domingo, 14 de novembro de 2010

Quando o Amor Acabar...

Em seu disco Almanaque (1981) Chico perguntava, meio terno, meio ácido: 
como é que termina um grande amor
Se adianta tomar uma aspirina 


Hoje já se tem resposta possível. Todos os dias visito o cantinho escuro do meu amigo Paulo. Lá eu rio, sofro, escuto, aprendo. Foi lá descobri o incrível Museum of Broken Relationships. Isso mesmo, um Museu de Relacionamentos Terminados, Vínculos Rompidos, Corações Partidos. Legados de um amor que não foi. Queria visitar, deve ser melancólico e tocante. Você, que teve seu amor e suas concretudes e, não tendo um não consegue conviver com o outro, agora é só enviar pra Croácia, nada mais de tocar fogo nos bilhetes, rasgar fotos, deletar emails, rebolar no lixo os mimos. Vai diretinho pra outra canção do Chico, ora...vai para as vitrines.

E eu fiquei pensando nos meus findos amores. Guardo tudo, sabe. Poesia escrita em guardanapo, telegrama, foto, cartão, colagem, cartas. Eu não me desfaço de mim mesma. Tenho grande carinho por tudo que vivi. E gosto de reencontrar-me nos olhares outros que me disseram tanto. Tenho pastas para os papéis. Os objetos confundem-se nas estantes com os demais registros do meu viver. 

 


Tentando dizer...
Mais um fim de semana? Mais uma noite? Mais uma vez? Mais. Não cessa isso de lhe querer. Quente, a pele é quente na lembrança do seu toque. O corpo mais bonito na lembrança dos seus olhos. Enormes impossibilidades. Eu não sou. Você não é. Porque não pode ser? Porque não pode ter as letras do menino bonito querendo me querer? Porque não pode ter a delicadeza do desejo além-mar? Porque não pode ter a surpresa, voz e mãos que fazem música na alma? Porque não pode ter a impertinência bem-humorada da diferença que atrai? Porque você tem que ser você apenas, nenhum amor a ser amado? Porque não um mosaico perfeito, agora, pronto, carne e sangue, quereres? Porque não pode ser esse seu peito e um outro coração dentro? Porque não pode ser seu olhar em outro rosto? Porque não pode ser seu desejo em outra distância? Porque não pode ser suas mãos e outros caminhos? Porque eu não posso ser menos eu? Menos anseios, menos pedidos, menos receios. Porque eu não posso lhe amar, qualquer um que você seja, eu sou qualquer uma. Porque eu não posso tentar? Mais uma vez? Mais uma noite? Mais.





PS. Ganhei dois selos lindos, lindos, lindos. Fiquei insone de alegria. Um veio do meu marido (e me diz que meu blog é mágico e encantador) e outro da So Sad (que me lisonjeia dizendo que meu blog a faz feliz). Breve, os selinhos que fazem meu coração batucar ilustrarão posts e firmarão casa na barra lateral.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Meus Insaciáveis de Estima: Maysa


Eu tenho gostos simples**, já alardeei. Gostos inespecíficos. Imprudentes. Presentes. A vida me dá e eu rio, feliz de estar por aqui. Quase sempre é simples viver. Menos quando não é. Quando tenho fome, ávida pelo que não tem nome, não é. Quando tenho sede, ressecada pelo que não chega, não é. Quando tenho abismos em mim, não é. Quando fica tudo tão à flor da pele. Quando suspiro. Aí dói. Só o tanto de não ser sorriso, mas dói. 

É assim que surge esse novo momento da série Pintando o Sete. Dessa pressa de viver. Da sôfrega necessidade de ter tudoaomesmotempoagora e sentir em carne viva tudo que não se é, não se tem, não se pode. Eles, os insaciáveis. Os que querem demais. Amam demais. Sofrem demais. Morrem demais. 

