terça-feira, 19 de outubro de 2010

Amor e Coragem: Eu Saúdo e Reverencio

"Perguntar-te-ão como 
atravessar a vida.
Responde: como uma corda
esticada sobre o abismo.
Belamente.
Cuidadosamente,
Impetuosamente." *





Dois grandes homens. Um, meu poeta, poetinha, porque sua poesia, tão íntima como um beijo, como uma carícia nos seios, como um homem entre as pernas, o torna próximo, cúmplice, meu. 

Outro, Hugo Lorenzetti Neto, eu não conhecia até ler seu texto no facebook. Corajosas palavras que me encantaram e comoveram. 


Um Homem e Suas Palavras

"São demais os perigos dessa vida
para quem tem paixão.
Principalmente quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado..."

Vinícius de Moraes. No dia 19 de outubro de um começo de século (1913) nasceu meu poetinha. No Rio de Janeiro, claro, onde mais podia nascer tanta malemolência, ternura e beleza? Boêmio, mas como não amar a noite? Nove casamentos, pois é, ele amava as mulheres. Alcoólatra, mas como saciar tal sede de vida? Todas as escusas eu daria, mas são todas desnecessárias a quem tudo deu em beleza e sensibilidade.

Censor cinematográfico (faz-me rir), crítico de cinema, uma carreira na diplomacia, outra no jornalismo. Mas o principal: as letras que se fazem vivas em poemas e canções. Poetinha, digo e tantos dizem, não porque fosse menor que qualquer outro, grande no domínio da língua. Poetinha porque próximo, íntimo do sentimento alheio, sensível ao Outro, ao sabor dos dias. Poetinha porque sabia fazer poética uma frase cotidiana, fazia poético o sábado, o violão de Suzana, fazia poesia da menina com flores e dos seios da mulher morena. E nada desconhecia do obscuro do homem. Tudo sabia das dores e das angústias e da cega volúpia.  

Um apaixonado. Um audaz. Nunca deixou de contemplar a beleza e o horror de ser assim: humano. Um dia Tom lhe perguntou: então, poetinha, quantas vezes irá casar-se? Ao que ele respondeu: 
quantas  forem necessárias. Orfeu da Conceição, Bossa Nova, Afro-samba, Arca de Noé, não há como dimensionar a importância de Vinícius na música brasileira. Mas há como saber exatamente a importância dele em mim...quando penso em amor e gozo e êxtase, é primeiro a letra dele que chega.



As Palavras e Um Homem

Hugo Lorenzetti Neto foi extremamente gentil em permitir-me reproduzir suas palavras. O nome do texto é Melhora. Melhora Muito. É um lindo depoimento, mas é mais do que isso, é uma demonstração de valor, amor e coragem. Em tempos em que se busca ofender, diminuir e marginalizar em uma das campanhas políticas que mais desprazer me deu acompanhar, ler estas palavras me dão esperança. Esperança de um tempo de mais respeito, empatia e solidariedade. Não há palavras pra agradecer ao Hugo sua generosidae. Mas há como retribuí-la, também com a nossa coragem.


Melhora, Melhora Muito by Hugo Lorenzetti Neto

Seth Walsh, um menino estadunidense de 13 anos, enforcou-se no dia do meu aniversário. A mídia dos Estados Unidos vem dando projeção a vários suicídios de jovens homossexuais, ou jovens rotulados como tal. No Brasil, a situação deve ser parecida, mas a publicidade que se dá aos casos é muito menor, ou seja, esse grupo de seres humanos não tem a mesma voz. Imagino que aqui, na Nicarágua, não seja muito diferente, bem como na maioria dos países latinoamericanos, ou do resto Terceiro Mundo. Aqui temos a pobreza e o conservadorismo da posição de algumas religiões para nos silenciar.

No meu país, segundo o grupo E-Jovem, de Campinas, minha cidade natal, três adolescentes homossexuais se matam por dia no Brasil. O Grupo Gay da Bahia contabiliza 160 mortes violentas de homossexuais por ano.Nenhum caso específico moveu a mídia como os recentes suicídios nos Estados Unidos. Não teremos um episódio de um seriado para levantar a discussão, não ainda, na América Latina. Mas isso não significa que não haja gente preocupada. Há, sim, muita. Entre militantes, familiares e amigos de homossexuais, ou, simplesmente, pessoas capazes de reconhecer o que é humano em outras pessoas, entre todos esse, podemos contar com muita gente que também se deixa mover pela situação de pessoas que, por enquanto, ainda precisam de apoio para poder se expressar.

Assisti, nas últimas semanas, a alguns vídeos americanos que dizem que as coisas melhoram depois. Eu sei que o sofrimento e o desespero na hora em que as coisas terríveis acontecem - garanto, eu sei - parecem infinitos. Sei que as horas depois de um ataque, de uma intimidação, são as horas mais escuras da vida de uma pessoa. Mas é verdade. Melhora, sim. E tenho certeza que, nos meus momentos difíceis de infância e adolescência, se eu tivesse visto um vídeo assim, ou lido um texto como o meu, a dor teria sido menor. Por isso vou contar minha história.

