gente que eu amo me diz todo tempo, o tempo inteiro, que você não me ama e que, ao seu lado, só tem dor. Que você vai me machucar. Que eu vou chorar. E muito. Que devo temer. Até o menino bonito, quase sem ciúme ou intenção, já me alertou. Dizem: dor. Prevêem: sangue. Que o tempo é um lento afiador de facas. E eu só posso aceitar, porque eles me amam e me querem tanto bem. Eles estão certos, claro. Ou quase. Porque há tantas coisinhas que eles não podem saber. Como a minha inabalável certeza que todo amar é uma hemorragia e que não se pode viver sem sangrar, ainda mais mulher, bicho que sangra todo mês pra sempre ser. E mais, eles não podem saber que eu não tenho medo do sofrer que me trazes, mas que me rasgo em horrores da dor que eu te preparo. Porque preparo, como mãe carinhosa, o momento exato de perfurar sonhos e confiança. Antevejo tuas lágrimas e elas já são minhas desde agora. Tenho pavor do teu sofrer, mas o acalanto e velo. Preparo. A lâmina está do meu lado, é o que sei e ninguém mais pode saber. Não espero perdão, ele não virá. Mas eu sigo e isso é minha força e minha fraqueza. Eu só sei ser eu. Só sei amar assim. Cavalo que salta rodando e mulher que ama gritando, não é defeito não, é qualidade. E quem segue tonta e gritando de tanto amar? Eu li todas as placas. Todas. E segui, porque eu não pude, eu simplesmente não pude, evitar. Pessoa, eu te amo. Mas sou egoísta demais pra achar que esse amor não deveria ser assim, exatamente como ele é. Uma extrema liberdade me faz seguir. Só, provavelmente. Mas quem não vive inapelavelmente só? Você consegue ler as indicações? Por favor, siga.
2. O4o Concurso de Blogueiraspromovido pela Lola já iniciou suaterceira etapae sim, eu sei, é estranho, masmeu postestá participando. É oMulher da Vida.Então que tal vocês darem umachegadinha lá,lerem todinhos e votarem no que vocês quiserem, livremente, sem nenhuma pressão? (não precisam ficar perturbados com as minhas noites sem sono e lágrimas amargas se eu não tiver nenhum votinho, sejam free).
3. Ainda estou aprendendo a ter blogs. A escrever neles. E a partilhá-los. Ainda não sei lidar direito com elogios inesperados que trazem rubor ao rosto e alegria, muita alegria. Gosto de receber os amigos no blog, como se fosse um papo no café ou uma farra num bar. Gosto do clima boteco. E gosto também e muito e enfaticamente de quem chega sem aviso e sem anúncio. Bem vindo, Peterson, suas palavras me enternecem. Bem vinda, so sad, sua presença me lisonjeia. Bem vindos os caladinhos que passeiam por aqui deixando bolinhas vermelhas no meu mapinha. Bem vindos os que já são de casa e eu nunca tive tempo ou jeito de dizer como vocês me são especiais e fazem deste lugar um lugar melhor e mais vermelhinho de contente.
4. Um camarada fofo mas muito mal acostumado me deu várias alegrias de um tempo pra cá. A vida surpreende mesmo. Era pra ele ser tipo um vestido. Não rolou. Era pra ser um cama, mesa e banho, tipo amante profissional. Também não rolou. A vida foi levando, levando, levando e hoje ele é um querido com quem converso tudo - das mais saudáveis abobrinhas às densas questões metafísicas. E, entre uma coisa e outra, música. Pois bem, o que tem aqui talvez nem seja novidade pra você, mas sempre vale a pena. Está entre as minhas coisas favoritas, claro que está. E o nariz dela também é lindo, que nem o meu.(Rita, acho que tu vais gostar, ela é fofinha e me lembra a tua suavidade; HG, você vai gostar, a criatividade deles é incrível e surpreendente e terna; Dani, escuta, escuta, tu vai pirar).
5. O Meme da Dani é jóia. Uma coisa facinha, facinha se não fosse tão miúda, mas bora lá. Cinco coisinhas que me fazem feliz (já adaptando, Dani, vou fazer por dia, tá?, cada dia dessa semana escrevo cinco coisinhas, eu sei, eu sei, é roubar, mas eu nunca disse que jogava limpo, né).
As 5 coisinhas de hoje, terça-feira:
a) encontrar com Ls na terça-insana;
b) beijo na ponta do nariz;
c) coca-cola gelada;
d) café quentinho;
e) cheiro do cangote do filhote.
Como se dizia no fim do desenho do Perna-Longa...amanhã tem mais, pessoal.
Roubaste-me o fôlego. O chão. Tiraste-me todas as palavras. Tiraste-me todos os caminhos. É só por hoje, bem sei. Devagar, reúno letras como se fossem memórias e reinvento os dias. Perder-se em um corpo, eis o mapa do impossível. Mas, enquanto não sei dizer, desdigo, querendo o que já foi. De trás pra frente, pode ser?
Apego-me às palavras alheias. Verdadeiras? Tão distantes de mim que é como se fossem minha pele. Dispo-me pra você. Outro dia. Uma vez. Outra vez, quem sabe. Posso dizer, como quem soletra o desconhecido: f-e-l-i-z. Ou podia ser só uma mulher feito pergunta.
