Não será um conto. Não será poema. Não há ficção, aqui. Sou eu, confessando. Nua, a não ser do inevitável de mim mesma. De todas as cenas que o cinema já me apresentou, esta é das que mais fantasias me provocou, que mais me ensinou sobre sedução e desejo, a que determinou o homem a cobiçar e a mulher a ser. Aprendi a oferecer (me). E a pegar o que quero. Aprendi que há um jogo, que é também de palavras. Quando vejo essa cena eu sinto: calor na pele, pulsando meu sangue, o corpo pedindo mãos, a boca querendo língua, a mão pedindo pele. Sempre. Agora.
E o que aprendi a desejar em um homem?
Um homem tem que saber me puxar pelo cabelo, apertar o pulso e morder meu ombro. Tem que saber dizer: fica quieta! Tem que me beijar com força e me deixar sem ar, sem chão, sem força. Um homem tem que segurar minhas mãos enquanto perde a dele no meu corpo. Um homem tem que pesar e sua boca tem que saber fazer caminhos e trilhas. Tal homem sempre sabe colocar minhas preocupações de lado e sabe estar no centro e no fundo do que vale. Um homem sabe me deixar tonta descobrindo o sabor do meu desejo. E sabe roçar o nariz, suave, no minha nuca, até que meu gemido seja um pedido e a minha respiração fique em suspenso. Um homem sabe esquecer o tempo se perdendo em mim e demora-se memorizando detalhes. Um homem não me pergunta. Um homem tem força. Me empurra, me puxa, me apalpa, me aperta, me abraça...
...Mas um Homem também grita. E pede. E chora. Um Homem geme. Se ajoelha. Um Homem pulsa. Deseja. Implora. Um Homem fica. Sofre. Ele se desespera. Ele tem fome. Um Homem precisa. Lateja. E depois recebe. Aceita. Agarra. Segura.
Um Homem e ele nem precisa ser meu. Basta ser um Homem. Como este?
