quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Devassa ou...Quero Ser Educada

Teu lugar é em mim.
Eu digo, baixinho, 
para que não ouças. 
Para que não saibas.
Ando. Durmo. Falo. Sigo.
Quero o desatino. 
Preciso da descompostura.
Em alerta, espero a desesperança.
Leio palavras alheias 
e todas elas são teu nome.
Em maiúsculo, o vazio.
De novo, tua voz fez casa no meu corpo.
Mas não chega, nunca chega.
Como chegar a essa cama sem palavra nenhuma que me vista?


Devassa
E hoje eu tive certeza que meu juízo não é muito no lugar. Você já assistiu Educação (An Education)? Se não viu, salte para o próximo tópico, que vem aí um montão de spoiler. Hoje eu vi. E, gente!, que filme bom. É a história de uma colegial que se prepara para ingressar na faculdade em uma Inglaterra insossa e tediosa e conhece um cara que oferece tudo que é o contrário justo disso, tudo que é charme, emoção, aventura, glamour. Livros franceses, jazz, sofisticação, leilões, viagens, jantares. E ela se deixa envolver, assim como sua família. Bom, eu sou uma pervertida. Porque, puxa, ainda hoje, nos meus quase 36 anos, não teria escolhido outro caminho. Seduzam-me com boa vida, eu suplico. Ok, a origem da grana não era aceitável. Mas o meu ponto é que a Educação complementar que ela recebe me parece tão boa quanto a formal. 
O filme foi me enredando, todos os atores estão bem, a direção é segura, os diálogos são fortes. Aliás, uma das coisas que me chamou atenção foram os créditos iniciais. Brilhantes, ah se são. E isto me saltou aos olhos porque é tempo de vacas magras em relação a este item. Quem já se deliciou com o trabalho de Samuel Bass (breve um post sobre ele aqui, estou nesta peleja) reconhece a pobreza dos créditos atuais. E a Carey Mulligan está tão bem alternando ingenuidade compatível com a formação que teve e uma certa liberalidade e ansiedade de quem se prepara para a liberdade intelectual. Consegue ser menina e mulher e não se perder em caricaturas. Não é um filme para entrar na lista dos 10 mais queridos. Mas é um filme bom, muito bom, feito em uma época em que se tem que conviver com a presunção de James Cameron (amanhã ou depois escreverei o quanto de-tes-to a produção de Cameron).

Terceira Versão*
   
Sinto a saudade no momento em que desligo o telefone. É sempre difícil afastar-me. Palavras repetem-se como se pudessem ser estradas: te ligo depois. Durma bem. Também gosto de você. Um beijo. Uma conversa que não se sabe terminar. Tua voz desaparecendo, aprendendo a fazer eco do silêncio. O vazio que se impõe à última palavra, ao último riso, ao último beijo, é sempre o mais difícil de atravessar. Já não há abismos em mim que não ocupes. Minha geografia reinventou-se pelo desejo de sentir teu desejo.

Nos meus percursos, não encontro sinais. Nenhum letreiro, nenhuma placa, nenhuma sinalização: ele esteve aqui. Não há indícios de ti. E, ainda assim, sabemos do sal dos dias de despedida, embora nem tenhas chegado ainda. Talvez nunca chegue, meus caminhos são sinuosos. E mesmo que arda carne e letra, nada disso me leva até onde te imagino.

Eis como vivo: um desejo de calor. Do calor das mãos que eu pressinto. Lembro o que nem vivemos: um beijo azul, gosto de vento e areia; calçadas gastas em pés que se entendem, conversas cúmplices, silencias confortáveis, teu gosto na minha língua, teu nome em baixo relevo desenhado em meus projetos. Tuas mãos perdidas no meu corpo como se elas sempre tivessem estado aqui. Antecipo diversidades: suas reticências, o jeito preguiçoso de deixar-se mais um pouco na cama, a mais conservadora presença. As tuas palavras, eu lembro das tuas palavras em mim. Preciso delas. As palavras certas, sempre um momento antes do momento certo, de um jeito tão exato com o qual não me acostumo, mas admiro.