Eu queria, antes de dar meu depoimento, pedir desculpas a amigos e familiares que saberão de eventos muito ruins que me aconteceram através dessa mensagem. Gostaria que soubessem que se eu não disse nada na época, foi por medo. E se nunca disse nada até hoje, foi por amor. Eu sobrevivi, e sou uma pessoa mais ou menos interessante hoje. E uma pessoa muito feliz e muito segura do amor que a rodeia.Não era preciso contar a vocês hoje. E se agora eu faço circular uma mensagem, é porque quero falar com todos os jovens que acham que não vale a pena continuar vivendo. Este relato é para eles. E aos familiares e amigos, quero que me entendam com o amor que temos uns pelos outros, e que usem essa força para apoiar aos que agora necessitam de apoio. Não será muito fácil para vocês lerem. Nem é fácil de escrever, confesso.

Eu era um menino muito tímido, com muita dificuldade em fazer amigos. Não era uma criança muito bonita, era magrinho, desajeitado, e tinha voz de menina. Era perseguido todos os dias pelos colegas de classe, quase todos, que gritavam: "mulherzinha, mulherzinha!" Doía, mas aprendi a não escutar, e tinha um grande amigo, o Bruno, que não é homossexual, que fazia a minha vida mais fácil. Quando não brincava com Bruno, eu me encolhia num canto para ler. Um dia, em 1987, quando eu tinha 9 anos, no terceiro ano do primário, num desses dias de leitura em que o Bruno não tinha ido à escola, dois garotos mais velhos me agarraram na porta da sala de aula e me levaram a um canto escondido. Ali, me bateram, me tocaram no traseiro, e me obrigaram a pôr seus pênis na boca. Tudo isso durante o recreio. Depois de chorar muito e me acalmar, voltei à sala de aula atrasado, e fui repreendido pela professora, que mandou chamar meus pais, a quem eu não disse nada.

Aprendi cedo a dissimular, e a vida na escola, até o colégio, foi mais ou menos tranquila. Havia comentários, risos no corredor, mas nada parecido voltou a ocorrer. Não era bom ir à escola, é verdade. Mas não era o fim do mundo. Em 1996, quando eu tinha 17 anos, depois de vencer o medo, entrei em uma discoteca gay, sozinho. Conheci um homem mais velho lá dentro. Na hora de ir embora, ele não me deixou voltar para casa. Levou-me a um terreno baldio, onde me violou e me abandonou inconsciente. Acordei no dia seguinte, e embora fosse um dia de verão em Campinas, foi o dia mais escuro da minha vida. Abandonado e triste ali, sem poder contar com a compreensão de ninguém, eu pensei que valeria a pena me matar. Não tinha com o quê. Então voltei para casa, e desisti do projeto. E, depois, o tempo passou. Fui morar sozinho em São Paulo, aos 18 anos, e fui resolvendo minhas questões.

Pouco a pouco descobri que não deveria ter tido medo da minha família. Meu pai, minha mãe, minha madrasta, meur irmãos, todos foram se mostrando muito compreensivos. Ou melhor, eu fui permitindo que eles participassem da minha vida e pudessem seguir demonstrando seu amor. Se num primeiro momento não lhes disse nada por medo, ainda não lhes havia contado nada por amor, como já disse. E fui encontrando amigos excelentes no caminho, gente que só se preocupa com o que temos em comum e que nos une.

Se eu pudesse, voltaria a 1996, e me recolheria, levantando-me no colo, daquele terreno baldio onde fui deixado. Depois de acalmar o jovem Hugo, gostaria de levá-lo a ver algumas coisas que aconteceram, pelas quais valeu apena continuar vivendo, esperando assim que esse jovem eu sofresse muito menos.

Eu o levaria à Universidade Estadual de Campinas, num dia normal de 2003, para se sentar comigo e meus colegas de curso. Aí ele veria que eu fui um aluno respeitado por professores e colegas, com boa produção acadêmica, e que vivi rodeado de amigos que, perto ou longe, sempre estariam presentes na minha vida. Ele veria como havia amor aí. E o levaria ao dia da minha formatura, o dia em que abracei minha família, emocionado, depois de ter recebido meu diploma de Letras. Mostraria o capítulo publicado na coletânea de textos sobre formação de professores de que participei em 2005, e como fiquei amigo da professora que a coordenou.

Depois, mostraria um dia de 2006 em que, descendo de um ônibus, indo com meu namorado para a casa de uma grande amiga, meu pai me informava por telefone que eu havia passado na prova de seleção para diplomatas, para que ele visse que eu choraria mais de alegria que de trsiteza no futuro. Depois o traria à Nicarágua, para ver quantos amigos me conquistariam - e eu conquistaria - em terra estrangeira, e quantas coisas boas faria pelos outros por aqui.

Deixaria para o final os dias mais importantes. Aquela noite em 2002, quando, do outro lado de um círculo de amigos que conversavam, vi, de verdade, o amor atrás do olhar de um garoto de cabelos cacheados e olhos escuros. Levaria a um dia de 2004 quando, na manhã depois de uma briga, voltei da padaria com um brownie que ele levaria para seu trabalho, e ao me despedir dele percebemos ao mesmo tempo que estaríamos juntos para o resto da vida. Eu o levaria a cada momento em que meu agora marido, diria que me ama, e em que eu diria o mesmo. O levaria a uma noite de 2006, quando o fui buscar no aeroporto de Brasília, onde demos nosso primeiro abraço de casados, já que começaríamos a morar juntos a partir de então. E a uma tarde de 2007, quando assinamos nossa União Homoafetiva, rodeados de amigos muito queridos. E mostraria a ele todas as fotos das viagens que fizemos juntos: Argentina, Chile, Barbados, Cuba, Estados Unidos, tantas.

