segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dito e Feito

E mesmo em maio há coisas que fazem arco-íris no sentir

Quem inventou o telefone sabia que ele - um dia - seria o caminho das alegrias mornas no corpo?

Um monte de clichês e eu sempre me emociono: Sete homens e um destino.

Se não for a boca do poço ou um trem vindo em minha direção, parece que há luz jo fim do túnel.

Só me acontecem coisas surreais.

Diz Zeca Baleiro: quando você faz a minha carne triste quase feliz. Mas, se não é clássico o bastante, tem o Nelson Rodrigues que não deixa o Zeca mentir: o desejo é triste. E o Drummond também: a carne é triste depois da felação. E mesmo o Manuel Bandeira, ao dizer que os corpos se entendem, não lhes promete alegria. Assim, o que apreendo de tantas belezas literárias é que a felicidade é um frêmito na alma, um regozijo do espírito, mas o corpo, ah, o corpo é infeliz. Ou arde em antecipação ou queda-se, moroso, em satisfação. E, daí a pouco, nova fome. Um corpo pede. Humilde, anseia. Há riso, mas não alegria. O corpo teme não ser e não ter. É triste o desejo, quente e latejante. É triste, sim, é triste o corpo. Mas quanta alegria ele dá. É por ele e nele que os maiores gozos se plantam. Encantam. Assim, na corda bamba, sigo, corpo triste e cheio de promessas. Peça.  

E eu fico espiando o vento e adivinho as espirais de um tempo que já nem é. A vida é simples, a não ser quando é complicada. Por exemplo: um chamego às vezes dói, às vezes não. Um chamego às vezes rói o coração. maiores explicações? Segue vídeo.







sábado, 7 de maio de 2011

7 de Mim, digo, de Maio



E aí, o menino. É uma surpresa, tantas vezes, todas as vezes, esse amor. Quase sempre eu o esqueço, miúdo e calado, brincando sozinho. Conta histórias para si mesmo, repetindo as palavras, doces ou não, que ouviu – geralmente de mim.

Mas, é preciso buscar o princípio. E no começo era o verbo: estar e a surpresa: grávida. Uma barriga enorme e o conforto. Nada de enjôos, cansaços ou pernas inchadas. Ele estava aqui, mas era possível não saber. Não saber ser mãe. O mundo todo mudando, a vida toda mudando, o corpo todo mudando ainda mais que tudo e, ainda assim, só no corpo é que eu permanecia a mesma. Era a hora de nascer, mas ele não sabia. Eu não sabia.

Nenhuma dor, nenhum incômodo, nenhum anúncio. Ele estava aqui, quase ali, mas era possível não saber. Não saber ser mãe. Luzes, uma dor estranha e externa na espinha, cosquinhas na barriga. Parecia que não era comigo. Vozes, homens tão brancos, puros do pecado de dar à vida mais uma oportunidade de errar: outra pessoa que nasce. Ele chegou aqui e era possível não saber. Não saber ser mãe. Olhá-lo, pequeno e sujo, em mãos alheias que permitiram um breve contato, um peso ligeiro no peito e o adeus firme; era a agonia, um aperto, um gemido, uma lágrima talvez, porque o rosto estava molhado, mas era, ainda mais, nada saber disto, nada compreender: ser mãe.

Ah, os dias seguintes, a glória do constante repouso, os mimos e cuidados, a luz sempre escamoteada. Nada precisar saber. Ou quase nada. Porque, em espasmos constantes, a hora da amamentação. Uma boca que suga, uns olhos que sugam, umas mãos que sugam. Uma prisão. Eu o segurava e ele me prendia. Mas, também aí, eu nada sabia. Ele estava aqui e era possível, quando ele determinava a hora de parar de sugar minha alma, dele mais nada saber. Não saber ser mãe. 

