sexta-feira, 30 de julho de 2010

Dos Homens a Desejar



Não será um conto. Não será poema. Não há ficção, aqui. Sou eu, confessando. Nua, a não ser do inevitável de mim mesma. De todas as cenas que o cinema já me apresentou, esta é das que mais fantasias me provocou, que mais me ensinou sobre sedução e desejo, a que determinou o homem a cobiçar e a mulher a ser. Aprendi a oferecer (me). E a pegar o que quero. Aprendi que há um jogo, que é também de palavras. Quando vejo essa cena eu sinto: calor na pele, pulsando meu sangue, o corpo pedindo mãos, a boca querendo língua, a mão pedindo pele. Sempre. Agora.

E o que aprendi a desejar em um homem?

Um homem tem que saber me puxar pelo cabelo, apertar o pulso e morder meu ombro. Tem que saber dizer: fica quieta! Tem que me beijar com força e me deixar sem ar, sem chão, sem força. Um homem tem que segurar minhas mãos enquanto perde a dele no meu corpo. Um homem tem que pesar e sua boca tem que saber fazer caminhos e trilhas. Tal homem sempre sabe colocar minhas preocupações de lado e sabe estar no centro e no fundo do que vale. Um homem sabe me deixar tonta descobrindo o sabor do meu desejo. E sabe roçar o nariz, suave, no minha nuca, até que meu gemido seja um pedido e a minha respiração fique em suspenso. Um homem sabe esquecer o tempo se perdendo em mim e demora-se memorizando detalhes. Um homem não me pergunta. Um homem tem força. Me empurra, me puxa, me apalpa, me aperta, me abraça...

...Mas um Homem também grita. E pede. E chora. Um Homem geme. Se ajoelha. Um Homem pulsa. Deseja. Implora. Um Homem fica. Sofre. Ele se desespera. Ele tem fome. Um Homem precisa. Lateja. E depois recebe. Aceita. Agarra. Segura.

Um Homem e ele nem precisa ser meu. Basta ser um Homem. Como este?


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Fragmentos Multicoloridos

1. Recebi a primeira cartinha dos meus novos correspondentes. Dani e suas meigas palavras sobre cotidiano, saudade, amizade e afins. Uma delícia que me deixou com lágrimas nos olhos e festa no coração.

2. Esta semana teve aniversários mil e, quem festeja a vida como eu, só pode estar no maior clima: parabéns meu irmão novinho e amado, meu personal saci - amigo de além mar, Ió e meus tempos de infância e, logo, logo, prima.

3. Não deu mais pra evitar, terminei a leitura de dois livros que mexeram com minha imaginação de um jeito poderoso: Santo António - O Homem por trás da Lenda e Guia Terapêutico de Cinema. Eles vieram de além mar e me deram tanta contenteza que li bem devagarinho, como quando, na infância, poupava o doce pra que todos acabassem antes e eu ficasse com um prazer só meu. Foi interessante e esclarecedor conhecer o Santo para além das simpatias e casamentos. E, tão bom quanto, foi ler sobre filmes conhecidos, desconhecidos, amados, execreados, numa perspectiva muito inventiva e pessoal.

4. Acertos e arranjos pra viagem ao Rio. Ficaremos em Copacabana. Já estou até sentindo a brisa. E na maior expectativa pelo jogo. Eu vou pro Maracanã, todo dia quando acordo é meu primeiro pensamento. E tem plus: fazer real bem querer virtual. Depois dizem que é difícil ser feliz. É nada: vinho, riso, amigo, família, amor, bola.

5. Mas sabe nostalgia do que não existe? Eu sinto. Não atrapalha a alegria cotidiana, claro. Mas tem tanta coisa que eu queria. Um pouquinho de ciúme, uma dose de dúvida, uma angústia discreta e uma paixão de fazer-me cega. Pronto, estava de bom tamanho. É que eu sempre emendei histórias. Em determinada adolescência, até as sobrepunha. O mais difícil de ficar só, pra mim, é não ter pra quem endereçar as ardorosas palavras que teimo em produzir. Mas que seja, eu sempre fui boa companhia pra mim mesma. E, pra desejar, sempre tem o Brando.

6. E tem ele, que eu não sei direito se está dentro ou fora de mim, não sei se quero ou desejo, não sei dizê-lo, só sei que acelera a respiração saber: ele. Ele que surpreende e faz riso no corpo, ele que frustra e faz solidão, ele que não é, ainda, a não ser sombras do que anseio.

