quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A Verdade do Meu Coração



Fiquei um tantinho insone pensando nas incompreensões possíveis advindas do post anterior. É, eu me justifico demasiadamente. É de quem ama, em excesso, às palavras. Então, pra não haver disse me disse, a verdade do meu coração a que eu me referia é que, sem riso, sem humor, não há bem querer que sempre dure. É a gargalhada o prenúncio de minhas paixões. E o previsível? É que já estou em constante dentes à mostra.

Porque me explico? Não sei. Talvez alguém que leia, saiba. Se souber, não se avexe nem se afobe, me conte, serelepe. Quem sabe eu rio.

Que Dia é Hoje?

Pois é, já passa um tantinho da meia noite mas só agora descobri que o dia que acabei de viver, 17 de agosto, é o Dia do Amor. Sim, ok, é também o Dia do Porco, de Vulcano, da Independência da Indonésia, da Independência do Gabão, aniversário de morte do Drummond e de Gershwin, dia de São Jacinto, do nascimento de João Donato, Candeia e Elba Ramalho.

Mas é o Dia do Amor. Nem vou tentar falar sobre isso, seria um post enorme e sem lógica. Como amar. Mas escolhi, pensando de maneira previsível dessa vez, uma pequena gracinha que esconde a verdade do meu coração:



Ou, como disse o Tom Jobim: "Sabe o que é melhor que ser bandalho ou galinha? Amar. O amor é a verdadeira sacanagem".

Mais não digo, porque tinha me comprometido a postar apenas um por dia e ainda pretendo falar do Rio, hoje. Mas preciso terminar com uma canção, talvez você se encontre nela, talvez você perceba a resposta e as razões para o riso.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O Melhor do Rio

Não vou falar hoje do Flamengo, nem da Gávea, nem do Maracanã. Essas coisas, eu não as localizo no Rio, eu as tenho em mim, na carne, no sonho, no bem querer. Elas requerem vagar e precisão, coisas que hoje me escapam totalmente. Ainda estou embriagada.

Vou falar do melhor do Rio. Uma coisa de cada vez. Esse post ia ser uma enxurrada de palavras, de sensações, de imagens. Uma avalanche de impressões. Todo o Rio feito espelho de mim. Tudodeumavezaomesmotempoagora. Mas uma pessoa me disse, em intrigante sabedoria e extrema delicadeza: devagar, lu, devagar. Tenta controlar tua ânsia e postar um por dia. Como sou super obediente, vou tentar.

O melhor do Rio é o Rafa. Indiscutivelmente. Claro que me deslumbrei com paisagens e lugares e vou chatear vocês por tempos e tempos narrando cada coisinha fofa que me ocorreu. Mas o melhor do Rio é o Rafa. E, olhe, nosso encontro não foi nada nada parecido com o que eu tinha planejado. Eu pretendia um tête-à-tête vagaroso, cronológico, histórias de Era um vez um bebê até os dias de hoje. E imaginava uma noite que se escoava em chopps e palavras até a madrugada. Como canta Simonal: mas que nada...e, apesar de tão diferente, amei cada momentinho do encontro. O Rafa é um querido e quem não o conhece pode se sentir infeliz, agora, já. Porque ele tem um jeitinho de fazer a gente se sentir bem e confortável. Eu já lhe queria um bem imenso, afinal somos correspondentes, mas agora ele tem rosto e voz na minha memória. Bom demais.

Eu só posso querer um bem danado a este blog, ele tem me possibilitado vínculos inusitados e especiais que vão deixado minha vida saborosa e mais colorida. E eu, que julgava ter minha cota de amizades devidamente preenchida no fim da adolescência, surpreendo-me apaixonada por pessoas que vão chegando primeiro em palavras, abancam-se no meu coraçãozinho que, forçosamente, se reorganiza pra recebê-los e, quando vejo, sou uma pessoa melhor, mais bem-querer, mais sorrisos, mais vida.

De volta ao trampo, continuo no martírio da disciplina de Psicologia Jurídica. Se alguém tiver material, sugestões, pistas, indicações, filmes, anything que me ajude ou simplesmente alegre, serão bem vindos. Pior, apresentaram-me uma rádio, do Rio, que não me deixa trabalhar adequadamente. Acho que vou desistir disso tudo e ficar morando em Canoa, vendendo bugiganga (vou aproveitar o fds com S. lá e já ir arrumando ponto pra minha vendinha).


terça-feira, 10 de agosto de 2010

Em Estado de Graça...

