segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Personagens


Muitos destes personagens estiveram comigo na minha participação no meme dos 30 Livros. Foi legal perder-me em reminiscências e bibliotecas reais e virtuais. Minhas e de outras. Gosto de dar uma olhada nas estantes alheias. Há tanto ainda pra ler, tantos personagens a conhecer. Quem já me sabe há mais tempo imagina que, claro, descumpri largamente as regras do meme (basta ver no Eu Sou a Graúna). Devo reconhecer que os demais participantes são muito mais conscienciosos. São leitores/blogueiros incríveis com posts ainda mais incríveis (uma amostra na lista aí embaixo, que beleza).

Inesperado de Renata Lima
Dia 9 de Renata Lins
Day 23 de Tina Lopes
Virgínia de Rita Paschoalin

Também no desafio a Marília do Mulher Alternativa, a Cláudia do Nem Tão Óbvio Assim, a Mayara do Mayroses, a Grazi, do Opiniões e Livros e a Juliana do Fina Flor. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Banzo II

Aí ela torce o tornozelo. E fica de repouso. E melhora. Mas não tanto. Aí o filho fica doente. E ela torce o tornozelo de novo. Mas não pode imobilizar porque o filho está doente. Né?

Quase três anos e eu ainda sinto falta de tanta coisa. E nem falo das pessoas que fui perdendo, a saudade doendo e eu esquecendo de lembrar pra ver se não machuca tanto. Falo daquilo que a gente nem nota no dia a dia. Sinto falta das minhas esquinas. Das minhas certezas: padaria, emergência, bar. Dos meus problemas: trânsito, varrer pó de asfalto, lado do sol. Dos meus intervalos: dragão, barraca da tia, jonas. Quero os atalhos: onde cobrir um botão, onde comprar papel laminado, onde consertar uma bolsa. Quero o beco da poeira. Quero cerveja entregue em domicílio. E colos à vontade. Sinto falta do cheiro do café que eu ainda ia fazer. 

Quero me sentir na minha. Quero deitar encolhida e saber que a minha dor tem canto certo. Quero gargalhar na janela e ouvir o eco. Quero os percursos conhecidos. Quero as ruas desconhecidas, mas já tão minhas antes mesmo de chegar lá. Quero me saber em detalhes e desconhecer em partes iguais. Quero me chatear. Não quero ser estranha na minha cidade, não quero pegar uma rua e descobrir que está em obras já faz tempo. E eu não sabia. Eu quero saber. Quero minhas livrarias, aquelas em que eu já sei onde deixei cada livro que quero comprar. Quero os sebos, poeira enchendo meus olhos de espanto e descobertas. Quero sentir que sou estrangeira em meu lugar, mas de uma forma íntima e cúmplice. Quero me sentir na palma da mão.

Eu sei que eu sou a própria mão. Eu sei que eu sou minha própria casa. Eu sei que o cheiro conhecido é o meu. Eu sei que só eu sou meu fim da estrada. Eu sei que sou meus pontos de referência, minhas placas, minhas esquinas íntimas. Eu sei. Mas e daí? Não se faz uma canja com um saber. Não se gela uma cerveja com um saber. Não se sente um abraço com um saber. Um saber não é uma língua outra na minha boca. Um saber não é o barulho de carros lá em baixo e nem o riso de gente conhecida cá na sala. Um saber não é.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Requentando

Porque há beleza, também,
em não me fazer tempestade.

Entrada
Você chega, é sempre noite. Faz luas cheias no meu desejo, eu sempre me sei no seu sorrir. Eu sempre me escuto na sua voz. Eu sempre me entendo no barulhinho da latinha sendo aberta, da batucada na mesa, da tua respiração mais pesada que a minha. Eu sempre me sinto no desenho que teu olho faz no meu corpo. Eu, sempre. Nós, enquanto.



Prato Principal

Em maio deste ano escrevi um texto para o Feministas na Cozinha chamado Ora, direis, comer estrelas… escrevi, curti, esqueci. Até que. Dessas coisas boas que me acontecem, tem a Clara. E ela postou este texto lá no Fb e eu fui reler. E fiquei pensando, sim, sim e, um tantinho não, não. Quem quiser saber como ele era, vai lá e espia, aliás, tem muita coisa boa escrita pelas outras blogueiras, dicas e receitas. Dei uma garibada nele, virou resto d’ontê. Porque o pensar, como o amar, muda. (o post completo você encontra no Biscate Social Club, no post Na Cama, como na Cozinha)


Sobremesa


Em inocente desinteresse, anuncio: relacionamentos começam onde terminam, em uma recusa de respirar. Amar tira o fôlego. Morrer também. Eu já não faço planos, eles é que me fazem, em juras de desenganos eternos enquanto duram. Eu gosto de mentir. De dizer: hoje, quando eu sei que é nunca. E dizer sempre, quando sei que é agora. Eu escolho a desesperança tatuada de gozos. Tudo acaba, tudo acaba, tudo acaba, enquanto repito isso, isso não cessa. Mas eu respiro e é, de novo, o novo. Não sei o que há no fim do percurso, no meio do labirinto, na margem da estrada, piso em estilhaços de vidro: o espelho que te prendia, e desconfio que isso tudo me leva tão longe quanto se possa estar de alguém, ou seja, bem dentro e bem fundo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Mais Histórias, Benedito! Parabéns pra Você!