O que pra mim era tempo, nele foi se fazendo corpo. E atos. E, principalmente, palavras. Ele foi se fazendo, ainda que disto, eu nada soubesse. Não saber ser mãe. E agora, ele brinca no canto do quarto, sozinho, deixando no silêncio a oportunidade de eu ser eu, ser qualquer coisa que me impede de perceber: não saber ser mãe. É possível ele estar ali e eu não saber.

De repente, um som, parece-me um grito: ma mãe! Ele diz, eu não sei porque ele diz e corre para mim, num abraço que é um crescendo na aproximação, aquelas mãozinhas quase num aceno, o equilíbrio forçado da corrida, o calor e a doçura de sua pele.

E aí, o menino. É uma revelação. Ele me consola. Ele me ensina. É possível ele estar aqui e eu saber: ser mãe. É possível ele estar aqui e eu saber: amor. É possível ele estar aqui.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Essa Menina Que Um Dia Fui

Estava flanando nos blogs que me comovem e ensinam e vi esse post no 2+2 são 5. Nos comentários a Menina no Sótão avisou que talvez roubasse o nome do post. Eu logo quis também. Lembram d 'O Silêncio dos Inocentes? A gente cobiça o que vê? pois é. Pensei em roubar a imagem no embalo, mas quando o texto veio, sugeriu-me outra coisa: não o avanço, seguro e intuitivo, presente no belo post da amiga, mas a aceitação narcísica necessária da figura aí embaixo.

A Menina Que Um Dia Fui

A menina que um dia fui, é. Ela ainda espreita por entre as folhagens secas dos olhos, ainda usa a boca pra saber cores e texturas, ainda acorda com remela no olho e sonha em ficar velhinha igual bebê: penugem na cabeça e bem banguela. 

Mas a menina que um dia fui também já foi e é em reflexos nos espelhos que ela deixou pra trás que, às vezes, a lamento. A menina que um dia fui fugiu de casa com três anos de idade, duas calcinhas na sacola e um sonho na cabeça: ser livre. A menina que um dia sou já não mora mais lá, aprendeu a ficar sem roupa mas manteve o sonho, pra não perder todas as memórias... Agora, mais vivida, a liberdade passeia por todo o corpo. 

A menina que um dia fui ria alto, desenhava mal e sonhava em usar chapéu. Não deixou nada pra trás, essa menina. Não levou nada com ela. A não ser, claro, essa angústia de querer e o hábito de se saber mais quando se sabe menina.

A Menina Que Um Dia Fui II

Não era mais uma mulher com seus amantes: era uma menina com seu livro. 
(se a Clarice não se zangar)



A Menina Que Um Dia Serei

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?



Cecília Meireles
Por causa do  saboroso amigo Fred Caju 

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fica faltando Um Pedaço

“Convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros.
Há no ser humano, e ainda nos melhores,
uma série de ferocidades adormecidas.
O importante é não acordá-las.”
Nelson Rodrigues

Eu já disse que maio tem sido difícil (e dá todos os indicativos de continuar sendo por bastante tempo)? Não que isso impeça o riso fácil, a vertente pollyanna e a vontade de sorver a vida em goles imensos. Não. Nada que atrapalhe a alegria de ver o Peterson de novo nos comentários ou ter reencontrado gente admirável com quem não tratava já faz muito tempo. Não. É só aquela dorzinha fina de viver, a certeza da incompletude, a percepção dos limites, o desconforto comigo mesma, com o mundo. É só aquela preocupação que nunca deixa desfranzir completamente a testa. É só aquela compreensão de que não foi a melhor palavra, não foi o melhor momento, não foi. É só aquela sensação de ter perdido alguma coisa, talvez o bonde, talvez eu mesma. E daí? Daí que eu vou me procurar onde me deixo em rastros: nas palavras. Minhas, alheias, tantas. Procurando o olhar generoso sobre mim mesma. Como disse Clarice... “para ter algum luxo, por deus, que eu também preciso. Amém, pra todos nós”.

