segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sobre o Dia do Amigo

Pois é, eu sou dessas que se ligam em datas pontuais que têm apenas interesses comerciais. Dia do Amigo, eu celebro. Festejo. Porque minha vida é muito mais vida porque os amo tanto.
Sobre a amizade eu já escrevi muitas, muitas e muitas vezes. E outras tantas. Mas o que sempre repito e se repete em mim: a amizade é um amor. Com suas pequenas e belas imperfeições e demandas. Lembrei-me de Magneto (sim, eu cito X-Man e vou contar cenas do filme, ok?) e da dor em seu olhar quando Xavier se, como direi?, desmancha no ar (como, aliás, tudo que é sólido). Ah, a amizade em seu estado mais bruto: querer bem, querer a pessoa viva só pra ela estar assim mesmo: por ali; sabê-la é o bastante, com distâncias, diferenças, divergências, não importa, quer-se isso: sabê-la.
A amizade promove pequenas delicadezas e grandes brutalidades e as duas coisas são comoventes. Só pra um amigo você diz, com toda sinceridade e sem culpa: estou ocupada, não posso falar agora e ele entende, realmente entende. E só pra um amigo você diz: vem aqui, agora, sem querer saber se ele está ocupado. Não, a amizade não é justa. Ela é humana. Muito humana. Creio que uma das mais belas histórias sobre amizades é O Senhor dos Anéis. Vários pares e várias provas de amor. Eu gosto muito dos dois: livro e filme. Porque tem personagens incríveis. Personagens que ocupam minha imaginação. Mas, claro, sou passional e parcial, tenho meu preferido. De todos, todos (incluindo orcs e aranha), gosto mais do Boromir. Porque ele é tão, tão humano. Tão fraco, tão suscetível ao erro, tão vulnerável. É isso que mais amo: a vulnerabilidade. Porque é da sua imensa, enorme fraqueza, que ele se faz forte: ele é capaz de brincar, ele é capaz de comover-se com a dor dos outros, ele é capaz de cobrar-se pelos erros antigos, ele é capaz de inspirar-se pelas possibilidades. Ele é capaz de dar-se. Nenhum outro personagem me toca como ele. Ele não sabe os caminhos, ele só sabe a chegada e, nisso, perde-se.
Meus amigos são humanos. São bons, egoístas, carinhosos, falantes, fechados, generosos, confusos, sagazes, frágeis, lindos, machucados, corajosos, desconfiados, meigos, engraçados. Humanos. Amáveis. Eu os encontrei, na minha enorme vulnerabilidade, em momentos tão diferentes e de formas tão inauditas, eu os encontrei em mim e isto me faz feliz.
Sou grata pela intimidade, cumplicidade e conforto de ter olhares que me conhecem desde sempre ou vão me descobrindo agora e eu nesses olhares me vejo e me (re) conheço. Escrever aqui (e em todos os demais blogs) é, também, um jeito de estar perto dos amigos (e, surpreendentemente pra mim, um jeito de fazer amigos que vão passando do virtual pro real). E, hoje, este post é um abraço.

PS. Ontem vieram aqui mais de 80 pessoas. Oitenta, deusdocéu. Quem são vocês? Gostaram? Vão voltar? Foi por acaso ou vocês sabiam que estavam vindo pra cá? Vocês não sabem que a curiosidade matou o gato e pode ser fatal para borboletas também? Siga a indicação de Almodovar e Fale com Ela, ou melhor, comigo...

PS2. A lista de livros sai, um dia sai...

Explicando pra quem não entendeu...

