domingo, 6 de março de 2011

É Assim Que Nasce, by Rita

 
Aprendi outro dia que lagartas mudam de pele diversas vezes rumo à fase adulta. Do momento em que quebram a casca do ovo e a devoram, desde que devoram também a folha que abrigava o ovo, algumas espécies trocam de pele um sem-fim de vezes até que adotem a versão que um dia ressecará e se transformará em crisálida. Pensei que algumas pessoas são assim porque experimentam, ousam, alternam, desafiam, permitem-se e assim vão crescendo vida afora, acumulando vivência até compor a pele que melhor lhes abriga. Por exemplo, a pessoa pode ser poeta, mãe, amante, viajante, doida, calada, lutadora, ombro; pode gostar de tudo isso e colher um pedacinho de cada pele e, por fim, compor um mosaico bem bonito para a derradeira, aquela que a acompanhará até a grande metamorfose. Conheço uma borboleta que deve ter sido lagarta assim. Tenho cá comigo que se a escolha das peles for boa, a chance de se ter asas bonitas é imensa. Como no caso dela, por exemplo.

Imagino a lagarta que ela foi. Imagino do que são feitas as peles que experimentou, de onde veio tanta matéria prima para asas tão generosas - eu poderia escrever asas tão bonitas, e seria a mesma coisa. Fico imaginando em que momentos se moldaram essas asas fortes que ajudaram a romper o casulo e nos  presentearam com presença tão... rubra. Em que momento nasceu a borboleta?

Gosto de pensar que podemos nascer muitas vezes, a cada aprendizado, cada passagem, cada avanço ou cada queda. Somos outros todos os dias. Eu mesma já nasci tanto: quando me apaixonei, quando meus filhos nasceram; quando entendi aquele texto, finalmente; quando joguei pro alto - nossa, nasci tanto aí; quando dei um basta; até quando desisti. Então imagino que assim também seja com a borboleta que nasce sempre que descobre, sente, vibra. Tudo bem, entendo que há que se escolher uma data, porque é preciso ter festa. Mas até que chegue o dia 12, vou ficar aqui pensando que essa borboleta traz em suas asas esse brilho todo porque soube compor bem sua pele, construiu uma crisálida boa, toda de sorriso vermelho, e se alimentou do melhor que lhe tocou. Juntou tudo, costurou bem bonito, enroscou-se nesse tanto de sentimento bom e um dia, quando se espichou, viu que tinha em si o vermelho mais vivo e que nunca passaria despercebida. E aproveitando-se disso, que tinha nascido borboleta e que todos a notariam, saiu por aí espalhando sementes boas, porque é isso que borboleta faz.

A Borboleta nasceu para mim quando descobri sua escrita vigorosa, num dia em que ela me borboleteou e me trouxe aqui, nesse blog vivo. Mas sei que essa foi só uma das muitas estreias que ela faz enquanto voa por aí. É bom de ver, adoro quando ela pousa na minha estrada e me dá carinho, amizade e papo bom. Gosto de vê-la crescer, cada dia mais assanhada, cheia de mundo pra voar. E é tão bonito pensar que ela nasceu assim, espichando as asas que ela mesma ajudou a fazer enquanto tinha outras formas. Tem a cara dela: ser bonita e se espalhar por aí. É assim que nasce, essa menina.

Felicidade, linda. Pra você, todo dia. 


Rita escreve lindamente no Estrada Anil

sábado, 5 de março de 2011

Dos Presentes



Eu já contei que sou uma menina feliz? Eu sou. Por muitos e nenhum motivo. Sem pensar e sem escolher, de repente, o riso. Deve ser, eu suspeito, porque a vida, as pessoas, têm sido generosas comigo. É bem bom ser amada, sabe. E eu não me lembro sempre, mas sempre que sim, eu digo obrigada. Porque, além de feliz, sou grata. 

