sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Preguiça, Futuros e Outras Divagações

Preguiçando
Eu não sei o que acontece comigo no período de 15 de dezembro ao começo de fevereiro...eu funciono super mal. Ou, talvez, bem demais. Ainda não decidi. Nesse período só quero saber de festa e sono e sexo (quando disponível, o que não é o caso por agora) e praia e cervejinha e fazer nada. Preguiça, a gente se vê por aqui. Venho à net, leio os blogs queridos, acompanho o Reader, divirto-me e reflito nas discussões feministas, comento até, mas na hora de escrever meu próprio post bate uma modorra, uma ausência de palavras...Não é que não tenha assuntos, tenho aos montes, tem a série sobre as Mulheres de Degas, tem o resto do Pintando o Sete, tem os preparativos de viagem, tem os encontros, aniversários, ai ai ai, tem coisa demais. As letras é que se escondem. Fogem. Zombam  da minha vontade de alinhá-las. Ou chegam aos borbotões, sem charme nem lógica. Pre-gui-ça. 

Bom, aí eu tive uma idéia sagaz: olhar o que estava rolando no blog neste período no ano passado...quem sabe me inspirava, né? 

Futuros I - E era assim meu sentir:


...eu nada sei. Não sei nadinha e isso é muito estranho pra mim. Pois eu tinha planos, certezas, rumos. Tinha convicções absolutas: um grande amor, uma família, casa e a boca escancarada como repugnava Raul Seixas. E eu adorava cada parte deste projeto burguês. Não sei mais nada. Vivo como os alcóolatras: um dia de cada vez. Tudo bem, sei que vou viajar, sei que vou dar aulas em Mossoró, sei que vou viver e cuidar do meu filho. E isso é tudo. O resto é esperança. Espero muito ainda. Espero que as coisas dêem certo, o que quer que isso signifique. Espero reaprender a escrever, pois agora tudo sai em estertores, frases curtas, textos curtos. E espero. Espero muito bem acompanhada, isso é certo. Recebo amor e conforto dos meus amigos. Da minha família. Às vezes eu esqueço o quanto sou querida. Estes dias me relembraram isso e, com uma certa surpresa, penso: que bom merecer esse bem querer e, mais surpresa/feliz: todo esse amor é sinal de que também eu dou amor. Eu mereço amor. Mereço um príncipe que enfrenta vários desafios, dragões, parede de espinhos e tudo mais disney que se tem direito. Eu espero esse príncipe. E espero glamourosamente passeando na Itália, sofrendo na Itália, admirando a Itália, chorando na Itália. O povo diz que lugar de chorar é no travesseiro que é quente. Discordo: lugar de chorar é na Europa, mesmo no período frio, frio, frio...Choro e espero e, por enquanto, vivo de uma forma totalmente nova pra mim: sem planos.

Futuros II 

...eu nada sei. Agora tenho um plano (como já andei espalhando): fazer dar certo. Claro, só não decidi o quê. Mas dar certo já me parece bom. Faço planos, já. Mas pequeninos, pra próxima semana, talvez pro próximo mês. Continuo bandoleira, gosto de viajar. Se houver a tal da reencarnação, da próxima vez vou combinar de vir menos linda e inteligente (hahahah) e com um pouco mais de grana só pra vadiar. É estranho pensar no tanto que chorei no mesmo mês do ano passado. Não tenho quase lágrimas, agora. Ou não tenho motivos pra lamentar, talvez. O certo é que o riso me faz mais companhia. Os amigos permanecem, os interesses mudaram um tantinho, mas sou igualmente sem teto, justinho como estava neste dia em janeiro de 2009. Não há príncipes no horizonte. Nem sapos. Mas há encontros e eles são bons. Há, sempre, a possibilidade do menino bonito. Que eu já não espero. Quando quero, pego o ônibus ou o avião e deixo meu corpo pousar em alguma mão.


Divagações
- E a Amanda topou e vai escrever um post pra nós. Eu tento encontrar as palavras pra dizer o quanto gosto dela, da inteligência rápida, da doçura incrível e do humor atilado. Mas ainda não consegui. Vou tentando, vou tentando.