Você sabe quando só de estar perto lhe falta o ar, a mão gela e a taquicardia se apresenta acentuada? Sabe quando você tem vontade de gritar? E o corpo todo parece não se conter em si mesmo? O sangue batuca um samba nas veias e o pescoço lateja? Sabe quando o riso é mais solto e o choro mais sentido? E você não pensa em outra coisa, só: e se, e se, e se...? Você sabe o que é querer tanto, tanto, que dói fisicamente e se você fosse livre você se perguntaria se vale a pena, mas você não é livre, não mais, não pode sê-lo, está perdida? Você sabe o que é acordar e pensar em mimetismos de querer bem? E ansiar pela presença? E sentir-se só e só porque não há encontros naquele dia? Você sabe o que é ficar procurando notícias, interessar-se pelas bobices cotidianas, devanear sobre qualquer palavra? Você sabe o que é ter o coração em desalinho só de ouvir o nome? E se emocionar com pequenas conquistas, pequenos avanços? Sabe o que é irritar-se, alegrar-se, desesperar-se, embelezar-se, animar-se, tudo por obra de uma presença? Sabe o que é ter o corpo em festa? A alma em festa? A vida em festa? Sabe o que é amar e amar e amar e amar até não se saber mais? É assim que eu torço Flamengo. E é por isso que sim, eu vou viajar uns 2.600Km só pra assistir um jogo no Maracanã. Recebi reprimendas: tu vai viajar tudo isso e passar só um dia e duas noites no Rio? Entendam: não estou viajando pro Rio de Janeiro, estou viajando pro Maracanã. Pra sentir tudo mais vivo e feliz em mim. Estou viajando 2600Km e isso é muito menos do que eu posso fazer por amor.

sábado, 17 de julho de 2010

Um novo blog ou Nada sobre Tudo

Calma, gente, calma, não é um novo blog MEU. É um novo blog entre os que me fazem companhia, animam-me a pensar, divertem-me, inquietam-me e todas essas coisas boas que palavras alheias costumam provocar quando bem pensadas, pesadas e escritas. Então.

No meu passeio diário por aqui (alô, alô, lindinha do meu coração) acabei me deparando com referências a este blog aqui. Pra ser bem sincera, já tinha visto o nome ali, no cantinho da página dela, mas nunca tinha me animado. Sei lá, preguiça mesmo de abrir olhos e coração. Desta vez, fui lá. Que bom que fui. Foi inspirador, deu vontade de comentar posts antigos, deu raiva, deu fraco de riso, um barato. O moço sabe escolher assunto, não tenha dúvida disso. Concentrei-me no mês de julho e colhi algumas idéias que bulinaram com meu juízo:

1. Preciso que as coisas dêem um pouquinho errado para voltar a ser quem eu sou de verdade. Frouxo de riso, claro. Na hora. Poxa, eu invento drama. Sou a rainha da realidade inventada. E é porque tenho vida irretocável de felicidade. E lá venho eu com meus ai, ai, ais e ui, ui, uis. Perfeito. Brilhante. Você é o cara. Bondade demais é para os fracos. Sessão dupla de Dogville e Psicopata Americano, por favor. Sem gelo.

2. Relacionamentos. Eu nem gosto do Chris Rock, mas devo admitir que, sábado a noite, depois de receber uma ligação que ainda não consegui decidir se deve ser objeto de ternura, raiva ou acentuar o desejo, rir desse assunto é um remédio quase tão bom quanto ver filmes (aha, olha o propaganda pra meu outro blog). Eu pratiquei meu álibi na frente do espelho, confesso (não, não vou explicar a piada, quem quiser vá lá ver). E sim, desisti por causa de CSI. Amar é uma droga. Vicia.

3. Mulheres são mais bonitas vestidas. De poucas coisas no mundo eu vou discordar tanto. E com tanta veemência. Mulheres são lindas nuas. Todas. De qualquer idade. Jovens demais pra ter seios. Velhas demais pra que eles não se curvem. A nudez feminina é plangente. Inquiridora. Tocante. A nudez feminina, aquém ou além do sexo, é sempre arte. Homens, podem deixar pra despir-se apenas e só para o sexo (fica-lhes bem este momento). O corpo feminino, não, esse se presta a um prazer estético que poucos Davis nos oferecem. O corpo feminino é um ponto de interrogação.

4. Porque acreditar no de Jerusalém e não acreditar no de Pindamonhangaba? Essa tá mais difícil de responder. Porque, na verdade, ultimamente eu só ando acreditando em coisas passíveis de se ver e tocar. Plagiando o Verissimo, eu não acredito no Antonio Banderas, por exemplo.

5. Crepúsculo é uma franquiazinha. Tenho que concordar. Com tudo. Até com as piadas meio machstas sobre cruzar, HQEH* e todas as demais expressões meio machistas do post. Vampiro purpurina ninguém merece. Concordei e me diverti. Quem ama Senhor dos Anéis e não concordar com isso que atire a primeira pedra. Mas avise, pra eu me desviar.

6. Lista de Livros. Não, não vou fazer neste post que já está enooorrrmmee e tem uma porção de gente desistindo de ler ali, perto da metade. Mas que está a caminho, está.