Eu resisti. Não sei como resisti. Podia não ter resistido. E podia ter sofrido menos se houvesse, nos anos noventa, a série de vídeos do tipo "It gets better". Ou alguém que me dissesse que eu não era mau, que não havia nada de errado comigo. Que dissesse que eu merecia amor, sim, como todos os outros seres humanos. Ou um texto como este que estou escrevendo agora.
O sofrimento não é necessário, não deveria ser necessário para poder crescer. Ninguém merece passar por situações assim. Mas quando a gente sofre, é bom ter em que pensar, ter esperança de que tudo vai melhorar.

Se eu estou feliz hoje? Muito. Ainda bem que não decidi me matar. Valeu a pena resistir só para me dar a chance de ter essas memórias, e de saber que outras tantas memórias semelhantes estão por vir. Valeu apena resistir só para acordar todos os dias e me lembrar de tanta gente que amo tanto, e que me ama de volta.

Eu quero dizer aos adolescentes isto: aguentem. É ruim agora. Mas depois melhora, melhora muito. E vocês, pessoas fortes e interessantes que serão, poderão se juntar a todos nós que sobrevivemos - e somos muitos! - para ajudar àqueles que duvidam que vale a pena continuar. E quem sabe, um dia, nenhum jovem homossexual tenha de duvidar do valor que a vida e suas memórias têm.

Eu sou de verdade, sim. Meu nome é Hugo Lorenzetti Neto, e agora que escrevo, estou servindo na Embaixada do Brasil em Manágua. Meu e-mail é hugolorenzetti@gmail.com, e estou disponível para quem precisar de apoio, para quem precisar dizer algo ou ouvir algo, ou para quem queira me engajar na luta legítima contra a intolerância, a violência contra os homossexuais e o suicídio motivado pelo simples fato de ser diferente, homossexual ou não.

Manágua, 15 de outubro de 2010



* A linda frase, eu a conheci no álbum da Maria Bethania, se não me equivoco Pássaro Proibido. É, até hoje e sempre, guia e referência para meus passos. Eu estou, não me engano, na corda bamba.

domingo, 17 de outubro de 2010

Maníaca dos Blogs





Talvez. Talvez seja você, com seu ar meio sério meio moleque, quase doce. Talvez seja você, ácido e direto. Talvez seja você dos grandes silêncios e da forte presença. Talvez seja você, com suas músicas no lugar dos dizeres. Talvez. Talvez fosse isso que eu esperasse: uma conversa que nunca termina. Ou uma que ainda não começou. Talvez eu tenha que me fazer menina pra merecer você, tão antigo. Talvez eu vá crescer pra ficar contigo, menino. Talvez seja assim: tudo simples e fácil. Ou não, talvez seja essa ansiedade de dizer a coisa certa, de fazer a coisa certa, tudo mais elaborado e difícil. Talvez eu não devesse ser tão chata, tão reta, tão certa. Talvez eu deva correr e te dizer toda essa coisa que eu tenho pra dizer. Mas desconheço todas as palavras. Quem sabe a gente dança? Eu quase adivinho seu corpo no meu, sua mão é quente e seu queixo faz cócegas no meu rosto, nuca, colo, coxas. Talvez eu deva sentar e esperar todas as voltas que o mundo tem que dar ao seu redor, todas as chegadas e partidas, todos os intervalos e hiatos. Talvez eu tenha que arrombar as portas e plantar-me no jardim. Talvez não seja nada, só esse roçar suave da tua mão na minha e esse desejo insuportável de me esquecer em você. Talvez.




Pois é, maníaca dos blogs, é assim que minha irmã, carinhosamente (pois tá), me chama. Só posso concordar. Quem lê a barrinha lateral sabe que escrevo regularmente em 06 (seis) deles e quem vai até o meu perfil tem surpresas ainda mais aterrorizantes. Além disso são 41 (é, isso mesmo, quarenta e um) blogs favoritos listados aqui e, eles sabem, são favoritos mesmo: acompanho todas as atualizações e, nos mais íntimos, comento diariamente. E eu não vou nem mencionar o tamanho do meu Reader. Serei eu uma desocupada entediada? Não se acanhem de conjecturar, eu mesma já me fiz estas perguntas trocentas vezes...daí lembro que só vou dormir duas da manhã e acordo seis e não costumo perder prazos no trabalho. Então, porque, se não sou desocupada nem entediada? Porque tanta leitura e tanta escrita e tantos blogs e comentários?


Escrevo porque não posso evitar. Não tenho nada a dizer, mas as palavras me perseguem. Clarice escreveu: "enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas, vou continuar escrevendo".  Mas ela também disse: "sei lá porque escrevo! que fatalidade é esta?" É nesse hiato que escrevo por aqui. Entre as perguntas que teimam em surgir e a impossibilidade de deixar de fazê-lo. Às vezes dói e as letras são cortes que sangram idéias. Às vezes é gozo, tanto de umedecer olhos. Escrevo pra mim, mas me agrada que alguém que se agrade. 

