quarta-feira, 30 de maio de 2012

Enlace

Esse tumblr é lindo 



Coisas pra fazer de mãos dadas:

- dormir
- descer ladeiras correndo
- rodar de olhos fechados
- andar no parque
- ver filme no cinema
- ver filme no sofá
- ver filme na cama
- ver filme, pronto
- pular na piscina
- conversar até dormir
- esperar o sol nascer num banco de praça
- dançar forró
- despedir-se
- conversar e dançar na varanda (sugestão da linda deh)
- fazer amor (sugestão da Sara, <3)


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Namorando a Lua


Quando eu namorava a lua, uma dos mais constantes rituais de amor era dormir em seu colo. Mãos juntas, conversa ritmada e o peito feito travesseiro, eu dormia. Passou o tempo, já não era lua, e um dia, um ele, disse: gosto tanto de observar você dormindo! E foi em gelo o meu peito. Um susto. Por muito tempo não pensei nisso. Mas, hoje, ônibus na estada, veio-me tudo. Eu durmo fácil em qualquer viagem. Porém, em toda parada, em qualquer parada, acordo. O ônibus diminui a velocidade e eu já me arrumo na cadeira, desperta. Por quê? Tinha uma moça na cadeira atrás da minha. O ônibus parou e ela continuou dormindo. Durante toda a parada, pessoas subindo e descendo no ônibus, luzes acesas e ela dormia. Fiquei fascinada. Dormir é estar entregue. Despida de toda tentativa de ser quem se quer ser. Despida, apenas. Se isso pode ser um apenas. Eu, que me orgulho de me jogar em abismos de olhos bem abertos, inquieto-me de já não saber dormir a não ser sozinha. Porque eu já. Antes. No tempo da lua. Sabe? Não ter medo. Esperar o bom. Saber o riso. Quero. Exatamente assim: poder ser vista, mais do que ver ou mostrar. Quero. Exatamente assim: estar entregue. Dormir, no seu braço, no seu olho, no tempo incerto. Então, que seja você. Seu abraço, cafuné, chamego. Que eu ainda possa. Olhos fechados, coração aberto. 

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Uma Visita Indignada

E o Borboletas fica rubro de alegria de ter duas visitas assim, encostadinhas uma na outra. Visitas queridas, inteligentes, sensíveis, tocantes. Hoje, vamos na indignação e no sentimento da Cris Rangel. Cris é um destes presentes que a net me trouxe, feito mensagem em garrafa que aparece na nossa praia. Tem tantos segredos e promessas como revelações e presença. A garrafinha chega, despretensiosa, e muda nosso jeito de ver o mar. Sabemos que ali, bem ali, num recanto surpreendente, há alguém que nos tocou. Isso faz o mar ficar mais belo. Faz a vida ficar mais complexa e interessante. Foi assim, é assim a Cris na minha vida. Não sei tudo, mas gosto de tudo que sei.


Mulher, by Cris Rangel

Nasci mulher. Não sei se por algum capricho do destino ou o que, mas o que importa hoje é que nasci mulher e mais que isso, me fiz mulher, aprendi a ser mulher.

Quando digo que aprendi a ser não é porque ser mulher seja uma tarefa, mas é porque para realmente ser mulher é preciso ter muita coragem, e coragem a gente vai aprendendo a ter aos poucos, dando um passo a cada dia.

É a coragem de se voltar contra as normas machistas da sociedade, é a coragem de não acatar às determinações familiares fazer tudo de um jeito diferente, o meu jeito, meu jeito de mulher.

Eu sou mulher hoje, mas percebo que o mundo não está preparado para mim, para a mulher que me tornei.

Um mundo em que há pessoas que avaliam de maneira maldosa uma conversa entre a mulher (eu, no caso) e um homem, não é o mundo que eu quero para mim. Um mundo onde virar-se repentinamente de costas para um homem é visto como se fosse obscenidade, um mundo onde a mulher não pode encostar, nem mesmo sem querer, a mão na perna do homem enquanto conversa com ele, não é o meu mundo, não pode ser.

E tudo isso ainda acontece, como se a mulher fosse apenas uma propriedade, um pedaço de alguma coisa que pertence a alguém, a um namorado, noivo, marido.

Eu pertenço apenas a mim mesma. Eu faço com o meu corpo aquilo que bem entender, porque meu corpo sou eu e ele é mulher.

Essas coisas acontecem porque nesse mundo em que me tornei mulher o homem ainda acha que a mulher precisa manter uma certa ‘postura’. Onde já se viu mulher conversar alegremente com um outro homem que não seja o dela? Onde já se viu mulher gargalhar em alto e bom som numa festa?

