quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Meter o Pé na Jaca





Pé na Jaca. Acontece. Pelo menos comigo, acontece. Sabe meter os pés pelas mãos? Eu digo direita quando queria sussurrar esquerda. Ou digo: tenho um convite, quando queria dizer: posso ir ver você? Eu tenho uma pressa, uma sede, uma ânsia. E a resposta? A brincadeira infantil já respondia: "não é com você, não é com ninguém...". Viuvinha da Mata do Além, muito prazer. Eu gosto de fazer planos. Acertar minúcias. No meu circuito interno esqueço as reservas alheias, os ritmos outros, o passo um a um. Seria engraçado se não doesse um tantinho: eu só queria saber, pra seguir. Eu só quero disso, o que isso é: bom. Nada mais. Não tenho futuros. Não tenho caminhos. Não preciso de amanhãs, mas preciso acordar de mãos dadas. Hoje, apenas. Uma palavra de cada vez. Perdi? Me perdi.



"Afinal, ei-la ali, no salão. Deteve-se. Ela parou em pé junto à mesa. Ela parou completamente imóvel. De imediato o espelho começou a verter sobre ela uma luz que parecia pregá-la; que parecia um ácido que corrói o não-essencial e o superficial e deixa apenas a verdade. Era um espetáculo encantador. Tudo imanava de Isabella - nuvens, vestidos, cesto, diamante -, tudo o que fora chamado de planta rasteira e convólvulo. Eis a dura parede embaixo. Eis a própria mulher. Ela se erguia nua naquela luz impiedosa. E nada havia. Isabella estava completamente vazia. Não tinha pensamentos. Não tinha amigos. Não cuidava de ninguém. Quanto às cartas, eram todas contas. E enquanto ali estava, velha e angulosa, jaspeada e coberta de rugas, com o seu nariz arrebitado e o pescoço vincado, ela sequer se deu ao trabalho de abri-las.

As pessoas não deviam pendurar espelhos em suas salas" (Virgínia Wolf)



quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Outro


Também esse, depois desse. Faz-me uma falta menor? Dá pra pesar, medir, contar, as alegrias que alguém nos permitiu? Eu não consigo. Vou me sentindo mais só. Órfã de mim mesma.
Bonnie and Clyde. E nada mais digo.

Mosaico

Poeta, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, romancista, jornalista e crítico literário. Quem? Machado de Assis. Hoje é aniversário dele. Ou seria, nunca sei direito. Ele, o cara da Capitu e da Iaiá Garcia. Devo tanto a ele. Um tanto da minha feminilidade. Outro tanto das minhas possibilidades. Sabe o que mais gosto em Machado de Assis? Era um bobo apaixonado. Sua Carola era tudo. Poxa, ele assinava as cartas como Machadinho. É lindo ver toda a erudição e talento reformularem-se pra servir a esse amor de tantos anos. 35 anos. Uma vida. Minha vida. Eu leio e releio Machado de Assis já faz muito tempo. E nunca canso. Nunca deixo de me divertir e deleitar. Gozar cada frase. Se você não leu Machado de Assis não sabe até onde a língua portuguesa pode ir. Não sabe até onde pode ir-se na língua.
Até onde eu vou? Fiquei pensando nisso e fiz uma escavação. Arqueóloga das minhas palavras, fui buscar-me onde eu já me disse. Eu mudo. Eu permaneço. Há tanto do que sou hoje no que já disse. E há tanto no que digo do que já fui. Complicado? Mosaico. Eu. Borboleta. Menina. Velha. Mulher. Graúna. Boba. Quem? Alguém me ajuda?


