Uma amiga perguntou no FB em quem as
pessoas (de esquerda) realmente gostariam de votar em 2018. E um monte de gente
respondeu. E eu sempre me sinto na contramão porque, tirando o Brizola em 1989
(quando eu nem tinha idade pra isso), eu não me lembro de ter tido vontade de
votar em alguém especificamente, especialmente em um momento pré definição oficial de candidaturas e programas. Eu me identifico com bandeiras. Com partidos. Com propostas. Com
cores (me julguem). Quem vai, especificamente, segurar as bandeiras,
representar os partidos, defender as propostas, apenas precisa (pra mim) ser coerente com
os mesmos. Isso não significa que eu não admire posturas ou trajetórias
específicas. Mas isso não é o suficiente. Ou, ao contrário, é demais.
Não sei definir. Não espero alguém especial. Na verdade meu sonho é que se
despersonalizasse o debate, a campanha, as gestões.
São dias difíceis. A agressão aos manifestantes. A proposta de mudança das leis trabalhistas para a zona rural. O texto da professora benevolente em relação aos cotistas. A prisão dos palestinos agredidos por xenófobos. O espancamento do casal homossexual. A forma contínua e quase invisível do genocídio das travestis.
No miolinho, o respiro, mãe, pai, sobrinhada, riso, baralho, banho em aguinhas mornas pra facilitar a circulação.
Uma alegria: achava que tinha perdido o ritmo, mas defender a tese parece que destravou tudo, tenho lido numa voracidade de (eu mesma) adolescente.
Quem dera fosse você o moço dos búzios.




