segunda-feira, 30 de julho de 2012

Lágrimas Olímpicas

A Tina escreveu um post sobre as Olimpíadas que eu queria ter escrito. Claro, com mais verve e sabedoria. Obrigada, laralilá. Fica dito e eu linko...

Mas como não é muito minha praia ficar calada, umas palavrinhas sobre Olimpíadas: eu amo! Amo que estejam tantos por lá (tem mais países representados nas Olimpíadas que na ONU), amo as pequenas – e as grandes – superações, amo as lágrimas de alegria, amo o sorriso cansado, amo que cada um supere mais a si mesmo que ao outro. Amo. Claro que gosto quando chegam medalhas, mas são menos importantes que as histórias de busca por uma. As Olimpíadas são uma espécie de empecilho pra eu ser completamente internacionalista...

Ah, eu choro. Choro um bocado durante as Olimpíadas. Choro até lendo coisas sobre as Olimpíadas. Por exemplo: vocês sabiam que quem inventou a volta olímpica foi um brasileiro? Caí no choro. Pois foi Adhemar Ferreira da Silva, em Helsinque, 1952. Ele era um gentil. Treinando pra essa Olimpíada, aprendeu com antecedência a dizer “terve, terve” (mais ou menos um “salve, salve”) e cumprimentou as pessoas no aeroporto logo que chegou. E ainda cantou uma canção popular da Finlândia. Quem não ama? Essa empatia motivou, após o lindo recorde de 16,22 metros, a volta de comemoração. Logo: eu choro.

E as primeiras medalhas do Brasil, sabem como vieram? Delegação do Brasil foi de navio mas o mau tempo fez o comandante perceber que não chegaria a tempo na Bélgica. Os atletas desembarcaram em Portugal e foram de trem. Não estes trens modernos europeus, mas trens pós primeira guerra. E embarcaram em um vagão aberto. E choveu. E o equipamento do pessoal do tiro foi roubado. Eles só puderam competir porque os norte-americanos cederam armas e munições. Resultado? Uma medalha de ouro no tiro rápido, uma medalha de prata na pistola livre e uma de bronze na pistola livre por equipes. Eu choro.

E a primeira mulher brasileira a competir que quase não o fez porque não tinha um dólar (ouiés, um dólar) pra entrar na cidade olímpica? Quando a delegação brasileira chegou em Los Angeles, 1932, precisava de 82 dólares pra desembarcar seus atletas (um dólar por atleta). Só tinha 32. Resolveram priorizar só os atletas com mais chance de medalha (que não era o caso de Maria Lenk, mas resolveram fazer história, que bom). Eu choro.

E, mais recentemente, o caso Vandelei, nosso maratonista? Só 04 atletas no mundo já receberam a medalha Pierre deCoubertin, medalha destinada a quem demonstra elevado espirito olímpico e esportividade. É uma medalha que independe do desempenho, seu merecimento é ético. Eu choro.

É isso: sou uma chorona. Mas estou em boa companhia, não acham?


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Passar Uma Borracha




Eu nunca rompi com ninguém. Nem ninguém nunca tinha rompido comigo. Até agora. Claro que eu já me distanciei de pessoas, ritmos diferentes, lugares e estilos diferentes, as pessoas vão saindo e entrando na vida com mais ou menos ênfase. Algumas reencontro em carne e abraço. Com outras me deparo na memória e há riso e contentamento. Enfim, nunca ninguém tinha me dito: estou indo embora da sua vida e não quero saber notícia de você na minha. Nunca ninguém tinha, assim, explícita e claramente, resolvido que não gosta de mim. Vou dizer, é esquisito. Quer dizer, dói e tudo, mas é mais esquisito que dolorido.

[Um parêntese indireto: eu, provavelmente, sou a única pessoa do universo conhecido e desbravado, que achou um tédio aquele filme Saco Eterno (ops, brilho) de uma Mente Sem Lembranças]

Eu entendo alguém não gostar de mim (com esforço, claro), afinal nunca achei que todo mundo tem que ser querido por todo mundo. Mas entendo pouco alguém banir outrem da vida. Acho pouco desejável um mundo em que a gente só conviva com os afins. Claro que eu não vou sair pra beber um chopp com pessoas com quem tenho diferenças significativas e se o Malafaia aparecesse aqui em casa eu não ia perguntar se quer ficar pra merenda. Mas cruzar com as pessoas na rua, dizer oi, cumprimentar, sei lá, uma certa delicadeza social, não consigo ver como algo negativo. Especialmente alguém com quem se construiu vínculo, que, em algum momento, fez até planos. Acho esquisito simplesmente dizer: pois, já era. Provavelmente eu sou tosca. Ou antiga demais. Alguma coisa me escapa nesse discurso: é melhor ser completamente sincero e transparente mesmo que isso seja grosseiro, desnecessário ou indelicado.