E aí vem a melhor parte. Eu gosto de gente. Gosto de gostar das pessoas. Gosto de querer bem, de dizer coisas carinhosas, de fofocar das coisinhas do cotidiano, de saber do outro, de presentear, de abraçar, de conhecer. Gosto de gente. E os blogs me trouxeram/trazem pessoas incríveis. Gente amável mesmo. Gente com quem eu conto, que já viajei pra encontrar e que já vieram me ver. Gente que nunca vi, mas que sinto como se sempre tivessem feito parte da minha vida. Gente com quem eu me preocupo se está triste ou se se sente sozinha ou se vai conseguir acompanhar as aulas em francês. Gente ácida, gente doce, gente gente (não digitei errado, é assim mesmo, duas vezes). Gente que me apetece querer bem. Teve
 o Paulo e o seu cantinho escuro. Creio que foi o primeiro. Nem lembro como ou quando cheguei lá, no cantinho escuro dele. Pronto, não consegui sair mais. Hoje, as coisas que em ocorrem ganham graça e materialidade quando partilho com ele. Veio a Joana, cemitério querido, amiga que o mar não me deixa saber, mas insistimos.  Depois veio a S e seu mudando os sentimentos. E vieram as idas e vindas e cervejas e vestidos emprestados e uma amizade de nem saber dizer. E o Rafa, ai, o Rafa e o seu Tanta Coisa!, fofo, fofo, fofo, meu correspondente carioca, de palavras mágicas e arrebatadas. Veio o Fred, amigo sabor fruta, enigmático, mas tão gentil no seu me fazer sorrir, chorar, pensar. Amigo das mais deliciosas despedidas. E tem vindo a Teresa, lenta e certamente, que já esteve entre as borboletas e, espero, breve estará de novo.

Aí, ontem. Duas lindas surpresas. 
Delícia 1: eu sempre leio o blog da Lola e, de um tempinho pra cá, comecei a comentar. Comentário vai, comentário vem e, entre todas as outras inúmeras comentaristas/leitoras da Lola, fui adicionada no facebook pela Dai. Começamos a conversar no face e para a pergunta "e aí, onde você mora?" ouvi uma resposta que me deixou atônita. Ela mora aqui. Na minha cidade. Ou ainda, na cidade que moro (a minha ainda é a outra, aquela que tem mar). Rimos muito e já marcamos tanta coisa que não dá nem pra listar. Bom, bom demais. Delícia 2: flanando no blog do Paulo vi o link pra esse post aqui: Por Um Brasil Sem Homofobia. Não preciso nem contar que fui direto lá, espiar, né? Comentário vai, comentário vem (again) e lá estou eu, listadinha como favorita. Ele (Gui) foi de uma delicadeza....(eu já disse que acho delicadeza a coisa mais fina do mundo? ah, já, um milhão de vezes). 

Foi desse encontro delícia 2, aliás, que vieram as palavras deste post. Porque eu quero deixar claro, muito claro, que acho incrível e simplesmente delicioso o encontro com cada palavras que cada pessoa deixa aqui ou nos meus outros blogs. Sinto até falta dos que comentam regularmente e, de repente, somem um pouco. Fico pensando: está tudo bem? tudo bem com você? tudo bem entre nós? (rsrsrs). Aí alguém vira e me diz que é uma falsa intimidade. E eu ligo? nem tchumbs, porque eu sei que eu realmente me interesso por quem leio, pelas idéias incialmente e, com o tempo, pelo sentir e pelo viver. Claro que não é tão bom quanto bater papo num café com bolo ou no boteco entre cervejas, mas um dia chega essa hora, ah, chega. E, se não chega, eu bem posso imaginar. E escrever. 

E ainda tem os bônus, né? O mundo dos blogs me permite ter pertinho os amigos que já eram antes e são sempre: 
HG do Travessia, Dani do Olhos do Coração, Évio do sporádico Contra a Maré, a Nanica dos blogs abandonados, Aninha, Li, Lori e até as manas do Miolo do Pote.

Então, permaneço, escrevo, leio, comento. Maníaca.


PS.
E sobre as eleições? Só posso dizer que eu conheci, via facebook, um eleitor do Serra. Comentário civilizado vai, comentário civilizado vem, talvez a gente permaneça conversando e fique amigo, talvez a gente até tome uma cerveja pós-eleição. Que tal estou me saindo, Rita?

PS2.
Aí alguém me diz: mas porque vários blogs? Porque não junta tudo, tudinho, aqui e pronto? É que cada um tem um sentido, objetivo, propósito. O  Outras Borboletas é um blog coletânea, ele arquiva frases, poesias, canções, charges que me tocam. O Olhos da Borboletaé um registro meio fotográfico/meio diário das coisas que estou vendo e  vivendo. O Eu Sou a Graúna é um blog confessionário. O Só Miolo de Pote é espaço coletivo de encontro, amizade, humor, prazer. OEstrangeiros na Terra é simbólico. Ninguém quase escreve, mas todos mantermos nosso nome lá é um jeito de dizer que nos amamos, sentimos falta um dos outros e queremos ter algo em comum.



PS3. E pra receber os elogios do Allan, lá vai, essa sou eu (a foto permanece aqui por 24 hs, depois eu sumo com ela, ok?):




PS. A responsável pela belezura da foto, claro, é a fotógrafa: Aninha, amiga amada e querida e fofa e acolhedora e incrível cozinheira e, claro, fantástica na fotografia...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Tempo da Delicadeza

Tempo I
Vou confessar: acho que nunca levei uma cantada. Digo acho não é pra fazer charme nem nada, é que quem me conhece sabe que minha memória é tipo a campanha limpa do José Serra nesse segundo turno: não existe. Então, pra não me perder: nunca fui cantada. Claro, claro que já rolou assovio na rua e um ou dois "gostosa!". Mas cantada, mesmo, sabe, daquelas bregas, ops, inesquecíveis, tipo, cadê o papel que o bombonzinho veio embrulhado ou você é a nora que minha mãe pediu a deus...dessas não tive não. Tenho algumas teorias sobre isso, claro. Mas a idéia central é que, na verdade, eu não me enquadro no padrão de beleza preponderante (loura, magra e malhada) e o jeito é ir vivendo de conversa, mesmo. E, daí, quando o camarada percebe-se interessado, a hora da cantada já passou.