É melhor morrer de vodka do que morrer de tédio, disse Maiakovski. Ainda bem. Já tentei e tentei ser blasé, mas sou mesmo é uma deslumbrada. Este é meu perfil quando me vejo assim: cara a cara comigo mesmo. Ou seja, meio de lado. Somos mosaicos, eu sei. Mas as rachaduras são sempre tão evidentes? Em mim, sim. Eu sou assim: tagarela, riso frouxo, desajeitada. Ando esbarrando. Mesmo. Leio furiosamente. Amo desvairadamente. E tento comer devagar. Sei lá, pra compensar, talvez. Adoro esporte. Assistir, claro. Jogar, jogar mesmo, é baralho. Ou sinuca. Ou, num rasgo de disposição, porrinha. Tem gente que tem a cabeça no mundo da lua. Eu não. Quando vou lá, vou toda. Sou questionadora, mas aceito qualquer resposta. Só não, não. Aí demoro mais. Descobri recentemente que meu nome devia ser Elsa. Ou louca. Ou trator. Mas vou ficar com o de sempre que já me acostumei. Adoro televisão. Não assisto tanto, mas deixo ligada quase sempre. Se der sorte, tá passando um filme. Adoro filme. Adoro, ainda mais, o escurinho do cinema. Gosto de filme velho, quase cheirando a naftalina. Mulheres chamadas Gilda, homens que sabem demais, os maiores espetáculos da terra. Dos manda-chuva gosto dos óbvios Fellini e Hitchcock. E os menos unânimes: Billy Wilder, John Houston, Coppola, Almodóvar, John Ford. Uffa! E reverência sempre a Woody Allen. Não me canso de seguir sua mente neurótica e suas realizações brilhantes. Quando um de nós dois morrer, eu vou pra Paris! Ele disse, eu ri e fiz. Simples assim. Sou mulher de cama, mesa e banho. E forno. E fogão. Mas tenho horror a tanque. E à faxina. Sushi, paella, comida indiana...adoro e, claro, não sei fazer. Um dia aprendo. Ou não, porque tenho paixão por restaurante. Também adoro quase tudo que termina em ada: feijoada, panelada, palhaçada – se for de palhaço mesmo e não de ex-namorado. Depois da última viagem, fiquei hiperbólica. Queridíssimo, belíssimo, chatíssima. Digo seguidamente bobagens e inventei a origem do nome Patagônia. Se eu ganhasse na Mega Sena (bom, primeiro teria que jogar, mas aí já é outra história) eu seguiria viagem. Pra todo canto. Cigana, de alma e alma (assim mesmo). Bebo cerveja, bebo vinho e, depois das músicas italianas, bebo sonhos. De preferência na companhia de amigos, que tenho a graça de ter uma ruma e todos de primeira qualidade. Os que visito já, já: Um é médico do meu coração e o outro mantém relações públicas e privadas com minhas emoções. Tenho amigas do tempo que eu andava só de calcinha na rua e fiz amigas quase ontem, mas que já se tornaram das melhores. Aspecto físico? Língua afiada. Desvio no olho o que me torna inspiração pra música do Chico. Gesticulo muito, isso devia me garantir cidadania italiana. Uma voz que não sai, mas a menina com uma flor do Vinícius também. Gosto de fazer passeios: pegar o ônibus e dar a volta na cidade, olhar prateleiras do supermercado, viajar de balão. Bom, esse último nunca fiz, assim, pessoalmente, mas às vezes filme vale, né? Agrada-me envelhecer, uma vez ouvi e achei lindo que as marcas do rosto eram como um mapa da vida. Puxa, quero um mapa bem detalhado porque sou meio perdida. Tenho certeza de que sou como vinho, porque o tempo tem me ajudado pra caramba. Tenho religião, não tenho é tempo. E tenho boas desculpas. Quase sempre. Minha família é um espetáculo, podem prestar atenção: sou eu aplaudindo. Diversão garantida. Não vou nem falar dos fofos que são meu pai e mãe. Tenho uma irmã que administra o mundo, um irmão gênio e a outra que tem um GPS, um computador e uma calculadora na cabeça. E todos são gente fina. E olhe que eu nem sou de ficar me gabando. Muito. Quando criança eu era o cão chupando manga de danada, mas eu não lembro então não conta. Pra todos os efeitos, sempre fui assim: calma. Até que alguém comece uma discussão qualquer. Aí não sou mais. Gasolina? Pólvora? Presente. Gosto de fazer o que eu gosto. No mais, preguiçosa. Pouca culpa, poucas manias. Chorona assumida em quase todo tipo de filme, peça, show, pode é elencar. Tem um bocado de coisas de que não entendo nada: tecnologia, beisebol, fotografia, nova ortografia. Tem um bocado de coisas que gosto: cheiro de livro novo, andar descalça, banho de chuva, dormir de rede. E o mar. Perto de muita água tudo é feliz, já anunciava Guimarães Rosa e Bethania repetia. Amém.

