
"Desde que te conheci, nunca fui tão infeliz na minha vida.
- Nem eu,
- Eu não trocaria isso por nada.
- Nem eu".
(Do filme: A um passo da eternidade)
Pois é, daí que me ferrei. Porque eu não tenho a mínima vocação para a tristeza. Não mesmo. Sou do riso fácil, solto, cabeça virada, dentes à mostra...vocês conhecem o tipo. Mas, daí, pergunto-me: e o grande amor? Eu sei, sei, que há amores felizes e cotidianos, afinal meus pais estão juntinhos e apaixonados a mais de 37 anos, meus avós se chamavam de benzinho até a morte, a Adry e o Évio vão aí dando exemplo de companheirismo e desejo, a Rita - que é bem sabida - inspirou-se em Penélope e pegou logo um Ulisses. Eu sei disso tudo. Mas, concordemos, meu imaginário é de Scarletts, de resignado adeus em Casablanca, de boa infelicidade mútua como a citada aí na epígrafe. E a contradição fica aqui, latejando.
De um lado, a inclinação para ser par, assim fácil, sem aiaiais nem lalalás. Desse lado, todo romance é o melhor que posso ter e todo homem que quero é fofo em seus limites e possibilidades. Já fui boa nisso e tenho a mais sincera convicção de que poderia ter sido feliz para sempre com qualquer um dos meus namorados. Sério mesmo. Só que não fui, né. Apesar da convicção, um dia qualquer sempre se colocava a angústia do e se houver mais? e se for pra ser mais intenso? Daí, tem o outro lado, né. Aquele que viu filmes demais e leu livros demais. Aquele lado de Anas Kareninnas e Elizabeth Bennet. Aquele que fica desejando ficar sem ar todo momento do dia (e nem percebe que assim morreria sufocada). Aquele que deseja palavras intensas, momentos arrebatadores e trilha sonora em off toda vez que encontrar o cara. É esse o lado da ansiosa descoberta que me faz, por esses tempos, meter os pés pelas mãos. Fico quase dizendo: seja meu cara! seja meu cara! sem nem saber o que eu mesma sinto. Fico querendo sem intervalos. Fico querendo sem dúvidas. Fico querendo. Ou tudo ou nada e nem me refiro àquela cena excelente (que vale um post, não vale, sobre beleza e coragem e sensualidade e padrões de beleza e desemprego e sociedade ocidental, ai, tanta coisa).
E aí vou construindo minha série de nadas. Nada além mar, por mais que eu quisesse seu jeito, suas mãos, seu desejo. Mas não. Não é o bastante. Nada ali perto, cidade vizinha, só cama e pele e música. Nada, não é o bastante. Nada de moço bonito, passado demais, tempo demais, receios demais. Não, não é o bastante. Nada de casos antigos, nada de novos caminhos. Não é o bastante. Nunca é.Pintando o Sete
O Pintando o Sete está meio abandonado depois das fulgurantes séries: Sete Pecados Capitais (a inveja, a soberba, a gula, a luxúria, a preguiça, a ira, a avareza) e Mulheres de Mim (Clarice Lispector, Cecília Meireles, Dolores Duran, Sylvia Plath, Marguerite Duras, Simone de Beauvoir, Adélia Prado)
Mas quando comecei a pensar que nunca é o bastante, pensei que dava mais um Pintando o Sete (Meus Insaciáveis de Estima) e lembrei deles: Maysa, Clara Nunes, Elis Regina, Cássia Eller, Cazuza, Genet, e bem, tem uma porção de gente pra ocupar esta última vaga, ainda não consegui decidir, aceito sugestões. Alguém que viveu intensamente e sempre insatisfeito e desejoso.
Os Mineiros
E eu passei a noite acordada vendo, um a um, lentamente, surgirem para festa no meu coração. Ainda não acabou. Ainda estou aqui, alerta.
E a Eleição?
Já disse que fiquei feliz com a postura da Dilma no debate? Já. E disse que fiquei toda paba com o apoio explícito do Chico Buarque? Já. E já falei que os jovens da Universidade em que leciono passaram a se interessar por História, política e eleições e já manifestam voto pra Dilma? Já. Então, seguem links interessantes:
E se o Serra ganhasse? Outra vez no blog Na Prática a Teoria é Outra um texto bem escrito, ponderado, sem terrorismo mas com muita reflexão. Previsões claras e bem desenvolvidas.
Porque não votar em Serra. Um post bem desenvolvido por Daniel Nascimento sobre o desapontamento com a postura de Serra.
Porque Votei em Marina e Agora Votarei em Dilma. Um posicionamento coerente e que foge do maniqueísmo.
Para Você que Não Votou em Dilma. Uma declaração de voto consistente e bem articulada demonstrando os pontos fortes da campanha de Dilma e do governo do PT.
Serra foi o melhor Deputado da Constituinte? Uma avaliação ponto a ponto do desempenho de Serra e suas posturas contra os trabalhadores.
O depoimento do companheiro de Dilma. Eu sempre digo, quem é capaz de provocar amor e devoção assim, só pode ter mais que meu voto, tem minha consideração e respeito.
Eu só queria ver mais o número 13 nas propagandas políticas, viu. Tá faltando, tá faltando, o discurso é bom, as imagens também, mas que está faltando a marca, o número, ah, isso está.
E posso dizer do nojo toda vez que escuto "Serra é do bem"?!?!?
Essa eu encontrei aqui, no blog Com Texto Livre, ri demais...





