quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Seguindo Ordens ou Apreciando O Retrato de Dorian Gray - Guest Post de Amanda Lourenço

Não sou uma pessoa inventiva. Não me considero criativa. Mas tenho um talento: aprimorar boas idéias. Alguém tem uma boa idéia e eu logo transformo numa ótima idéia (modéstia? não trabalhamos). Assim, a Juliana, do lindo e abandonado Fina Flor (uma semana sem post, ah, férias, que delícia) teve a sensacional idéia do sorteio de um livro entre os leitores do blog. O que eu fiz? Transformei a idéia em uma ainda melhor(pra mim e pra os leitores daqui, né), sorteei os livros (um deles já chegou, o outro está no sistema de entrega da Americanas e a Drixx nunca disse qual queria nem deu o endereço) e, brilhante!, sorteei também uma pessoa pra nos dar de presente um post. Fiz isto com alegria e certeza de um texto inteligente porque meus leitores/comentadores são delícia. E ganhamos um post da Amanda. Eu já disse em vários lugares o quanto a admiro (por exemplo, aqui, aqui e aqui). Amanda mantém um blog: Petit Journal de la Porte Dorée. Ela não tem todos os acentos no teclado, mas, lendo aquilo tudo, sinceramente, quem se importa? O Borboletas fica mais profundo, chic e com um ar afrancesado porque recebe esse guest post. O título e a ilustração é culpa minha...o mérito do belo texto é todo dela.

Seguindo Ordens ou Apreciando O Retrato de Dorian Gray - by Amanda Lourenço

Fui reclamar pra Borboleta que minha vida estava vazia de literatura, que fazia tempo que não lia um livro legal e tal e acabei pedindo encarecidamente que me sugerisse um bom livro pra eu retomar meu caminho das letras. Dai que ela, eficiente como so, fez um post inteirinho so com otimas recomendações. Fiquei na duvida sobre qual escolher, mas o ultimo paragrafo me deu a ordem, era alguma coisa assim: "Mas se você ainda não leu O Retrato de Dorian Gray, não tenho duvidas, é esse". 
Então aqui funciona assim, a Borboleta manda ler o Retrato de Dorian Gray, a gente lê. A Borboleta manda escrever um post pro blog dela, a gente escreve. Por que não juntar os dois?
Devo começar dizendo que adorei o livro! E se não fosse indicação dessa Borboleta, eu nunca teria lido. Isso porque eu gosto mais de livros contemporâneos, da nossa época, com uma linguagem mais fluida, informal e cumplice. So que mergulhar no fim do século 19 através da "pena" de Oscar Wilde foi uma grata surpresa! Sim, a linguagem é velha e as situações são surreais pra nossa época, mas a forma como a historia é contada faz toda a diferença. A gente entra no passado de tal forma que tudo aquilo parece fazer sentido: as cartas escritas à mão e entregues por mensageiros, os taxis levados por cavalos, o cha servido pontualmente às cinco, as conversas filosoficas durante os jantares. Mas confesso que demorei um pouquinho pra me enturmar. Por exemplo, não conseguia de jeito nenhum entender a importância do noivado de Dorian. Todos ficaram chocadissimos, procurando cadeiras para se sentar e eu fiquei me perguntando ué. Mas dai lembrei de uma coisinha à toa: ah sim, naquela época os casamentos eram pra sempre!
Parece, alias, que as palavras naquele tempo tinham mais peso do que elas têm hoje. Era isso, dizer que estava noivo queria dizer que a pessoa tinha um compromisso de honra em casar com o outro e ficar para sempre com ele. Não dava pra mudar de ideia assim de repente. Chamar alguém de amigo era fazer uma declaração de companheirismo tremenda, digna de lagrimas nos olhos e abraços emocionados. Dizer pra alguém "não quero te ver nunca mais" signicava o fim de verdade. Por isso tudo ficava muito dramatico, as reações eram muito exageradas. O pintor, por exemplo, era a DramaQueen em pessoa. Me diverti muito com esse drama todo.
As palavras tinham um significado claro, sem entrelinhas nem ironias. Li varias vezes um personagem tratando outro de "delicioso" ou "deus da beleza". Aham, aham, a gente da logo uma cutucadinha e pisca o olho. Passei boa parte do livro desconfiando da homosexualidade dos personagens, mas acho que não, eles não são gays. Se eles fossem gays, Wilde ia dizer: eles são gays.
Enfim, o livro é sobre a beleza e a arte. E a gente percebe como a beleza e a arte são conceitos que mudam bastante com o tempo. Poucos exemplares desses dois itens conseguem resistir ao tempo. Talvez a beleza de Dorian Gray não seria apreciada na nossa época, nem a pintura de Basil. Mas o livro de Wilde com certeza ainda é. Palavra de quem não é chegada em classicos antigos.