Acontecem-me coisas surreais. Podia parar aqui, mas não paro. Uma certa inclinação para a felicidade ou, pelo menos, para o riso. Finita, por nascimento e vocação. Leio de tudo e com desespero. Escrevo sem vírgulas, pontos ou educação. E me inflamo com facilidade. Já fui mais jovem, hoje sou mais feliz. Certa da solidão, fui me acostumando a ser boa companhia. Grata por ter amigos, porque, pensando bem, sou uma péssima amiga. Daquelas que esquece o dia do aniversário, raramente liga só pra saber se o amigo vai bem e, muitas vezes, diz exatamente o que o amigo não quer ouvir só pelo excesso de zelo com a verdade e um apego irremediável às minhas próprias idéias e opiniões. Mas tenho sorte. Às vezes faço de conta que sou completa, geralmente com uma taça de vinho na mão. Ou vendo o meu Mengo. Ou cheirando o cangote do meu filho. Hollanda, por parte de mãe e de Chico. John Wayne, por parte de pai. Borboleta e Graúna por escolha e história. Tenho uma sacola de viagem permanente no meu juízo e a alma, de tão cigana, não para em palavra nenhuma. No turismo, sou amuleto. Gostaria de escolher meus defeitos, mas não dando certo isso, continuo teimosa. Não sei usar a nova regra ortográfica. Nem a velha, talvez. Nunca fui inocente: o mundo nu e o assombro. Agatha, Duras, Clarice. Vozes: Piaf, Callas, Bethania. Vinícius, bastante. Na ponta da língua: sushi, massa, scamorza, torresmo, pele e línguas alheias. Mangueira no samba e pra suco. Fred, porque faz dançar até um cabide. Para citações: The Godfather. Desejos: Money pra caprichos e viagens. Ainda vou: Maracanã, dançar todo dia, voltar a Roma. Came, Marcelo! Ave, Ava, Anita, Vivian. Filmes, sim obrigado. P&B, melhor. Nino e Norma. Dama e Vagabundo. Tomas e Teresa. Conforto, sim. Gata de apartamento, adoro “mei de rua”. Andar de mãos dadas. Cama. Cama, mesa e banho. Mas, bom, bom mesmo é sal, se você já leu Verissimo.

35 eus: Avião. Banho de mar. Beijo. Café. Callas. Cerveja. Cinema italiano. Colo. Dançar nua. Eletricidade. Filho. Fazer aniversário. Gaitada. Hotel. Irmãos. Jantar com amigos. Lamparina. Marquesa. Mengo. Musicais. Natal. Ovo. Panteras. Piaf. Queijo. Rastros de Ódio. Scarlett. Tv a cabo. Uva. Vadiar. Ventilador. Viajar. Violino. Wayne. Zeus e sua cambada.

Considero importantíssimo saber rir de mim mesma. E olhe que a concorrência é pesada, pois já tem um monte de gente rindo também. Sou crédula. E cínica. Pode? Em algum momento decidi que ser eu mesma era muito mais gostoso que ser um eu que eu poderia querer ser. Em relação ao amor, por exemplo, sou ridícula. Capaz de desenhar corações entrelaçados em guardanapos e guardar como se fossem tesouros inestimáveis. E capaz de seguir adiante sem lamentar se simplesmente assim o decidir. Eu já não tenho pejo de listar meus encantos como não me aborrece o elenco de defeitos. As duas sequências são enormes. Gosto do repetir dos dias. Sou grata pelas pequenas coisas. E pelas grandes, claro, como respirar. E café. E coca-cola. E beijo na boca. E o Flamengo.

