Não sou uma pessoa inventiva. Não me considero criativa. Mas tenho um talento: aprimorar boas idéias. Alguém tem uma boa idéia e eu logo transformo numa ótima idéia (modéstia? não trabalhamos). Assim, a Juliana, do lindo e abandonado Fina Flor (uma semana sem post, ah, férias, que delícia) teve a sensacional idéia do sorteio de um livro entre os leitores do blog. O que eu fiz? Transformei a idéia em uma ainda melhor(pra mim e pra os leitores daqui, né), sorteei os livros (um deles já chegou, o outro está no sistema de entrega da Americanas e a Drixx nunca disse qual queria nem deu o endereço) e, brilhante!, sorteei também uma pessoa pra nos dar de presente um post. Fiz isto com alegria e certeza de um texto inteligente porque meus leitores/comentadores são delícia. E ganhamos um post da Amanda. Eu já disse em vários lugares o quanto a admiro (por exemplo, aqui, aqui e aqui). Amanda mantém um blog: Petit Journal de la Porte Dorée. Ela não tem todos os acentos no teclado, mas, lendo aquilo tudo, sinceramente, quem se importa? O Borboletas fica mais profundo, chic e com um ar afrancesado porque recebe esse guest post. O título e a ilustração é culpa minha...o mérito do belo texto é todo dela.
Seguindo Ordens ou Apreciando O Retrato de Dorian Gray - by Amanda Lourenço
Fui reclamar pra Borboleta que minha vida estava vazia de literatura, que fazia tempo que não lia um livro legal e tal e acabei pedindo encarecidamente que me sugerisse um bom livro pra eu retomar meu caminho das letras. Dai que ela, eficiente como so, fez um post inteirinho so com otimas recomendações. Fiquei na duvida sobre qual escolher, mas o ultimo paragrafo me deu a ordem, era alguma coisa assim: "Mas se você ainda não leu O Retrato de Dorian Gray, não tenho duvidas, é esse". Então aqui funciona assim, a Borboleta manda ler o Retrato de Dorian Gray, a gente lê. A Borboleta manda escrever um post pro blog dela, a gente escreve. Por que não juntar os dois?
Devo começar dizendo que adorei o livro! E se não fosse indicação dessa Borboleta, eu nunca teria lido. Isso porque eu gosto mais de livros contemporâneos, da nossa época, com uma linguagem mais fluida, informal e cumplice. So que mergulhar no fim do século 19 através da "pena" de Oscar Wilde foi uma grata surpresa! Sim, a linguagem é velha e as situações são surreais pra nossa época, mas a forma como a historia é contada faz toda a diferença. A gente entra no passado de tal forma que tudo aquilo parece fazer sentido: as cartas escritas à mão e entregues por mensageiros, os taxis levados por cavalos, o cha servido pontualmente às cinco, as conversas filosoficas durante os jantares. Mas confesso que demorei um pouquinho pra me enturmar. Por exemplo, não conseguia de jeito nenhum entender a importância do noivado de Dorian. Todos ficaram chocadissimos, procurando cadeiras para se sentar e eu fiquei me perguntando ué. Mas dai lembrei de uma coisinha à toa: ah sim, naquela época os casamentos eram pra sempre!
Parece, alias, que as palavras naquele tempo tinham mais peso do que elas têm hoje. Era isso, dizer que estava noivo queria dizer que a pessoa tinha um compromisso de honra em casar com o outro e ficar para sempre com ele. Não dava pra mudar de ideia assim de repente. Chamar alguém de amigo era fazer uma declaração de companheirismo tremenda, digna de lagrimas nos olhos e abraços emocionados. Dizer pra alguém "não quero te ver nunca mais" signicava o fim de verdade. Por isso tudo ficava muito dramatico, as reações eram muito exageradas. O pintor, por exemplo, era a DramaQueen em pessoa. Me diverti muito com esse drama todo.
As palavras tinham um significado claro, sem entrelinhas nem ironias. Li varias vezes um personagem tratando outro de "delicioso" ou "deus da beleza". Aham, aham, a gente da logo uma cutucadinha e pisca o olho. Passei boa parte do livro desconfiando da homosexualidade dos personagens, mas acho que não, eles não são gays. Se eles fossem gays, Wilde ia dizer: eles são gays.
Enfim, o livro é sobre a beleza e a arte. E a gente percebe como a beleza e a arte são conceitos que mudam bastante com o tempo. Poucos exemplares desses dois itens conseguem resistir ao tempo. Talvez a beleza de Dorian Gray não seria apreciada na nossa época, nem a pintura de Basil. Mas o livro de Wilde com certeza ainda é. Palavra de quem não é chegada em classicos antigos.
Outras Novidades
Estou em João Pessoa com minha querida amiga S. Pra quem não sabe, é por causa deste Borboletas que ela está na minha vida. Ontem, já caí e já fiquei pelada na praia. Bom pra um primeiro dia, né? Mais informações, aqui: Nuas.
A minha própria versão está no Eu Sou a Graúna, Meu Dia de Eva: Nua e No Paraíso.
A minha própria versão está no Eu Sou a Graúna, Meu Dia de Eva: Nua e No Paraíso.











