E, bem na semana que eu estou no Concurso de Blogueiras que tem como tema "As Origens do meu Feminismo" eu vou enfiar o pé na jaca (assim, antes de continuar a ler o post vai lá, na Lola, vai, lê tudinho e vota em quem você quiser). Pois tá. O tema da semana é: o que faz você feliz e eu vou responder assim: homens me fazem feliz. Daí uma porção de novos visitantes assustados já mudam de blog e os amigos de sempre já cobrem a boca (não sei se horrorizados ou pra esconder a gargalhada). Fazer o quê, povo meu, senão tentar explicar? Lá vamos nós.
Homens me fazem feliz. Tenho um filho: ele é carinhoso, meigo, cuidadoso, inteligente, leitor voraz e companheiro pra tudo. Faz feliz. Eu tenho um irmão: já falei dele por aqui. Ele cuida, ri, abraça, dá idéia, faz birra. Faz feliz. Tenho cunhados e, puxa, eles fazem a minha família melhor, eles estão sempre disponíveis e são generosos. Feliz, de novo. Tenho amigos que seguram a minha mão, a minha barra, o meu copo. Fe-liz. Meu ex-marido é um amigo. Dos bons. F-e-l-i-z. Os homens que eu quis, os homens que me quiseram, ai, ai, ai, não reclamo nem protesto, foi sempre bom e do jeitinho que era pra ser. Fui amada, desejada, traída, querida, sacudida, procurada, envolvida, festejada. Deixei a fatia mais doce da vida na mesa dos homens de vida vazia (...) mas vida, ali, eu sei que fui feliz. O moço bonito, mesmo esse, me faz feliz no seu sem chegar que me atormenta. E tenho meu pai e nele tanto riso e felicidade.
Mas nem é por isso e por esses tantos que digo que homem me faz feliz. É o próprio universo cultural e comportamental masculino que me agrada tantas vezes. É aí que me desgraço de vez com as amigas leitoras: ou por não ser suficientemente feminina pra desprezar tais prazeres ou pra não ser suficientemente feminista e chamá-los de masculinos. Ou seja, tô perdida.
As cinco coisas deste universo - quase sempre masculino - que me fazem feliz: filmes de faroeste/western/western spaghetti, futebol, cerveja no boteco, a clara preferência de sexo ante os demais assuntos, a despreocupação com moda. Estereótipos, claro. Eu conheço um montão de homens que não curte nada disso aí de cima. Mas vamos a eles antes que eu me arrependa da idéia e prefira manter as amigas e os leitores.
Os filmes de faroeste possuem uma série de características que me enlevam: honra e rude bondade. Um certo desconforto e o fato de nunca, nunca ser o bastante. O vasto horizonte e o risco sempre perto, sempre próximo. A aridez da vida e a felicidade temporária e transitória. Heróis vulneráveis e duros. A solidão. A violência sempre presente e sempre perturbadora. As desilusões, os grandes gestos, os inesquecíveis duelos. Era uma vez no Oeste, é sempre a mesma vez nos meus desejos. Gosto. Um inventário abrangente do meu querer bem aos filmes de faroeste encontra-se aqui.
Futebol, o que inclui a barulhenta e emocionante ida ao estádio com direito a churrasquinho no caminho, cachorro-quente frio durante e buzinaço depois. Gosto de ver futebol, de falar de futebol, de discutir futebol. Ressinto-me de não ter aqueles desocupados neurônios que só servem pra decorar a escalação do campeão estadual de 39 e saber quem foi o Cafuringa. Mas compenso no entusiasmo. Gosto dos jogos, dos dribles, das tabelinhas, dos craques, dos raçudos, dos uuuhhhss e aaaiiisss de cada lance "mais agudo". Leio blogs sobre futebol. Assisto mesas redondas. Debato com o comentarista em voz alta, talvez esperando que eu na minha casa em frente à tv e ele no estúdio possamos nos entender. Enfim, boleira.
Boteco em todas as suas variantes: aquele pé sujo bom pra comer panelada no domingo de manhã, aquele azulejado que tem a melhor cerveja de fim de expediente, aquele pós-futebol, aquele pré-praia, aquele com sinuca, aquele do mais famoso arrumadinho da região, aquele do meio da estrada quando a sede apertou. Não me importo com banco em falso, mesa preguenta, copo de lavagem suspeita, banheiro misto. Gosto mesmo é do sentir-me à vontade, a risada muito alta e, claro, do bom papo, geralmente sobre futebol. Gosto de não ter hora nem rumo.
Sexo, claro. Já faz tempo eu descobri, um bom relacionamento é sexo e paciência. Nessa ordem. Claro que andar de táxi de mãos dadas eu também classifico como preliminar. Gosto de poder ser tranquila e clara em relação a isso: eu tenho um corpo e ele deseja.
Quanto ao último item aí, a tal relação com a moda, antes das merecidas contestações que incluem argumentos sobre homens no salão de beleza, metrossexuais e assuntos afins, quero dizer que desde que me mudei eu NÃO tenho espelho. É isso aí, nem no quarto, nem no banheiro, nem em canto nenhum, a não ser o retrovisor do carro. Eu me visto, passo o pente e pronto. Pronta. Eu tenho limites emocionais que me impedem de comprar blusas de mais de 40 reais e vestidos de mais de 70. Mesmo. Eu só tenho uma bolsa. Sério. Tenho duas sandálias: uma preta, uma bege. Nada mais.
Bom, como boa histérica, só posso dizer uma coisa: a culpa deve ser do meu pai. Ele já andou em vários posts por aqui. Já recebeu essa homenagem. Já foi mencionado aqui e aqui. Já contei causo do casamento dele e mamys aqui. Meu pai é uma pessoa incrível. Mesmo. O sorriso dele é a coisa mais reconfortante e inspiradora que já vi. Ele é simples. Bondoso. Meu pai é presente, disposto, inteligente. Turrão, claro, com quem vocês acham que aprendi a ser teimosa? Meu pai é um apaixonado, 36 anos de casado e ele ainda se desmancha quando minha mãe fala com ele. Meu pai é amigável, simpático. Meu pai leva à sério tantas coisas, mas sabe se divertir e fazer o mundo ser divertido. Meu pai é em paz. Ele sabe chorar. Ele sabe acolher. Ele conta a mesma história várias vezes. Ele cutuca a unha do dedão do pé e leva minha mãe à loucura. Meu pai é assim, um amor. Ele é um homem. É, os homens me fazem feliz. Hoje ouvi um zilhão de vezes essa música e, além de voltar a me apaixonar pelo Diogo Nogueira (eu tinha esquecido como ele é justinho perfeito certinho pra mim), essa canção me fez chorar e pensar e rir e querer ser um tantinho igual a ele, meu espelho, meu pai: