quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Coração Em Tiras

E se eu chegasse aos seus olhos
 e você me percorresse as linhas
como se palmeasse o corpo...



Palavras repetem-se como se pudessem ser estrada. Não podem. Mas se você quiser passar por aqui, em desejos e prosas, eu sou a do corpo em festa. Pode chegar.



Ela respira. Que seja um sim, pensa, mas já com aquela dor conhecida a lhe sussurrar: desencontros. A linguagem é um território estranho mesmo. A semântica se assemelha a um castelo de espelhos em que formas desproporcionais assombram sua noite. Faz seu castelo de cartas, empilhando as histórias que lhe agradam: a mão no ombro, o abraço mais demorado, as entrelinhas tão falantes. Ela entendeu que. Estende a mão, abre as portas, troca o vestido. Em coragens, sabe que é em excessos. Ir com muita sede ao pote, dizia a avó. Faz muito sentido. A sede parece não ter fim e demasiado ímpeto consegue, no máximo, partir o pote em pedaços como se uma coração fosse. E era, talvez. Mas ela insiste, vez após vez, em desenhar agoras. Não sabe querer, a não ser com voracidade. Com suave verdade. Transparente. Sem jogos. Sem paciência, talvez. A linguagem, ela sabe, é reduto de equívocos. Mas só com ela se pode dizer: quero. Vela os olhos e abre o portal dos desejos. A linguagem é um território a ser ocupado. De quantas formas se pode soletrar morte?


E na vida real, essa da pia de louça, do trânsito ruim, das toalhas que precisam ser lavadas, das frutas que murcham na geladeira, do ônibus cheio e das contas altas, do fim de semana que demora a chegar e das noites que se acabam depressa, na vida real, eu vou aprendendo a dormir ocupando os dois lados da cama. Vou aprendendo a fazer pequenas poções, a tomar café espiando o quintal, a usar as horas certas e erradas pra fazer o que quiser. Na vida real vou
deixando que as olheiras escavadas no meu rosto voltem a ser sombras. Vou desenhando perguntas e esperando desejos. Vou aumentando os vazios. Faça caligrafia pra lembrar como se escreve: sozinha. Viver é abandonar, uma a uma, as esperanças de encontrar-me no outro. Resta, ainda, a tênue vontade de encontrar os outros. De qualquer forma, vou dormir. Não me acordem antes da felicidade chegar.



Ou então me devolvam as palavras. As minhas palavras. Uma a uma, que eu as perdi junto com as esperanças. Que não são as últimas que morrem. Elas já se foram e eu ainda estou aqui.




Confesso, em luas como essa, sinto falta que alguém me escreva em guardanapos: eu preciso é te provar que ainda sou o mesmo menino, que não dorme a planejar travessuras e fez do som da tua risada um hino...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Dia de Thayz

Eu gosto de gente. Gosto de estar perto, rir, conversar, afagar. Gosto de falar, gosto de ouvir. Gosto de querer bem, gosto de gostar, gosto mesmo. Quando digo assim: amigo, meu coração fica morno e fico feliz. Quando digo: gosto de você, te amo, Love you ou suas variações, é aí que sou mais eu. Não sou do time que acha que amor é uma palavra e/ou um sentir especial, que deve ser usado com moderação e sabedoria, para ser preciso e precioso. Acho que amor é pra ser dado. É pra ser sentido. E é pra ser dito. Penso que devíamos dizer eu te amo com a facilidade e, talvez, com a frequência que dizemos bom dia. Para quem? Ora, quanto mais gente, melhor. Claro, tal como quando dou bom dia, digo “eu amo você” com mais ou menos calor e entusiasmo (mas não menos ou mais verdade).

Somos Divas!
Hoje é dia de uma dessas pessoas pra quem digo: “eu te amo” com muita intensidade (e que, vejam só, não por coincidência, também é dessas, dessas que gostam de gente). Hoje é aniversário da Thayz. Ia dizer: a das Blogueiras Feministas. Mas não. Ou não só. Dia de Thayz, minha amiga. Se é Dia de Thayz é dia de belezas e intensidade e inteligência e muito riso. Thayz é assim: grande. Uma grande mulher, com perguntas imensas, com anseios enormes, com uma energia e uma capacidade de entrega que encantam e aprisionam o meu bem-querer. Sua amizade é de constantes, de trocas e aconchegos. Sua amizade é de farra, cerveja e lua. Mas não só: é de cuidado, aprendizado, conforto. E conversas, tantas e tão variadas que já estranho o dia que nada digo ou escuto.  Inquieta, arguta, intensa, inteira: Thayz.

Tão querida que queria dar-lhe tudo e nada, porque uma das suas belezas é este constante procurar. Faço votos, então: que a vida seja em cores, texturas e sabores. Que seja silêncio, quando for preciso, mas seja mais em sons e risos. Que seja calma, pra recuperar o fôlego, mas seja mais em intenso fazer e sentir. Que seja noite, quando seu copo pedir lua. Que seja dia, quando a alma pedir luz. Que o sofrer e o prazer se façam memória e história. Que a vida seja em morno aprender. Que seja leve, mas que não se prescinda do peso de outro corpo sobre o seu. Que seja em sonhos, amores e amigos. Que as letras sejam abraços. Que a vida seja em você.

Eu te amo, baby. 