7. Só de lembrar como um relacionamento é complicado, as cobranças, o ciúme e desconfianças já me dá um arrepio. Não. Não mesmo. Eu não sei de que planeta sou, não sei dizer como me sinto estrangeira e estranha. Porque eu só tive felicidades. O que tinha de ser bom sempre foi e, quando não era bom, não era mais. Pra mim relacionamento é simples. Gostoso. Fácil. Não sou cheia de bancas e nem entendo quem é. Viver já é por demais em carne viva pra gente não deixar viva a carne. Ok, eu sou ótima companhia pra mim mesma. Ok, há livros, filmes, cervejas e luas. Ah, há violões. E, hoje em dia, blogs. Mas enroscar em um pescoço, vamos concordar, é a cerveja do bolo (não errei não é que não curto cerejas).
Um adendo matinal: poxa, tem que ir com jeito. Um tantinho de paciência ajuda pra caramba na hora de ir atravessando fronteiras.


Aí eu assisti Senhor dos Anéis com meu filho e me deu vontade de escrever sobre meu personagem preferido. Mas amanhã escrevo. Sem falta.

Outro selo. Fiquei feliz, feliz, feliz. Ganhei outro selo. Pra variar, apanhei primeiro pra entender o que fazer. Mas, se entendi direitinho, é assim:

a) Eu fico contente de alguém mais legal e mais generoso que eu ter me indicado pra receber um selo tão fofinho assim. Poxa, a Insana admira meu blog. Eu tô que tô. Vou abrir uma cerva e comemorar.

b) Eu escolho dez blogs de gente mais legal que eu e que eu admiro e passo o dia arrudiando. Fácil, fácil (fácil chegar a dez, difícil é parar). São eles:

- Já Matei por menos: http://mateipormenos.apostos.com/

c) Eu digo alguma coisa sobre essa galera aí em cima. Bom, Estrada Anil eu já derramei meu bem querer. Me alegra, me anima, me enternece. Caso me esqueçam é carinho novo, humor ácido, quando vou quase não saio de lá, leio e releio. Tanta Coisa, meu querido Rafa, que advinha palavras que eu nem sabia que ia pensar. Mais Outra vez...não quero nem imaginar essa menina quando mulher. Carta de Tarot, porque o perto às vezes a gente encontra longe pra depois saber que tá perto. Nunca sozinha quero ser: porque mostrar a alma é mais, muito mais doloroso que mostrar o rosto. Caminhante Diurno: o meu blog também é sobre nada. Sublime Sucubus: não, não vou explicar, vocês estão lendo o nome, poxa! Já matei por menos: nem sei como cheguei lá, mas nunca mais consegui deixar. Ouça Nina: se inveja matasse, eu morria duas vezes ao dia, de onde ela está e da leveza com que escreve.

Minha Música ou Trilha Sonora para o Amor

Sem preguiça de ler...

Tem um filme meio bobinho que eu gosto um bocado: Colcha de Retalhos. Eu estava assisitindo e achando aquilo tudo muito insosso até que - em uma inesquecível cena (eu vou contar, viu? quem não quiser não leia) - uma das doces senhoras descobre que a outra não tão doce matrona ficou com seu homem, tempos e tempos atrás, e sai quebrando todos os bibelots colecionados por anos a fio. Normal. Muita dor. Palavras duras. Coisas assim. A beleza vem agora: um painel, feito madrugada adentro, com todos os fragmentos dos objetos quebrados. Quando eu vi aquilo, engasguei. Amar é isso. Viver é isso. Fazer beleza do que rompe minha noite escura. Juntar esses pedacinhos sem sentido e dar-lhes uma beleza outra, um sentido outro, fazer-me dos fragmentos das minhas estórias.