É que eu fico aqui lendo as coisas que as pessoas escrevem e pensando que mundo ideal é esse sem pessoas. Porque transformar o mundo sem interagir e nesse processo transformar-se e favorecer a transformação do outro é impossível, a não ser, claro, que a ideia seja fazer sumir, extinguir, matar todo mundo que não esteja no modelo. Mas acho que essa técnica já foi usada sem tanto sucesso.

Que cada um tem sua história e a partir dela lê o mundo, eu sei. Mas que se faça disso a única lente, me preocupa. Porque deslegitima a narrativa do outro. É como se fosse preciso uma história única, uma verdade única, um caminho único. Quem não é mocinho, é bandido. Quem não está comigo, está contra mim. Eu vivo nas contradições. E faz tempo que aprendi que contradições são superadas em sínteses provisórias. Não no apagamento do diverso, mas na transformação dos dois lados.

De qualquer forma, é isso. Eu não tinha na história um drama, só tragédias e comédias. Faz bem pro repertório.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Enquanto o Carnaval Não Chega

Quem me vê sempre parado,
Distante garante que eu não sei sambar...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo,
Sentindo, escutando e não posso falar...
Tô me guardando pra quando o carnaval chegar




Dias que se acabam sem que eu perceba. Andanças. Um lado. Outro. Vai. Volta. Menos dias na semana que os necessários. Uma casa empacada que ninguém quer comprar. O dinheiro que parece o da música. As incertezas. O celular que foi embora na mão de alguém mais atento. A culpa. O medo de errar. A impressão de que quando acerto ainda é um equívoco.

E ninguém anotou a placa do caminhão que passou por cima de mim. O sorriso ainda está aqui. Parente da esperança, ele é o penúltimo que morre. Mas o resto do corpo sente. A rosácea está em ebulição: vermelhidão por todo lado e um monte de curuba (tá, não exatamente curuba, mas uns calombos que parecem espinhas), asma intermitente, olheiras contínuas e as mãos e os pés começaram a despelar (por favor, sem piadinhas sobre cobra mudando de pele) e o pior de tudo (se há escala pra isso) é esse cansaço, o corpo mais lento e a sensação de que não vai dar pé. Um monte de coisa em aberto e ânimo zero pra resolver. Diagnóstico médico: fadiga e preocupação (stress, para os phynnos). Eu devia repousar e não me preocupar tanto. Já pode dar risada? 

No meio de tudo a sensação de nó no estômago e a impressão que você vai embora a qualquer momento quando souber que essa eu não é exatamente a sua eu. 

Sei lá, acho que seria uma boa rolar um carnaval fora de época, certo, Chico? 


sábado, 7 de julho de 2012

Call Me Moby Dick

 "Me chame de Ismael e eu não atenderei. 
Meu nome é Estevão, ou coisa parecida.
Como todos os homens, sou oitenta por cento água salgada, 
mas já desisti de puxar destas profundezas qualquer grande besta simbólica.
Como a própria baleia, 
vivo de pequenos peixes da superfície, 
que pouco significam mas alimentam."
(Verissimo)



Foram livros demais. Muito do que penso, sinto, digo está impregnado do que percorri em páginas. Nem sempre foi boa literatura. Mas, ah, que importa, eu li Moby Dick. Foi a Rita que me fez lembrar. Por causa da Fal. Pois foi, eu li. Quem leu, sabe. Sim, é um mistério, como aqueles órficos, talvez. Um mergulho. Muita gente diz que é uma das mais extraordinárias metáforas da condição humana. E é. Mas não é só isso, ou não é principalmente isso. É um livro divertido. Delicioso de ler, com um personagem (ou melhor dizendo, com personagens) que tem tantas dimensões quanto qualquer pessoa instigante que você conhece. Normalmente eu não me aflijo de ler traduções. Gosto do sabor da língua portuguesa e sou tranquila com minhas limitações. Mas Moby Dick é um daqueles livros que me fazem pensar o que posso estar perdendo. Porque se o ritmo, os diálogos, as descrições já são ricos, rigorosos e sensíveis, que dirá na língua original. Paciência. Não se perde na tradução a sensação de que o capitão já perdeu desde sempre a batalha que o move. Mesmo que. Não se perde a luta entre o absurdo e a tentativa sistemática de colocar ordem no mundo e o que isso nos acarreta. Não se perde o desespero. Não se perde a angústia de Ismael, lançado à própria sorte. Não se perdem as referências bíblicas – embora não determinantes para o deleite com a história. Não se perde o sentido de autodestruição. Não se perde a plena noção, a cada página lida, que aquela é uma experiência especial. Não se perde o sabor de atravessar mares, viajar e viajar, ficar á deriva e, enfim, respirar, outra e a mesma, depois de tudo na memória. 

