Hoje é aniversário do
meu pai. Ele é um baita cara, sabe. Quando eu era criança, queria ser
igualzinha a ele. Hoje, muitos anos passados e experiências vividas, muitas
pessoas e situações conhecidas, ainda quero exatamente a mesma coisa. Ser como
ele é. Meu pai sabe amar e ser amado. Com ele aprendi a tolerância. O sorrir
fácil. Foi espiando sua fala que fui aprendendo que ser gente é bem mais
difícil do que parece: exige bondades. Foi observando seus dias que fui
descobrindo: ser gente é bem mais fácil do que parece: demanda entregas. Meu
pai é de coragens. E força. Meu pai é de vulnerabilidades. E generosidade. Construiu
Brasília com as próprias mãos. Construiu um mundo de afeto pra nós com seus
próprios sonhos. Com ele aprendi a dizer, inclusive não, mesmo pra ele. Aprendi
as cores vermelho e preto para a paixão. Aprendi o cavalgar para o destino.
Aprendi o sofrer na canção. Deu-me ele: flamengo, faroestes e Maysa. Deu-me o mundo.
Não preciso da sua aprovação, ele me ensinou isso. Mas a quero. Quero colo, ainda.
O saber-me no lugar certo. Princesa, bacorinha, rapariga, moleca, sábia, ser
nos seus olhos. Ser sua filha. Igualzinha a ele.
E eu, que tenho as
mais doces e belas e inteligentes e saborosas amizades, deixo aqui minha
alegria por receber tanto carinho em forma de letras. As Mulheres de Freud.
Amei.
Ainda eles: hoje eu e aquele cearense metido a cosmopolita tivemos dos papos mais engraçados. Sabe alívio? os dois suspirando. Sintonia fina.
Mas tem você, em silêncios que me doem. Sei que sou egoísta, preciso de você na minha vida, sua palavra me dá sentido. Já tentei percorrer o abismo em letras. Talvez deva enchê-lo de lágrimas.
Somático
E é isso: ontem, adoeci. Hoje, mais um pouco. Mas já entendi. Será um mês assim: em aflições. Aprender a lidar com a dor que sai no jornal. Entendi hoje que não vai ser fácil. Incomunicável, por exemplo, pesa. Assim o prometo, corta. São desassossegos. De qualquer forma, um dia de cada vez, vou a São Paulo. E Curitiba. E Florianópolis. Um alento. Mesmo que tenha dado tudo errado, algo deu certo. Vou vivendo em Tara: amanhã eu penso nisso.