- Ontem foi aniversário da amiga Sílvia. 20 anos de amizade. 20 intensos e cúmplices anos. 20 anos de conversas, de risos, de confidências, de perguntas, de partilha. Sílvia, como eu disse entre cervejas: eu amo você.

- Foi, também dia de sushi maravilha. Nada mais a comentar, mas quem fizer silêncio pode até ouvir meu suspiro de satisfação.

- Hoje é aniversário daquele que sempre teve lugar cativo no meu bem querer. A Argentina é um charme,  não concordam?

- E amanhã é dia de abraço apertado na Aninha. Ano passado era eu quem desembarcava em seu abraço. 


Há janelas aqui. Muitas e, em cada uma delas, futuros que não serão. Há janelas aqui que convidam vento, tempo, esperanças. Há janelas onde se debruça minha vontade. Há janelas que fazem moldura pro meu desejo. Há janelas abertas para os temores. Há janelas de tamanhos distintos e, em cada uma delas, vasos de amores perfeitos que procuram marias sem-vergonha pra fazer valer seu nome. Em meu rosto, janelas. Escancaradas.




quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Começando Com o Pé Esquerdo...

MOMENTO 1: Sobre a brevidade das coisas

Acontece que tem um caroço no meu suvaco (axila, para os phynos) e eu tenho que ir ao médico. Acontece que uma pessoa que admiro muito perdeu uma pessoa querida e tem lidado com isso de uma forma tocante, sensível e corajosa. Acontece que meu avô tem mais de 90 anos e vai fazer uma cirurgia. Acontece que mulheres que amo e que me conhecem com intensidade e antiguidade me disseram que apesar do meu papo materialista sou uma pessoa evoluída e desapegada de coisas e pessoas (não sei se considero um elogio). 

Eu não costumo ligar para a morte. Não, não é que eu não costume pensar nela, na minha morte. Penso até um bocado. E falo sobre ela sem pudores. Já convencionei que ela vem, vai chegar, ok. Tudo bem. Alguns queridos até se sentem incomodados com a displicência e intimidade. Faz tempo que tento convencer meus irmãos pra gente fazer um plano funerária e comprar um jazigo. É que eu não ligo mesmo, não tenho medo nem expectativas.

É sempre nessa hora que as pessoas costumam me olhar meio espantadas ou preocupadas. Eu não me preocupo de ficar bem velhinha ou bem doente e que alguém tenha que cuidar de mim, trocar minha fralda, dar meu remédio e minha comida na boca. Eu não me preocupo com "dar trabalho" pra alguém...eu tenho filho, irmãos, cunhados, primos, amigos que me amam e que sentirão prazer nisso (além de preocupação com meu bem estar). Gente, as pessoas amam e querem cuidar da gente do mesmíssimo jeito que a gente ama e quer cuidar deles. Também não me preocupo de cair durinha amanhã. Sei que há uma porção de gente  (esses que iam cuidar de mim)que vai sentir minha falta, sofrer com minha ausência e talz, mas são pessoas de vida pessoal rica e linda que saberão me amar na memória e seguir vivendo e amando com beleza e intensidade. E eu? Bom, se eu não sei o que acontece depois (se é que há um depois), vou me preocupar com o quê? Creio que a maior conquista e aprendizado da minha vida é aquela oração da sabedoria pra saber diferenciar o que posso e o que não posso mudar.

Mas tem uma coisa que me tira o sossego, ah, tem. É que pela ordem usual dos eventos é possível que a morte dos meus pais chegue antes da minha. E é nessa hora que a porca torce o rabo se não for bicó. Porque eles são minhas referências, minhas fronteiras, meu aconchego e minha vontade de vadiar fora do esquema. Eles são espelho e avesso. 