Sou uma mulher. Uma mulher que é mãe. Uma mulher que é apaixonada. Uma mulher que é amiga. Uma mulher que, se não é de Atenas, é quase, e com certeza é uma mulher de Hollanda (com duplo sentido). Uma mulher que descobriu que fazer 30 anos é maravilhoso (ou que descobriu que é maravilhosa com todas as idades, mas como está na casa dos 30...). Uma mulher que ri escandalosamente. Uma mulher desajeitada, mas charmosa no seu sem jeito. Uma mulher que ama desbragadamente. Uma mulher que se atira. Uma mulher que tem nervos, coração, estômago, tudo à flor da pele (o que dá uma impressão estética meio estranha, você não acha?). Uma mulher, que é gente, mas é muito, muito mais mulher. Uma mulher que é gata (conforme a canção de Enriquez/Bardotti) e que de vez em quando sonha ser Scarlett. Uma mulher de família (pois amo cuidar da casa, cozinhar, receber familiares e amigos). Uma mulher da rua (amo bar, dançar, ver o sol raiar). Uma mulher que não sabe ficar na sua (dou pitaco em tudo). Uma mulher meio fora de tempo (estrangeira na terra, como diria Clarice). Uma mulher prolixa,como você pode ver e ler...


Ser mulher é delicado. Exige concentração. Planejamento. Não é algo dado. Escrever também não é nada fácil. Demanda entrega e precisão que às vezes nos escapa. Imagine se ocupar das duas coisas. A gente sofre. Rala. Ama. Ri. E tenta. Tenta agradar e ser autêntica. Tenta ser acolhida e viagem. Ser mãe e amante. Ficar e partir. Tenta acertar pra fazer tudo ficar bem. E tenta errar pra não estar sempre com a razão e diminuir o amado. Tenta, como diz Clarice, escrever, porque é preciso, mas sem esmagar as entrelinhas.Tenta mudar sem perder o que é sua própria essência, que não existe, porque a essência só é na medida da existência. Ser mulher é submeter-se por amor. E só por amor. É saber-se pescoço e se divertir com isso (casamento grego, quem já viu, entende...). É ir de princesa a bacorinha sem pestanejar. É ser porto e lenço. É não ser nada disso e ser outra coisa que é imprescindível pra alguém - ela mesma. Ser mulher não tem forma, regra nem modelo. Só indícios. Salto, batom, sutiã. Colar e brinco. Sim, ser mulher é brincadeira. É um a mais, depois de aprender a ser falante. É uma máscara do nada, mas que lindo é poder ser um pouco de cada vez. A cada mês. Ser mulher é ser lua, às vezes cheia às vezes minguante, vazante. Ser mulher é ser noite escura, mistério e terror. É não poder dizer, nem escrever. É saber-se em falta (nos dois sentidos). É ter todos os sentidos e mais alguns. Ser mulher é delicado, embora nem toda mulher o seja. Ser mulher é ficar feliz como eu estou e, ainda assim, não esquecer a possibilidade da tristeza. É não esquecer Vinícius:uma mulher tem que ter qualquer coisa de triste. Qualquer coisa que sente saudade. Um molejo de amor machucado... Ser mulher é ser uma mulher. É ser uma. Única. Ser Rebecca. Ser Gilda. Bonequinha de Luxo.De qualquer maneira. À sua maneira.

De onde veio tudo isso? Dos vários cantos que insistem em receber letras minhas. Daqui mesmo, Do Graúna, do Miolo de Pote (tudo linkado aí ao lado).

E o mundo virtual me dá respostas inesperadas e tocantes. Um dos blogs que realmente gosto é o Cracatoa Simplesmente Sumiu. E o texto que trouxe riscas ao rosto, sal à boca e uma certa vontade de ser feliz chama-se Dezoito Mil Duzentas e Cinquenta Mulheres.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Banzo


Então, eu sou uma pessoa de muito riso, pouco siso e, menos ainda, pranto. Até quando estou triste faço piada, não tenho jeito. Só que não estou triste. Não estou deprimida. Não estou ansiosa. Estou mesmo é de banzo. Um grande, profundo e inescrutável banzo. Um ano e seis meses na nova cidade. O primeiro ano eu não senti. Era tempo de aventura e de preparação. Gente nova pra conhecer, trabalho gostoso pra me ambientar, esperando o grande amor e filho que viriam morar junto, casa nova a ser planejada, viagens freqüentes pra ver papys e mamyys, clima de festa sempre, reencontros...eu não sentia nada, a vida me levava em largas pernadas que eu nem me esforçava pra acompanhar.

Mas ano novo e a vida nunca é o que planejamos. Pelo menos a minha. Enfim: o grande amor virou fumaça, a casa nova ainda está em construção, o filhote veio na adolescência, as pessoas a conhecer já estavam todas conhecidas, os lugares todos desvendados. E eu comecei a sentir falta do cheirinho de casa. Quero minha cidade. Quero além, quero quem sou quando estou por lá. É até meio contraditório porque gosto mesmo é do meio da rua. Mas não tenho dinheiro pra viver viajando, então, o melhor lugar entre uma estação e outra é...minha casa. Aquela localizada na avenida de sempre. Lá, onde passam todos os ônibus.

Quero minha cidade onde eu sei tudo que eu quero saber: onde cobrir um botão, onde comprar papel laminado, onde consertar um sapato. Quero todos os cinemas perto. Quero minha cidade de sinucas e conversa jogada fora no pé do balcão. Quero os bares de sempre. Quero os restaurantes de nunca. Quero a praia com jeito de meu quintal. Quero me lambuzar de caranguejo. Quero ir ao Mucuripe e comprar cinco quilos de camarão. Quero ser aquela eu. Só que de cabelo curto. Quero ir ao Teatro Celina Queiroz. Ao José de Alencar. Quero farrear na Casa Alheia. Quero fazer compras no Mercado Central. Quero ser bairrista. Quero meu mar azul e verde e azul numa variação de belezas que estão nos meus olhos.

Quero me sentir na minha. Quero deitar encolhida e saber que a minha dor tem canto certo. Quero gargalhar na janela e ouvir o eco. Quero as esquinas conhecidas. Quero as ruas desconhecidas mas já tão minhas antes mesmo de chegar lá. Quero me saber em detalhes e desconhecer em partes iguais. Quero meu banheiro de vidro, tão planejado e tão mangado. Quero minha sala quente de pegar sol o dia todo. Quero o pó preto do asfalto cobrindo os móveis e me chateando. Quero me chatear. Não quero ser estranha na minha cidade, não quero pegar uma rua e descobrir que está em obras já faz tempo. E eu não sabia. Eu quero saber. Quero minhas livrarias, aquelas em que eu já sei onde deixei cada livro que quero comprar. Quero os sebos, poeira enchendo meus olhos de espanto e descobertas. Quero sentir que sou estrangeira em meu lugar, mas de uma forma íntima e cúmplice. Quero me sentir na palma da mão.

Eu sei que eu sou a própria mão. Eu sei que eu sou minha própria casa. Eu sei que o cheiro conhecido é o meu. Eu sei que só eu sou meu fim da estrada. Eu sei que sou meus pontos de referência, minhas placas, minhas esquinas íntimas. Eu sei. Mas e daí? Não se faz uma canja com um saber. Não se gela uma cerveja com um saber. Não se sente um abraço com um saber. Um saber não é uma língua outra na minha boca. Um saber não é o barulho de carros lá em baixo e nem o riso de gente conhecida cá na sala. Um saber não é.

No último post terminei a saga 5 (que viraram 25) coisas que me fazem feliz. Vai ver isso é ressaca. Aliás, esta é uma coisa que sempre quis partilhar e nunca deu certo. Vou fazer de conta que isso foi uma deixa apropriada: eu nunca tive ressaca. Pois é, até já me embebedei (no meu chá de panela) a ponto de esquecer de tudo que disse (intimidades de fazer corar uma stripper) e tudo que fiz (o mesmo que a mocinha que corou na frase anterior faz). Mas caí desmaiada e acordei quatro horas depois como nova. Lépida e fagueira. Outra vez, em JP, uma tal cachaça de canela quase tirou meus pés do chão (ou foi o rapaz fofo e de língua gentil?). Mas ressaca, nada, nadica. Acho isso bem perigoso.

