quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Para (ou Por?) Viver um Grande Amor


"Desde que te conheci, nunca fui tão infeliz na minha vida.
- Nem eu,
- Eu não trocaria isso por nada.
- Nem eu".
(Do filme: A um passo da eternidade)




Pois é, daí que me ferrei. Porque eu não tenho a mínima vocação para a tristeza. Não mesmo. Sou do riso fácil, solto, cabeça virada, dentes à mostra...vocês conhecem o tipo. Mas, daí, pergunto-me: e o grande amor? Eu sei, sei, que há amores felizes e cotidianos, afinal meus pais estão juntinhos e apaixonados a mais de 37 anos, meus avós se chamavam de benzinho até a morte, a Adry e o Évio vão aí dando exemplo de companheirismo e desejo, a Rita - que é bem sabida - inspirou-se em Penélope e pegou logo um Ulisses. Eu sei disso tudo. Mas, concordemos, meu imaginário é de Scarletts, de resignado adeus em Casablanca, de boa infelicidade mútua como a citada aí na epígrafe. E a contradição fica aqui, latejando.

De um lado, a inclinação para ser par, assim fácil, sem aiaiais nem lalalás. Desse lado, todo romance é o melhor que posso ter e todo homem que quero é fofo em seus limites e possibilidades. Já fui boa nisso e tenho a mais sincera convicção de que poderia ter sido feliz para sempre com qualquer um dos meus namorados. Sério mesmo. Só que não fui, né. Apesar da convicção, um dia qualquer sempre se colocava a angústia do e se houver mais? e se for pra ser mais intenso? Daí, tem o outro lado, né. Aquele que viu filmes demais e leu livros demais. Aquele lado de Anas Kareninnas e Elizabeth Bennet. Aquele que fica desejando ficar sem ar todo momento do dia (e nem percebe que assim morreria sufocada). Aquele que deseja palavras intensas, momentos arrebatadores e trilha sonora em off toda vez que encontrar o cara. É esse o lado da ansiosa descoberta que me faz, por esses tempos, meter os pés pelas mãos. Fico quase dizendo: seja meu cara! seja meu cara! sem nem saber o que eu mesma sinto. Fico querendo sem intervalos. Fico querendo sem dúvidas. Fico querendo. Ou tudo ou nada e nem me refiro àquela cena excelente (que vale um post, não vale, sobre beleza e coragem e sensualidade e padrões de beleza e desemprego e sociedade ocidental, ai, tanta coisa).

E aí vou construindo minha série de nadas. Nada além mar, por mais que eu quisesse seu jeito, suas mãos, seu desejo. Mas não. Não é o bastante. Nada ali perto, cidade vizinha, só cama e pele e música. Nada, não é o bastante. Nada de moço bonito, passado demais, tempo demais, receios demais. Não, não é o bastante. Nada de casos antigos, nada de novos caminhos. Não é o bastante. Nunca é.

Pintando o Sete
O Pintando o Sete está meio abandonado depois das fulgurantes séries: Sete Pecados Capitais (a inveja, a soberba, a gula, a luxúria, a preguiça, a ira, a avareza) e Mulheres de Mim (Clarice Lispector, Cecília Meireles, Dolores Duran, Sylvia Plath, Marguerite Duras, Simone de Beauvoir, Adélia Prado)

Mas quando comecei a pensar que nunca é o bastante, pensei que dava mais um Pintando o Sete (Meus Insaciáveis de Estima) e lembrei deles: Maysa, Clara Nunes, Elis Regina, Cássia Eller, Cazuza, Genet, e bem, tem uma porção de gente pra ocupar esta última vaga, ainda não consegui decidir, aceito sugestões. Alguém que viveu intensamente e sempre insatisfeito e desejoso.

Os Mineiros
E eu passei a noite acordada vendo, um a um, lentamente, surgirem para festa no meu coração. Ainda não acabou. Ainda estou aqui, alerta.

E a Eleição?
Já disse que fiquei feliz com a postura da Dilma no debate? Já. E disse que fiquei toda paba com o apoio explícito do Chico Buarque? Já. E já falei que os jovens da Universidade em que leciono passaram a se interessar por História, política e eleições e já manifestam voto pra Dilma? Já. Então, seguem links interessantes:

E se o Serra ganhasse? Outra vez no blog Na Prática a Teoria é Outra um texto bem escrito, ponderado, sem terrorismo mas com muita reflexão. Previsões claras e bem desenvolvidas.

Porque não votar em Serra. Um post bem desenvolvido por Daniel Nascimento sobre o desapontamento com a postura de Serra.

Porque Votei em Marina e Agora Votarei em Dilma. Um posicionamento coerente e que foge do maniqueísmo.

