Preguiçando
Eu não sei o que acontece comigo no período de 15 de dezembro ao começo de fevereiro...eu funciono super mal. Ou, talvez, bem demais. Ainda não decidi. Nesse período só quero saber de festa e sono e sexo (quando disponível, o que não é o caso por agora) e praia e cervejinha e fazer nada. Preguiça, a gente se vê por aqui. Venho à net, leio os blogs queridos, acompanho o Reader, divirto-me e reflito nas discussões feministas, comento até, mas na hora de escrever meu próprio post bate uma modorra, uma ausência de palavras...Não é que não tenha assuntos, tenho aos montes, tem a série sobre as Mulheres de Degas, tem o resto do Pintando o Sete, tem os preparativos de viagem, tem os encontros, aniversários, ai ai ai, tem coisa demais. As letras é que se escondem. Fogem. Zombam da minha vontade de alinhá-las. Ou chegam aos borbotões, sem charme nem lógica. Pre-gui-ça.
Bom, aí eu tive uma idéia sagaz: olhar o que estava rolando no blog neste período no ano passado...quem sabe me inspirava, né?
Futuros I - E era assim meu sentir:
...eu nada sei. Não sei nadinha e isso é muito estranho pra mim. Pois eu tinha planos, certezas, rumos. Tinha convicções absolutas: um grande amor, uma família, casa e a boca escancarada como repugnava Raul Seixas. E eu adorava cada parte deste projeto burguês. Não sei mais nada. Vivo como os alcóolatras: um dia de cada vez. Tudo bem, sei que vou viajar, sei que vou dar aulas em Mossoró, sei que vou viver e cuidar do meu filho. E isso é tudo. O resto é esperança. Espero muito ainda. Espero que as coisas dêem certo, o que quer que isso signifique. Espero reaprender a escrever, pois agora tudo sai em estertores, frases curtas, textos curtos. E espero. Espero muito bem acompanhada, isso é certo. Recebo amor e conforto dos meus amigos. Da minha família. Às vezes eu esqueço o quanto sou querida. Estes dias me relembraram isso e, com uma certa surpresa, penso: que bom merecer esse bem querer e, mais surpresa/feliz: todo esse amor é sinal de que também eu dou amor. Eu mereço amor. Mereço um príncipe que enfrenta vários desafios, dragões, parede de espinhos e tudo mais disney que se tem direito. Eu espero esse príncipe. E espero glamourosamente passeando na Itália, sofrendo na Itália, admirando a Itália, chorando na Itália. O povo diz que lugar de chorar é no travesseiro que é quente. Discordo: lugar de chorar é na Europa, mesmo no período frio, frio, frio...Choro e espero e, por enquanto, vivo de uma forma totalmente nova pra mim: sem planos.
Futuros II
...eu nada sei. Agora tenho um plano (como já andei espalhando): fazer dar certo. Claro, só não decidi o quê. Mas dar certo já me parece bom. Faço planos, já. Mas pequeninos, pra próxima semana, talvez pro próximo mês. Continuo bandoleira, gosto de viajar. Se houver a tal da reencarnação, da próxima vez vou combinar de vir menos linda e inteligente (hahahah) e com um pouco mais de grana só pra vadiar. É estranho pensar no tanto que chorei no mesmo mês do ano passado. Não tenho quase lágrimas, agora. Ou não tenho motivos pra lamentar, talvez. O certo é que o riso me faz mais companhia. Os amigos permanecem, os interesses mudaram um tantinho, mas sou igualmente sem teto, justinho como estava neste dia em janeiro de 2009. Não há príncipes no horizonte. Nem sapos. Mas há encontros e eles são bons. Há, sempre, a possibilidade do menino bonito. Que eu já não espero. Quando quero, pego o ônibus ou o avião e deixo meu corpo pousar em alguma mão.
Divagações
- E a Amanda topou e vai escrever um post pra nós. Eu tento encontrar as palavras pra dizer o quanto gosto dela, da inteligência rápida, da doçura incrível e do humor atilado. Mas ainda não consegui. Vou tentando, vou tentando.
- Ontem foi aniversário da amiga Sílvia. 20 anos de amizade. 20 intensos e cúmplices anos. 20 anos de conversas, de risos, de confidências, de perguntas, de partilha. Sílvia, como eu disse entre cervejas: eu amo você.
- Foi, também dia de sushi maravilha. Nada mais a comentar, mas quem fizer silêncio pode até ouvir meu suspiro de satisfação.
- Hoje é aniversário daquele que sempre teve lugar cativo no meu bem querer. A Argentina é um charme, não concordam?
- E amanhã é dia de abraço apertado na Aninha. Ano passado era eu quem desembarcava em seu abraço.
Há janelas aqui. Muitas e, em cada uma delas, futuros que não serão. Há janelas aqui que convidam vento, tempo, esperanças. Há janelas onde se debruça minha vontade. Há janelas que fazem moldura pro meu desejo. Há janelas abertas para os temores. Há janelas de tamanhos distintos e, em cada uma delas, vasos de amores perfeitos que procuram marias sem-vergonha pra fazer valer seu nome. Em meu rosto, janelas. Escancaradas.
