7. Por associação de idéias, S. De amor em amor...esse.

8.E sempre tem a pergunta tão minha quanto do Vinícius que a escreveu: Quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Striptease Mental

Eu nunca soube o que era um príncipe. Nunca tive dificuldade de aceitar os sapos e demais bichos-homens que me couberam. Mas, também, nunca tive que esperar, procurar, saber. Estavam sempre lá. A pergunta era sempre quando e, nunca, como. Sempre a felicidade. Sempre desejada. Sempre bem amada. É isso: não tenho paciência. Não aprendi a ter. Porque eles estavam lá onde deviam estar. E como eu lhes queria! Como eu lhes queria bem. Depois, muito tempo como par. Sei tanto ser do outro que assusta. Mas isso também passou. Meu resultado: facilidade de dar, facilidade de partir e pouca paciência.
Não aprecio mais os jogos - a não ser os de palavras - e, muito menos, os subterfúgios e procrastinações. Diga, fale. Conte-me os desejos, eu os atendo, será tão difícil de acreditar nisso? Mas, se você cala, calam os meus desejos. Adormeço. É tão fácil partir, isso me amedronta. Nunca mais terei vontade de fazer porto?
Esperar não é o meu forte. Diga. Ou venha. Ou fique. Mas me agrade. Me faça sua menina com flores ou sua concubina. Arrebente minha timidez e me faça corar ou me aprisione em grilhões de sensual vergonha. Eu estou aqui. Mas não sei por quanto tempo. Tic-tac.


E, na minha cabeça, essa música em um strip mental...


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Palavras Para Dizer o Desejo* - Parte I

Tem coisas que ficam à espreita, esperando uma conjunção de situações que as deflagrem. Foi exatamente isso: já faz um tempinho devo a mim mesma uma lista de livros inspirada por interessantes iniciativas dele, dela e dela. Mas eu ficava postergando, postergando...Até que ontem descobri, em angústia, que não conhecia Cornélio Pena e nunca, nunca li “A Menina Morta”. Como isso é possível? Claro que existe uma infinidade de livros que nunca li, nunca ouvi falar, etc. Mas este, por sua origem, época e características era sério candidato a ser livro de estima. Doeu. Assim começou a lista (como na proposta, fui criando as categorias, assim, entre aleatória e loucamente):

Livro que já devia ter lido: A Menina Morta (Cornélio Pena)

Livro Casa dos Espelhos: A Insustentável Leveza do Ser (Milan Kundera). Porque Tomas e Teresa são outros jeitos de dizer meu nome. Porque o pequeno dicionário de palavras incompreendidas é a mais perfeita tradução da impossibilidade dos amantes se compreenderem. Porque o amor pode mesmo nascer de metáforas. Porque eles dormem de mãos dadas.

Livro pra ralar o pulso no asfalto: Morangos Mofados (Caio Fernando Abreu). Porque uma vez lido, a angústia se torna companheira de cama e mesa, sai do sótão e se abanca na sala. Porque a vida – como já dizia Geraldo Vandré – não se resume a festivais.

Livro Todo Mundo Gostou e Eu Também: Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marques). Muito provavelmente porque Aureliano promoveu 32 revoluções armadas e perdeu todas. Talvez, ainda, pelo tempo mítico. Mas, o mais provável, porque todos andam com a paixão tão à flor da pele.

Livro Só por essa vez eu queria ser homem: Moby Dick (Herman Melville). Esse foi difícil escolher, porque tem também Os três Mosqueteiros de Dumas. Mas Moby Dick me levou em perguntas que não foram respondidas: onde está o mal? qual meu limite? devo me submeter a Deus, Sorte, Destino? Para além disso, Moby Dick tem cheiro de morte, de tragédia, de obsessão. Gosto, os homens são tão focados!

Livro que li depois de ver o filme: O Amante (Marguerite Duras). Ela traduz almas minhas que eu nem sei se tenho. Para além do sensual O Amante, ela me obseda com seu A Dor e O Amante da China do Norte. O filme me cativou em suas cores sensorialmente provocativas, em seus diálogos mais insinuados que revelados, em sua implacável condução. O livro ainda mais. A descoberta do sexo, a descoberta da impossibilidade de fazer uma conjunção simples: corpo e sentimento.

Livro que amo e nunca está comigo: Água Viva (Clarice Lispector). Essa é uma verdade não só sobre ele, mas sobre as obras de Clarice em geral: eu presenteio. De uma forma particular: compro pra mim, mas sempre me parecem que devem ser possuídos por pessoas que amo. E, assim, já vou no sétimo ou oitavo exemplar só de Água Viva. Já tive e não tenho mais: Felicidade Clandestina, Uma Aprendizagem, A Bela e a Fera, A Paixão Segundo G.H., A Hora da Estrela.