Mulher tem que se manter respeitosa, tem que se manter na linha, porque, acreditem, foi o que eu ouvi, ‘os homens se aproximam das mulheres sempre com a intenção sexual, não existe outra razão’. Ouvi isso do homem que amo e que se sentiu tão ofendido com ações minhas absolutamente despidas de qualquer intenção maliciosa. Ouvi isso do homem que amo sim, mas ele se provou um tremendo machista, mostrou para mim uma faceta possessiva que não sabia que ele tinha. E eu? Eu me sinto um pedaço de carne no açougue, um objeto desejado e não a mulher inteligente, elegante e capaz que sei que sou.

Este é o mundo em que eu vivo, mas não é o mundo que eu quero. Um mundo em que existe qualquer tipo de baixaria relacionada ao comportamento feminino, e surtos masculinos de todo o tipo por coisas que só existiram na cabeça do homem, não pode ser o meu mundo, não pode ser o mundo que eu quero para a minha filha.

Respeito. Esta é a palavra chave de todo este post. Respeito. Não agi de forma consciente a desrespeitar o homem que amo, mas fui profundamente desrespeitada por ele.

Fica a pergunta: como amar depois de tudo isso? Como ter uma vida e uma relação depois de tanto desrespeito? Por que a gente aceita as facetas mais absurdas das pessoas que amamos? Ou pior, porque amamos e as pessoas revelam características que nós sabemos que não podemos aceitar?

Ainda não sei. O sentimento dói das maneiras mais estranhas e menos prováveis até então. Mas um aprendizado ficou, o de que ainda não aprendi a melhorar e aumentar a minha auto-estima. A vida toda sofri com auto-estima baixa e agora parece que colho os frutos. Depois de aprender a ser mulher este deve ser o aprendizado de todas nós, auto-estima feminina, como mulheres que somos.

E todas estas palavras foram para dar corpo ao que sinto hoje, ao desapontamento e à tristeza, para poder olhar para tudo isso, tornar palpável e repensar a vida. A única certeza é a de que sempre serei mulher, e uma mulher cada vez melhor.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Das Ressacas

Uma das coisas de que gosto de verdade, com intensidade, com empolgação... é do mar. Em grandes alegrias, em enormes tristezas, quando tudo é imenso demais no sentir, eu me deixei no mar. Me deixei ser mar. O mar pede entrega. Outra coisa de que gosto com a mesma intensidade e empolgação é de gente. Gente assim que nem a Isabela, que vem visitar o Borboletas hoje. Gente que vive com paixão, reflexão, sensibilidade e sabe colocar, em cada letrinha, todo esse sentir. É sempre meu prazer e minha alegria acolher os textos que tocam, comovem, encantam. E quando chegam assim, em dupla, gente e mar, admiráveis, não há como resistir. O Borboletas se sente honrado com a presença de Isabela.


Ele, o Mar... by Isabela

Ele era o mar. Ele era o mar que vinha em ondas altas. Tsunamis que engoliam tudo e a deixavam sem fôlego, sem espaço, sem movimento  e....  querendo mais. Mais água, mais ondas, mais afogamento. Que susto. Que medo. Que encantamento. O mar. O mar que vinha e cobria as cores do seu mundo. Ela, que mal nadar sabia. Que tinha se assustado da primeira vez. Que tinha dito espera, pára. Olha. E o mar vindo. E o encantamento era tão mais forte. A vontade de se perder no mar.... ah.... se perder no mar.... e então, quando ela, encharcada e sem ar, parou de lutar e se deixou ir, largou as amarras e se entregou, maravilhada e aterrorizada, à fúria das águas, ele recuou. De repente. Tudo seco. Deserto. Sol a pino e sem abrigo. Recuou tão longe que não dava nem mais pra ver. E ela, que por trás da fachada apaixonada e impulsiva era bicho que se comprazia em águas plácidas, das quais se vê o fundo, da primeira vez quase morreu na seca. 

Achou que era pra sempre. Mas não: era o movimento do mar. O vai-e-vem do mar.  

E ela  - e como seria diferente? - se viu enfeitiçada pelo balanço do mar. Pelas ondas que quase afogavam. Pela sensação de se perder. Aguardava, ansiando. Sonhando. E quase esquecia da seca que, inevitavelmente, viria depois.

Até que o movimento começou a ficar mais lento: ondas menores, mais contidas. Mais espaçadas. Não afogavam mais. Ele não sumia de vez, não totalmente: difícil sumir totalmente nesse mundo de conexões permanentes. Mas sumia pra ela. Falava em público: não pra ela. Olhava para o conjunto. Para o grupo. Era como sumir. Às vezes aparecia rapidamente, como se estivesse com muita pressa. Muito atarefado. Muito pouco tempo. Ondas tão pequenas. E ela, depois de um período doído, sem entender muito, se deu conta: o mar acabou. Hora de levar a vida. De ir adiante. Novos caminhos, novos desafios. Hora de ir para lugares sem mar.

