É estranho quando um semestre acaba tão fora do calendário usual. Parece que ficou tanto por fazer. Mas já sinto aquele cansaço querendo se tornar prontidão para uma nova turma. Já não tenho muito a dizer, embora fale pelos cotovelos. Não sei se chegamos onde deveríamos, mas sinto que fomos o mais longe possível. Só espero que uma ou outra reflexão aguente firme e atravesse o mês de férias. Gosto de pensar que, suportado este período, uma idéia ou outra permaneça com eles, como inquietação. 

42 anos, já tive muitas, muitas alegrias na vida. Uma das que gosto de compartilhar: acertar o ponto do peixe. Talvez para quem me lê isso seja banal. A cozinha tem suas mágicas, acho eu. Tenho gosto no meu tempero. Tenho prazer nas minhas combinações. Mas o ponto, o ponto é mais que atenção, cuidado, conhecimento. É, também, o bafejar da boa sorte. Talvez porque eu fique impaciente e para não tirar precipitadamente me desligue, o risco de ficar seco ou tirar dois minutos antes sempre me assombra. Mas hoje, hoje não. Macio e suculento por dentro, douradinho por fora. 

Geralmente em livros romantizados com descrição de batalhas, quando um dos protagonistas é ferido, há a surpresa antes da dor. Eu sempre achei isto meio brega. Até. Foi assim. A surpresa por poder ser ferida. Até agora ainda é maior a surpresa por estar doendo do que a dor, ela mesma.


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Diariamente

A verdade é que eu ando empurrando com a barriga e torcendo que a mudança do calendário letivo me permita começar tudo certinho. Foi um semestre bom: a defesa da tese. Mas bagunçou o resto tudo. Não curto ser uma professora ausente. Por outro lado isso criou uma dinâmica na turma de Psicologia que me instigou. Quase não seguimos as atividades e temas pré-estabelecidos, a dinâmica foi puxar conversa e desenvolver os conceitos a partir do papo. Não teve muita sistematização, mas não faltou insight.

Uma das intenções é voltar aqui, diariamente. Pra falar de qualquer coisa ou de coisa nenhuma. Estar. Ser.

Nessa vibe vou logo partilhando uma informação de intensa relevância (cof, cof): sendo convidada, eu como qualquer coisa que me servirem, já que não tenho alergias e talz (edit: sendo talz, por exemplo, restrições alimentares de ordem religiosa). Até chuchu, Luciana? Aí já é vandalismBRINKS, até chuchu, em pequeniníssima quantidade, mas comeria.

Aí de treta em treta tem aquela outra da mãe de gente, de bicho, de planta e tal. E eu só pensando que a gente devia estar lutando pra se desvencilhar destes rótulos e estamos é brigando por eles.

Preciso de dentista, dermatologista, oftamologista. E cortar as unhas do pés.

E tem você. E aquela dúvida: será que? Podia ter ficado mais um pouco naquele abraço sem me perder? 

Tem aquele trecho do Bivar que a Bethania recita: "tinha medo de tudo quase". Troca aí medo por saudades.




quarta-feira, 3 de maio de 2017

Voto Válido

Uma amiga perguntou no FB em quem as pessoas (de esquerda) realmente gostariam de votar em 2018. E um monte de gente respondeu. E eu sempre me sinto na contramão porque, tirando o Brizola em 1989 (quando eu nem tinha idade pra isso), eu não me lembro de ter tido vontade de votar em alguém especificamente, especialmente em um momento pré definição oficial de candidaturas e programas. Eu me identifico com bandeiras. Com partidos. Com propostas. Com cores (me julguem). Quem vai, especificamente, segurar as bandeiras, representar os partidos, defender as propostas, apenas precisa (pra mim) ser coerente com os mesmos. Isso não significa que eu não admire posturas ou trajetórias específicas. Mas isso não é o suficiente. Ou, ao contrário, é demais. Não sei definir. Não espero alguém especial. Na verdade meu sonho é que se despersonalizasse o debate, a campanha, as gestões. 

São dias difíceis. A agressão aos manifestantes. A proposta de mudança das leis trabalhistas para a zona rural. O texto da professora benevolente em relação aos cotistas. A prisão dos palestinos agredidos por xenófobos. O espancamento do casal homossexual. A forma contínua e quase invisível do genocídio das travestis. 

No miolinho, o respiro, mãe, pai, sobrinhada, riso, baralho, banho em aguinhas mornas pra facilitar a circulação.

Uma alegria: achava que tinha perdido o ritmo, mas defender a tese parece que destravou tudo, tenho lido numa voracidade de (eu mesma) adolescente. 

Quem dera fosse você o moço dos búzios. 




domingo, 23 de abril de 2017

Saco Vazio

Eu nunca fui uma pessoa de planos. Não me lembro de alimentar projetos, expectativas nem sonhos a não ser um distante namorar o Éder quando tinha por volta de dez anos de idade. Carreira, família, bens, militâncias, metas. Nadinha. Nunquinha. Não tinha propósitos além do batido e subestimado mudar o mundo – e mesmo assim daquele meu jeito, no moído, pé ante dito, etc. Passei por casamentos, graduações, mestrados, concursos, trabalhos, apensa estando. Até que.

Por mais ou menos cinco anos, foi ela. Ou ele, mais precisamente. Que começou como doutorado, mas por volta de seis meses se tornou mento e é assim que vai ser lembrado por mim. Determinou espaços, tempos, ritmos, amores. Fez com que eu ansiasse sem saber direito a quê. Fez-me angustiada, cansada, animada, organizada, viajada. Solitária. Repleta. Ocupou coração e mente.

E agora, oco. Espicho palavras e os vazios internos repetem a sílaba final, como um mal ajambrado eco de desenho animado. Saco vazio não se põe em pé, diz o ditado e confirmo eu.

A bagunça de uma sala semidesfeita. A preguiça de cozinhar. A completa incompetência para voltar ao que precisa ser feito. Tenho aulas para dar e para repor e tenho vergonha de não estar à altura delas. Tenho orientações. Artigos e projetos para tocar. Amigos para contactar. Nada anda. Nem mesmo arrumo as fotos nos álbuns virtuais ou posto com regularidade no FB.

Minha esperança são os romancespoliciais (também por isso). Não sei quantos serão necessários para oferecer alguma estrutura ao meu cambaleante viver, mas os tenho devorado com voracidade.

Reaprender a apenas estar. 


Tem o jogo do Flamengo. As eleições francesas. A feijoada de Ogum. O dia das mães. A visita do amigo. O caso do Rafael Braga. Os papéis pra viabilizar a validação do diploma. A defesa da amiga. A disputa pelos departamentos. A greve geral.  Eu pego, eu pego, nem que seja no tranco.
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