Mas viver às vezes dói só porque é tão intenso. Então:
Tem o Calvin...
E tem a Florbela Espanca...
Se tu viesses ver-me…
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços…
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos… a tua mão na minha…
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…
E a Vânia Abreu...
Seja minha guia Nossa travessia Nunca chega ao fim Guarde seu veneno Baixe suas armas Dê o seu sorriso só pra mim
Vem fazer a festa No pátio lá de casa Diga que eu não presto Mas diga mesmo assim Me jogue na parede Me leve na garupa Que eu não tenho culpa de ser assim
Diga que me ama Seja minha guia Nossa travessia Nunca chega ao fim Guarde seu veneno Baixe suas armas Dê o seu sorriso só pra mim
Abra suas asas Deixe que eu te atenda A sua vontade É uma ordem para mim Vou fazer a cama Vou te dar amores Sem pisar nas flores do seu jardim
E a Alice Ruiz...
teu corpo seja brasa
e o meu a casa
que se consome no fogo
um incêndio basta
pra consumar esse jogo
uma fogueira chega
pra eu brincar de novo
E tem, sempre e mais que sempre, Adélia Prado:
O Amor no Éter
Há dentro de mim uma paisagem entre meio-dia e duas horas da tarde. Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água, entram e não neste lugar de memória, uma lagoa rasa com caniço na margem. Habito nele, quando os desejos do corpo, a metafísica, exclamam: como és bonito! Quero escrever-te até encontrar onde segregas tanto sentimento. Pensas em mim, teu meio-riso secreto atravessa mar e montanha, me sobressalta em arrepios, o amor sobre o natural. O corpo é leve como a alma, os minerais voam como borboletas. Tudo deste lugar entre meio-dia e duas horas da tarde.
* Se você não conhece, Nature Boy, escute aqui com Ney ou aqui com Nat King Cole
Hoje tem Fla X Flu. Ou, para os desligados dos grandes dramas e alegrias da humanidade, hoje tem jogo de futebol entre Flamengo e Fluminense. E, tendo o Mengo na parada, é garantia de sustos, alegrias, dores, impropérios, uhhhsss e ahhhhhssss e, talvez, com alguma sorte, grito(s) de gol.
Sei bem que o Fluminense é líder e que o mais querido ainda não entrou nos eixos, mas uma das mais batidas e óbvias frases é que clássico é clássico.
De qualquer jeito, meu nariz é lindo (não só isso, o mais lindo que alguém já viu). Qual a relação? Nenhuma, mas felicidade é assim, chega sem anúncio e, quando a gente percebe, acabou de passar. Então, o negócio é ficar atenta e aproveitar cada drible, cada tabelinha, cada lançamento preciso, cada, cada, cada.
Tem mesmo coisas miudinhas que fazem meu dia ficar incrível: quando o primero gole da primeira cerveja está estupidamente gelado, quando aquilo que se suspeitou estava incrivelmente certo e ele realmente lhe deixa meio sem fôlego, quando meu filho passa no meu quarto - manhã cedo - pra dar beijinho de bom dia, quando todos os sinais ficam magicamente verdes pra mim , quando meu sobrinho corre pra me dar um abraço, quando a lua está cheia, quando reencontro uma amiga com direito a grandes abraços, quando escuto a voz da Bethania nas ondas do rádio, quando o macarrão tá morninho e soltinho, quando alguém escreve comentários no blog, quando alguém manda flor.
Acho a Bíblia um baita livro. Não só eu, o Verissimo também. Poxa, tem tudo: aventura (ser engolido por uma baleia não é moleza), traição (que o diga Judite a cortadora de cabeças), sexo (Cântico dos Cânticos, no mínimo), amizade (doze apóstolos e tal), superação, intrigas e por aí vai. E tem a frase mote deste post. Adaptada, claro:
Três coisas me são difíceis de entender e uma ignoro totalmente: o percurso da águia no ar, o caminho da cobra sobre a pedra, o trajeto da nau no mar e de qual versão de The Way You Look Tonighteu gosto mais.
Tem essa versão novinha (comparada com as demais) do Bublé. Não tem como negar, o cara tem a voz bonitinha e um certo charme. Bom.
Tem com o Rod Stewart. Voz particular. Interpretação idem. Não é bonitinho. Mas é marcante. Melhor.
Tem o Tony Bennet com aquela voz potente e macia. Parece que está acariciando minha pele. Ai, ai, ai.
Aí, tem a Voz. Difícil comparar ou concorrer. Adoro quando ele canta: And that laugh that wrinkles your nose touches my foolish heart...
Tem a versão feminina com Ella Fitzgerald. Poxa, como eu admiro a voz dessa mulher. Na verdade, é algo além da voz, uma coisa intangivel, que me aprisiona.
Aliás, tem versões e versões, algumas lindas e tocantes como com Billie Holiday, tem versão do Andy Williams, da Olivia Newton-John, instrumentais com Art Tatum e Johny Grffin, tem um dueto na década de 30 do Bing Crosby com sua esposa, ah, tem muita gente cantando.
Eu eu me derreto toda, todinha, com a versão presente no filme Swing Time. Fred Astaire, surpreendente, cativante, por vezes até sexy, consegue construir a mais verdadeira - pra mim - interpretação. Mude, mas permaneça. Passe o tempo, mas que a mágica desse momento seja a mágica de todos os momentos.