Pra quem não sabe, dia 12/03 é meu aniversário. Eu gosto. Gosto de festejar os anos que passo por aqui, neste caso, já completando os 36. Gosto do que não lembro, mas está guardadinho nas fotos preto&branco e no relato saudoso de mãe e madrinha: uma menina sapeca, curiosa, inquieta. Sabem o que esta menina fazia? Sentava no seu triciclo, pedalava o mais rápido que podia num corredor que devia me parecer imenso, até o batente do final...lá, deixava o triciclo bater e virar. Vezes e vezes, daí devo ter gastado todo o gosto pelo risco físico nos primeiros e desbravadores anos. Gosto do que só vislumbro na memória: brincadeiras na rua, livros em enorme quantidade, fins de semana na casa de primos. Eu ia e vinha de uma ruidosa interação pra um silencioso mundo interior. Gosto da adolescente de óculos muito, muito feios, de cabelo esquisito, de corpo magro, que não sabia que não era linda e acabava sendo. Gosto das horas noturnas, sozinha, em filmes de uma Hollywood de mitos e gosto das conversas na calçada, do amigo ensinando a beijar, das roupas de cintura alta, do dançar como intimidade. Gosto da familiaimensa, enorme, de comer pão com nata na casa da avó materna, de rolar nas areias da duna com a avó paterna, dos cochichos cúmplices com as primas, do riso solto e admirado junto aos tios. Gosto do que já é registro, de fazer amigos nas aulas da faculdade, até quando eram aulas no pátio central, em vinhos e violão. Gosto dos arroubos de apaixonada e de todos os meus amores que eram pra sempre. E são, estão em mim ainda agora, o menino que embaçava meus óculos, o estrangeiro que me mandava Fito Paez e saudades, o homem mais velho que me fez panquecas. Gosto das memórias de grávida, barriga imensa, riso imenso, andando na chuva, plena. Gosto da maternidade primeira, do sem jeito em cuidar já cuidando, gosto do que o corpo lembra do amamentar, do cheirinho de felicidade no cangote do filho, do peso bom, do dormir aninhando no colo tanto futuro. Gosto dele crescendo em mim e na rua, hoje maior em altura e amor do que jamais eu soube. Gosto de minhas adultices, de me despedir do medo do ridículo, de não dormir preocupada com as contas, de ter um trabalho que me dá alegrias e preocupações, de escolher as horas, os afazeres, os temperos. 

Gosto desta vida toda que se vê no cantos dos meus olhos que se franzem quando eu rio. Gosto da pele já não tão viçosa, gosto dos quilos todos em braço, costas, barriga, bunda. Gosto do peso nos seios, dos tímidos cabelos brancos que ainda se escondem, das marcas todas de cada noite sem dormir, de cada gargalhada dada, de cada perda, de cada sonho, de cada intensidade sentida.

Gosto de saber os amigos. Gosto de me admirar que eles, tão bons, tão inteligentes, tão bonitos, tão divertidos, fazem parte desta vida minha que só pode ser boa. Gosto dos presentes todos que a vida me dá. E gosto dos que eu me adianto e peço. Pois é isso mesmo, lá vem meu aniversário e eu já cheinha de idéias de festas, quis um festejo em palavras. E pedi. Fiz cartinha virtual e disse: ei, vocês que são tão admiráveis e queridos, não querem me dar um post de presente de aniversário? E eles quiseram. Quiseram mesmo e me colocaram mais riso no rosto.

Então, a partir de amanhã, gente muito boa vem aqui se fazer presente. E trataremos de Nascer, Envelhecer, Cotidianos, Memória, Amizade, Vida e ainda tem um tema surpresa que a Xará (quem mais?) vai trazer. E eu já vou dizendo o meu sorridente obrigada a eles - que aceitaram meu convite em carinhos tantos - que nem sei se sabem - mas já tratem de saber - que me fazem tão menina e tão feliz com este mimo. 