Para Você que Não Votou em Dilma. Uma declaração de voto consistente e bem articulada demonstrando os pontos fortes da campanha de Dilma e do governo do PT.

Serra foi o melhor Deputado da Constituinte? Uma avaliação ponto a ponto do desempenho de Serra e suas posturas contra os trabalhadores.

O depoimento do companheiro de Dilma. Eu sempre digo, quem é capaz de provocar amor e devoção assim, só pode ter mais que meu voto, tem minha consideração e respeito.


Eu só queria ver mais o número 13 nas propagandas políticas, viu. Tá faltando, tá faltando, o discurso é bom, as imagens também, mas que está faltando a marca, o número, ah, isso está.

E posso dizer do nojo toda vez que escuto "Serra é do bem"?!?!?


Essa eu encontrei aqui, no blog Com Texto Livre, ri demais...


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pode Vir Quente...

Update: Primeiro mineiro resgatado. Emoção em mim: alegria, alegria, alegria. Que linda a humanidade e sua capacidade inventiva que permitiu este resgate (eu sei, que trágica a humanidade e tantas outras invenções, mas hoje não, hoje só quero o bom).

Uma das maiores surpresas com a qual me deparei foi sobre a minha primeira infância. Sempre suspeitei que tinha sido uma criança dócil e meio paradona. Daquelas que a gente esquece que está na sala, sabe? Afinal o que lembro de mim é uma menina entre óculos e livros. Pois meus pais acabaram num jato com essa ilusão. Disseram-me que era uma menina bem inquieta, brincalhona e ativa. Enfim, uma daquelas que a gente nunca deixa de saber quando entra na sala. Pois tá. Vivendo e aprendendo, inclusive sobre nós mesmos, não é?


Você me chega em palavras. Poucas. Insatisfeita, claro. Queria que chegasse em saliva e suor. Você me chega educado quando eu queria que arrebentasse as portas e escancarasse as janelas do querer. Você me chega em futuros quando o hoje me queima em anseios. Eu sei, eu sei, minha intensidade me consome. Sei, também, que ainda não te organizei em mim: é o moço bonito que brinca com meus sentidos? É a promessa de um quarto de hotel, pele e sentir? É a mão enorme que eu queria recebendo a minha e as brincadeiras incompreensíveis em língua que, tão mesma, torna-se outra? Desconheço-me nesses quereres e me deixo passar. Sinto faltas. Mas não lhe procuro porque - suspeito - só encontraria meu próprio desejo. E não tenho vontade de perguntas, por agora. Queria frases com ponto de exclamação, vírgulas ou pontos finais. Queria sussurros e não mensagens. Queria, mesmo, não ficar tão bem entre livros e filmes. Queria não ter varanda e rede. Queria não ter comprado um abridor de vinho tão fácil de manusear. Queria não ter Maria Bethania pra escutar por tempos e tempos. Queria que poucas palavras bastassem pra me manter no jogo. Mas me sinto partindo, sabe. E não quero, mas me vejo escorrendo. Fluida. E dói tão pouco. Eu quero ferros quentes e hemorragias. Quero agora, quero muito.

Por outro lado, tem sempre isso aqui, né. Perguntas relevantes e uma - como direi - certa tensão no ar. Eu não espero príncipes nem sapos. Mas tem certos pares que me comovem.

E hoje, além de Dia das Crianças, de N. S. Aparecida, de Dia Nacional da Leitura, além de ser o dia da morte de Ulysses Guimarães e Ray Connif, aniversário de Fernando Sabino e sei lá mais quantas coisas legais...hoje é o dia do mar. Estou sentindo as marés, ah, bem que eu estou. Salgada, é assim que me sinto.

E tem o Concurso da Lola: As Origens do Meu Feminismo, não esqueçam de votar. Leiam o texto da Luci, do Caso me Esqueçam. Leiam o da Amanda. Leiam o meu: Mulher da Vida (claro, né). E leiam e votem no da Rita da Estrada Anil: Menina Pode sim. Ah, não está no Concurso, mas - sobre o mesmo tema - um texto encantador da Teresa Font que também nos narra as origens do feminismo além mar. Você pode ler bem aqui.

...Que Eu Estou Fervendo!

E, claro, o debate na Bandeirantes. Gostei muito. Dilma colocou tudo no seu devido lugar. Campanha cínica do José Serra desmascarada e contida, vamos partir pro que interessa. Discutir o projeto de país que queremos. Eu ri muito do protesto dos machistas de plantão: ela foi muito agressiva. Pois sim, mulher tem que ser dócil e submissa, não é? Gostei, pronto.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Oásis e Risos

E tem aqueles momentos de alegria pura, em que o coração esquece um minutinho de bater e todo o pensamento sorri. Sabe aquele momento que dá vontade de sair rodopiando de olhos fechados e braços estendidos? Foi agora, agorinha. Eu ouvi: resgate dos 33 mineiros no Chile. A previsão era pra dezembro, dezembro! E vai ser por agora. De três a oito dias. Alegria, claro. Foram dias assombrados, os dias de espera. Todos e cada um deles. Escrevi aqui a minha angústia. Não podia deixar de registrar a minha alegria. Canta, canta minha gente, deixa a tristeza pra lá, canta forte, canta alto que a vida vai melhorar...