PS. O presente que vai a seguir, ganhei-o de um amigo querido...como acredito que beleza é pra ser vista e sentida, partilho com você:




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Querendo

Meu Tempo é Quando
Ele, menino ainda. Ela, já tanto. Ele, reserva. Ela, escândalo. Ele, pensamento e ela, um grito. Ele, a caminho. Ela, a própria estrada. Saboreavam as palavras conhecidas como se fossem novas: perto, quero, viagem, conhecer.. mais, mais, mais. Não era tempo, sabia-se. Porque eram deste tipo: de saber. Pensavam, sua seara é a das palavras. Ela dizia: não, não, não, em noites de querer tanto. Como se o dizer aquietasse o sangue. Ele? Ela brincava de não entender o que ele também não sabia que dizia. Era assim: quero e se perdia nela, por um pedaço de noite. Ela, rubor. Ele, velho tênis e calça desbotada. Não era agora. Claro que não era. E falavam do tempo, para que ele parasse de ser e deixasse os dois um tanto mais sozinhos. Ele, olhares distantes. Ela, olhares pra dentro. Mas, se havia o querer. E havia. E havia. Como se palavras fizessem carícias. E letras como línguas. Ele se pôs a caminho. Ela se dispôs. Ela não diga que não se assustou. Pois sim, quase corria. Mas era uma vez uma coragem e ela ficou. Ele, arisco. Ela, esquiva. Não era lugar. Mas havia o querer. E havia mão que encontrava outra. Não pode. Não deve. Mas havia o querer. E mãos que viravam bocas e também se sabiam. Queriam. E havia ainda o refúgio das palavras e eles faziam de conta que. Que não era nada. Que não era demais. Que não era querer. Que não era. Era uma vez. Uma vez não conta. E seguiram. Como se nada. Como se não tivesse existido a coragem. Mas as estradas ficaram mais largas. E os caminhos mais curtos. Ela, mais menina. Ele, mais um tanto. 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Dos Deslumbramentos V

No futuro do pretérito
é onde melhor se conjuga o desejo. 

Porque seria tão mais fácil ficar. Faço listas: seu peito largo, aquele abraço estreito e o jeito preciso de dizer - outra vez. Porque seria uma cama, uma certeza, um prazer: você em mim. Sua voz, eu soube antes, ela faz cócegas no corpo. Acende vontades. Porque você não esquece, olha translúcido e faz perguntas tão diretas que eu tenho medo de só responder verdades. Outra lista: um filme, um livro, uma gentileza, você me advinha. Seria tão mais fácil ficar: eu sei, o abraço rápido sabe, o suspiro curto sabe, só você não sabe e eu não digo – acho bonito um homem com um vazio. A mão é quente. Grande. Presente. Ela me segura e eu só penso em escorregar entre os dedos. Pele. Seria tão mais fácil ficar: o jeito certo de encaixar as pernas, a piada, os sonhos. As noites se fazem dia sem que a lua saia do céu da boca. E nunca falta vontade, assunto ou fôlego. Eu sei tudo no pretérito imperfeito: o quarto de hotel, as roupas amassadas, um cheiro e um gosto. Há desejos que se sabem melhor assim: como se fossem acontecer. Porque era tão mais fácil ficar, ela respirou, como quem se afoga. E fez do porque, pergunta. Escolheu o difícil. E doía. 


Nota 1.
Vou explicar uma coisa pra vocês: era uma vez uma máquina fotográfica. Na mesma vez, um adolescente. Perderam-se, pois claro. Um do outro e, juntos, conseguiram perder uma série de imagens já registradas e a possibilidade de ter boas fotos no resto do passeio. Assim, sendo, vamos todos contentar-nos com o que se segue, ok?







Nota 2. Call me deslumbrada, eu amo a Europa com seu cheirinho de mofo e leve decadência. Delícia. Sempre acho interessante a discrepância entre o que me encanta e o que querem me mostrar: natureza. Legal, claro, mas, olha, sinceramente, mar e pedras e belezuras naturais eu tenho de monte aqui. Gosto de grandes e velhas construções, pequenos azulejos quebrados, museus e coisas assim-assim.


Nota 3. E eu cheguei em casa. Na ponta da língua, feijoada e essas expressões arretadas tão nossas que tenho ciúme de usar em público. À noite, sabor de mar: caranguejos. Sim, é em risos meu viver.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Dos Deslumbramentos IV

...só que ao contrário

Preciso dizer que eu de-tes-tei voar pela KLM. Muito mesmo. Especialmente no trecho Barcelona-Amsterdã. Como cheguei cedo e tenho meu super-especial-personal-ajeitador de malas, instalei-me numa boa. Mas as pessoas que foram chegando depois sofreram e as comissárias de bordo nem aí, falando em holandês, sem fazer o mínimo esforço pra se comunicar minimamente, pessoas falando espanhol e elas ignorando (putz, o trecho saía de Barcelona) e ainda ouvi uma dizendo pra outra em tom debochado (em inglês, quando foi abordada por uma passageira que pediu uma informação em espanhol): quer viajar, aprenda inglês.


Pra não ficar só no mau-humor, tenho que dizer que gosto muito de voar na TAP. Sério. Povo simpático, ar contente, faz tudo parecer tranquilo e bom.

E como diria o Lulu Santos: todo mundo com a mão pra cima, que eu tô voltando pra casa!
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