E quando o convite é sonhar? De olhos bem abertos e, ainda assim, sabendo que há sempre uma ou outra curva a escapar? E quando o convite é ao insólito de morar em ondas, em dunas, mover-se constante no que é – devia ser – raiz? E quando o topo não é o limite e se aponta para um mais além; e quando as escadas levam-nos pela mão mais e mais para o centro de nós mesmos, e quando se procura a palavra certa e só se encontra no corpo inquieto a mais exata descrição da beleza encontrada? E quando o quando se faz onde?
Pois foi assim, em mim, deparar-me com La Pedrera, que será minha Barcelona de sempre. Há belezas outras, muitas que nem espiei, outras que mal respirei ao ver, Barcelona é uma cidade linda que se sabe linda, alegre que se sabe alegre, rejuvenescida, sem tantos traços melancólicos e, quiçá, decadentes, que costumam me encantar. Há Barcelonas, um plural de cidade, de recantos, de possibilidades. Há Barcelonas e a minha está naquela construção que me sussurra: mar. E sonhos. E ousadias. Há Barcelonas e a minha está naquela construção que brinca com a cor que ainda não é ou já foi, não se sabe tempos.
O deslumbramento pode ser assim: um nó no estômago, um nós na alma, uma cor no teto, uma inesperada luz no pátio, uma dança de quereres. O deslumbramento pode ser um sonho que se carrega na sacola feito bilhete de viagem. Ida e Volta.
PS. As imagens que ilustram o post foram catadas no google. Assim que chegar em casa, serão substituídas pelas minhas toscas tentativas de registro.





