quarta-feira, 14 de março de 2012

Um Dia de Cada Vez


Hoje é aniversário do meu pai. Ele é um baita cara, sabe. Quando eu era criança, queria ser igualzinha a ele. Hoje, muitos anos passados e experiências vividas, muitas pessoas e situações conhecidas, ainda quero exatamente a mesma coisa. Ser como ele é. Meu pai sabe amar e ser amado. Com ele aprendi a tolerância. O sorrir fácil. Foi espiando sua fala que fui aprendendo que ser gente é bem mais difícil do que parece: exige bondades. Foi observando seus dias que fui descobrindo: ser gente é bem mais fácil do que parece: demanda entregas. Meu pai é de coragens. E força. Meu pai é de vulnerabilidades. E generosidade. Construiu Brasília com as próprias mãos. Construiu um mundo de afeto pra nós com seus próprios sonhos. Com ele aprendi a dizer, inclusive não, mesmo pra ele. Aprendi as cores vermelho e preto para a paixão. Aprendi o cavalgar para o destino. Aprendi o sofrer na canção. Deu-me ele: flamengo, faroestes e Maysa. Deu-me o mundo. Não preciso da sua aprovação, ele me ensinou isso. Mas a quero. Quero colo, ainda. O saber-me no lugar certo. Princesa, bacorinha, rapariga, moleca, sábia, ser nos seus olhos. Ser sua filha. Igualzinha a ele.  

Mais amor por ele aqui e aqui.

Amigos

E eu, que tenho as mais doces e belas e inteligentes e saborosas amizades, deixo aqui minha alegria por receber tanto carinho em forma de letras. As Mulheres de Freud. Amei. 

Ainda eles: hoje eu e aquele cearense metido a cosmopolita tivemos dos papos mais engraçados. Sabe alívio? os dois suspirando. Sintonia fina. 

Mas tem você, em silêncios que me doem. Sei que sou egoísta, preciso de você na minha vida, sua palavra me dá sentido. Já tentei percorrer o abismo em letras. Talvez deva enchê-lo de lágrimas. 


Somático

E é isso: ontem, adoeci. Hoje, mais um pouco. Mas já entendi. Será um mês assim: em aflições. Aprender a lidar com a dor que sai no jornal. Entendi hoje que não vai ser fácil. Incomunicável, por exemplo, pesa. Assim o prometo, corta. São desassossegos. De qualquer forma, um dia de cada vez, vou a São Paulo. E Curitiba. E Florianópolis.  Um alento. Mesmo que tenha dado tudo errado, algo deu certo. Vou vivendo em Tara: amanhã eu penso nisso.


domingo, 11 de março de 2012

Das Dedicatórias



Nunca fui de poesia, mas me descubro – cada vez mais – de poeta. Esse, tão eu, meu nordeste feito letra. Outro, tão meu, uma letra feito norte. 

E de todas as coisas que desaprendi a fazer, deixar o coração sem véus é a que mais me faz falta agora. Só queria mesmo dizer...

O problema é que eu te amo
Não tenho dúvidas que eu queria estar mais perto
Juntos viveríamos por mil anos
por que o nosso mundo estaria completo...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Longe


Está chegando meu aniversário e eu ainda estou aqui, longe dos olhos e abraços que me lembram quem eu sou, quem eu fui, quem eu posso ser. Sinto falta. Sinto muita falta. Falta de ter minhas frases completadas antes mesmo de eu saber o que ia dizer. Falta das piadas íntimas. Falta das conversas repetidas. Das mesmas histórias, dos medos de sempre, dos amores de ontem. Falta dos futuros em comum. Sinto falta daquela amiga que eu só via uma vez por ano e continuo vendo essa mesma vez, mas antes era como se. Como se a qualquer momento fôssemos nos ver e sabê-la colocava o meu mundo no lugar. Sinto falta da amiga de todo dia e daquela outra do dia todo. Sinto falta de casa. Do cheiro de café. Do colo. Do riso, sinto muita falta do eco de todas as nossas alegrias antigas. Sinto falta da porta da rua, de onde eu, menina, saltava sem rede para o amanhã. Sinto falta da menina que eu sabia ser. Sinto falta do beijo na calçada, da conversa no portão, das brincadeiras no quintal. De não ter medo do meu desejo. Sinto falta de aprender a ser eu. Sinto falta das vozes. De crianças outra correndo na rua. Da minha criança correndo na rua. Sinto falta do cheiro de menino. Do peso. Falta das pequenas diferenças. Do grande aconchego. Falta de saber os percursos da cidade em mim. Está chegando meu aniversário e eu estou aqui, longe de mim.


Curtas

Anda a menina, por aí, com um pequeno sol no peito.

Fui convocada para compor o rol de jurados da vara criminal daqui. Antevejo longas noites sem dormir.

Sábado passado estive em um mim mesma que há tempos não visitava e que me faz tão bem: visitei um assentamento.

O trabalho, esse semestre, só me dá alegria. O melhor são meus meninos (sim sou possessiva) do Projeto de Extensão.

E o filhote vai tão bem lá, que nem me permito sentir a falta que ele me faz.

Nada de vender a casa. Na verdade, nada da imobiliária vir tirar as fotos. Sinto-me cimentada.