Como se fosse possível isso de gostar. Como se fosse razoável querer tanto, em pulsos latejantes e frases que se esquecem de ser completas. Em um espanto, eu sei: aqui, vive-se. Como se viver fosse um flash back. Um espanto me acompanha ao pensar-te em mim. Como se fosse o tempo errado, como se devêssemos estar em outro lugar. O tempo me ignora, ofendido por este querer que não cessa. Sem paciência para futuros, eu que devoro tudo no já, tenho a espera como companheira. Essa saudade do que ainda será bom. Planejo tolices: uma mão, uma palavra, um abraço. O primeiro. O primeiro, soluço, e só me resta conhecer as vielas do mundo. Um mundo imenso, esse; penso e prossigo. Ainda não sabe escolher caminhos, essa dona que nunca deixou de andar com o coração.

* Gosto de reencontrar minhas palavras e lutar e alterá-las. 

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

É Tempo de Oscar...Ou Também Quero Falar de Cinema!

Está todo mundo falando de cinema e Oscar e Cisne Negro e sei lá mais quê. Também quero, ora. E eu amo filmes, todo mundo aqui já está vermelho de saber, então acho digno participar desta onda. Talvez, apenas, eu não seja muito atual. Eu tento não ser rabugenta e realmente vejo e gosto de filmes contemporâneos. Vi o tal Tio Bonmee (vou já tratar dele, Ju, prometo). E ontem mesmo revi Os Infiltrados e recordei o quanto respeito e gosto dos trabalhos de Scorsese. E, claro, Woody Allen é uma espécie de mago da linguagem cinematográfica, gênio que descobriu e me faz descobrir a beleza e a riqueza estética e cognitiva de uma inteligente repetição. Mas, no frigir dos ovos, se me pedem uma lista do que me inspira e arrebata, é sempre do bom e velho cinemão que chegam minhas referências. É aqui que um bocado de leitor deste blog abandona o post. Sorry, pessoal (especialmente Aline) mas o coração tem as tais razões que a razão blá, blá, blá e hoje eu acordei pensando no Hitchcock e nas incríveis primeiras cenas que ele costumava apresentar. 


Não que não existam outras aberturas especiais e inesquecíveis, como a abertura de Rastros de Ódio (eu até já fiz um filme da minha vida, lembram? começando com esta sequência), a ação inicial de Manhattan (WA do melhor!) e, claro, o começo de A Marca da Maldade, de O. Welles, que - puxa! - é uma aula de cinema. E, pra quem não viu, o início tanto de Era Uma Vez no Oeste como de O Bom, o Mau e o Feio são de forte impacto estético. Mas eu acordei pensando mesmo foi no Hitch. Porque é dele a abertura de Janela Indiscreta. Em poucos minutos já se sabe tudo do personagem sem o termos visto! E em Festim Diabólico não é só o começo, mas todo o filme é feito em planos de 8 minutos e com cortes quase imperceptíveis devido ao uso de recursos relacionados à luz.

E daí eu fiquei pensando na importância de um bom início. É claro que o que não começa tão bem assim ainda pode se arrumar e depois vira matéria de riso até. Mas começando bem é bem melhor, não é? E não só em filmes, penso agora e já me vem uma idéia (daquelas de sempre): uma lista! Uma lista dos começos...

Não que sejam os melhores princípios, nem mesmo garanto que são os que mais gosto. Mas são os que recordo, os que me tocam neste momento. Escolher é, pra mim, sempre assim, um recorte. Um momento. Estou mais ácida? Mais sozinha? Mais feliz? Mais cansada? E tudo isso se faz palavra aqui. Pois que venham os inícios, porque no princípio era o Verbo. Ou o artigo definido. Ou, até, imagino mais ousadamente, no princípio era a interjeição.



Enfim, a Lista...

