Primeiro e antes
do mais importante: comida nepalesa e indiana, que gostoso. De entrada um pão que
mais parece uma panqueca e, daí pra frente, só gostosuras. E novas gentes, que
bom que é ouvir o sotaque em bocas tantas, cada uma em ritmo, graça e meneios
próprios.
Já não foi como no
sushi, não eram as pessoas mesmas, não eram os mesmos jeitos. Era um
restaurante estrangeiro que os fazia ficar tão em casa. É instrutivo observar
as mesas vizinhas: como pedem, quando conversam, como partilham a comida – ou não,
todas aquelas coisas a que nos acostumamos em nós e no que nos cerca. A forma
de pedir a conta, esse universal gesto com a mão que é particular em cada
lugar, em cada pessoa.
As ruas, tão, tão
estreitas. Eu sei, sou óbvia. É que me pulam ao colo tais notícias. Carrinhos
minúsculos, pequenos amassados por todo o lado e ninguém se importa. Um meio de
transporte, ou quase. E só. Acostumada a enormes espaços, garagens em todos os
prédios e a uma certa idolatria dos automóveis, é divertido – e um tanto tenso –
esse novo trânsito. Que já não será questão quando o metrô tornar-se métro, pra
mim. Manguem, manguem, mas há uma diferença enorme entre andar de metrô e de métro,
entre pegar um ônibus ou um comboio. Ou me acostumar a pegar um elétrico. É menos a coisa, que até é bem interessante, e mais o dito.
E aulas. Turma
pequena. Não, minúscula. Oito pessoas. Regras, calendário (muito mais que uma
noite inteirinha por semana, viu, irmãos galhofeiros?), atividades,
conferências, apresentações e já uma tarefinha para a semana: sem power points
nem qualquer tipo de suporte assim, apresentar o projeto para discussão da
turma. É muito, é árduo. É um pouco como ter Tomas do outro lado da sala, suave
e direto: tire a roupa. Lá Sabina e as outras tantas ficam excitadas, mas há,
também, um certo temor, uma embaraço. Pois é assim: uma semana e já nos
desnudamos frente a todos. Rápido e intenso, quando a luz e o clima pedem uma
certa contemplação, uma vagarosidade, um langor. Mas não, bem sei, é só minha
preguiça e vontade de ficar vendo o rio virar mar.
Há água em Lisboa.
O Tejo é um desvario de beleza. Vejo-a da janela de onde agora estou. Vejo-a no
caminho pra Universidade. Respiro-a, sinto-a. “Perto de muita água tudo é feliz”.