Se despediu do mar, algumas vezes, pra tomar coragem. Disse a gente se vê. Talvez. Um dia. Quem sabe. E o mar, como num eco distante: talvez. Um dia. Quem sabe. 
Como num levantar de ombros. Como num resto de espuma na areia.

E então, quando ela não esperava mais, quando ela achava que dava até pra brincar, que dava pra chegar perto do mar só para olhar, sem medo de se perder e se afogar, só na beiradinha... quando ela passava por ali meio distraída, sorrindo de leve pelas lembranças...  viu uma onda vindo. Custou a acreditar. Mas era. O mar voltou quando ela quase nem se lembrava. Quando ela achou que nunca mais. Ondas maiores do que nunca. Voltou como se nunca tivesse ido embora. Voltou engolindo, pedindo, querendo. E ela, mais uma vez. E ela, que jeito. E ela. E.


terça-feira, 22 de maio de 2012

Isso

A última vez deve tirar sangue. 
Unhas riscando 
a palma.
Da mão. Da boca. Da alma.




O coração, acostumado ao seu vazio, espantou-se de ter visita. Hóspede? Inquilino? Dono? O coração não sabia. Sabia, apenas, que ele chegou devagar, analisando o espaço, espreitando as esquinas, mapeando os caminhos e veredas. Sabia, somente, que ele foi fincando bandeiras, deixando marcas em cada canto, tornando seu o que já nem lembrava de haver outro.


O coração se assustou. Descobriu, num rompante, que o peito era pequeno. Escutou sua própria angústia de desconhecer os amanhãs feito batucada. Tum-tum e acelerando. Até que. Não era nada. Não era festa, não era dia.


É aquela dorzinha fina de viver, a certeza da incompletude, a percepção dos limites, o desconforto comigo mesma, com o mundo. É aquela preocupação que nunca deixa desfranzir completamente a testa. É aquela compreensão de que não foi a melhor palavra, não foi o melhor momento, não foi. É aquela sensação de ter perdido alguma coisa, talvez o bonde, talvez eu mesma. Olhei pro lado errado do futuro e pensei que era um encontro. Era um abismo.


Estou cansada. Muito cansada. Cansada de tentar. De me esforçar. De não conseguir. Cansada de ser insuficiente. Cansada de não ser o bastante. Cansada de só me permitir ser feliz. Chegou o sofrer. A dor. Sou a dos olhos vermelhos. A do sorriso triste. A que não tem caminhos. Escrevo, letra a letra, para não esquecer: não sirvo, não presto, não consigo.


Eu, na palma da sua mão. Estava tudo certo, combinado: você ia partir meu coração. Nem marcamos encontro, nem decidimos hora, era o que podia ser: eu, você e a dor que viria. Nenhum lugar é nosso, você dizia e eu afiava a faca que você usaria pra me sangrar. Desde a primeira vez ficou acertado: nada. Nada não é nunca, eu brincava de roleta-russa e lhe pedia corpo e desejo. Eu só queria: tanto. Existem coisas que não podem ser ditas e coisas que não devem ser ditas, escrevo sempre o que não pode ser dito, deixo os deveres com você. Não pode ser dito o desejo correndo morno na pele, tudo se ruborizando e umedecendo. Como dizer um olhar feito sim e mais e agora? 

Em lento preparo pra dor, eu deixei o querer se fazer presença. Me ocupe, era um soluço, um gemido, você todo em mim, eu sei, eu espero, eu convido, eu aceito. Não acreditamos em finais felizes, não acreditamos um no outro, não acreditamos em futuros, não acreditamos em nenhum deus que não soubesse dançar e nem nos deuses astronautas, não acreditamos em redenção, não acreditamos em nada e nos agarramos, náufragos, no corpo do outro, impossível âncora. Fui me preparando pra morrer, morrer em você, aquele prazer feito soluço, eu sabia que lhe escolher era me abandonar, eu sabia, eu queria, eu sabia. Eu me fazia em confissões e estremecimentos, colecionava relógios esperando a hora certa de ser sua e não ser mais nada. Você ia partir meu coração, não ia? Não me disse nada sobre arrancá-lo do peito, esvaziá-lo dos sonhos e perdê-lo entre serras, disse?

Mas eu ainda sei contar estrelas. Ainda sei fazer pintura a dedo com o sangue que verto. Ainda sei cantar baixinho. Ainda sei fazer panqueca. Ainda sei deixar o olhar se perder no mar como se fosse, ele todo, lágrima. Ainda sei pensar: amanhã, amanhã, amanhã e fazer de conta que sou Scarlett. Mas não sou.

E tem trilha sonora...


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