Outras Novidades
Estou em João Pessoa com minha querida amiga S. Pra quem não sabe, é por causa deste Borboletas que ela está na minha vida. Ontem, já caí e já fiquei pelada na praia. Bom pra um primeiro dia, né? Mais informações, aqui: Nuas. 


A minha própria versão está no Eu Sou a Graúna, Meu Dia de Eva: Nua e No Paraíso.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Eu e Ela: Mais Mortas do Que Vivas

Se fosse possível uma dedicatória...*

Para ele, que me faz querer ver e ser vista.
ou apenas: 
Este post tem dono.


Esse post é sobre um livro que li. Um livro que gostei de ler. Escrever sobre ele é difícil pra mim. Escrever sobre livros é complicado, sempre, pra mim. Não tenho pejo de escrever sobre filmes, gravuras, esculturas, minha vida ou a alheia...bem ou mal, as minhas palavras chegam e vão se organizando da melhor forma que consigo. Mas sempre que se trata de escrever sobre alguma coisa escrita, fico sem saber como proceder. Eu penso: como posso dizer melhor o que já está lá tão bem dito? Porque alguém vai perder tempo lendo o que eu tenho a dizer sobre um livro ao invés de ler o próprio livro? Porque não é o enredo que conta - ou não só. É a própria forma como se escolhe escrever, o estilo, o ritmo, a forma. Este jeito de pensar é meio tolo - reconheço - porque eu mesma adoro ler comentários sobre livros e um dos meus blogs favoritos é o da Jussara: Palavras Vagabundas, que versa preferencialmente sobre livros. Idiossincrasias e pudores à parte, este é um post sobre o livro do Cornélio Penna: A Menina Morta.

Tive vontade de ler este livro desde que o vi mencionado na lista do meu sempre querido e admirável Zé. Procurei e vasculhei em sites, sebos, livrarias, nada. Até que ele chegou, inesperado e desejado, como só as grandes paixões sabem acomodar. E aí, de repente, deu medo. Medo de não entender o livro. Medo de não gostar. Medo de não estar à altura. É isso mesmo: sou uma covarde intelectual. Todos os dias agradeço a minha irresponsabilidade de ler Kafka, Dostoievski e Lacan antes de ser informada que eram bons, mas quase incompreensíveis. Não tive esta sorte com Joyce e até hoje peno com Ulisses (mas ouvi dizer que a nova tradução ajuda, vamos ver). Enfim, deixei a Menina Morta no canto e fui lendo todas as outras coisas que me pareciam menos ameaçadoras. Até que um dia.

Um dia eu tive coragem e comecei a ler. Ah, não é possível descrever o que senti nas primeiras páginas. É tão bem escrito! Cada frase, cada palavra, cada letra parece que ocupa o perfeito lugar, o espaço exato, não há equívoco, não há possibilidades outras. É tudo tão encantadoramente preciso que fiquei lendo e relendo as primeiras páginas por vezes incontáveis. Deslumbrada. Lenta. Não evoluía na leitura não mais por medo - já estava cativa do livro - mas por uma espécie de Síndrome de Tio Patinhas. Eu não queria gastar. Não queria que acabasse nunca. 

