Por muito tempo eu dizia que não era uma boa mãe. Depois de muita reflexão, percebi que isso era um juízo de valor condenatório de tantas outras mulheres e eu não sou juiz de ninguém. Daí comecei a pensar e dizer que eu não sou a mãe que eu gostaria de ser. Ou melhor, eu não sou a mãe que eu gostaria que meu filho tivesse. Eu queria que meu filho tivesse uma mãe igual à minha (ou igual à minha irmã). Minha mãe sabe fazer tudo. E não é exagero, puxa, ela sabe demais. Sabe cozinhar, projetar móveis, embalar, sabe a coisa certa pra dizer nos momentos difíceis, sabe falar eu te amo, sabe brincar de vôlei, fazenda, nave espacial, esconde-esconde. Sabe tudo, ela. Sabe balançar na rede e ensinar a filha as coisas do mundo. E sabe brigar. E abraçar. Sabe deixar ir. E sabe fazer ter a certeza de que pode-se voltar. Minha mãe reclama, protesta, diverge. E, todo o tempo, sabe-se que qualquer que seja a decisão, ela vai apoiar. Minha mãe é boa. De alma generosa. E é terna. Eu queria ser assim: fazer comidas gostosas que falem de amor, ter papos afetuosos, ser presente, sentar no chão por horas e entrar no mundo de fantasia e brincadeira, tomar banho de bica juntos, ensinar a autonomia e a liberdade. Ensinar o respeito e a tolerância. Acontece que eu tento mas eu esqueço de ser assim. Sou uma mãe ausente, não sei brincar, sou ruim de papo, exigente...Mas numa coisa eu sou do jeitinho que eu gostaria de ser: nos momentos de doença pode-se contar comigo.
O meu filho está doente. Febre, tosse, dor de cabeça, corpo molinho e, claro, ataque de asma. Daí que eu mimo, cuido, alimento e boto pra dormir aqui, do meu lado. Passo a noite acordada só espiando: febre acabou, respiração difícil...Dou cafuné, puxo lençol, canto baixinho. Ele se sente seguro, eu sei, eu sinto. Ele põe a cabeça no meu colo, pede dengo, me beija. Se adoece quando está longe, casa do pai, avós, logo quer ficar comigo. Quantas vezes atravessei a cidade que morava, madrugada ainda, pra ir buscá-lo na casa do pai como se minha presença fosse antitérmico? Dessa vez, já estava aqui: molinho, febril, gripado. Noite longa. De manhã muito cedo: médico. Ou melhor, fila no médico. Espera, espera cuida, água, espera, espera. Enfim: remédio, nebulizador exames. Casa e agora ele dorme. O resto do dia é pajeando: comidinha e companhia. Sei ficar perto, sei segurar a mão. Sei que ele se sente melhor por eu estar por perto.
Mas não é meio triste saber-se boa só nessas horas?