E por falar em coragem...

Eu não vou dizer quem é Aldir Blanc. Vou só dizer que fico orgulhosa demais...


Em Tempos Difíceis...

Queria deixar o texto consistente, terno e divertido da Teresa no ar por uma semana. Em outros tempos, seria o que eu faria. Mas a turbulência é clara e o posicionamento é urgente. Então, quem chegar aqui saiba que no post anterior tem uma linda narrativa sobre As Origens do Feminismo da Teresa Font. Chama-se Vá Fazer a Cama. Ah! Não esqueçam que há outra eleição acontecendo agora, já: o Concurso de Blogueiras da Lola. Vão lá, leiam o texto da Luci, leiam o meu texto e votem no texto da Rita, votem, votem, votem.

Eu estou feliz, eu estou muito triste. Essas eleições presidenciais estão fazendo gangorra com meu coraçãozinho. Por um lado fiquei contente com o resultado do debate que promovi em minhas salas de aula. Deu pra ouvir, entender o discurso jovem. Eu realmente fui irresponsável ao esquecer que quem tem 20, 21 anos nem lembra direito o que era o Brasil, a educação no Brasil, o trabalho no Brasil, o microcrédito na Brasil, a MISÉRIA no Brasil 8 anos atrás. Foi gostoso resgatar a História desde a eleição de Jânio Quadros, discutir a composição de forças dos partidos, as propostas na área econômica, o impacto disso no consumo, os projetos sociais. Foi bom. Mas fico com lágrimas nos olhos e dor no estômago ao continuar recebendo emails ridículos que visam apenas denegrir a candidatura da Dilma. São emails sem veracidade, sem referência e que apenas espalham o terror e a intolerância. Especialmente os que se referem à legalização do aborto e a legalização do casamento homossexual. Pois eu digo com todas as letras, podem ler aí: É por extremo respeito à vida e à diversidade que sou a favor da descriminalização e legalização do aborto e pela legalização da união homossexual. Pronto. Ponto. Se você não quer, não precisa, não vai fazer um aborto, não faça. Se você não quer casar-se com alguém do mesmo sexo, não case, ora. Não há ninguém aqui que vá lhe obrigar. Mas também não impute suas crenças e reservas aos demais. Mas o que me deixa mais triste é me perguntar: quando foi mesmo que a sociedade brasileira instituiu um debate sério sobre esse tema? Nestes últimos anos quando foi mesmo que os líderes religiosos e as instituições conservadoras se manifestaram? Não o fizeram. Isso, todo esse obscurantismo religioso, essa intolerância e desrespeito com os direitos individuais é apenas uma estratégia de campanha. Mas as consequências vão além do dia 31 de outubro. As conquistas de respeito, tolerância e aceitação tão relevantes parecem estar comprometidas neste retrocesso de valores.

Eu me vi no meio de um dilema, por um lado sei que todo esse barulho é uma estratégia de campanha pra desviar a atenção do que realmente importa, afinal quem legisla sequer é o Executivo, cargo a que concorre a Dilma, mas o Legislativo (que já foi devidamente votado). Então, pensei em calar-me e seguir no que interessa (que vou tratar a seguir). Por outro lado não me é possível ficar em cima do muro, não consigo deixar de pensar no extremo mal que este discurso de exclusão provoca na formação de valores dos jovens e na exacerbação dos temores narcísicos dos adultos. Então, decidi pela fala. É por amor que falo, que voto, que vivo.

Mas o que realmente interessa? Interessa que estamos escolhendo o país em que queremos viver. Um país de inclusão e tolerância representados pela candidatura da Dilma e pela experiência do governo Lula ou um país de privilègios de poucos e retrocesso na área dos direitos individuais condensados no discurso do Serra e na memória dos anos de gestão FHC. Não há dúvida possível. Afaste a cortina de fumaça de escândalos meia-boca e o discurso religioso extremado e é isso que fica: o quanto você se importa com a vida, com a alimentação, com a saúde, com o emprego, com a educação dos milhões de brasileiros que vivem em extrema pobreza. Pronto. Ponto.