Creio que na adolescência devo ter sentido falta dessa abordagem assim, mais rápida e direta (mesmo machista e de mau gosto) e digo creio porque, vocês sabem, minha memória é como a possibilidade do PSDB/DEM fazer um governo voltado para a inclusão social e distribuição de renda, não existe. Mas, hoje, revendo os meus envolvimentos, flertes e grandes amores, fico feliz que tenham sido assim. Porque se as cantadas na minha vida são como as boas propostas de governo do Serra, inexistentes, nem por isso deixei de ter a minha cota de elogios comoventes. Foi neles que amanheci pensando hoje. Claro que, como a minha memória (blá, blá, blá, vocês já sabem) não é lá essas coisas, posso estar esquecendo alguns. Perdoem-me, amores do passado.

Então, Top Five dos mais deliciosos elogios, as mais tocantes gentilezas - não por ordem de preferência - pra não perder o hábito das listas:

1. O elogio ao meu nariz. Não um lindo nariz, apenas, mas o mais lindo que ele já viu. Não, não é pela apreciação física - embora isso seja lisonjeiro - mas pela delicadeza de deter-se em mim e não ser óbvio. Gostei tanto que ainda sinto arrepios (aproveita).

2. Uma das pessoas de gosto mais sofisticado e elegante que ele conhece. Pronto, derreti. Eu nem concordo, mas não deixa de ser sweet. Porque, fala sério, ele é o cara. Inteligente, articulado, vivido. E ele elogiou ali, no meu calcanhar. Porque eu me sinto tão falha, há tanto a ler, a apreciar, a ouvir. Tanto filme noir, tanto jazz, tantos escultores e pintores a conhecer. Gostei, ai (suspiros), gostei.

3. Que eu pareço a Amelie Poulain. Poxa, de início era por causa do cabelo e eu já fiquei feliz. Mas daí ele disse que era pelo sorriso, pelo olhar sempre deslumbrado para o mundo e porque eu inspiro fantasias (ok, ele também disse outras coisas relativas ao físico que me deixaram vermelha, vermelha, mas essas eu vou ficar só pra mim, tá). E o bom é que o bem do elogio não foi exatamente ele, mas a delicadeza de gesto que o precedeu. Ele nem sabe o que ganhou com isso mas, ainda há tempo e possibilidade, parece que vai saber.

4. Que eu tenho os olhos de ressaca como os da Capitu. E explicou: que eram olhos que arrebatavam, arrastavam e faziam um homem desejar se afogar em mim (ah, memória, desta vez eu ganhei de você, mas também quem esquece uma coisa linda assim?). Bingo! Marcou pontos em todos os quesitos: além de ser detalhista, meio sexy e ainda entendido de literatura.

5. Que eu sou a Menina Com Uma Flor descrita pelo Vinícius. E ainda leu o texto todinho, eu com a cabeça no colo dele; ele com uma mão segurando o livro e com a outra afagando meu cabelo (que na época era longo). E tinha o mar, visto ali, da janela, mas sentido como seu estivesse nele mergulhada, morno e tépido.

Escrevendo isso, lembrei da coisa mais fofa de todas que já me disseram/ escreveram. Foi que estava com saudades. Sentindo a minha falta. Mas foi em espanhol. E eu nem acho espanhol uma língua assim tão romântica (prefiro o italiano, qualquer coisa dita em italiano, até "passe o sal, por favor" parece um convite sexy ou o bom e velho português pleno de possibilidades e sentidos) mas é que "te estraño" me soava tão dúbio, tão cheio de implicações, que me emocionava sempre. Sei lá, é meio besta, mas sempre me lembrava que reconhecer e aceitar e desejar o estranho do outro, o diferente, o inusitado, o que não é espelho, ah, isso é tão bom e doce e ai, bom, dá pra entender, né.


Tempo II - Mulheres Incríveis
E agora, voltando ao que interessa, vocês já votaram no Concurso de Blogueiras? Como assim não votaram? Leaim, leiam, leiam excelentes posts: da Luci, da Jux, da Amanda e leiam também o meu, né. E, depois, leiam e votem na Rita (estou só dando a dica).


Tempo III - Se todos fossem iguais a você
Você viu o corte da Paula Pequeno, jogadora de vôlei, que não vai com a Seleção Brasileira disputar o Mundial porque não se recuperou de uma fratura no tornozelo? Eu vi. Admiro muito o Bernardinho, mas - sinceramente - tenho paixão pelo José Roberto Guimarães. Ele é justinho o que eu considero exemplo de força e delicadeza. Um mundo de Zé Robertos pra mim, por favor.

Tempo IV
E o outro voto? Vamos pra rua, panfletar, conversar, rir, cantar, fazer campanha de militante que a hora é essa. Hoje li uma frase que me tocou: O PT só joga em casa na rua (foi o Celso do NPTO).