05 começos de filme (só organizando): Janela Indiscreta, Rastros de Ódio, Manhattan, Crepúsculo dos Deuses e Una Giornata Particolare (que já tratei aqui). Um de cada diretor que admiro...Hitchcock, Ford, W. Allen, Billy Wilder e Scolla (ai, como gosto do cinema italiano!).

05 começos de canção: Há várias canções que começam lindamente. Há várias que me tocam, me prendem, me emocionam. Mas, hoje, estou pensando em negro. Então...

Hello darkness, my old friend, de Simon e Garfunkel, de 1960. Dói um pouco, não acham?

Às vezes eu quero chorar, mas o dia nasce e eu esqueço , eu sei, muito anos 80, não é? Mas daí, tem horas que só uma boa dose de Marina pra gente sangrar à vontade.


Aqui nessa casa ninguém quer a sua boa educação, nos dias que tem comida,comemos comida com a mão. Arnaldo Antunes, sutil como um rinoceronte chafurdando uma cristaleira. Bom, né?


Ensaiei meu samba, o ano inteiro, comprei surdo e tamborim, gastei tudo em fantasia...Ai, já dá pra saber que boa coisa não vem, né? É do Benito di Paula, mas gosto mesmo é nessa versão do Zeca Baleiro.


Aprendi lutar na ribeira, vender e trocar lá na feira, ser fiél e ser companheira, ser sambista por brincadeira, dançar e cantar, ser faceira.... Salve D. Ivone lara, grande desveladora da minh'alma.   


05 começos de livro
Clarice Lispector começa o livro Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres com uma vírgula. E isto me tirou o fôlego, o chão e as referências. Gosto sempre de reler...
“,estando tão ocupada, viera das compras de casa que a empregada fizera às pressas porque cada vez mais matava o serviço, embora só viesse para deixar almoço e jantar prontos(...)”

E tem Jane Austen, claro, que começa seu Orgulho e Preconceito com uma frase que sua personagem vai desconstruir letra a letra:
"É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna necessita de uma esposa”

Gosto do início de Verissimo no seu Jardim do Diabo, é irônica, divertida e supreendente (de quebra homenageio a grande frase inicial de Melvelle)...
"Me chame de Ismael e eu não atenderei. Meu nome é Estevão." 

Claro que a enigmática frase de Machado de Assis (ou de Brás Cubas, se preferirem) está entre os começos de sempre na minha leitura...
"Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte."

E, claro, Guimarães Rosa e seu: Nonada. Um começo preciso.

Uma reverência à maestria de Saramago ao bulir com minha imaginação ao escrever..."no dia seguinte ninguém morreu". (Intermitências da Morte)


05 versos iniciais:

 Manuel Bandeira: Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma

Adélia Prado: Há, dentro de mim, uma paisagem entre meio-dia e duas horas da tarde

 CDA: Chega um tempo em que não se diz mais: Meu Deus 



Paulo Leminski: Tudo que eu faço, alguém em mim que eu desprezo, acha o máximo

Mário Quintana: Minha vida não foi um romance... nunca tive até hoje, um segredo




Se você gosta de começos inesquecíveis, tem este link fantástico para a coluna de Sérgio Rodrigues. Vale a pena.





sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Intervalos


Vejo em meus olhos antiguidades. Desenganos de outros que se confundem com meus vazios. Eu não cansei de tentar, porque eu nem comecei. Eu só segui. E segui só, se é permitido ser clichê para si mesma. Não tenho mais noites. O escuro me abandonou. As sombras me abandonaram. A solidão é clara e ofusca. Não abro as portas, não quero janelas. Mas há luz, tanta luz. E belezas, tantas. Por isso a escolha é sempre difícil, ninguém nos contou a verdade. Ou bem as dores de estar viva e sentindo. Ou bem as belezas de não sentir mais nada: morre-se. 
E isso, claro, porque seus olhos não esbarraram nos meus, suas palavras não perguntaram pelas minhas, seus anseios não queimaram no meu corpo. Enfado. Não é bonito, nem dá boas fotos. E o que devia ser dor é só um bocejo. E isso me assusta.