Há, em certas produções humanas, a capacidade de me arrebatar. Como assim? Assim mesmo, tal como do dicionário...

sm (arrebatar+mento2) 1 Ação de arrebatar. 2 Furor repentino; impulso. 3 Excitação, transporte. Ver: arrebatadura, arroubamento.

Ou, de forma mais completa, o verbo arrebatar:

■ verbo
1 puxar, levar com força, violência ou de súbito; arrancar; 2 levar, carregar pelos ares (o vento); 3 cometer o crime de rapto contra; seqüestrar ; 4 atrair ou sentir-se atraído; enlevar(-se), encantar(-se), extasiar(-se); 5 enfurecer ou deixar-se levar pela fúria; encolerizar(-se), irar(-se); 6 provocar, suscitar, despertar (reações emocionadas);
7 exercer domínio sobre a afetividade de (alguém); 8 experimentar sensação de êxtase; enlevar-se, maravilhar-se; 9 tornar-se apaixonado; enamorar-se .

Assim é, sinto-me arrancada da morna tranqüilidade necessária ao correr dos dias. O vento varre as certezas, as âncoras, as raízes, seqüestra minha paz e a mantém refém dos meus anseios sem nome. Há êxtase e riso e uma certa loucura. Há também uma quase ira de saber que há um fim do arrebatamento, que não se pode viver um tom acima. Eu maravilho-me, enamoro-me do meu próprio sentir, gozo do incrível fato de estar com todos os sentidos em alerta.

Sinto-me tomada, excitada, em um impulso poderia valsar, rodopiar, gritar ou quedar-me muda e extasiada por horas ante o que me arrebata o espírito. O arrebatamento exige corpo, exige movimento, exige expansão. O que me arrebata? Pode ser uma fotografia, um quadro, uma música. Pode ser um prédio, um trecho de um livro, um arranjo de flores. Há qualquer coisa além da beleza, um a mais que não pode ser definido, que toca meu desejo, expõe minhas lacunas, incita todos os sentidos. Fico ofegante, esfomeada, elétrica.

Isso me veio de ouvir Pois Con Tanta Graça. Desde hoje cedo que, sempre que há uma oportunidade, fecho os olhos, deixo o corpo mover-se como quer e, simplesmente, escuto. Escuto com os ouvidos, com as mãos, com os seios, com o estômago e com os pés. Escuto com a boca, com o pescoço, com o coração. Escuto, principalmente, com os olhos que se fecham para melhor enxergar as vozes. Eu, se fosse vocês, qualquer um de vocês, escutava. Mas há aqueles que não recomendo, peço: escute. Escute, Rita, pois há uma leveza como em sua pena. Escute, HG, pois há uma tal completude. Escute, você, que se encanta com a graça.



Se você ficou encantado e quer saber mais, pode ler aqui, no cemitério de sempre, foi de lá que roubei o vídeo, ou aqui.



Depois de quase fechado o post, lembrei-me de um querer, um querer que me norteia e determina, um querer que deriva de palavras que sempre e repetidamente me arrebatam. Eu quero assim...


Você acabou de fazer oitenta e dois anos. Continua bela, graciosa e desejável. Faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. Recentemente, eu me apaixonei por você mais uma vez, e sinto em mim, de novo, um vazio devorador, que só o seu corpo estreitado contra o meu pode preencher. À noite eu vejo, às vezes, a silhueta de um homem que, numa estrada vazia e numa paisagem deserta, anda atrás de um carro fúnebre. Eu sou esse homem. É você que esse carro leva. Não quero assistir à sua cremação; nem quero receber a urna com as suas cinzas. Ouço a voz de Kathleen Ferrier cantando: “O mundo está vazio, não quero mais viver”, e desperto. Eu vigio a sua respiração, minha mão toca você. Nós desejaríamos não sobreviver um à morte do outro. Dissemo-nos sempre, por impossível que seja, que, se tivéssemos uma segunda vida, iríamos querer passá-la junto.

E, se não é possível viver tal qual as palavras de An
dré Gorz,
que me seja possível desejá-las.