Então, Maysa. Polêmica. Bonita. Bêbada. Solitária. Desejada. Talentosa. Desnuda. Emocional. Atrevida. Avançada. Forte. Agressiva. Indescritível. Incontornável. Insaciável.

Eu cresci sabendo Maysa. Sabendo sua falta. Sabendo seus misteriosos e doloridos olhos. Sabendo que ela amara demais e que morrera na pressa de se alcançar. Sabendo sua melancolia, seu timbre particular, sua vida peculiar. Cresci hipnotizada pelo risco. Pela velocidade que quase nos deixa na esquina de nossa própria vida. Fui me fazendo mulher descobrindo: Meu Mundo Caiu;  Tristeza; Demais; Bloco da Solidão; Ouça; Resposta; Felicidade Infeliz e a versão antológica de Ne Me Quitte Pas.

Eu cresci com tudo me bastando, mas com uma pontinha de vontade de querer mais, de sofrer mais belamente, de desejar mais intensamente. E, às vezes, em noites com ou sem lua, como uma espécie de Mr. Hardy, essa premência me assola. Nestas noites tudo me arde, tudo me consome, tudo me falta. Nestas noites nada é o suficiente, nem as lágrimas que se choram. 


* eu gosto muito do Belchior. E gosto especialmente desta canção. E gosto mais ainda que você a tenha tocado em minha cama, sem que eu lembrasse de pedir, sem que você esquecesse de lembrar que eu gosto do Belchior e gosto especialmente desta canção. Gosto, de uma forma terna e dolorida, que não cheguemos nunca a nos amar, mesmo com toda essa fome que tivemos um pelo outro. Gosto das palavras minhas que foram ditas por você, dos passados que sentimos, dos beijos que chegaram antes de os sabermos. E gosto, com sal no rosto, das palavras que não dissemos, dos encontros que não planejamos, dos beijos que não tiveram tempo de chegar. 


**quiche lorraine sentada em qualquer praça de Paris, uma cerveja em um boteco em Praga, um banho de mar no Caribe, uma tela de Picasso, uma valsa com Fred Astaire, um bom papo com Clarice...



E mais... (esse tentei, ontem, nos Olhos da Borboleta, mas ele se fez retornar, quase o mesmo, quase outro)


E aí os dizeres se avolumam. Daqueles que a gente vai espalhando nos espaços pra retirá-los do corpo. Como se, dizendo a mais pessoas, dissesse menos de mim. Ou, sei lá, doesse menos aqui. E aí. 


Ditos sobre aqueles momentos em que paramos, na porta do quarto, na saída do bar, no meio da estrada, na calçada do edifício e olhamos, só essa vez, só mais uma vez, só, por cima do ombro. 

Quando já estamos saindo. Quando a partida se exige. Quando se disse adeus e os primeiros passos  foram dados. Quando os lugares já começam a se fazer tempo e a distância começa a se fazer memória. Quando, quando, quando, e arde. 

É aí que se dá aquela espiada por cima do ombro. É aí que o que está perdido se torna mais belo, quando ainda parece ao alcance da mão, mas já se afasta, intocável. 

Há destes amores que são mais belos no que não realizam, que são mais ternos no que insinuam, que são mais reais porque não acontecem? Há, digo eu ou dizem em mim. Há, justamente e em tantas matizes, destes amores que são mais belos no que não realizam, que são mais ternos no que insinuam, que são mais reais porque não acontecem. Há destes amores que só surgem depois de passada sua hora e só permanecem enquanto promessa. Há destes amores, como orquídeas, cultivados na estufa de um coração que não se abre - quente e úmido.