E foi então que me foi proposta uma nova forma de ler. Uma que não tivesse pausa. E foi o que fiz. Acordei cedo, muito cedo. E li. Li. Li. Era outro livro. Completamente diferente e igualmente intenso e interessante. Esse outro livro não nos dá tempo de apreciar cada palavra porque impõe a próxima frase. Eu lia e parecia que estava submersa e me faltava o ar mas eu não queria respirar. Terminei arfante e sem definições. Gostei? Sim, gostei, mas esta não me parece uma palavra suficiente pra descrever como um vazio ocupa outro tão absolutamente.

O livro não é "sobre" nada. Há uma história mas, francamente, não é um enredo com reviravoltas e eventos. Há angústia. Há pessoas. Há o interdito. Isso é o que mais me vincula: o que não pode ser dito e que se faz presente a cada página. Há uma sombra, um sentimento de vigília, de alerta. Não é um romance subjetivista. Não é um romance regionalista. Não é um romance intimista. E é o quê? Não sei dizer. Uma experiência de cada um. Não há redenção. Há, sim, uma tensão, um limite que nunca é ultrapassado nem esquecido. 

Há tempo e não há. Há o tempo da perda, do impossível de dizer, o tempo da escravidão de todos às convenções. E não há, como se fosse atemporal o que se sente, as misérias humanas, as fraquezas, as impossibilidades. 

Já são linhas e linhas e eu ainda não consegui dizer que o livro me descascou feito cebola, só há lágrima e vazio. Mas dá um excelente refogado. Dá pra entender? Um livro que não conta nada e diz tanto. Não há uma palavra desnecessária, uma página sobrando, um parágrafo dispensável. 

Como eu já disse (ou melhor, como já me disseram) sou uma pessoa desapegada. Contraditoriamente, como eu disse uma vez, eu sei que a dor não passa, a alegria não passa, a saudade não passa, o prazer não passa...o que sinto não passa, fica em mim, passa a fazer parte de quem sou, de como vejo o mundo, de como ajo no mundo. A Menina Morta ficou aqui, em mim. Quando terminei, um outro medo: como escrever o que quer que seja se aquilo tudo já havia sido escrito? Como ainda tentar dizer o que quer que seja?

"Talvez as ondas rápidas, amarelas, contassem umas às outras a história muito curta e risonha da menina vestida de cetim brocado, com a pequena coroa de rosas que era prisioneira entre paredes de madeira rude, escondida pela seda branca, sobre ela esticada.”



* As outras, ainda menos possíveis:

é sempre com olhos de gato de botas 
ou 
Gosto mais do que digo porque digo para você
ou
Toda a intimidade é bem vinda
ou
Como dizer obrigada pelo que nem sei dizer o quanto gostei?

De resto, se você chegou até aqui, importa menos o que dedico e mais o que você gostaria de receber. E, ainda assim, insisto, porque querer bem é este leva e traz de sentidos. 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Um Presente, Um Ausente e Miudezas Várias

O Presente 
Eu tinha uma história pra contar sobre atravessar a rua, parar pra alguém, gentilezas e o bem que isso (me) faz. Mas como não consegui narrar de forma lógica fica só a conclusão: meu anseio mais verdadeiro é por uma mundo de delicadezas. Que se puxem cadeiras, segurem portas abertas, dêem a mão pra saltar um buraco, sorria-se pra desconhecidos, pare-se pra pessoas atravessarem a rua, presenteie-se por carinho, elogie-se sem medo de ser mal interpretado, troque-se informações sem receio de ser superado, ah, tantas coisas miúdas. Mas não reclamo muito, meu 2010 trouxe pra minha vida pessoas gentis e generosas. Como ele que me deu a gravura ao lado. Ok, ok, ele ofereceu a todos os leitores...mas lógica não me falta: ele ofereceu aos leitores, eu sou leitora, logo, ele me ofereceu. Recebi com alegria e lá agradeci, mas não podia deixar de partilhar com vocês a beleza e o calorzinho de me sentir tocada. 