A Arte e a Vida

Ontem morreu Maria Schneider. Eu não sei o que ela fez da vida dela nem como se sentia, então - mesmo que tenha morrido abaixo da média de idade usual - não posso dizer se viveu muito ou pouco. Não sei o que ela fez da vida dela, eu disse, mas sei bem o que ela fez na minha vida. Ela e Brando. E, depois, ela e Jack Nicholson. Em Profissão: Repórter há a liberdade, a angústia de ser, a paixão. É um grande filme de Antonioni sobre as dúvidas que temos sobre nós mesmos e a forma naturalizada com que lidamos com o mundo. É um filme que me inquieta e sou grata a Schneider por participar disso. E O Último Tango...? Nem sei se consigo separar minha impressão pessoal sobre este filme do ícone que ele se tornou. Aliás, nem sei se quero ou preciso. Sabe, eu também fiquei impressionada com o lance da manteiga (e, puxa, não deixe de cortar as unhas da mão direita), mas o filme é mais, muito mais que isso e é por isso que ele (filme) e eles (Brando e Schneider) são inesquecíveis. É um filme sobre solidão. É uma pergunta se há algum sentido no viver. É lindo não saber de nada...é assim que começa. É terrível não saber-se, é assim que nunca termina. É um filme de grande texto, de impressionantes diálogos e com uma seqüência final que eu nunca, nunca consigo ver sem angústia e completa entrega. É isso que Schneider me deu: o contato com o desejo, morte, angústia...que, afinal, é o que há de mais humano.


A Vida e a Arte - mas sem tanto glamour

E eu já disse que eu sou eu por causa dos filmes que vi e dos livros que li? Já. Pois é. Sou mesmo. Os meus temas são os de sempre: amor, morte, solidão, liberdade. As minhas formas de viver são estilos: suspense (será, será, será que ele é ele? será que tudo vai dar certo? será que não fiz caca?), uma grande necessidade de dramas, um anseio por momentos épicos e, normalmente, um tombo enorme na comédia porque sou mesmo desastrada e exagerada. Essa é a verdade essencial sobre mim (trilha sonora de revelação, por favor): eu exagero. Então, embora admire a elegância de Bergman, minha alma barraqueira é uma cruza de Fellini com Almodóvar. Embora ache chic ser meio blasé como Bertolucci, no fundo eu me desmancho nos filme de Capra, embora reconheça a contribuição estética da sangria desatada de Peckinpah eu gosto mesmo é dos horizontes a desbravar de John Ford. E assim caminha a humanidade (um dos meus favoritos de sempre) ou, pelo menos, assim caminha a minha humanidade, talvez de trás pra frente.

Sugestões do Dia ou Eu Ainda Me Impressiono
E vocês já leram coisas geniais? (claro que já e todo mundo sacou que essa é uma pergunta retórica e introdutória pra meu usual deslumbre)...pois bem, tem este menino, ele tem 17 anos, eu disse 17 anos, e eu nunca tinha visto nada nem nada dele, mas daí hoje eu esbarrei num texto sobre O Último Tango em Paris que Uau! como assim 17 anos? E o blog todo é bem legal. Eu nem comentei nem nada, vou ficar na espreita só pensando: meudeus, que bom tanto talento assim por aí! Ah, o endereço, né? Cinema e Eu. E, claro, tem o Caracteres com Espaço que eu já devo ter falado aqui mas não custa repetir...eu gosto! Tanto. E daí que tem um post que é a maior perfeição. Fiquei verdinha de inveja de não ter escrito. Mas antes fiquei roxinha sufocada de tanto rir. Eu concordo em Pular a Introdução.