É assim que hoje vejo, é assim que vejo sempre, é assim e me agrada: a cama desarrumada por um desejo que já não está, a boca marcada por um beijo que já acabou, as roupas recolhidas, as latas de cerveja empilhadas...Te vejo e, um tanto, quase te amo, por cima do ombro.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Acabou Nosso Carnaval






Acabou. O tal carnaval. Os dias de muito riso e pouco siso, sem chegar a contrariar Vinícius. Segui de perto foi o Bandeira e deixei meu corpo entender-se com outro corpo. Fiz bem. O outro corpo tinha mãos que sabiam fazer beleza em cordas de violão e em arrepios na nuca. O outro corpo tinha rosto que sabia sorrir, tinha pernas que sabiam enroscar, tinha olhos que sabiam se fazer poço. O outro corpo tinha peito feito travesseiro, tinha boca a me tomar o juízo, tinha voz que acendia o meu corpo. O outro corpo tinha desejo e tempo e história e uma surpreendente delicadeza. O outro corpo tinha hora certa de sair e chegar mas errou em mim e por mim. O outro corpo fez festa, durou enquanto foi carnaval. Pôs o sorriso no rosto. Amenizou a dor. 




Também Ameniza...

Todo mundo sabe que eu sou dengosa. Que eu adoro mimos. Que eu me derreto toda com gentileza. Assim, já é de se imaginar que ganhar um selo pro blog me deixa contente. Agora imaginem ganhar duas vezes o mesmo selo! E essa delicadeza vinda de duas mulheres incríveis: a Jussara das Palavras Vagabundas, que com seus textos inteligentes sobre livros e seus comentários generosos por aqui, foi conquistando minha admiração e carinho; e a Glória do Apenas Uma Fresta, moça forte, bonita e alegre, seu blog é espaço caloroso, intenso e divertido. O selo é esse, lindinho né? É o selo do Prêmio Dardos.

 Conforme apresentado nos blogs que me dengaram, o Prêmio Dardos é o reconhecimento aos ideais que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais etc., que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, e suas palavras. Esse selo foi criado com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, sendo uma forma de demonstrar o carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Com esta descrição eu devo ou não ficar tonta de satisfação? Claro que selo tem regras, eis as deste:
1. Exibir a imagem do selo no blog, já está tanto aqui no post como na barra lateral e pra sempre no coração;
2. Revelar o link do blog que me premiou, também já está, com muito gosto (aliás as duas fofas também já fazem parte das minhas queridísimas Mulheres Incríveis, lista de blogs queridos aqui do lado);
3. Escolher blogueiros pra premiar: esta é a parte boa e, concomitantemente, a parte difícil. Um dos motivos é que a Glória foi rapidíssima e já premiou umas blogueiras enormemente queridas. Então, lá vai:

Caminhante Diurno, se o prêmio é pra quem transmite valores culturais e éticos com criatividade, está muito bem entregue. Caminhante tem doçura e acidez em medida perfeitamente ajustada. E cada letra por lá tem peso. Se você não leu ainda, leia, leia, leia.

So Sad em seu 2 e 2 são 5. Dona de um jeito ímpar de fazer a poesia rimar com a vida. Se o prêmio é pra quem tem pensamento vivo, está nas mãos certas. Encontrar seu blog é, também, perder-se nos sentimentos. Lindo demais.

Fred Caju, amigo com sabor de fruta, seu Sábados de Caju é certeza de beleza e precisão. Artesão das letras. Um prêmio para alguém que tem ideais tem que chegar na sua cesta. Se é pra eu demonstrar carinho, não poderia estar mais bem entregue.

O Allan e sua Carta da Itália fazem minha vida mais rica e divertida. Sempre quis premiá-lo, eis um selo que lhe cai como uma luva. Dono de um humor ímpar e sempre coerente em suas opiniões pessoais, culturais e éticas. Um blog a se conhecer e visitar com carinho.

O 50 Anos de Filmes é parte da minha vida. Nem sei de mim sem esses textos inteligentes sobre os filmes. É escrito pelo Sérgio e o que mais gosto é que em toda letra lá colocada há um profundo amor pelo cinema, mesmo quando não há bem querer pelo filme tratado. Se há alguém encantadoramente ético e respeitoso é ele (e sua mulher, sempre presente nos posts). Sei bem que ele não expõe selos, mas não podia deixar de homenageá-lo e, de quebra, dizer pra vocês que amam cinema que é um blog/site fantástico, imperdível.