Penso
Mulher bandoleira. Taí, sempre achei bonito mulher bandoleira. Porque não, se aprecio os cínicos e outros mais? Meu alter ego sempre foi assim: meio devasso e, por vezes, eu também. Mulher bandoleira, digo e explico. Refiro-me à liberdade. Acho lindo mulher livre. Livre para amar. Para se entregar e entregar tudo o que não tem. Acho lindo não ter medo de dizer: sim, morro por ti! E como é verdadeiro no momento dito e não tão, num possível momento real. Mas o importante é dizer. É ter a coragem, a vontade e a leveza de dizer: morro por ti! e não morrer. As mulheres livres, que sabem partir, são as que, penso eu, mais sabem ficar. E digo isso, claro, legislando em causa própria. Desde menina lá no meu espelho, em relances, eu via Gildas e luvas e Carmens de Bizet e tantas Lauras sempre femmes sempre fatalles dos deliciosos filmes noir. Fui me fazendo na distorção das imagens, prescindindo do batom e das peles glamourosas, mas ficando com a sábia convicção de que amar é estar presa a si mesma e a ninguém mais. Assim, quando amo é como música – mesmo – eu devoro todo meu coração. Quando amo nada mais há de interessante e belo que não se ligue ao meu amor e ao meu amado. Quando amo não há bandejas de prata suficientes pra fazer a oferta do meu coração. E quando parto é sem olhar pra trás, sem me fazer estátua de sal, deixando o amor virar suor, deixando que se vá, no esforço mesmo de partir. Bandoleira, coração em trânsito, mala permanente no pensamento.  

Pergunto

Talvez. Talvez seja você, com seu ar meio sério meio moleque, quase doce. Talvez seja você, ácido e direto. Talvez seja você dos grandes silêncios e da forte presença. Talvez seja você, com suas músicas no lugar dos dizeres. Talvez. Talvez fosse isso que eu esperasse: uma conversa que nunca termina. Ou uma que ainda não começou. Talvez eu tenha que me fazer menina pra merecer você, tão antigo. Talvez eu vá crescer pra ficar contigo, menino. Talvez seja assim: tudo simples e fácil com você. Ou não, talvez seja essa ansiedade de dizer a coisa certa, de fazer a coisa certa, tudo mais elaborado e difícil. Talvez não seja nada, só essa vontade de caber na tua mão. Talvez seja muito, essa necessidade de me saber no seu olho. Talvez eu deva correr e te dizer toda essa coisa que eu ando a escrever. Mas desconheço todas as palavras. Quem sabe a gente dança? Eu quase adivinho seu corpo no meu, sua mão é quente e seu queixo faz cócegas no meu rosto, nuca, colo. Talvez eu deva sentar e esperar todas as voltas que o mundo tem que dar ao seu redor, todas as chegadas e partidas, todos os intervalos e hiatos. Talvez eu tenha que arrombar as portas e plantar-me no jardim. Talvez eu tenha que lançar-me do porto e esquecer todas as âncoras. Talvez eu apenas quebre o espelho, baixe as cortinas e soluce um tiquinho. Talvez.