É meu aniversário. Vou festejar aqui, em palavras amigas. Vou festejar na rua, em abraços amigos. E vou festejar cá dentro, em deslumbres do bom. Que a vida me tem sido generosa. Obrigada.


Março das Mulheres
E tratando de presentes e amizades, meu obrigada a Jussara que nos deixou uma encantadora missiva de Chiquinha Gonzaga ontem. Ainda dá tempo de ler, dá sim. E, hoje, o agradecimento chega até K., do Atitude do Pensar, que se fez sentir e apresentou a Virgínia de todas nós. 

sexta-feira, 4 de março de 2011

Uma Outra Menina


Corre Março e as mulheres admiráveis e admiradas vertiginosamente vão me encantando lá no Eu Sou a Graúna. Ontem era Ana Terra, brasileiríssima personagem de Érico Veríssimo e da Caminhante Diurno. Hoje temos a Jussara e sua abordagem inusitada de uma grande menina de 87 anos que nos indica que ser mulher não nos impede de nada. Foi um presente que Jussara me deu, um mimo que me fez que - com alegria e prazer - partilhei com quem lê.

Mas a menina daqui, de hoje, não é a admirável escolha de Jussara. Nem sou eu, como pode parecer pra quem já reconheceu que eu acho meu umbigo lindo. Não, hoje trago nas palavras uma menina aniversariante, mulher, moça, querida. Demasiadamente humana, ela diz, eu confirmo. Sensível e articulada, inteligente e generosa. Ela tem sempre um olhar outro, novo, intenso, vivo e respeitoso. O mundo, as pessoas, ficam mais belas e complexas em suas palavras. 

Eu não a conheço desde sempre, conheço-a desde a pouco, mas já sei coisinhas tão lindas que me enternecem: sei que seu abraço é inteiro, que sua alegria é imensa, que sua coragem é constante. Sei que se ama e se inquieta sobre si. Talvez ela não saiba, mas passeei entre suas palavras e fui me espantando em encontros: ela gosta de futebol, de Bethania, de Persepolis. Ela se indigna, ela se comove, ela se compromete. Ela é linda.

Sabem, eu já estive em seu abraço. Foi tão bom. E já digo amiga, mesmo sem saber se sim. Porque quero tanto. Amiga não é alguém de quem gostamos, admiramos e queremos perto? Então.

Que seu mar seja a sal e vento, que seu jardim seja em cores, que seu corpo seja em gozo.

Parabéns, querida.


PS. Eu tenho fotinha com ela, mas não vou colocar porque não sei se ela topa, tá?

quinta-feira, 3 de março de 2011

Antiga

Eu gosto muito de receber. Ter pessoas queridas na minha casa é sempre motivo de alegria. Gosto de cozinhar, preparar o ambiente, procurar agradar. Gosto dos preparativos para que venham. Gosto quando chegam, ruídos novos, novas palavras, risos, papos. Gosto do alvoroço, de um passo além na intimidade. Este mês de março tem me dado isso. Ontem foi a Dai e seu lindo Mulheres, Películas, Amor e Lágrimas. Hoje, a idéia Março das Mulheres trouxe-nos as palavras da Caminhante Diurno para o Eu Sou a Graúna. Trouxe estas palavras em forma de força, em forma de caminhos, em forma de interpelação. Palavras em forma de Ana Terra. Já faz tempo que gosto de ler a Caminhante, tê-la em casa é pura festa. 

Vão lá no Eu Sou a Graúna, leiam, dêem pitaco, digam o que pensam. Ontem foram 92 acessos, tá vendo a Borboleta toda colorida e sorridente?