Estou preocupada com as eleições. Não com o resultado. Mas com o que o processo está fazendo com pessoas que aprecio. Algumas, encastelam-se agarradas às suas convicções e, no mais puro narcisismo das diferenças, recusam-se a discutir, ouvir, pensar. Outras, com as quais me preocupo ainda mais, estão machucadas, doloridas, chocadas. Que passe esse tempo de abismos e chegue o momento das pontes (eu sei que longe de acabar com os abismos, as pontes os apontam, mas - ainda assim, fazem percursos). Mas que é difícil ouvir o Serra falando de "Deus no coração" como acabei de ouvir, ah, é difícil. Ontem, escrevi assim, comentando um post de uma blogueira adorável e muito querida:

Uma coisa que eu tento não esquecer é que as eleições passam e as pessoas permanecem nas suas diferenças, belezas, divergências, limitações e encantos. Eu sou intensa. Apaixonada. Nem sempre respeito os argumentos contrários. Muitas vezes eles me causam raiva, vergonha pelo outro, aversão, etc. Mas tento sempre respeitar quem os emite. Eu gosto da diversidade. Dela toda, não só da diversidade com a qual eu simpatizo. Fazemos o que podemos, não é querida. Falamos, escrevemos, informamos, divulgamos. Mas, como você mesma disse, cada voto é exatamente isso: um voto. E eu não deprecio o voto de ninguém. Se o Serra for eleito, bom, foi o que o país quis neste momento. Vou torcer pra ser o mais distante possível do que eu projeto. Vou torcer pra ser melhor, muito melhor do que eu penso. E seguir com as delicadezas e tentativas do cotidiano. 


Então, links e mais links pra, quando não estiverem na rua, de vermelho, distribuindo panfletos, ler, refletir e divulgar:

O significado da vitória do José Serra. O que mais gostei deste post foi como a autora (brilhante, Jux) pontua a diferença entre o respeito a uma vitória da Direita (afinal, estamos numa democracia e sim, isso pode ocorrer) e a vitória de uma campanha baixa, difamatória, pautada na exclusão, na misoginia, no fundamentalismo religioso.

Por mi'alma insubjugável agradeço. Um testemunho veemente, bem escrito e fundamentado de quem é feminista e defende as causas sociais.

Dois Projetos Radicalmente Diferentes. Um convite à reflexão de Durval Muniz. Texto intenso, racional, bem fundamentado sobre a situação no segundo turno e sobre a intransponível diferença de projeto dos dois candidatos. Fantástico.

A periferia nos une pela dor, pela cor e pelo amor. Ah, porque é lindo ver gente entusiasmada, engajada e trabalhadora, ah, é lindo.

Boateiro tem nome: caminhos da calúnia. Pois num é que até os nazistas apareceram pra se posicionar contra a Dilma. Duvida? Lê aí o caminho da calúnia desvendado.

E tem o site todo jóia do Paulo Henrique Amorim, o Conversa Afiada.

E por falar em beleza, intensidade, articulação e integridade, vou transcrever dois comentários da Dai, feitos lá no blog da Lola. Claro que pedi licença e claro que, fofa como ela é, permitiu. :

1. Eu compreendo o seu post. É um post escrito com a ansiedade de alguém que está começanco a vida, que deseja ser independente.

E concordo que, sim, permanece um absurdo que os ricos não sejam tão afligidos pela distribuição de riquezas. Mesmo assim acho que eles não são tão intocáveis quanto em governos anteriores, basta observar o declínio de antigos herdeiros e o desespero dos grandes empresários face à eleição de Dilma.

Eu também venho de uma família de classe média que não ficou mais 'rica' no Governo Lula. Entretanto, o que entendo bem, pelos meus parcos conhecimentos de economia, é que num país capitalista, manter-se na linha de equilíbrio é a maior característica da classe média. E também não ficamos mais pobres.

Minha família perdeu bastante dinheiro com o plano Collor, foram anos dificílimos, nosso padrão de vida caiu, perdemos nosso carro, estudamos em escola pública - hoje sou grata pela experiência.

Depois, no governo FHC, entrei na faculdade. Queria fazer pesquisa, ter acesso à iniciação científica, entrar no Mestrado, mas não havia base, não havia pesquisa em minha universidade. Na época, não tinhamos sequer um doutor em nosso curso e grande parte dos professores eram remanescentes do período biônico da ditadura, ocupando postos que lhes foram concedidos em troca de favores políticos.Mesmo assim, fiz faculdade, coisa que a grande maioria dos meus colegas do ensino público não fez. Só não pude fazer pesquisa, como gostaria. Graduei em 2001, mas só consegui ingressar no mestrado em 2004, num programa de pós de um estado vizinho, era o início da consolidação de uma série de novos programas de pós-graduação. Era o governo Lula. Continuei dura por algum tempo na vida, ralei muito! Hoje, estou no primeiro ano de doutorado e sou uma professora recém aprovada em concurso. Continuo classe média, assim como minha família. Meu salário não me possibilitará viajar, não agora, pelo menos, terei de poupar bastante para isso. Mas, a despeito de dinheiro, bens, minha vida foi transformada. E não só a minha. Hoje eu tenho a alegria de ver a filha da minha ex-faxineira fazendo faculdade, numa universidade criada após a política do Reuni. Eu acho que se olhamos a nossa volta, os impactos e as perspectivas são evidentes. É bom lembrar que a classificação por classe não inclui só renda e bens, o acesso a uma faculdade também são indicativos de mudança de classe. Acredito que a perspectiva de viver numa economia estável é já um grande começo.