Invento
Meu homem dorme e, talvez, seja a última vez que o contemplo assim. Tudo começou com uma exigência, não era pra ser importante, os que amam têm caprichos que são perguntas: você me ama a ponto de? São pequenos obstáculos, esmero-me em desafios triviais, não são testes de verdade, é só o hábito do imperialismo. Já que não sou senhora de mim - pois meu corpo e meu pensamento prestam honras, felizes, inclinados em sua direção – pergunto-me sobre este pequeno reino que é o cotidiano do insignificante. O objeto que desejei, eu suponho, diria de ti. E este é o meu campo de estudo. Empenho-me em desvendar teu passado, teus anseios e pendores, para, estando onde te falta ou fazendo faltar, deixar-te feliz. Sim, penso que meus propósitos eram nobres: testar, sem comprometer, nosso amor e aperfeiçoar-me na arte de te agradar. Clato, também esperava fazer soar a trombeta da liberdade. Minha pergunta a ti era uma pergunta sobre se eu ainda era capaz de alguma independência. Uma pantomina da minha individualidade. Eu esperava um pequeno gesto, entregar-me algo que estava em tua posse, mas que nem era teu, porque faltava um sentido que tivesses dado a isto. Parecia simples e teria um final feliz. Não estou mais certa disto. Ainda está mantida uma parte. Haverá um final, mas já não sei se feliz. Porque não foi fácil para ti como eu esperava. Ao invés de desprendimento, resistência. E aí, a situação nos dominou. Eu não consigo e nem posso abrir mão de um dito. Até o fim do mês, eu disse. As palavras me comandam. Assim será. E o mês acaba amanhã. Vejo meu homem dormindo, e dói. Porque amanhã ele pode dormir sem que eu o veja, isto é uma morte. Ou duas. Amar é uma proposição matemática se a está para b, b está para a. Se eu o amo ele existe e eu existo porque ele existe para ser amado por mim. Da mesma forma, eu existo porque ele me ama e etc, mas não é isto que conta. O que entra na conta é que um menos o outro é o vazio. E o nada pode advir do insignificante. Gostaria de poder acordá-lo e dizer, não importa, eu não quero mais saber. Mas eu quero. Quero saber de nós. Por isto fico a olhá-lo dormir. Velo esta história de amor. E, de novo, o sono dele me hipnotiza. Sempre acontece isto, desperta do cansaço da paixão, entrego-me ao torpor de olhá-lo e o feitiço acontece. É belo, dormindo. No rosto descansado, vislumbro ainda as marcas de um decidido. Na curva sugerida da boca, descubro a sensualidade. Nos músculos dos braços em repouso, adivinho tua força suavizada. Sim, eu o amo. Amo por todas as coisas que ele põe nos meus olhos. Dói conhecer que amanhã talvez não haja mais nada para ver. Uma espada sobre a cabeça. A sentença que virá, poderá me exilar de mim mesma. Será este meu fim, vagar, desconhecendo a mim e ao meu mundo, que só pela presença dele eu podia perceber? Sim, será uma sentença. Uma sentença matemática: a não está mais para b, e aí? Uma sentença gramatical: haverá um sujeito, um verbo – ficar ou partir? – e eu, complemento nominal, sem saber se ainda vou estar na frase. Será uma sentença de vida ou morte. E, o mais engraçado, é que a questão, eu sei, ele sabe, não importa. Ele se mexe. Vai acordar. Saberei o que me espera. O temor de nunca mais ver tal despertar me assalta. Mas é necessário ter coragem. Para ser mulher dele é imprescindível a coragem. Ave, César, os que vão morrer te saúdam. 

A última vez deve tirar sangue. 
Unhas riscando 
a palma.
Da mão. Da boca. Da alma








Mas não é de todo perdido, esse mês. 
Hoje é aniversário dela. Tão linda quanto os dias deviam ser, acho.
E eu só queria que fosse assim meu maio, pode?
(Cara Belos, podia ser o seu também, se você quiser)

domingo, 1 de maio de 2011

Dez Maios (ou porque se insiste em infames trocadilhos)

Eu sempre suspeitei daquela idéia de que a infelicidade é produtiva artisticamente. Bem sei que o que escrevo não é arte, mas não deixa de ser uma parente distante, já que também se assenta na sublimação. O certo é que sou uma operária medíocre das letras. Se há excessos, perco-me. Não escrevo se há grandes...alegrias, saudades, tristezas, angústias, vazios. Whatever (para alegria da minha mana). Não escrevo se estou muito preocupada. Mas reescrevo (com um sorriso de canto de boca).