Ausente
Ontem foi aniversário (morto faz aniversário?) do Elvis. Estava pensando em como escrever sobre ele quando visitei o blog de minha querida Long Haired Lady e descobri uma linda homenagem que desobrigou-me da minha. Eu gosto de ver o Elvis. Gosto de ouvir. Gosto. E quando ele remexe, aimeusais. A voz do Elvis me toca em lugares a que poucos tem acesso. Lugares físicos, mesmo. Parece ressoar em meu peito de forma quente. Parece passear em braços e pernas deixando tudo molinho, relaxado, à vontade. A voz de Elvis me faz fechar os olhos e arregalar os demais sentidos.

Miudezas
Estou escrevendo um post sobre um livro que li, ou melhor, sobre um livro que me atropelou. Está a caminho. Chama-se A Menina Morta (o livro, não o post). Devíamos fazer uma campanha pra ele ser publicado novamente no Brasil, meu exemplar teve que atravessar o oceano pra chegar aos meus olhos. 

Eu adoro quarto de hotel. Curto mesmo: ar condicionado, AXN como canal principal, frigobar com cervejas geladinhas, serviço de quarto...dá uma moleza. Vontade de nada fazer, só sentir meu corpo pesado contra o colchão, sons da tv chegando indistintos, um leve cochilo...

Já fiz meu planejamento para 2011: vou aceitar o convite do Baleiro e vou pra Babylon. É que finalmente percebi que nunca serei a bailarina (eu sei, demorei), não tenho fígado para as opções intermediárias, resta-me chutar o balde, assumir o destino que me escolheu: vou botar minha alma à venda.

Eu já escrevi neste blog (mas estou com preguiça de procurar o link/ droga, neurótica é um saco, já fui buscar: Minha Música ou Trilha Sonora Para o Amor) que eu geralmente não tenho trilhas sonoras específicas pra cada relacionamento, mas músicas que funcionam em cada momento de - geralmente - todas as relações. Umas pra início, paixão avassaladora, ficar sem ar, etc.; outras para o momento cumplicidade, outras pra o desejo constante, e por aí vai, até aquelas de despedida. Mas hoje descobri
uma música do Oswaldo Montenegro que eu tinha obrigação de já ter no repertório desde que eu tinha bem menos anos. Trilha sonora específica, quase perfeita em seus versos que me vão desnudando.


Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo
Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço (...)

Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande
Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa (...)

Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha
Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava





sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Preguiça, Futuros e Outras Divagações

Preguiçando
Eu não sei o que acontece comigo no período de 15 de dezembro ao começo de fevereiro...eu funciono super mal. Ou, talvez, bem demais. Ainda não decidi. Nesse período só quero saber de festa e sono e sexo (quando disponível, o que não é o caso por agora) e praia e cervejinha e fazer nada. Preguiça, a gente se vê por aqui. Venho à net, leio os blogs queridos, acompanho o Reader, divirto-me e reflito nas discussões feministas, comento até, mas na hora de escrever meu próprio post bate uma modorra, uma ausência de palavras...Não é que não tenha assuntos, tenho aos montes, tem a série sobre as Mulheres de Degas, tem o resto do Pintando o Sete, tem os preparativos de viagem, tem os encontros, aniversários, ai ai ai, tem coisa demais. As letras é que se escondem. Fogem. Zombam  da minha vontade de alinhá-las. Ou chegam aos borbotões, sem charme nem lógica. Pre-gui-ça. 

Bom, aí eu tive uma idéia sagaz: olhar o que estava rolando no blog neste período no ano passado...quem sabe me inspirava, né? 