A Rita (eu sei, eu sei, eu sou derretida por ela mesmo, mas é que ela dá motivo) escreveu um texto preciso sobre a questão do Bolsa-Família. Vale a pena ler. Eu mesma vou imprimir e distribuir com meus conhecidos. Entre outras coisas ela desmistifica a questão do assistencialismo que tentam imputar ao programa lembrando que na Áustria (oui, primeiro mundo) há bolsas também que acompanham as famílias e viabilizam a regulação social. Legal, né? Mas o principal é a descrição precisa da relevância do programa na vida das pessoas, o impacto na sociedade brasileira e na experiência individual. Se você não se sensibilizar com as palavras dela corra ao cardiologista, tenho a mais absoluta certeza que você não tem coração.

De extrema utilidade foi a série de links que ela colocou no texto, conduziram-me a uma reflexão ainda mais aprofundada. Considero que, nestes difíceis tempos em que a sombra do fundamentalismo, da ignorância e da apatia se apresenta, a informação é útil para colocar tudo no seu devido lugar e realizar o debbate de idéias que é a base do Estado Democrático (e Laico, só pra dar mais uma cutucadinha).

Então, ao trabalho, Borboleta...

Técnica Infalível Para Não Disseminar Boatos. Texto excelente do Blog da Cynthia Semíramis (estou fazendo o possível pra cumprir à risca).

Central de Boatos. Uma lista feita pelo site Seja Dita a Verdade.net de vários boatos mentirosos sobre a Candidatura da Dilma e sobre o PT. Extremamente útil para esclarecer e ampliar a informação.

O que um governo Serra faria com o Pré-Sal, uma reflexão pertinente do professor Adilson de Oliveira da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Efeitos Colaterais. Post citado no texto da Rita e que faz uma análise aprofundada de todos os efeitos do Bolsa-Família de forma consistente, técnica e com vários níveis de discussão. Vale demais, demais, ler e divulgar.

O Voto do Pecado e o Poder Satânico. Texto exclarecedor sobre a onda obscurantista que certas organizaões religiosas querem promover para abalar a campanha de Dilma. Só posso dizer o quanto me dói o retrocesso da Igreja católoca. Quem se lembra da Teologia da Libertação, de Dom Pedro Casadálglia, de Dom Aluísio, dom Helder Câmara, de uma CNBB na década de 90 engajada junto aos movimentos populares só pode lamentar as mudanças promovidas por este novo papa na cúpula da Igreja na América Latina.

Matéria na Carta Maior sobre o manifesto que professores e pesquisadores de Filosofia fazem à Campanha de Dilma. Não preciso nem comentar meu orgulho do posicionamento de professores, né?

Algumas Observações sobre o Bolsa-Família. De novoa Cynthia (virei fã) e de novo clareza e informação.

No blog da Maria Frô uma bela argumentação sobre a ênfase que o tema aborto tem tido neste período eleitoral.

E o blog da Lola, todo, todinho. Especialmente o texto de hoje. É certo que ela extrapola e muitas vezes é até um tantinho agressiva. Mas sua lucidez, coerência e paixão são estimulantes e contagiantes.

A Mídia Comercial Contra Lula e Dilma. Olha aí, Dona Mila, o que a gente estava falando, né? Não saberia te dizer um jornal de grande circulação que não fosse anti-Dilma, viu. É que a Presidente da Associação Nacional dos Jornais declarou que a imprensa é oposicionista ao governo Lula. Eu leio a Carta Maior, parece-me um bom veículo com textos claros, embasados e articulados.

Na seqüência de novas leituras vou atualizando a lista de links, ok?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Vá Fazer a Cama - Guest Post de Além Mar

Tanto Mar
Sabe pinto em lixo? Sou eu. Contente, contente, contente. Eu tenho uma convidada. Estou orgulhosa de tê-la por aqui. Veio de longe, elegante e precisa. Mas me antecipo. Vamos à história. A Lola lançou um Concurso de Blogueiras. Tema: As Origens do meu Feminismo. Tremi. Não era minha praia. Mas Rita vai, Rita vem, mandei um post pro Concurso (que, aliás, foi um dos posts da terceira etapa que passou para a fase final. Sim, a fase final já começou, quem não leu, leia o texto da Luci, leia o meu e vão lá e votem na Rita, vão, vão logo).


VÁ FAZER A CAMA, por Teresa Font


Não dá pra deixar passar o incrível e corajoso texto de Maria Rita Khel. Li que ela foi demitida do Estado de São Pulo depois de publicar o texto. Mas esta última informação ainda vou confirmar. O texto chama-se Dois Pesos e faz uma análise precisa sobre a eleição e a intrínseca luta de classes. Reproduzi, também, lá no Olhos da Borboleta. Leiam, leiam, leiam e divulguem:

Extra, Extra, Extra: Confirmada demissão de Maria Rita Kehl.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...