Eu tenho milhões de críticas ao governo Lula, mas não promover a distribuição de renda não é uma delas. Me irrita a pouca preocupação com a sustentabilidade e essa resignação que agora demonstram diante do seu compromisso histórico com os Direitos Humanos. Boato ou não, é triste ver o PT, um partido de origem socialista e humanista, que tanto lutou pela democracia, engajado com esses fundamentalismos de quinta.

Lola, como vc, eu não fechar os olhos para as transformações que assisti ao longo do governo Lula agora. Não vou permitir que um fascínora como Serra se eleja, impondo o tipo de disputa que deseja. Foi ele quem arquitetou e orquestrou esse cenário medieval -
se Dilma ao menos fala em acolhimento, ele vem tascar em minha cara aquelas grávidas ridículas. Lamento muito, muito mesmo que o PT tenha aderido, com medo de não se reeleger. E até acho que, logicamente, há machismo também dentro do partido. Se Dilma se resigna e abaixa a cabeça para a decisão partidária de ceder ao conservadorismo, sei que Serra, por sua vinculação direta e genuína ao DEM, tem tudo para encampar um dos mais retrógados governos latinoamericanos no que concerne aos DH. E este é o meu lado, acima de qualquer outro. Eu luto pelos Direitos Humanos, que são direitos universais. Estão, inclusive, acima do governo.

Estou triste, desapontada e com raiva das concessões religiosas. Mas eu sei exatamente com qual governo terei a possibilidade de dialogar. E em qual governo, precisarei temer pelo meu direito à voz.


2. Lola querida, obrigada mesmo por divulgar.

Adorei o email da aiaiai e até gostaria de ter escrito algo tão assertivo quanto. Mas mandei este meu email a uma lista de amig@s e familiares, minha família é bem religiosa e eu pensei em tentar dialogar com eles a respeito do privilégio, da maravilha que é vivermos em um estado laico e democrático. Para os religiosos também - sobretudo para eles.

A resposta mais feliz que tive foi de uma tia católica e integrante da pastoral carcerária, que me disse que está, também, fazendo campanha pró-Dilma e indignada com o desvirtuamento político que tomou essa campanha de segundo turno - em rota de colisão com as propostas de qlqr pessoa que defende os direitos humanos.

Algumas pessoas reenviaram, outras apenas concordaram. As notas tristes ficaram por conta de uma amiga que me falou que votou na Marina e vai anular voto diante das "duas péssimas opções". E do meu irmão caçula, que disse que vai votar no Serra (vergonha alheia por ele, não vou mentir) porque o Governo Lula é corrupto.

Eu acho triste que duas pessoas esclarecidas deixem de dar um voto útil por pura alienação/omissão, sabe? A Marina não foi escorraçada do governo. Ela teve problemas de relações no Ministério, sim. A sua pasta ministerial era problemática, sim. Mas houve uma série de apelos no interior do governo e do partido para que ela permanecesse. Porém, mesmo que tivesse sido, por que, então, ela se aliou justo ao PV? Pq ela não articulou politicamente um partido de esquerda ambientalista e agroecológico (de fato, coisa que o PV não é)?

Heloísa Helena - esta sim, teve uma saída complicada do partido - articulou o Psol, que é um partido de esquerda, inegavelmente.

Mas, quem conhece minimamente o PV sabe o quanto a sua linha política é direitista e sujeita à flexibilização, face às alianças que promove. Em Natal, temos uma administração desastrosa do PV, que vem justamente promovendo o caos e a devastação ambiental. Aqui, o partido possui, inclusive, vereadores ficha suja deste partido, que estão respondendo a processo por venda de votos na votação do plano diretor da cidade, loteando o nosso litoral a construtoras estrangeiras em troca de dinheiro. E mais: desde o princípio, quem está por trás da candidatura da atual prefeita do PV em Natal é o senador José Agripino (DEM), que dispensa apresentações.

Além disso, me parece um contrasenso que o vice da Marina seja justamente o executivo de uma empresa que explora e patenteia os recursos naturais do país, escraviza a mão de obra das mulheres na Amazônia e em todo o Brasil, lucrando com o trabalho precarizado e não regulamentado pela CLT. Alguém que vota na Marina achando que está dando um grito de liberdade e rompendo as amarras da corrupção é de uma ingenuidade singela... Bem intencionada, mas perigosa.

Se esta pessoa fez concessões e decidiu votar no PV, pq agora se exime na continuidade do processo democrático?

Eu tentei debater, mas recebi em troca um resistente "não voto em quem não conheço". Já o meu irmão caçula, um rapaz de 23 anos bastante irresponsável, aliás, é apenas o reflexo de uma geração que não sofreu com a escassez de cursos universitários e empregos, não assistiu ao patrimônio nacional ser dilapidado e entregue a preço de banana, não sabe o custoso que foi conseguir a primeira eleição de Lula, rompendo um ciclo de 500 anos de governos não humanistas e avessos a programas sociais. Eles não sabem a diferença que um voto faz, não avaliam o impacto que um governo democrático e com a influência da esquerda tem na vida da gente, porque cresceram com isso e não contam com a possibilidade de um retrocesso.

Por isso, nesse segundo turno, com todos os problemas, a manipulação e o uso do fundamentalismo cristão eu sou Dilma desde criancinha. Não há crítica política que eu possa ter ao governo do PT e às suas más estratégias de campanha que possam suplantar a minha consciência política nessa hora.