A Turmalina e sua Carta de Tarot são a cara deste prêmio. Sempre serena, seus posts conseguem ser engajados, cativantes e belos. Ética e cultura é com ela mesma, sem falar de criatividade, meio ambiente, generosidade e inteligência.

Tem o Ponto de Fuga da Liliane, moça valente recém-conhecida, que tem um blog belo e cativante. Suas opiniões são fortes mas seu traço é suave. Vale uma visita, ah, vale sim.


São esses. Eu tenho três listas de blogs queridos. Todos eles são alvo do meu querer por serem escritos com beleza, elegância, precisão, criatividade, humor, pertinência, inteligência. Assim, já se deduz que, se lhes tenho tanto apreço, poderiam ser homenageados e seria justo. Mas quis manter as sete indicações tal qual as minhas gentis precursoras. Prêmio Hors Concours ao blog mais meigo que jamais vi: Estrada Anil. Alguém aí vai pensar que sou puxa-saco da Rita. Pois é, eu sou.



sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Meu Carnaval

Então, eu vim. Porque? Porque eu quis. Porque há desejos tantos e tantas formas de vivê-los. Ainda a solidão, eu sei, ela me sabe. Mas há o camarada fofo, há o mar, há a amiga de tempos outros, há a rua e a lua vai ser cheia amanhã. 

Porque, sabe, é preciso tão pouco pra me botar o riso no rosto. Uma pequena gentileza. Uma mão quente. Uma conversa animada sobre coisa nenhuma. Um abraço. O mar bem azulzinho. Uma criança no colo. Um cheiro no cangote. Um comentário delicado no blog. O primeiro gole da cerveja gelada. 

Não é a tal felicidade, eu sei que não. Mas ameniza a dor. 

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Umas Mulheres ou Aprendendo a Ser...

Minhas avós eram sertanejas. Minhas avós eram belas. Minhas avós eram mulheres de coragem. Tiveram dezessete filhos, cada uma, perderam um tanto deles, maior ou menor, conforme. Minhas avós já morreram. Cada uma de um jeito. No seu jeito, talvez. 

Minha avó materna poderia aparecer em qualquer propaganda de margarina. Cabelos brancos, bochechas rosadas, sorriso afetuoso. Era casada a 60 anos e ainda chamava meu avô de benzinho com um sorriso misterioso no canto da boca. Ela fazia tapioca com nata. E me contava histórias de amor. Histórias do namoro dela com meu avô e como foi preciso uma liberação do Papa para que se casassem. Histórias do amor dos meus pais, os namoros das minhas tias, os casamentos, divórcios e novos casamentos na família. Minha avó materna era lâmina em seda enrolada (como cantaria Mário Mesquita), suave e forte.  Minha avó tinha um colo quente e mãos confortadoras. Esta avó viu seus bebês, tão pequenos, morrerem de desinformação, fragilidade, pobreza. Esta avó viu filha e filho serem assassinados e meu avô levar tiros destinados a outra pessoa de mesmo nome e lado errado da rua. Um câncer a consumiu, foram muitos anos de superações. Foram muitos anos de lenta despedida. Ela ficou careca. Magra. Frágil. Mas nunca perdeu a capacidade de acolher e cuidar. Mesmo muito doente era ela que nos preparava para a saudade. Ela que sempre tinha palavras alegres. Ela que sempre lembrava dos melhores momentos com cada um. Morreu demoradamente, como se só pudesse partir depois que deixasse tudo no seu devido lugar. Lembro da valsa nas suas bodas de diamante. Ela, linda, de chapeuzinho cobrindo seus ralos cabelos, os olhos perdidos nos olhos do meu avô. Ele mergulhado nos perdidos olhares dela. Eles conseguiam fazer isso: encontrar-se um no outro. Minha avó materna era mar, promessa de segredos e encantos. 

