Eu já contei que sou feliz? Eu sou. Sem pensar e sem escolher, de repente, o riso. Deve ser, eu suspeito, porque a vida é generosa comigo. Então, como eu dizia, sou feliz. Por nenhum motivo. Por muitos motivos. Pelas pessoas que estão por perto. E pelas que não estão, mas sinto como se. Como se estivessem. E sentir assim é bom, porque me diz do tanto de bem-querer. Mas não basta, é engraçado, e mesmo tendo-as em sentir, quero também em abraço. Pois é, blá blá blá feliz, blá blá blá pessoas. É isso: sou feliz por que por aí, em mim, no mundo, tem a Bárbara. E hoje é aniversário dela e passei o dia esperando as melhores palavras pra dizer, de forma extensa, o que pode ser resumido assim: eu te amo. Te amo pra caraleo.
Mas é aniversário e é sempre um bom motivo pra dizer um tantinho mais. Eu gosto de festejar e, já que não vai ser em brindes de chopp no Tapas e Madadayo, que seja em letras por aqui. A Bárbara. Minha amiga, escrevo e já me faz bem. Porque, vocês nem sabem, mas é mulher de sorriso fácil, mas sorriso de Monalisa. É menina. E velha. Sabe tanto que sabe fazer silêncio e só ficar por perto. É lúcida, olha que palavra tão densa pra quem sabe ser em sardas e histórias de só sei que foi assim. Há tanto a aprender com ela: o humor rápido, o enquadramento pertinente, a interpretação ponderada, a sensibilidade para o belo, a inclinação para o ético. Há tanto a aprender com ela: não ensinar, ser. Livre, a Bárbara é livre. E generosa. Ela se dá e há nisso tanta verdade que é uma dupla alegria cada momento com ela: porque é bom e porque se sabe que é de sua livre escolha estar ali.
Eu nem sei direito como foi isso de tanto querer bem e de poder dizer: amiga, com a certeza de um tempo que é sempre o tempo da delicadeza. Estávamos lá, na lista, ela corajosa e inteligente, eu espaçosa e inquieta. E, em outro instante, estávamos lá, mas não só. O vai e vem de palavras foi se tornando proximidade. E o que era plantinha miúda, se soube, era um baobá.
Hoje é seu aniversário, querida, e eu fiz uma lista de todos os mimos que gostaria de enviar, de coisinhas que poderiam agradar, surpreender, provocar. Coisinhas em cores, risos, sons, texturas, sabores. Belezas. Que não serão, porque há distâncias. E serão sempre, porque há o pensar.
Diz-se que não se deve desejar ao outro o que não se quer pra si mesma. No caminho contrário, te ofereço o que ansiei. São os mais verdadeiros e sentidos votos:
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| Que a Vida seja Leve... |
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...Mas Não Sempre
(que há sempre um bom e necessário peso)
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| ...Saiba a Hora de Partir... |
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| Que Saiba a Hora de Esperar... |
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| ...Saiba a Hora de Ficar... |
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| ...E Que a Vida Só Lhe Atropele o Necessário |
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| Que no Tempo Que Vem Ainda Tenha Algo a Dizer... |
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E Que, De Vez Em Quando, Acerte no Dito.
Traduzindo: Se Joga! Feliz Aniversário!
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