A minha querida K. escreveu, em um dos seus amigáveis comentários, que ler assim sobre as mulheres permite que ela se conheça melhor como uma. E como gente. Eu fiquei feliz com este dizer porque a idéia deste mês intenso em mulherada é também isso: dar pistas de que A mulher não está por aí, ícone a ser seguido, mas Uma mulher é um fazer-se, um tornar-se, um reconhecer-se. Eu também faço isso, K., em me olho. E o que eu vejo? Vejo alguém que permanece. Tem uma eu que está aqui este tempo todo. E que muda, por vezes, mudando o dizer sobre si mesma.  

Sabe, eu vejo uma mulher antiga. Colorida com intensidade, mas meio desbotada, daquele desbotamento que é conforto de uma ambiente muito usado pela felicidade, sabe? Como uma cozinha daquelas com panelas de bronze e colheres de pau. Pois sou assim, antiga. Antiga na forma de ver a mim mesma, antiga no meu jeito de comprender e agir no mundo ao meu redor. O meu mundo é de outrora. Se não sou exatamente uma estrangeira na terra (e muitas vezes sou), tenho convicção de que sou uma estrangeira em minha geração. O meu mundo é de outrora. E do tempo de antigamente. Um mundo de café coado em pano, cadeira na calçada, envelope e papel de carta, máquina de datilografia, criança brincando de esconde-esconde. Eu gosto de velas. De lampiões. De seda. Até dou meus passinhos em direção ao futuro, estou aqui não estou? Tento aprender os novos recursos, ando nas novas redes sociais, pelejo pra me enturmar. Mas, no frigir dos ovos, eu sou uma pessoa que ainda usa expressões como esta: no frigir dos ovos. Sou alguém que sabe o que é carpideira. Que usa gírias como "tá massa"  compreendendo que está atrasada mas sem saber em relação a quê. Sou tão antiga que ruborizo. Que digo videocassete. Que sinto falta da radiola, do LP, do som tão impuro que varava a alma. Sou antiga a ponto de gostar de ir ao cinema namorar um filme e não que ele me apareça em pequenas e individuais telas. E que seja preto e branco, ah, que alegria me dá. Sou antiga de um jeito que gosta do Zeca Baleiro, mas ouve uma vozinha interna lembrando que não se faz mais letras de música como o Vinícius fazia. Aliás, o tipo de pessoas que acha que não se faz mais nada como o Vinícius fazia, inclusive namorar mulheres. Sou antiga no meu desejo de bem viver e de viver bem. Gosto de conforto. E, no esquema em que vive-se, o esquema é ralar muito pra garantir o tal. E ralo. Mas também sou das que pensa que neste processo há um limite. O limite do lembrar. Não preciso de um carro do ano, não preciso de etiquetas na roupa, não preciso de telas planas em todos os ambientes da casa. Não precisar é uma forma de liberdade. Quero só que haja transporte de um lado pro outro, não andar nua, ver o que gosto na hora que posso. Quero apenas o tanto pra tomar minha cerveja, visitar e receber os amigos, comprar meu gorgonzola. Ah, e pagar a tv por assinatura e ver tanto TCM quanto queira. Quero só poder andar de camiseta larga e descalça enquanto preparo o café da manhã. Quero só não saber que deveria ser sempre jovem e poder  envelhecer tranquila, como minhas rugas lembrando de cada sorriso, cada beijo, cada preocupação, cada noite insone. Sou antiga. Gosto e coisas meio desbotadas e com cheirinho de naftalina. Qualquer dia coloco um balanço no jardim. Sou antiga, e daí? Daí nada que o que eu sonho mesmo é que cada uma e uma possa ser, novo ou antigo, ser. E daí, se esse é um sonho antigo?

quarta-feira, 2 de março de 2011

Março das Mulheres: Manchetes e Mãos

Bom, foi dada a partida ao Março das Mulheres. Dia a dia teremos, nos posts do Eu Sou a Graúna, Mulheres Admiráveis. Mulheres ditas e (d)escritas por convidados especiais, queridos, interessantes. Como a Dai Dantas. Hoje, dia 02/03, a Daiany nos trouxe cinema. O texto chama-se Mulheres, película, amor e lágrima. Ontem, abrindo os trabalhos, foi a vez da admirável Amélia. E foi Amélia que fez surgir o comentário - também ele admirável - da Lilian.