Minha avó paterna era ventania. Morreu tão rápida e surpreendentemente que nem nos deu tempo de entender que seus riso alto já não estava mais por perto. Minha avó paterna jogava sinuca e, às vezes, pra enganar meu avô ela colocava ovos no lugar das bolas (isso era possível porque não tinha energia elétrica e usávamos lampiões a gás, assim, à noite, era sempre mais difícil ver). Minha avó paterna rolava nas dunas com os netos. Ela tomava banho de piscina e nos desafiava pra ver quem tinha mais fôlego. Ela fazia mais flexões que eu (e eu só tinha 21 anos). Quando eu ficava gripada ela me dava limão com cachaça e me piscava o olho. Era alta, magra, rija, alegre. Criou catorze filhos, eu nem consigo imaginar como. Esta minha avó foi a pé do interior do Ceará para Teresina na época da seca com meu pai recém-nascido no colo. Esta minha avó deu meu tio pra ser criado em outra casa porque não tinha condições de criá-lo. Ela e meu avô brigavam o tempo todo e não se largavam nem por um dia.  Não adiantava convidá-la pra passar um tempo longe que ela sem cogitava. esta avó contava histórias de trancoso, mas só à noite, pois senão o rabo crescia: a princesa pele de burro, o menino de ouro,  a mágica toalha que bastava ouvir um "põe-te mesa" e todas as fantasias gastronômicas se realizavam. Não nos foi dado a oportunidade de aprender a viver sem ela. Ela foi-se ligeira, como ligeiras eram as suas risadas. 

Minhas avós me inspiram. Encantam. Eu não esqueço como eu me sentia perto delas. Especial. Porque era parte delas e elas eram luminosas. Quando a Dilma disse para olharmos nos olhos das crianças e afirmarmos: mulher pode sim; lembrei-me das minhas avós. Foi isso que elas me fizeram crer desde muito miúda: eu podia, tanto e sempre. 

Minhas avós eram mulheres amorosas. Calorosas. Receptivas. Fortes. Determinadas. Ternas. Elas me inspiraram um desejo de gentilezas e generosidade.

Ganhei um lindo selinho da So Sad. Repasso para minha xará, do Caso me Esqueçam, para a Ultra do Subbacultha e, especialmente, já que não tem memes nem nenhuma exigência, para a Belos e Mal



Daí eu estava lendo o blog do Milton Ribeiro e me deparei com essa beleza (que é de  um escritor português chamado Francisco José Viegas).

"Eu bem os compreendo. O mundo seria perfeito, mas não é. Não vai ser. Pensamos que basta dar o exemplo, ler, ouvir música, oferecer livros, sermos honestos – e generosos, educados, prestáveis, interessados, tolerantes. Com isso o mundo seria melhor. Mas não basta, infelizmente não basta. Com isso, os adolescentes das escolas seriam pessoas melhores, não usariam aquela gramática de grunhos, não faltariam às aulas, não desdenhariam dos professores que se esforçam e lhes ensinam a diferença entre o culto e o inculto, o cru e o cozido, o bem e o mal, o frio e o quente. Mesmo dos outros, que não acreditam que existe um bem e um mal. O mundo seria perfeito. As famílias seriam honradas, pacíficas, passeariam ao domingo, fariam piqueniques, todos ajudariam a arrumar a cozinha e dormiriam a horas. Os nossos filhos leriam Dickens e Eça – ou, na pior das hipóteses, arrumariam os livros nas estantes. Eu bem os entendo – mas não basta. É necessário ser cruel, é preciso usar a autoridade quando não se quer, é indispensável dizer não quando até poderíamos dizer sim, pensar no que significa, de facto, a palavra exigência. A vida não é fácil. Não nos basta sermos o que somos; é sempre necessário sermos perversos e sentirmos culpa."
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