Jabá?
Mas se vocês são do tipo que lêem as entrelinhas e suspeitam que eu falando tanto assim de mim estou me desviando de mim mesma...bom, saibam que atualizei quase todos os meus blogs. Só falta o Estrangeiros na Terra, mas sai hoje a tarde. Divirtam-se:

Olhos da Borboleta - Coelhinha
Eu Sou a Graúna - Pimenta e Refresco
Outras Borboletas - Na Tela
Só Miolo de Pote - Ritmo

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sentir Em Vermelho

Primeira Estação
Sinto saudade das saudades que eu sentiria: teu cheiro nas minhas roupas, teu gosto na minha língua, uma palavra repetida, uma toalha jogada na pia, a cena de desencontro na hora das despedidas que ainda serão. Tenho inveja dos teus livros, das tuas roupas, da tua cama, de tudo que te é íntimo e corriqueiro como ainda não sou. Tenho anseios que não encontram nomes: desejo, desejo, desejo, tão rubra é a vida dos que ardem em espera. 


Segunda Estação
Esperando. Esperando um toque. Que toque o telefone. Que uma palavra me toque. Que uma palavra me alcance, que essa palavra descanse meu coração que bate tão alto e acelerado para abafar o silêncio do telefone que não toca. Toca no rádio nossa música. Todas as músicas são nossas quando tocam no lugar do telefone que não toca. O telefone que não toca, toca minha solidão. Sensação de ausência de toque, toque de dedos, troque segredos, toque em meus medos. Medo de que o telefone não toque. 

Terceira Estação
E eu ganhei um selo que precisa de difícil resposta. Ganhei do Blog 2+2=5. Gostei tanto e tanto me fez pensar. A pergunta é: Com quantos anos você queria ser Imortal e viver a Eternidade? Pensei que teria uma porção de respostas bem humoradas e sagazes, mas o que me veio com insistência é que não quero. Imortalidade? Obrigada, passo. A finitude me dá perspectiva, limite, noção. Penso nas perdas, ficar para sempre em uma mesma idade enquanto os que amo envelhecem e morrem. E não só os que amo agora, como meus pais e amigos que podem (e provavelmente vão) morrer antes, mas todos que ainda iria conhecer, numa sucessão de perdas que só poderiam resultar em duas coisas: ou um endurecimento dos sentimentos deixando-me cínica e solitária ou uma progressiva loucura e carência. Nenhuma das duas alternativas me atrai. Já a imortalidade das minhas palavras...aí sim, tem atratividade (mas remota possibilidade). Pelo menos a minha querida amiga acha que o blog merece esse elogio. Obrigada.
Para responder tão difícil questão, com mais otimismo e sagacidade que eu, mesmo que não exponham ou repassem o selo, só pela minha curiosidade de conhecer as respostas de vocês...lá vai:

Fim da Linha
Se você vier, vai saber que eu gosto de picolé de fruta e ainda mais quando escorre no canto da boca e a língua, lépida, se faz audaz. Vai saber que eu piso primeiro o calcanhar. Que eu rio alto. Que minha mão é quente, que meu sangue é quente. Que releio: livros, cartas, bilhetes, bulas. Que sinto o cheiro do mar e me comovo. Que não sei contar piada. Que tenho pressa e me atraso. Que tenho ímãs na geladeira e faço pose de pin-up só pra brincar de ser eu.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Cansada

Cansada. Eu queria ter outras palavras, mas esta se repete: cansada, cansada, cansada. Cansada de decidir. De resolver. De fazer. Eu não sei e não gosto de trocar lâmpadas, verificar o encanamento, instalar o gás. Eu nem sei se sou boa em alguma coisa, mas não há dúvida de que sou péssima em assuntos que demandem perícia manual, conversas formais e objetividade. 

E você me disse, disse mesmo. Pelo telefone, vou me acostumando com as distâncias. Pelas letras no msn. Riu, porque escrevo em vermelho. E eu, querendo impressionar e sendo tão verdadeira que assusta: sou intensa. Desejo com intensidade. Venha, chegue, traga seu exército, invada meu país. 

E, amanhã, é Dia de honrar Iemanjá. Só pra garantir é bom providenciar umas oferendas e cuidar do seu moço...


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