Maios I
Sei que não sou a dona da casa. Esta ilusão perdi-a logo que deixei a infância de riso e correria nos corredores. Governanta, talvez, o mais certo é que moro aqui. Faço a limpeza, decoro com flores e quase esqueço que não estou só. Até que, ela. Angústia é seu nome. No primeiro instante, quase me engana, seu ar distante faz pensar em visita, hóspede, passante. Mas eu sei que habita o sótão, arrasta correntes, recebe bandejas de comida à porta sempre ensombreada e, vez ou outra, quando dá-lhe angústia de ser ela mesma, ela, a angústia, desce a escada e põe-se a percorrer a casa.

Um escândalo suas vestes de um branco amarelecido de não ver luz. Olhos fundos. Desfruta de poucas companhias, mas aprecia, ainda que vagamente, a saudade, a dor e a nostalgia que, quando fazem visitas, preferem entrar e sair pela janela. Ela, a Angústia, em seu desbotado estar, se abanca na varanda e fica a espiar, pelos meus olhos, o mundo. Com suas unhas enormes arranha a madeira da cadeira em que lentamente se balança. A angústia ocupa os espaços da casa. Ela empurra tudo pra fora e tudo me arde em lágrimas. Corto cebolas pra nos alimentar e não confessar minha entrega. Ela revira os armários e desordena o tempo que eu pensava meu. Com uma afiada tesoura do desejo faz arabescos no papel de parede e reescreve a solidão em riscos. Surpresa, estanco o sangue, os desenhos afiados na pele.

Não é ela, também, a dona da casa, mas, em alguns dias, age como se fosse. É de uma força que rouba a minha. Ela cresce em espasmos do que eu não posso. A garganta fecha em desejos de nada dizer. Pensar em coisas boas, pensar em coisas alegres grita, do espelho, uma noviça rebelde e eu tento: bigodes de gatos, neve...mas eu não conheço a neve, zomba a angústia, e a noviça torna-se névoa. A vista embaça e o amargo trava o sabor de viver.

Logo mais ela se recolhe, eu sei, eu espero, eu quero. Não há motivos para preocupação, insisto. Mas dói. Dói de não chorar, de não ter, de não poder, de sequer saber o que se deveria ter, poder e querer. Ou de saber, mas não poder nomear, não poder desejar. Espero que ela torne ao sótão repleto de impossibilidades empilhadas, objetos perdidos, demências e ferocidades. Que ela se tranque em três voltas de chave. A angústia aprisiona numa solidão de não ter palavras.

Maios II

Parece que eu sempre soube quem eu era e o que eu queria. Queria viver. Simples, sou uma pessoa simples. Gosto de rir, ler, cerveja gelada, café quente, gosto do mar. De alma antiga, gosto de saber coisas que já não parecem importantes, como qual o cheiro da naftalina. Satisfeita ou ainda mais: feliz. E, um dia, você. Você que tirou esse mundo do lugar e nem me contou pra onde o enviou. Você que me trouxe perguntas. Fiquei ainda mais feliz, porém já não sei tantas coisas que tinha como certas. Já não sei bem quem sou, por exemplo. A não ser que conte saber que sou quem me pergunta sobre você. Já não sei bem o que quero, a não ser que envolve, vagamente, nós dois, bocas banguelas e cadeiras de balanço. Descubro coisas engraçadas sobre mim: que sei esperar, que choro de saudade, que sou ciumenta e grudo feito carrapato. Descubro coisas engraçadas sobre mim que você me conta: que falo de forma sexy, que meu riso é contagiante e que fico vermelha de repente. Não gosto de ficar muito tempo sendo eu sem ser a eu que quer você. Perco minhas referências novas e já não consigo me limitar às antigas. Gosto de ser quem sou quando sou com você. Gosto dos labirintos da tua solidão que se faz acompanhar da minha. Andei lendo Simone de novo. Pra me lembrar como se precisa tanto do outro. Pra me lembrar que é preciso saber pedir, mesmo que não se vá ser atendida. Esta distância entre nossos dizeres assemelha-se, para mim, à distância entre Paris e Chicago quando os vôos transatlânticos eram uma audácia. É uma audácia esperar um setembro ainda tão distante. As palavras, eu as escrevo como pontes, mas bem sei que uma ponte apenas reafirma o abismo. Nelson uma vez afirmou à Simone que a amava porque a fazia feliz. Você sabe que me faz feliz? Você me amaria por me fazer rir e ter vontade de cantar na rua? Até quando estou triste de saudade como hoje, sou feliz, porque sei, numa sabedoria morna e saciada, que esta dor pode morrer no teu abraço e recomeçar só para tornar a perecer. Então, que venham os longos dias e as noites angustiadas, ser tua é maior do que ser, apenas. 