MOMENTO 2: Sobre a transitoriedade das coisas

Bom, eu relutei em escrever um post porque as figuras do anterior estavam tão bonitinhas e mesmo eu sempre começo o ano tão devagar que parece que só vou pegar mesmo no tranco lá pra março (meu aniversário, né). Além da preguiça própria da época ainda há a preguiça de tratar de um tema que se impôs e que evitei de todo jeito: o discurso sobre a Marcela Temmer na posse da Dilma. Esclareço logo que estou tratando só e apenas do discurso machista e depreciativo. E, esclareço mais, tento não pensar/dizer/avaliar que Fulano ou Sicrana é machista, mas tento sempre discutir se um comportamento (ação ou fala) foi machista. Eu mesma muitas vezes tenho comportamentos assim. De qualquer forma, sobre isso eu só digo:

1. Beleza é uma análise subjetiva a partir de padrões culturalmente construídos (sem falar que é o véu que encobre o horror segundo a psicanálise), assim o discurso da beleza é sempre sobre um outro que é sempre objeto do olhar. Esse debate sobre objetificar ou não quando se fala disso pra mim é redundância. Quando trato do outro como belo é um discurso que coloca o Outro no lugar de objeto. E isso não é mau. Nem bom. É a estrutura do discurso. Eu não assujeito o Outro. Nem nada semelhante. Apenas, naquele discurso, o sujeito não é quem é olhado, mas quem olha no momento do dito. No momento seguinte a dinâmica é outra, apenas. Agora se quero que o Outro se coloque em um lugar apenas de ser olhado ou que se molde ao que eu desejo olhar, aí é violência e o post sobre isso já foi escrito.

2. Gostosa é uma noção decorrente da percepção, logo se quem comenta não lambeu, cheirou, mordeu ou algo semelhante à pessoa em questão, sorry, é apenas vulgar e de mau gosto.

3. Sim, fico feliz e celebrei que a Dilma foi eleita presidentA. Fiquei feliz por nós, brasileiros, termos sido capazes de superar anos de tradição machista e hipócrita e termos votado não por ela ser mulher, mas por ela ser a representante de um projeto melhor para nós e para o país. Mas ela ser mulher - da mesma forma que deveria ter sido pros que antagonizaram e foram oposição: uma coisa irrelevante ante sua competência e potencial de trabalho - é, pra mim, quase irrelevante agora. Que seja uma autoridade de esquerda e comprometida com a erradicação da pobreza, isso é o que me interessa. 

4. Quando eu tinha 17 anos namorei um cara de 50. Eu era universitária e ele era um Professor Doutor. Ele beijava bem paca. Ele era poderoso. Ele tinha bem mais grana que eu (talvez não mais que minha família, mas mais que eu que era uma mera bolsista de extensão). Sim, eu me apaixonei por ele porque ele era velho, inteligente, rico, poderoso e eu o admirava. E beijava e cheirava bem. Prontofalei#. Ele me fez feliz. Eu tive que partir um dia. Ele ficou. E daí? daí nada, minha vivência só serve pra mim mesma. Acho meio impertinente avaliar e julgar os relacionamentos alheios, especialmente em moldes e parâmetros românticos e idealistas. X ama Y? Não me interessa, sinceramente, os motivos que levam alguém a querer ficar com outro alguém desde que sejam motivos advindos da liberdade de escolha. 


MOMENTO 3: Sobre a beleza das coisas


Resolvi dar uma espiada no Analytics. E o resultado foi: alegria! Em números, de 01/01/2010 a 01/01/2011:

- 5.385 pessoas visitaram este blog (uia, que delícia);
- 14.394 visitas (dá pra acreditar?);
- Tempo médio no blog: 4 minutos e 51 segundos (eu sei, eu sei, os posts são enormes);
- Gente de 49 países passaram por aqui (oui, borboleta internacional é o phyno!);
- 28% dos visitantes veio mais de 100 vezes por aqui (vocês gostam hein?);
- Este foi o post mais lido este ano: Mulher da Vida

MOMENTO 4: Sobre a finitude das coisas

Gosto do Oswaldo Montenegro. E ele canta: eu acho que será pra sempre/ mas sempre não é todo dia. É isso aí. Não é todo dia. Não é todo dia que sai um post legal. Não é todo dia que é útil. Não é todo dia que é santo. Não é todo dia que as coisas acabam. Não é todo dia que as pessoas acertam. Não é todo dia que as certezas não aguentam um ponto de interrogação. Não é todo dia.