Sobrou Pra Mim

Eu ainda estava decidindo sobre o tema deste post: viajar? livros ao pé da cama? a ansiedade por conhecer o Rafa? as virtudes de um fim de semana em Canoa? Fui atropelada. Pra quem não sabia - inclusive eu mesma - este semestre lecionarei Psicologia Jurídica. Oui, c'est vrai! Psicologia Jurídica. Claro que fiquei sabendo no conveniente prazo de uma semana antes do primeiro dia de aula. E, claro, que nunca, nunquinha, estudei nem lecionei nada parecido com isso, mas quem se importa? Se eu sou Bacharel em Psicologia e professora em estágio probatório, que resta fazer? Pedi uma alternativa em Metodologia (que eu poderia me sair mais do que bem). Nem pensar, choque de horário. Assim, todas as alternativas/idéias foram se esconder no cantinho e eu fiquei pensando na vida (ou seja, me perguntando como cargas d'água eu vou fazer pra dar conta e realmente contribuir com estes alunos, tadinhos).

A primeira solução aventada: fazer uma lista de filmes de "O Médico e o Monstro" até "Psicopata Americano", passando por "O Iluminado". Assim, apresentava um por noite e estava (quase) tudo resolvido. Mas não creio que satisfaça o programa (embora como metodologia de ensino fosse muito satisfatória).

A segunda solução foi vender tudo e partir pra Cordilheira dos Andes, mas meu filho recusou a viagem porque está se preparando pros jogos interclasses na escola dele.

A terceira - e mais cara - é passar mais tarde na Siciliano e fazer a aquisição de todos os livros que encontrar sobre o assunto e devorá-los. E, depois, divertir-me nos periódicos da CAPES buscando artigos que me auxiliem a desvendar esse obscuro mundo.

Eu gosto, realmente gosto, da Universidade. Gosto de fazer pesquisa, gosto de publicar, apresentar textos nos eventos. Gosto de fazer extensão, de facilitar que o fazer do aluno seja uma aprendizagem e uma ação resultante de reflexão e senso crítico e que a comunidade ensine e aprenda conosco. E gosto, sim, muito, tanto, do Ensino. Gosto de preparar aula. Gosto de interagir com os alunos. Gosto muito desse processo. Mas, pô, Psicologia Jurídica?


Mas, como nada se perde, pra ficar no tema resolvi reler Diário de Um Ladrão. Eu gosto de Genet. Claro que é estranho. Algumas vezes, doloroso. Mas quanta poesia. Ele diz assim:

A roupa dos forçados tem listras rosas e brancas. Se, comandado pelo meu coração, universo que é o meu deleite, eu a elegi, tenho pelo menos o poder de descobrir nela os numerosos sentidos que desejo: existe, pois, uma estreita relação entre as flores e os forçados. A fragilidade, a delicadeza das primeiras são da mesma natureza que a brutal insensibilidade dos outros. Se eu tiver de representar um forçado – ou um criminoso -, irei enfeitá-lo com tantas flores que ele mesmo, desaparecendo debaixo delas, há de parecer uma outra, gigantesca, nova. Na direção do que se chama o mal, eu vivi por amor uma aventura que me levou à prisão. Embora nem sempre sejam belos, os homens votados ao mal possuem as virtudes da virilidade. Por si mesmos, ou pela escolha feita para eles de um acidente, eles se afundam com lucidez e sem queixas num elemento reprovador, ignominioso, igual àquele, se for profundo, em que o amor precipita os homens. Os jogos eróticos desvendam um mundo inominável que a linguagem noturna dos amantes revela. Essa linguagem não se escreve. Cochicha-se de noite, ao ouvido, com voz rouca. De madrugada está esquecida.



E, no âmbito musical e recordando as palavras noturnas e madrugadeiras, vou ficar escutando Bad Things...

Eu quero fazer coisas más com você
Quando você entrou o ar foi embora
E toda sombra se encheu de dúvida
Eu não sei quem você pensa que é
Mas antes que a noite acabe,
Eu quero fazer coisas ruins com você.

Eu sou do tipo que fica acordado a noite inteira em seu quarto
Coração doente e olhos cheios de tristeza
Eu não sei o que você fez comigo,
Mas eu sei que isso é verdade:
Eu quero fazer coisas ruins com você.

Quando você entrou o ar foi embora
E todas aquelas sombras ali se encheram com dúvidas
Eu não sei quem você pensa que é
Mas antes que a noite acabe
Eu quero fazer coisas ruins com você.
Eu quero fazer coisas realmente más com você

Eu não sei o que você fez comigo,
Mas eu sei que isso é verdade:
Eu quero fazer coisas ruins com você.
Eu quero fazer coisas realmente más com você.


E, por fim, sem nenhuma relação com nada a não ser com minha inquietação...onde está você? Onde estão seus beijos, seu riso, suas quase promessas? Onde estão suas histórias, seus filmes, suas imagens? Onde está você, além de aqui, na minha invenção de mim e de você em mim?



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