Pra facilitar minha vida, perdi a tabelinha de senhas do banco. Nada de fazer transações pela internet. Aliás, única forma que eu faço. Tudo vai mal, canta Gal Costa na vitrola...

Tem coisa dolorida acontecendo com tanta gente que eu gosto que tem hora que a sensação é que me tiraram a pele.

E ainda tem a saudade. E a angústia. Não saber dói. Queria aquele exato dia em que eu me despedi. E não o faria. Não antes de garantir que fosse um até logo.

Preciso de mais estantes. Já quebrei a barreira do milhar e as pilhas não param de crescer.

Estou escrevendo no Futepoca, pelo menos uma vez por semana. Quem quiser me visitar, eu hoje estou aqui: Meninos, Eu Vi!

Ganhei HBO e Telecine por uns dias. Tenho me fartado de memórias.

Estou lendo Precisamos Falar Sobre o Kevin. E, pra equilibrar, relendo Ciranda de Pedra e O Segundo Diário Mínimo. Não, não me perguntem sobre minha noção de equilíbrio.

Amanhã, conhecerei a querida Niara com quem toco o Biscate Social Club. Isso é que eu chamo de presente de aniversário.

Quem quiser deixar beijo, abraço e votos de feliz aniversário a casa agradece. Sou assim, sutil.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Metáfora Perfeita

Eu não sei é a mulher. Nem o que elas querem. Nem Freud, que foi o cara mais arretado que eu já li, tirou da cara o espanto. Devagarzinho, chegou-se a: mulher não é um coletivo indiscriminado a que se pode creditar um conjunto de pressupostos que expliquem sua existência ou desejo. Uma a Uma, disse Lacan, outro desses invocados psicanalistas. E nunca o ser, mas o querer único, o desejo individual, que qualifica o existir. Querer inscrito na cultura, mas dela interrogação. Querer fazer-se linguagem, mas não só. Indicação de finitude. Convocação. Não se nasce mulher, torna-se, soberba Simone, na mais simples enunciação, na mais complexa proposição. Uma a Uma. Essa uma.



Hoje, espalha-se por aí, é dia da mulher. E virão rosas. E receber rosas é a perfeita metáfora do que significa esse dia. Eu não tenho nada contra rosas, gosto até, mas o certo é que elas murcham brevemente depois de arrancadas. E esse dia da mulher, em rosas e eufóricos “parabéns por ser mulher” – como uma evidência biológica e não um vir a ser -  é assim: um efêmero oba-oba que se extingue no cotidiano dos salários diferentes para fazer a mesma atividade, nas jornadas duplas e triplas de trabalho, na regulação externa sobre o corpo feminino, na violência sistemática e institucionalizada contra a mulher, na naturalização das expectativas de comportamento, na redução da mulher à maternidade, na demanda de docilidade constante...um conjunto complexo de situações que implicam na necessidade de uma luta constante e não um arroubo romantizado sobre uma entidade coletiva indiscriminada.

Então, dão-nos rosas, como dizendo: aproveita que é só hoje. Pois eu digo: não, não me façam homenagens, não elogiem o que é um suposto em mim, não celebrem por mim e em meu nome. Pois eu digo Não. Não, desobrigada. Não quero ver meus sonhos, direitos e desejo em pétalas murchas, amanhã. 

Nenhuma Rosa hoje, a não ser essa:



Quer a programação de luta? 
Vai no Biscate Social Club e no Blogueiras Feministas.


Obrigada pelo aprendizado diário SrtaBia, Iara, Thayz, Bárbara, Priscilla, Suely, Fabiana Nascimento, Francine, Eneida. Mariana, Verônica, Marília e todas as outras queridas com quem convivo virtual e pessoalmente. 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Dos Sussurros


Então, confesso. Quero. Quero não precisar dizer mais nada e já saber-me narrativa tua. Quero não precisar tecer histórias, mas já sabê-las em seus olhos, como se o amar pudesse ser de trás pra frente e soubéssemos todos os finais e nos bastasse desconhecer o início.

Quero tuas mãos grandes, teus olhos famintos, teu desejo tão novo e direto. Quero naufrágios. Quero os sonhos antigos, as palavras novas, as madrugadas se fazendo anseio.

Quero encontros. Quero os abismos e também as pontes. Quero rir pro tempo. Pra você. Da gente. Quero o leve. Quero as certezas absurdas e os medos triviais. Quero que chegues e eu já não possa respirar. Quero que me tire o fôlego, pode ser? Quero adivinhar teu cheiro, encaixar-me em teus anseios. Quero que o que eu não te digo seja como um grito, agora: gosto de ti.

Quero o ímpeto e quero o descanso. Quero rotinas. Dias se fazendo encanto. Encostar no teu peito. Quero saber. De ti, do ontem, da vida. Quero marcas. Quero ter pressa, antecipar os futuros, precipitar todos os tempos que não vivemos. Quero minha pele desenhada com teus projetos.

Quero, em delicada urgência, ignorar o que não sabemos, não dissemos, não tivemos. Quero o depois, mas quero agora. Porque eu já sei onde me encontro: no teu abraço que desconheço. Confesso: quero tudo, eu não conheço amanhãs.
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