Futuros I - E era assim meu sentir:


...eu nada sei. Não sei nadinha e isso é muito estranho pra mim. Pois eu tinha planos, certezas, rumos. Tinha convicções absolutas: um grande amor, uma família, casa e a boca escancarada como repugnava Raul Seixas. E eu adorava cada parte deste projeto burguês. Não sei mais nada. Vivo como os alcóolatras: um dia de cada vez. Tudo bem, sei que vou viajar, sei que vou dar aulas em Mossoró, sei que vou viver e cuidar do meu filho. E isso é tudo. O resto é esperança. Espero muito ainda. Espero que as coisas dêem certo, o que quer que isso signifique. Espero reaprender a escrever, pois agora tudo sai em estertores, frases curtas, textos curtos. E espero. Espero muito bem acompanhada, isso é certo. Recebo amor e conforto dos meus amigos. Da minha família. Às vezes eu esqueço o quanto sou querida. Estes dias me relembraram isso e, com uma certa surpresa, penso: que bom merecer esse bem querer e, mais surpresa/feliz: todo esse amor é sinal de que também eu dou amor. Eu mereço amor. Mereço um príncipe que enfrenta vários desafios, dragões, parede de espinhos e tudo mais disney que se tem direito. Eu espero esse príncipe. E espero glamourosamente passeando na Itália, sofrendo na Itália, admirando a Itália, chorando na Itália. O povo diz que lugar de chorar é no travesseiro que é quente. Discordo: lugar de chorar é na Europa, mesmo no período frio, frio, frio...Choro e espero e, por enquanto, vivo de uma forma totalmente nova pra mim: sem planos.

Futuros II 

...eu nada sei. Agora tenho um plano (como já andei espalhando): fazer dar certo. Claro, só não decidi o quê. Mas dar certo já me parece bom. Faço planos, já. Mas pequeninos, pra próxima semana, talvez pro próximo mês. Continuo bandoleira, gosto de viajar. Se houver a tal da reencarnação, da próxima vez vou combinar de vir menos linda e inteligente (hahahah) e com um pouco mais de grana só pra vadiar. É estranho pensar no tanto que chorei no mesmo mês do ano passado. Não tenho quase lágrimas, agora. Ou não tenho motivos pra lamentar, talvez. O certo é que o riso me faz mais companhia. Os amigos permanecem, os interesses mudaram um tantinho, mas sou igualmente sem teto, justinho como estava neste dia em janeiro de 2009. Não há príncipes no horizonte. Nem sapos. Mas há encontros e eles são bons. Há, sempre, a possibilidade do menino bonito. Que eu já não espero. Quando quero, pego o ônibus ou o avião e deixo meu corpo pousar em alguma mão.


Divagações
- E a Amanda topou e vai escrever um post pra nós. Eu tento encontrar as palavras pra dizer o quanto gosto dela, da inteligência rápida, da doçura incrível e do humor atilado. Mas ainda não consegui. Vou tentando, vou tentando.

- Ontem foi aniversário da amiga Sílvia. 20 anos de amizade. 20 intensos e cúmplices anos. 20 anos de conversas, de risos, de confidências, de perguntas, de partilha. Sílvia, como eu disse entre cervejas: eu amo você.

- Foi, também dia de sushi maravilha. Nada mais a comentar, mas quem fizer silêncio pode até ouvir meu suspiro de satisfação.

- Hoje é aniversário daquele que sempre teve lugar cativo no meu bem querer. A Argentina é um charme,  não concordam?

- E amanhã é dia de abraço apertado na Aninha. Ano passado era eu quem desembarcava em seu abraço. 