Moby Dick é um dos livros que releio. Evito dizer que reli, ele ainda está em mim e, qualquer hora dessas, esbarramos de novo. Há uma série de livros que não canso de ter nas mãos, nos olhos, na pele. Tem gente que diz que a vida é muito curta pra reler. Pode ser, mas a lógica não me parece acertada. Se assim fosse, eu não ouviria vezes e vezes Bethania cantando "tantas vezes eu soltei foguete...". Ou não iria de novo aquele lugarzinho ótimo com um belo sushi. Ou, claro, não perderia tempo dormindo noites e noites com o mesmo cara...afinal, não há tantos por aí? Claro, cada dia que durmo, transo ou simplesmente fico de mãos dadas com o tal cara, ele e eu somos outros. Né? Pois eu e os livros, também. Eu não tenho fome do novo? Tenho. Mas tenho cá pra mim que o novo muitas vezes está no olho. 

“Por fora, somos vagabundos. 
Por dentro, bibliotecas”




Mas, eu dizia, Moby Dick é grande. Daqueles livros que trazem o desassossego e a beleza tanto no que dizem como nas entrelinhas. Há alguns assim. Pelo menos pra mim. Pensando nisso, lembrei de Fahrenheit 451 e na dificuldade que eu teria de escolher meu livro. Pra quem não viu (ou não lembra) Truffaut filmou uma versão do livro de Ray Bradbury, uma distopia onde os livros são incendiados porque, olha só, são perigosos. Mas como não há mal que sempre dure (pausas para o riso) o protagonista - e também nós - somos apresentados aos subversivos: pessoas que decoram um livro inteiro. Eles, juntos, são uma biblioteca. Eu amo esse filme. Tem quem não goste, é Truffaut fora da "zona de conforto". Eu amo. Considero um dos Top 5 da ficção científica. Acho inesquecível e extremamente sagaz (eu e mais uns trocentos críticos mais sabidos que eu) que os créditos não sejam apresentados na tela, mas ouvidos pelos espectadores. Mas nem era isso que eu ia dizer. É que eu nunca consegui decidir que livro eu aprenderia. Que livro eu consideraria indispensável guardar em mim para que não se perdesse. 


Ainda não sei. E você, que livro você acha que não pode ser esquecido e, pra isso, o decoraria e passaria a "ser" ele?


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Visita

Minha conexão – que já é ruim, andou péssima por uns dias e o Borboletas ficou em rubra espera. De letras. Que chegaram, inesperadas, belas e comoventes. Da querida Mademoiselle C. 

Gosto quando o meu vermelho encontra a intensidade de outras pessoas. Gosto de visitas. De recebê-las, de lê-las. Gosto, ainda mais, quando me dizem tanto. É um prazer ter Mademoiselle hoje - e sempre que ela quiser - por aqui. 




De Mim, por Mademoiselle C.

Me ame. Me eleja, me veja, me adore, me cultive. Me mostre, se gabe, me privilegie, me escolha. Definitivamente. Me espere, me leve, me conduza. Me preserve, me gaste, me provoque, mas não me ameace, não mais. Me ganhe, se perca em mim, mas não me perca, não se perca por aí, não se esqueça de mim, não se esqueça de mim, não desapareça. Me conheça, me reconheça, me pesquise, se aprofunde. Me apazigue, me acalme, me nine, me adormeça, me explore, me suje, me revire, me salve, me resolva (solve me), me decida, me desordene, me acerte. Me segure, me assegure, me prenda, me amarre, se amarre. Me busque, me cante, me escreva, me fale, me ouça, me trague, me prove, me deguste. Me embriague, se embebede. De mim.



Das Pequenas Confissões

Gosto de viajar, gosto muito, amo mesmo, mas não curto me mudar. Isso tem relação com minhas incompetências: sou péssima em aspectos práticos e operacionais. Mudar tem uma série de tarefinhas que me escapam totalmente: fechar conta de luz, vender ou doar móveis, encaixotar coisas, lembrar onde está documento X ou Y, alugar caminhão pra transporte... no meu mundo encantado eu alugaria lugares mobiliados e levaria apenas roupas e livros. Mas, Luciana, seu estilo? A decoração? Sei-quê-lá seu jeito? Gente, momento confissão: eu não tenho estilo. Faz um ano e meio que moro aqui e não coloquei um quadro na parede. Não encomendei um móvel projetado, não coloquei um box no banheiro, não comprei um abajur fofinho, n-a-d-a. Espalhei meus livros. Foi isso que fiz e só. Ah, claro, eu não tive dinheiro, foi um período de liseira. Mas não justifica, porque, olha, eu tenho até os quadros – lindos – guardados em alguma caixa que não abri desde a mudança. Eu gosto de lugares bonitos, confortáveis e acolhedores? Sim. Muito. Já disse por aqui que amo o apartamento de Lemuel. A casa da minha amiga Bete. A casa da minha mãe. São exemplos dessas características e eu vivo socada lá. Também gosto de ambientes alternativos, com estilo inovador e criativo. Whatever, não tenho habilidade, jeito, memória, energia pra isso. Não estou me mudando agora. Mas tenho que, em breve. Essa casa está à venda é grande demais pra mim. Provavelmente antes de um novo lugar pra chamar de meu eu carregarei essa falta de habilidade por um tempo pra outro lugar. Um lugar de livros – isso me faz feliz. 
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