Dois posts de aniversário seguidos? Pois é, é assim  a festa e alegria de se ter amigos queridos. Eu conheci o Antonio no cemitério querido, quando ele ainda habitava não as campas mas a caixa de comentários. Sempre foram divertidas e instrutivas as conversas - e não mudaram quando ele passou a ocupar tumba, melhoraram. 

 esteve em visita entre as borboletas e foi uma grande alegria. Também habita, em letras, minha estante. Grande contador de histórias, Antonio tem seu cantinho particular agora: Circa Júpiter. Bom de ler, bom demais.

Ah, é dele um dos melhores posts de aniversário que já li e reli. Por estas e mais tantas, é com alegria que faço brindes pra este meu querido e revivo um post há muito publicado, mas que não perdeu nem o humor nem o afeto com que o escrevi. Que venham muitas histórias, meu querido amigo e um parabéns efuzivo e carinhoso do lado de cá do Atlântico...

Será o Benedito? ou Mais palavras sobre a lista dos homens que nem de jeito nenhum...

Sobre os erros. Algumas vezes, irreversíveis; em outras, basta deixar o cabelo crescer. Então, errei feio aqui. Esqueci o Benedito. O remorso me consome. Mas, pelo menos, estou bem acompanhada. Mario de Andrade também comovidamente se remói.

Ilustres Beneditos. Benedito é santo. Dos que alimentam com rosas. E dos que mudam o sabor do mundo. Sendo, também, pro vezes, um doce. E é canto. Já estive, até trabalhei. Ciclicamente, exporta rosas.

Acho-te uma graça, Benedito; eu poderia dizer, mas é ele que diz: flautista, regente, compositor. Multifacetado, quando Calixto se dana a pintar, ensinar e a contemplar estrelas. Lúcido e hábil, a ponto de pilotar Bugattis e Mercedes sem sofrer acidentes e lutar, entre outras tantas lutas, como sargento na Revolução Constitucionalista em 32. Sendo também Theodoro, reza pra ser artista, e o é. E ainda ensina, porque maior é este dom. O de Belém, Benedito mestiço de filosofia e literatura, sabia ser crítico - mas não só. Até os inimigos reconhecem-lhe inteligência superior e honestidade ímpar, trazendo também e ainda o nome de Otoni. É Benedito mesmo quando é ainda mais Spinoza. Pode ser, bela e simplesmente, um pequeno deus trovão.

De todo, só me resta, contar que - recebendo tão ilustre visita - só pude exclamar, no espanto que é tão brasileiramente espalhafatoso, mas será o Benedito? Parece que era.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Caraleo

 
Eu já contei que sou feliz? Eu sou. Sem pensar e sem escolher, de repente, o riso. Deve ser, eu suspeito, porque a vida é generosa comigo. Então, como eu dizia, sou feliz. Por nenhum motivo. Por muitos motivos. Pelas pessoas que estão por perto. E pelas que não estão, mas sinto como se. Como se estivessem. E sentir assim é bom, porque me diz do tanto de bem-querer. Mas não basta, é engraçado, e mesmo tendo-as em sentir, quero também em abraço. Pois é, blá blá blá feliz, blá blá blá pessoas. É isso: sou feliz por que por aí, em mim, no mundo, tem a Bárbara. E hoje é aniversário dela e passei o dia esperando as melhores palavras pra dizer, de forma extensa, o que pode ser resumido assim: eu te amo. Te amo pra caraleo.

Mas é aniversário e é sempre um bom motivo pra dizer um tantinho mais. Eu gosto de festejar e, já que não vai ser em brindes de chopp no Tapas e Madadayo, que seja em letras por aqui. A Bárbara. Minha amiga, escrevo e já me faz bem. Porque, vocês nem sabem, mas é mulher de sorriso fácil, mas sorriso de Monalisa. É menina. E velha. Sabe tanto que sabe fazer silêncio e só ficar por perto. É lúcida, olha que palavra tão densa pra quem sabe ser em sardas e histórias de só sei que foi assim. Há tanto a aprender com ela: o humor rápido, o enquadramento pertinente, a interpretação ponderada, a sensibilidade para o belo, a inclinação para o ético. Há tanto a aprender com ela: não ensinar, ser. Livre, a Bárbara é livre. E generosa. Ela se dá e há nisso tanta verdade que é uma dupla alegria cada momento com ela: porque é bom e porque se sabe que é de sua livre escolha estar ali.

Eu nem sei direito como foi isso de tanto querer bem e de poder dizer: amiga, com a certeza de um tempo que é sempre o tempo da delicadeza. Estávamos lá, na lista, ela corajosa e inteligente, eu espaçosa e inquieta. E, em outro instante, estávamos lá, mas não só. O vai e vem de palavras foi se tornando proximidade. E o que era plantinha miúda, se soube, era um baobá.



Hoje é seu aniversário, querida, e eu fiz uma lista de todos os mimos que gostaria de enviar, de coisinhas que poderiam agradar, surpreender, provocar. Coisinhas em cores, risos, sons, texturas, sabores. Belezas. Que não serão, porque há distâncias. E serão sempre, porque há o pensar.

Diz-se que não se deve desejar ao outro o que não se quer pra si mesma. No caminho contrário, te ofereço o que ansiei. São os mais verdadeiros e sentidos votos:



Que a Vida seja Leve...
...Mas Não Sempre 
(que há sempre um bom e necessário peso)


...Saiba a Hora de Partir...

Que Saiba a Hora de Esperar...
...Saiba a Hora de Ficar...
...E Que a Vida Só Lhe Atropele o Necessário
Que no Tempo Que Vem Ainda Tenha Algo a Dizer...


E Que, De Vez Em Quando, Acerte no Dito.


Traduzindo: Se Joga! Feliz Aniversário!




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...