Esse post não devia ser publicado, eu não gosto de quase nada nele. Nem sei se concordo com tudo que eu mesma escrevi. Hoje, acho que será pra sempre, mas estou aprendendo que não é todo dia.



MOMENTO 5: Sobre as imagens e o sentir


O que realmente eu quero é um mundo assim:


Um Dia a Gente Cuida...

...No Outro a Gente Se Permite Ser Cuidado.



sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Próximo, Por Favor



Meus Desejos Para 2011:


Que a Vida me seja Leve...
...Mas Não Sempre 
(que há sempre um bom e necessário peso)


...Saiba a Hora de Partir...

Que Eu Saiba a Hora de Esperar...
...Saiba a Hora de Ficar...
...E Que a Vida Só Me Atropele o Necessário
Que em 2011 Eu Ainda Tenha Algo a Dizer...

E Que, De Vez Em Quando, Acerte no Dito.


Para Todos Os Que Flanam Comigo:



quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Salto 15

 Quem disse que a vingança é um prato que se come frio não entende de culinária ou estava com tanta fome que comeu umas palavrinhas. Eu sei, já provei: a vingança é um prato que se come de cabeça fria. Hoje me regalei e ainda estava bem morno, posso garantir. Foi delícia. Mais claramente: a vingança foi delícia, o prato foi passável (e essa frase - claro - é a sobremesa). Eu já disse aqui que não sou uma pessoa boa, nem adianta menear a cabeça em recriminação. 

Eu sei que não é educado, mas o que posso dizer? Gostei demais do olhar passando de satisfeito a interrogativo, daí a inquieto, depois ansioso, a seguir assustado e, por fim, desejoso. Gostei de ouvir todos os inúteis argumentos e acompanhar as ineficazes artimanhas. Gostei de menear a cabeça, sacudir os ombros, dizer não. Gostei, especialmente, de apreciar a hora exata em que ele tudo compreendeu e logo negou-se o entendimento e fixou-se na ligação que não existirá. Gostei, gostei, gostei. 

Gostei de ir embora em salto 15.




E tudo isso não passa de ficção, afinal a minha vida é mesmo "uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, sem significado nenhum". Depois alguém ri quando eu digo que só me acontecem coisas surreais. Pois é, como se diria no Auto da Compadecida, só sei que foi assim.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

The End ou Porque É Que a Mocinha Não Morre Dessa Vez

Devia ser assim? Como se o segundo seguinte não fosse chegar nunca e a dor fosse a única forma de me saber eu? Devia ser como se todos os futuros fossem nada e todas as palavras gritassem o silêncio do impossível? Devia ser um muro sem grafite? Devia ser como ferro em brasa? 

Eu devia me curvar e sangrar e chorar um sal que me corrói os caminhos? Eu devia não seguir, tropeçar, lamentar? Eu devia ser outra que usa letra por letra como armadura e não como arabescos que me enfeitam corpo e sonhos?


É que eu não quero tanta bagagem tua, as malas vazias de sentido e as solidões que me oferece. Eu escolho minha vermelha hemorragia à sua antisséptica sinceridade. Eu preferia que não fosse quase e doesse. Eu preferia que você fosse e eu sentisse tanto que o peito não me coubesse. Mas só irrita e coça e dá aquela dorzinha fina de arrancar a casca da ferida, mas não é corte novo e nem sangra em intenso e rubro viver. 

É só isso que sei: não era você, ainda. Não era sua mão, seu cheiro, sua voz. Não era sua boca e sua saliva, embora tivesse sabor tão parecido. Não era seu corpo, não era sua hora. Embriagada de tempo, abri com chave certa a errada porta. Talvez você nunca seja. Talvez já tenha sido quando eu não disse o possível eu te amo. Talvez eu tenha errado a esquina. A hora. Talvez eu tenha ignorado o sinal e descido no ponto errado. Eu não sei se no ontem ou no depois está o lugar que você ocupa. Mas, na possível incerteza de sentir, digo: você não está no agora. Sigo:


Eu carrego os sonhos assim. 
Se você quer saber quem eu sou, é só me escutar:



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