Maios III
Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza

Qualquer coisa que sofre,
Qualquer coisa que chora

Qualquer coisa que sente saudade,
Um molejo de amor machucado
Uma tristeza que vem da beleza
De se saber mulher...

Maios IV

Maios V

O meu amor chorou, não sei porque razão, (...)
mas te prometo um dia meu amor mudar de vida

Maios VI

 "As pessoas possuem cicatrizes. Em todos os tipos de lugares inesperados. Como mapas secretos de suas historias pessoais. Diagramas de suas velhas feridas. A maioria de nossas feridas pode sarar, deixando nada além de uma cicatriz. Mas algumas não curam. Algumas feridas podemos carregar conosco a todos os lugares, e embora o corte já não esteja mais presente há muito, a dor ainda permanece. O que é pior, novas feridas que são horrivelmente dolorosas ou velhas feridas que deviam ter sarado anos atrás mas nunca o fizeram? Talvez velhas feridas nos ensinem algo. Elas nos lembram onde estivemos e o que superamos. Nos ensinam lições sobre o que evitar no futuro. É como gostamos de pensar. Mas não é o que acontece, é? Algumas coisas nós apenas temos que aprender de novo, e de novo, e de novo" (Grey's anatomy)

Maios VII

Eu gosto do Clint Eastwood porque
ele tem somente duas expressões faciais.
Uma com o chapéu e outra sem ele. (Sérgio Leone)





Maios VIII


 Se lembra de quando era criança e sua maior preocupação era se você ia ganhar uma bicicleta de aniversário ou se ia ter biscoito no café da manhã? Ser adulto... Totalmente valorizado. Quero dizer, não se iluda com sapatos lindos e ótimo sexo e a falta dos seus pais te dizendo o que fazer. Ser adulto é responsabilidade. Responsabilidade é realmente uma droga. Realmente, realmente uma droga. Adultos têm que estar nos lugares e fazer as coisas e ganhar a vida e pagar o aluguel. E se você estiver treinando para ser cirurgião, segurando um coração em suas mãos, hein? Isso que é responsabilidade. Os jeitos de ganhar bicicletas e biscoitos parecem realmente bom, não? A parte mais assustadora da responsabilidade? Quando você erra e deixa isso escapar pelos seus dedos. Responsabilidade é realmente uma droga. Infelizmente, depois que passar da época de aparelhos e sutiãs, a responsabilidade não vai embora. Não pode ser evitada. Ou alguém nos faz encarar ou nós sofremos as conseqüências. E mesmo assim ser adulto tem suas recuperações. Quer dizer, os sapatos, o sexo, não ter pais dizendo o que fazer, isso é muito bom...(Grey's Anatomy)

Maios IX
A menina que durante o dia desejou um vestido
está dormindo esquecida e isto é triste demais
porque ela falou comigo: "Acho que fica melhor com babado"
e riu meio sorriso, embaraçada por tamanha alegria.
Como é possível que a nós, mortais, se aumente o brilho nos olhos
porque o vestido é azul e tem um laço?

Maios X



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