Eu não conheço a Lilian, assim, pessoalmente, de risadas unidas nem de cafés tomados. Na verdade verdadeira, não a conheço nem de muitas palavras mutuamente admiradas, o que me acontece por aqui no virtual. Eu a sei só de pouquinho, devagarinho. Sei que é cunhada da Rita, aquela da bela Estrada e do Menina Pode Sim! que resultou na eleição da Dilma (exagero? será?). Sei que Lilian é autora de um livro de título encantador: Histórias de "Mulherzinhas". Sei que é gentil e inspirada. Foi assim que ela me chegou, em gentilezas. E inteligência. Elegante, seu comentário me fez pensar. E eu fiquei desejando partilhá-lo. A concordância veio, que bom. E ela disse assim:

M de Eu Mesma*, um comentário feito post, de Lilian Paschoalin


No Borboletas tem M de Março... 
E, claro, também de mulher, de mãe, de mãos.
Comecei assim porque hoje, ao abrir o endereço de seu blog, veio a reboque uma página dizendo que eu ganharia grátis a leitura de minha mão. Ah, é grátis? 

Declinei. Porque eu não quero que leiam a minha mão. Não quero ninguém que as toque e as prenda, ainda que por um momento, falando com todas as certezas sobre um destino que estaria encravado ali, sem que eu tivesse a menor chance de modificá-lo. Porque minha mão “presa” diria que eu teria “x” filhos, me casaria “x” vezes (onde o valor de “x” poderia muito bem ser zero), e que sou muito mais assim ou muito menos daquele outro jeito. Não quero pagar por isso e tampouco desejo que o façam de “graça”, porque certamente me cobrariam um outro tipo de preço - como o ser humano costuma fazer.

Minhas mãos precisam ser livres para que eu possa escolher estendê-las quando achar que devo ou cerrá-las quando quiser dizer não. Para serem erguidas quando eu disser “pare” ou movidas em sinal de um convite do tipo “chegue mais perto”. Que afaguem com força alguém em quem esteja dando um abraço ou brinquem de fazer cafuné em uma cabecinha qualquer – de adulto, de alguma criança ou até de um bichinho que se permita o carinho. 

Não quero as algemas. Minhas mãos pertencem a mim. 

Mas estou feliz por ser março. Por ser mulher, por ser mãe, por querer ser um pouco mais. Por encontrar neste “M” as mudanças que não quero adiar, as motivações que precisam chegar e até mesmo a morte a ser encarada – morte do que é preciso deixar para trás a fim de seguir em frente, ao encontro daquele futuro que a mim me cabe, e que não creio ser lido por um perfeito desconhecido ou por uma virtualidade qualquer. 

Grátis? Faz um tempinho, estou aprendendo libras. Isso aí. Se minhas mãos tiverem que ser lidas, que o sejam por aqueles que não conseguem escutar o que digo. E aí sim, valerá a pena. Não precisarei pagar ou cobrar nada por isso, estarei falando ou cantando e serei ouvida por minhas mãos, através dos olhos de quem me vê. É livre. É lindo. E grátis, com “M” de “mesmo”!...

Há de combinar com ser mulher de verdade! Igualzinho essa Amélia "M". Maravilhosa.

* Eu que batizei o texto, caso não gostem, a culpa é minha.
PS. Apesar de ser uma leitora voraz, ainda me limito às palavras. A oferta da leitura de mãos me surpreendeu. Acontece com mais alguém aqui?


E eu só te queria mais. Mais perto, mais meu, mais dentro. E eu só te queria. Mais um tanto. Mais um dia. Mais um pouco. Eu, só. Eu queria. Quero. Muito. Tanto. Dentro. Mais. Já chegou?


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