Livro que está ao alcance da mão: Toda Mafalda (Quino). A melhor personagem. Os mais precisos textos. História, ironia, singularidade e ingenuidade, tudo no baú da América Latina. Não largo. É tipo a égua do Luiz Gonzaga: essa égua eu não vendo, não troco e nem dou.

Livro que é uma carícia: Para uma Menina com uma Flor (Vinícius de Moraes). Este livro é suave, terno, morno. É um abraço, um roçar no rosto com o torso da mão, é uma mão fazendo cafuné. Textos que se colocam à disposição do cotidiano. Uma linguagem limpa, linda, imprevisível.

Livro chic que tinha medo de não entender mas amei: Flores do Mal (Baudelaire). Tem tudo: sensualidade, amor, decadência, perda, angústia, morte, finitude, solidão, tédio. Um livro atroz, nas palavras do autor. Sublime.

Livro para levar pra praia: Quintana de bolso. Seleção de frases, pequenas poesias, pensamentos de Mario Quintana. Ironia, leveza e uma enorme ternura pela vida. Aliás, livro pra levar pra todo lado.

Livro que me faz tremer na base: Crônicas do Amor Louco (Charles Bukowski). Um livro sobre o submundo sem pudores, restrições, concessões. Uma crítica mordaz. Um lirismo fétido, com gosto amargo. Um universo onírico, uma leve ameaça de que sim, talvez, esperança.


Ainda falta a parte II e, talvez, ainda role um epílogo.

*Les mots pour le dire (palavras para dizer) é o nome de um filme que assisti em tempos outros, onde ainda existia como universitária de psicologia. Penso que alguém escreveu um artigo sobre ele, mas já não lembro autor nem idéias...mas o título me persegue. Tanto que é o segundo post com o mesmo título...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Dependência...

Parte I - Sou uma mulher dependente. Não emocionalmente nem financeiramente. Quando quero comprar ou realizar algo, eu mesma me endivido, não preciso de homem pra isso. E, quando estou num relacionamento, me entrego, me mostro, me dou (eu sei que deveria ter feito ênclise, mas é que fica feio e perde o ritmo). Acabou o relacionamento? Então tá, bola pro mato que o jogo é de campeonato. E anda a fila. E isso não significa nem por um momento que ele não é o homem da minha vida naquele momento...significa apenas que ouvi muito A Estrada e o Violeiro quando era mais moça.
Bom, de que dependência eu estou falando, então? Eu sou dependente geograficamente. É isso aí. Eu confundo direita e esquerda. Quando tenho namorados, eles sempre parecem saber direitinho pra onde querem ir. Ou, pelo menos, pra onde querem me levar. Okay, eu sei, você sabe, é pra cama. Mas, poxa, pelo menos eles parecem saber onde ela está. Eu não sei onde está nada, principalmente lugares que parecem mudar de canto só pra me confundir. Aprender nome de rua, ponto de referência..oh, Lord. Claro, quem me conhece pessoalmente sabe que sou um desastre andante, então se ele puder trocar pneu, consertar torneiras e cuidar do jardim é um plus válido, mas não indispensável, afinal eu tenho mastercard e visa. Mas, na minha cidade, taxista não aceita cartão e, ainda mais, eu tenho um fiat. Assim, estou na dúvida se me assumo uma mulher totalmente independente ou escolho outra dependência mais bobinha e charmosa e troco por esta.

O certo é que uma das coisas boas que eu acho de ser eu é puder rir dessas minhas bocozices. Outra coisa boa é perceber minhas segundas intenções (quanto às terceiras ou quartas já não me responsabilizo).

Mas essa coisa de dependente, independente, Pedro I e afins derivam da gravidez da minha amiga. Oui, ela está espernado um sobrinhozinho ou sobrinhazinha que eu vou esquecer o aniversário, não vou saber segurar direito e vou marcar várias visitas pra conhecer, perder-me e encontrar, encontrar mesmo só na formatura...

Pois é, linda e alegremente grávida. Só que ela mora em um país de língua estranha - que ela desconhece inteiramente. E ela está fazendo mestrado, logo não pode trabalhar. Mas ela não depende. Não depende dele e do seu conhecimento da língua. Não depende da língua dele na dela. Não depende do dinheiro dele. Não depende das palavras dele. Não depende. Ela ama. Ela aceita o que lhe é dado e aceita com graça e beleza. Sua barriga crescerá. Seus sonhos crescerão. O amor se espalha. E ela permance tanto mais ela mesma quanto mais se dá a ele. Ela mostra: não depender não significa não estar. Não significa não precisar.


Parte II - Agora temos Rádio Bethania no Borboletas. Aqui, do lado. De vez em quando vou mudar o vídeo e ali ao lado você encontra letra, compositores, disco original e porque eu gosto da canção.
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