Há janelas aqui. Muitas e, em cada uma delas, futuros que não serão. Há janelas aqui que convidam vento, tempo, esperanças. Há janelas onde se debruça minha vontade. Há janelas que fazem moldura pro meu desejo. Há janelas abertas para os temores. Há janelas de tamanhos distintos e, em cada uma delas, vasos de amores perfeitos que procuram marias sem-vergonha pra fazer valer seu nome. Em meu rosto, janelas. Escancaradas.




quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Começando Com o Pé Esquerdo...

MOMENTO 1: Sobre a brevidade das coisas

Acontece que tem um caroço no meu suvaco (axila, para os phynos) e eu tenho que ir ao médico. Acontece que uma pessoa que admiro muito perdeu uma pessoa querida e tem lidado com isso de uma forma tocante, sensível e corajosa. Acontece que meu avô tem mais de 90 anos e vai fazer uma cirurgia. Acontece que mulheres que amo e que me conhecem com intensidade e antiguidade me disseram que apesar do meu papo materialista sou uma pessoa evoluída e desapegada de coisas e pessoas (não sei se considero um elogio). 

Eu não costumo ligar para a morte. Não, não é que eu não costume pensar nela, na minha morte. Penso até um bocado. E falo sobre ela sem pudores. Já convencionei que ela vem, vai chegar, ok. Tudo bem. Alguns queridos até se sentem incomodados com a displicência e intimidade. Faz tempo que tento convencer meus irmãos pra gente fazer um plano funerária e comprar um jazigo. É que eu não ligo mesmo, não tenho medo nem expectativas.

É sempre nessa hora que as pessoas costumam me olhar meio espantadas ou preocupadas. Eu não me preocupo de ficar bem velhinha ou bem doente e que alguém tenha que cuidar de mim, trocar minha fralda, dar meu remédio e minha comida na boca. Eu não me preocupo com "dar trabalho" pra alguém...eu tenho filho, irmãos, cunhados, primos, amigos que me amam e que sentirão prazer nisso (além de preocupação com meu bem estar). Gente, as pessoas amam e querem cuidar da gente do mesmíssimo jeito que a gente ama e quer cuidar deles. Também não me preocupo de cair durinha amanhã. Sei que há uma porção de gente  (esses que iam cuidar de mim)que vai sentir minha falta, sofrer com minha ausência e talz, mas são pessoas de vida pessoal rica e linda que saberão me amar na memória e seguir vivendo e amando com beleza e intensidade. E eu? Bom, se eu não sei o que acontece depois (se é que há um depois), vou me preocupar com o quê? Creio que a maior conquista e aprendizado da minha vida é aquela oração da sabedoria pra saber diferenciar o que posso e o que não posso mudar.

Mas tem uma coisa que me tira o sossego, ah, tem. É que pela ordem usual dos eventos é possível que a morte dos meus pais chegue antes da minha. E é nessa hora que a porca torce o rabo se não for bicó. Porque eles são minhas referências, minhas fronteiras, meu aconchego e minha vontade de vadiar fora do esquema. Eles são espelho e avesso. 


MOMENTO 2: Sobre a transitoriedade das coisas

Bom, eu relutei em escrever um post porque as figuras do anterior estavam tão bonitinhas e mesmo eu sempre começo o ano tão devagar que parece que só vou pegar mesmo no tranco lá pra março (meu aniversário, né). Além da preguiça própria da época ainda há a preguiça de tratar de um tema que se impôs e que evitei de todo jeito: o discurso sobre a Marcela Temmer na posse da Dilma. Esclareço logo que estou tratando só e apenas do discurso machista e depreciativo. E, esclareço mais, tento não pensar/dizer/avaliar que Fulano ou Sicrana é machista, mas tento sempre discutir se um comportamento (ação ou fala) foi machista. Eu mesma muitas vezes tenho comportamentos assim. De qualquer forma, sobre isso eu só digo:

1. Beleza é uma análise subjetiva a partir de padrões culturalmente construídos (sem falar que é o véu que encobre o horror segundo a psicanálise), assim o discurso da beleza é sempre sobre um outro que é sempre objeto do olhar. Esse debate sobre objetificar ou não quando se fala disso pra mim é redundância. Quando trato do outro como belo é um discurso que coloca o Outro no lugar de objeto. E isso não é mau. Nem bom. É a estrutura do discurso. Eu não assujeito o Outro. Nem nada semelhante. Apenas, naquele discurso, o sujeito não é quem é olhado, mas quem olha no momento do dito. No momento seguinte a dinâmica é outra, apenas. Agora se quero que o Outro se coloque em um lugar apenas de ser olhado ou que se molde ao que eu desejo olhar, aí é violência e o post sobre isso já foi escrito.

2. Gostosa é uma noção decorrente da percepção, logo se quem comenta não lambeu, cheirou, mordeu ou algo semelhante à pessoa em questão, sorry, é apenas vulgar e de mau gosto.

3. Sim, fico feliz e celebrei que a Dilma foi eleita presidentA. Fiquei feliz por nós, brasileiros, termos sido capazes de superar anos de tradição machista e hipócrita e termos votado não por ela ser mulher, mas por ela ser a representante de um projeto melhor para nós e para o país. Mas ela ser mulher - da mesma forma que deveria ter sido pros que antagonizaram e foram oposição: uma coisa irrelevante ante sua competência e potencial de trabalho - é, pra mim, quase irrelevante agora. Que seja uma autoridade de esquerda e comprometida com a erradicação da pobreza, isso é o que me interessa. 

4. Quando eu tinha 17 anos namorei um cara de 50. Eu era universitária e ele era um Professor Doutor. Ele beijava bem paca. Ele era poderoso. Ele tinha bem mais grana que eu (talvez não mais que minha família, mas mais que eu que era uma mera bolsista de extensão). Sim, eu me apaixonei por ele porque ele era velho, inteligente, rico, poderoso e eu o admirava. E beijava e cheirava bem. Prontofalei#. Ele me fez feliz. Eu tive que partir um dia. Ele ficou. E daí? daí nada, minha vivência só serve pra mim mesma. Acho meio impertinente avaliar e julgar os relacionamentos alheios, especialmente em moldes e parâmetros românticos e idealistas. X ama Y? Não me interessa, sinceramente, os motivos que levam alguém a querer ficar com outro alguém desde que sejam motivos advindos da liberdade de escolha. 


MOMENTO 3: Sobre a beleza das coisas


Resolvi dar uma espiada no Analytics. E o resultado foi: alegria! Em números, de 01/01/2010 a 01/01/2011:

- 5.385 pessoas visitaram este blog (uia, que delícia);
- 14.394 visitas (dá pra acreditar?);
- Tempo médio no blog: 4 minutos e 51 segundos (eu sei, eu sei, os posts são enormes);
- Gente de 49 países passaram por aqui (oui, borboleta internacional é o phyno!);
- 28% dos visitantes veio mais de 100 vezes por aqui (vocês gostam hein?);
- Este foi o post mais lido este ano: Mulher da Vida

MOMENTO 4: Sobre a finitude das coisas

Gosto do Oswaldo Montenegro. E ele canta: eu acho que será pra sempre/ mas sempre não é todo dia. É isso aí. Não é todo dia. Não é todo dia que sai um post legal. Não é todo dia que é útil. Não é todo dia que é santo. Não é todo dia que as coisas acabam. Não é todo dia que as pessoas acertam. Não é todo dia que as certezas não aguentam um ponto de interrogação. Não é todo dia.

Esse post não devia ser publicado, eu não gosto de quase nada nele. Nem sei se concordo com tudo que eu mesma escrevi. Hoje, acho que será pra sempre, mas estou aprendendo que não é todo dia.



MOMENTO 5: Sobre as imagens e o sentir


O que realmente eu quero é um mundo assim:


Um Dia a Gente Cuida...

...No Outro a Gente Se Permite Ser Cuidado.



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