De qualquer forma, de alguma forma, sempre há alentos. Como um cumprimento gentil (tema de um post em gestação: as mais fofas cantadas e os elogios mais comoventes já recebidos por esta Borboleta gabola). Ou os homens. Sabe, eles surpreendem. No desejo inesperado do camarada fofo, nas lembranças doces de uma voz estrangeira, nas quase indecências de um anseio além-mar, na possibilidade suave do moço bonito. Eu nunca disse porque ele é bonito, disse? Ele é tão sério. Tão diferente do meu muito riso. E ele é repentinamente doce. Mas também seco. Ele parte. Ele sabe ficar. Ele ainda não é. Nem, talvez, venha a ser. Mas me faz bem, tão bem.

UTILIDADE PÚBLICA. Uma coisa que me impressionou e fez pensar: Elena e os Polímeros. Leiam, sofram, revoltem-se, sintam.

E, claro, perguntinha básica: já votou? Já vai começar a quarta fase. Vai lá, vai.



sábado, 25 de setembro de 2010

Quando Você Faz a Minha Carne Triste Quase Feliz

Avisando que os trabalhos foram reabertos neste blog genial: Imagem e Semelhança.



Pois toda esta beleza que te veste,
vem de meu coração que é teu espelho
o meu bem é bem melhor que tudo posto...



z
PS. Isso é de ler, mas principalmente de escutar. Zeca faz desta canção um percurso.

Bom, e as coisas que me fazem feliz? Ahá, não esqueci. Eu sou feliz por ter idéias. E por mudá-las. Então são cinco coisas que me fazem/fizeram mudar de idéia:
O Zeca Baleiro. Eu sou uma nostálgica por história, vocação e necessidade. Vivo dizendo que não há mais letristas/canções/cultura como a de “antigamente”. Mas me derreto toda por esse cara. Sempre e muito. Valeu, Zeca.
Eu não como berinjela. E aí vem a minha amiga Bete e faz sei lá o quê que é tão delicioso que eu não só como a berinjela..eu também privilegio-a em relação às demais comidas saborosíssimas.
Eu já fiz todos os amigos que tinha que fazer. Pois é, pensei isso aí. E não foi agora não, foi quando eu tinha uns 30 anos. Claro que eu sabia que iam surgir pessoas especiais que participariam da minha vida (também não sou burra, né). Mas não pensava que sentiria essa afinidade de alma, essa vontade colocar no colo, essa segurança de poder dizer tudo e contar pra tudo. Confesso, com 30 anos eu pensava já ter concluído meu glossário da vida e tecido todas as relações essenciais. De lá pra cá, ladeira abaixo, foram aparecendo umas pessoinhas danadas que ganharam meu coração, pulmão, pedaço de fígado, um rim...o que elas quiserem. E, parece, vão continuar a aparecer. Valeu, Maranguape, por ser o primeiro a puxar meu tapete.
Só não faço isso: ensinar. Professora? Nem pensar. Valha-me, eu dizia e pensava que nunca. Nem de jeito nenhum. E, hoje, como pensar em outra coisa? No meu primeiro álbum, aquele em que os pais colam os primeiros registros e escrevem as primeiras profecias, meu pai colocou: pedagoga. E eu passei um tempo negando tanto e tudo. Mas, um dia, entre tantos outros ofícios, reconheci que e a minha praia.
Está sob judice. Mas caminha bem. Depende só do que depende mesmo. Quem sabe se. Pois é. Tenho dito.

Grande Merda. Desculpem o termo, mas é que tem hora que a paciência acaba. A minha acabou. Como assim tirar o Juan com 30 minutos do primeiro tempo? Como assim tirar um volante e colocar outro? Como assim barrar o Ronaldo Angelim? Como assim escalar mal e ainda colocar taticamente o time na retranca? Eu acredito no trabalho do Zico e sei que o Flamengo precisa de ações de longo prazo. Não estou cobrando resultados, mas postura. Quero meu time na ataque e que. se for perder - que isso é do jogo - que seja com coragem.

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