Limões
Hoje acordei com gostinho azedo na boca. Que permaneceu depois de escovar os dentes, ressalto. Notei que tenho recebido minha cota de limões toda de uma vez. Não reclamo, já tive minhas mangas suculentas e doces uvas. Mas preciso aprender a lidar com eles, com os limões. É voz corrente que deve-se fazer uma limonada, mas não faz meu gênero. Daí, se a vida me der limões, eu...
a) faço caipirinha;
b) jogo de volta na testa dela;
c) passo no suvaco pra sair a nhaca;
d) mostro meu espírito empreendedor e monto uma banquinha;
e) passo um mês inteiro escrevendo sobre mulheres.
Já explico o item e). É assim: o Verissimo tem uma crônica muito, muito engraçada sobre acampar. Ele diz que não vai desperdiçar toda a evolução da humanidade, todo trabalho pra inventar coisas como a transmissão via satélite e água quente encanada, pra ir dormir no chão, ao relento, sendo devorado por mosquitos. Desrespeito com a História, ele afirma. Eu confirmo. Bom, o mesmo eu digo em relação a mulheres. Fico doente e me recuso a ouvir, dançar, assoviar músicas (?!) que tratam as mulheres por cachorras, piranhas ou afins. Também não rio das piadas. Nem encaminho emails. Eu considero um desrespeito com a História, com a vida e luta de tantas pessoas, ouvir uma música que diz, na sequência: perua, piranha, vagaba, vampira...e não me indignar só porque é do Caetano. Ignorar seria um descaso, um desprezo com elas. Elas, quem? Elas, nós todas. Mas é pouco, muito pouco, o que faço (ou evito que façam).
Daí que resolvi que em março, no Eu Sou a Graúna, só vai dar elas (alguém pode se perguntar: ué, porque não aqui mesmo? porque já tem outra surpresinha agendada pro Borboletas). Cada dia, uma mulher inspiradora. Da Amelia Eahart à minha bisavó. 31 mulheres. Já comecei a escrever alguns posts. Sei que vou gostar. A cada perfil que escrevo, aprendo. Inspiro-me. Melhoro.
E você que me lê, tem alguma sugestão de Mulher pra nosso mês de março? Ou ainda, pra me deixar mais feliz, alguém se candidata a escrever post(s) convidado (s)?
Quer Dançar Comigo?
Não fosse esse nosso
Imenso e difícil amor
Não fosse esse abismo entre nós
eu te convidava pra dançar
É assim: juntinhos. Teu queixo na minha cabeça. Minha mão no teu ombro. Tua mão nas minhas costas. Nossas mãos enlaçadas se apóiam onde meu rosto encontra teu peito. Sua perna se encaixa entre as minhas. Sinto teu cheiro. Sinto teu calor. Sinto teu desejo. Eu sinto.
* Antônio BivarMexendo na Caixa de Abelhas
Sempre que penso em Sylvia, lembro-me de Alfredo**. Em 1963, ela também ligou o gás. Não sei se era o último gás do bujão, mas não tenho dúvida que ela, como ele, se matou de solidão. Não vou trazer dados históricos, vocês podem ler sobre isso, aqui. E tem o filme (não tão bom, mas vale). Eu mesma já escrevi, talvez melhor, no Pintando o Sete. E tem ela mesma, no Espelho.
Hoje, minhas palavras são, apenas, de saudade. Saudade de cada poema que ela não escreveu. Ela deslizava de metáfora em metáfora, e eu com ela. Sua escrita me convoca. Não a mim, externa e máscara, convoca essa intensidade que sinto em mim. Que me sinto. Cores, suas palavras são cores. E dores, pra ficar na rima pobre, tão diferente das sempre surpreendentes escolhas que ela fazia. Sentia demais, dizem. Não sei se é possível um demais para o sentimento. Sei que era intensa. E não sabia sê-lo. Não podia?
** Caro afilhado, não ouse seguir a leitura sem ouvir esta música. Aliás, recomendo a todos, mesmo a quem já conhece. É que doer, às vezes, faz bem.
Fica a Dica
Eu podia estar roubando. Eu podia estar matando. Eu podia estar vendendo produtos da Natura. Mas eu estou aqui, lendo e me divertindo. E, assim, segue outra sugestão de texto simplesmente imperdível encontrado em blog idem:
Codeluxo, no Blog Cadernos de Vidro.
Momento Revelação: Fizeram tanto auê que o blogger isso, o blogger aquilo, que abri um wordpress. Mesmo nome, ainda estou com preguiça de ir passando o conteúdo pra lá. Não sei se uma dia conseguirei. A preguiça é grande. Mas a idéia está aí. Bem melhor que a execução, confesso, ainda não acertei mexer no tamanho da letra, não sei formatar o texto direitinho, nem colocar as imagens onde quero. Então, a idéia está aí. Mais pronta do que eu.