Desculpa escrever tanto, tá? Bjo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Para (ou Por?) Viver um Grande Amor


"Desde que te conheci, nunca fui tão infeliz na minha vida.
- Nem eu,
- Eu não trocaria isso por nada.
- Nem eu".
(Do filme: A um passo da eternidade)




Pois é, daí que me ferrei. Porque eu não tenho a mínima vocação para a tristeza. Não mesmo. Sou do riso fácil, solto, cabeça virada, dentes à mostra...vocês conhecem o tipo. Mas, daí, pergunto-me: e o grande amor? Eu sei, sei, que há amores felizes e cotidianos, afinal meus pais estão juntinhos e apaixonados a mais de 37 anos, meus avós se chamavam de benzinho até a morte, a Adry e o Évio vão aí dando exemplo de companheirismo e desejo, a Rita - que é bem sabida - inspirou-se em Penélope e pegou logo um Ulisses. Eu sei disso tudo. Mas, concordemos, meu imaginário é de Scarletts, de resignado adeus em Casablanca, de boa infelicidade mútua como a citada aí na epígrafe. E a contradição fica aqui, latejando.

De um lado, a inclinação para ser par, assim fácil, sem aiaiais nem lalalás. Desse lado, todo romance é o melhor que posso ter e todo homem que quero é fofo em seus limites e possibilidades. Já fui boa nisso e tenho a mais sincera convicção de que poderia ter sido feliz para sempre com qualquer um dos meus namorados. Sério mesmo. Só que não fui, né. Apesar da convicção, um dia qualquer sempre se colocava a angústia do e se houver mais? e se for pra ser mais intenso? Daí, tem o outro lado, né. Aquele que viu filmes demais e leu livros demais. Aquele lado de Anas Kareninnas e Elizabeth Bennet. Aquele que fica desejando ficar sem ar todo momento do dia (e nem percebe que assim morreria sufocada). Aquele que deseja palavras intensas, momentos arrebatadores e trilha sonora em off toda vez que encontrar o cara. É esse o lado da ansiosa descoberta que me faz, por esses tempos, meter os pés pelas mãos. Fico quase dizendo: seja meu cara! seja meu cara! sem nem saber o que eu mesma sinto. Fico querendo sem intervalos. Fico querendo sem dúvidas. Fico querendo. Ou tudo ou nada e nem me refiro àquela cena excelente (que vale um post, não vale, sobre beleza e coragem e sensualidade e padrões de beleza e desemprego e sociedade ocidental, ai, tanta coisa).

E aí vou construindo minha série de nadas. Nada além mar, por mais que eu quisesse seu jeito, suas mãos, seu desejo. Mas não. Não é o bastante. Nada ali perto, cidade vizinha, só cama e pele e música. Nada, não é o bastante. Nada de moço bonito, passado demais, tempo demais, receios demais. Não, não é o bastante. Nada de casos antigos, nada de novos caminhos. Não é o bastante. Nunca é.

Pintando o Sete
O Pintando o Sete está meio abandonado depois das fulgurantes séries: Sete Pecados Capitais (a inveja, a soberba, a gula, a luxúria, a preguiça, a ira, a avareza) e Mulheres de Mim (Clarice Lispector, Cecília Meireles, Dolores Duran, Sylvia Plath, Marguerite Duras, Simone de Beauvoir, Adélia Prado)

Mas quando comecei a pensar que nunca é o bastante, pensei que dava mais um Pintando o Sete (Meus Insaciáveis de Estima) e lembrei deles: Maysa, Clara Nunes, Elis Regina, Cássia Eller, Cazuza, Genet, e bem, tem uma porção de gente pra ocupar esta última vaga, ainda não consegui decidir, aceito sugestões. Alguém que viveu intensamente e sempre insatisfeito e desejoso.

Os Mineiros
E eu passei a noite acordada vendo, um a um, lentamente, surgirem para festa no meu coração. Ainda não acabou. Ainda estou aqui, alerta.

E a Eleição?
Já disse que fiquei feliz com a postura da Dilma no debate? Já. E disse que fiquei toda paba com o apoio explícito do Chico Buarque? Já. E já falei que os jovens da Universidade em que leciono passaram a se interessar por História, política e eleições e já manifestam voto pra Dilma? Já. Então, seguem links interessantes:

E se o Serra ganhasse? Outra vez no blog Na Prática a Teoria é Outra um texto bem escrito, ponderado, sem terrorismo mas com muita reflexão. Previsões claras e bem desenvolvidas.

Porque não votar em Serra. Um post bem desenvolvido por Daniel Nascimento sobre o desapontamento com a postura de Serra.

Porque Votei em Marina e Agora Votarei em Dilma. Um posicionamento coerente e que foge do maniqueísmo.

Para Você que Não Votou em Dilma. Uma declaração de voto consistente e bem articulada demonstrando os pontos fortes da campanha de Dilma e do governo do PT.

Serra foi o melhor Deputado da Constituinte? Uma avaliação ponto a ponto do desempenho de Serra e suas posturas contra os trabalhadores.

O depoimento do companheiro de Dilma. Eu sempre digo, quem é capaz de provocar amor e devoção assim, só pode ter mais que meu voto, tem minha consideração e respeito.


Eu só queria ver mais o número 13 nas propagandas políticas, viu. Tá faltando, tá faltando, o discurso é bom, as imagens também, mas que está faltando a marca, o número, ah, isso está.

E posso dizer do nojo toda vez que escuto "Serra é do bem"?!?!?


Essa eu encontrei aqui, no blog Com Texto Livre, ri demais...


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...