Ok, kátia, mas o post não ia ser sobre música? E é. Ás vezes sinto meu coração como uma bricolage de dizeres alheios que fiz se tornarem meus. Que fiz se tornarem eu. Explico. Estava conversando com uma amiga, ontem, e aí ela disse: essa música parece com Fulano (e a outra com Beltrano e a seguinte com Sicrano que somos mulheres com trajetória, claro). Percebi que com grande parte das minhas amigas acontece assim: uma música, um lugar, um filme que são experenciados em determinado romance tornam-se elemento daquela história. E me deu uma inquietação de pensar que comigo não. Eu tenho minhas músicas, meus lugares, meus filmes e os romances se juntam a estes elementos e, quando partem, os mesmos filmes, lugares e músicas servirão ao novo romance. Não sei se expliquei bem, mas é mais ou menos assim: então tá combinado é quase nada, é tudo somente sexo e amizade, não tem nenhum engano nem mistério é tudo só brincadeira e verdade...esta trilha já me serviu em pelo menos quatro inícios de relacionamento. Continuo gostando e, quando penso nela, não penso nos queridos passados, mas se devo ou não enviá-la pro meu atual ponto de interrogação. Ou ainda: eu sem você não tenho porque, porque sem você não sei nem chorar, sou chama sem luz...eu já fui jardim sem luar um montão de vezes se formos considerar os cartões de aniversário, dia dos namorados, dia do amante, etc. que já enderecei. E quando me apaixono, não importa por quem, é sempre: tá tudo aceso, tá tudo assim tão claro, tá tudo brilhando em mim...E, depois do primeiro beijo, lá vem: de repente fico rindo à toa, sem saber por quê e vem a vontade de sonhar, de novo te encontrar. E pra reclamar com os amigos: ah, esse cara tem me consumido, a mim e a tudo que eu quis...E o meu homem atual é sempre: o meu amor é bonito de se ver, de se tocar e sentir...ou...o meu amor tem um jeito manso que é só seu e que me deixa louca quando me beija a boca. Pra pedir desculpas: eu sei que eu tenho um jeito meio estúpido de ser e de dizer coisas que podem magoar e te ofender...E se já não dou conta do meu desejo me pergunto: o que será que será que dá dentro da gente que não devia, que desacata a gente, à revelia, que é feito estar doente de uma folia...E ao me sentir em dúvida ou solidão, lá vem: tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu...E eu sempre aviso: olha o tempo passando você me perdendo com medo de amar...

Enfim, poderia passar horas escrevendo trechos de canções que me acompanham solenemente de amor em amor, de caso em caso, de relacionamento em relacionamento...mas já deu pra entender. A minha questão é: só eu sou assim? Quer dizer, cada relacionamento deveria ter um roteiro e uma trilha únicos e especiais e eu baldeio tudo nessa minha mesmice sonora? Se eu deixo tudo no canto: grande amor, grandes diálogos, trilha sonora, elementos de cena, figurino e só vou mudando o protagonista, eu os amo menos por isso? Eu deveria amar um de cada jeito? Mas eu não sou uma única, não será único meu jeito de amar? E, principalmente, fica muito feio mandar dizer:

Eu gosto de ser mulher, sonhar arder de amor desde que sou uma menina
De ser feliz e sofrer com quem eu faça calor esse querer me ilumina
E eu não quero amor nada de menos dispense os jogos desses mais ou menos
Prá que pequenos vícios se o amor são fogos que se acendem sem artifícios (...)
Minha vida me alucina é como um filme que faço
Então eu digo amor chegue mais perto e prove ao certo qual é o meu sabor
Ouça meu peito agora venha compor uma trilha sonora pra o amor
Eu gosto de ser mulher que mostra mais o que sente o lado quente do ser e canta mais docemente


Aguardo pitacos, conselhos, cartas (olha aí meus correspondentes), depoimentos e qualquer coisa que lhes passar pelo juízo...


sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Linguagem é um Equívoco...

"Nestas impressões sem nexo, nem desejo de nexo,
narro indiferentemente a minha autobiografia sem fatos,
a minha história sem vida.
São as minhas confissões, e,
se nelas nada digo,
é que nada tenho que dizer".

Acontece. A linguagem é um território estranho mesmo. A semântica se assemelha a um castelo de espelhos em que formas desproporcionais assombram minha noite. Eu entendi que. Mas não. E eu, que estava quieta e nada sofria, agora sangro. É rubro, eu já nem lembrava, é rubra a dor. Não me pergunte qual dor...embaraço? constrangimento? frustração? insatisfação? Não sei. Ir com muita sede ao pote, dizia minha vó. Agora fez um sentido imenso. A sede parece não ter fim e demasiado ímpeto consegue, no máximo, partir o pote em pedaços como se uma coração fosse. E era, talvez. Eu já não vou saber. Mas eu sou assim, a intensidade me acompanha. Não sei querer a não ser com voracidade. Com sangue nos olhos. Eu só sei querer assim: com suave verdade. Transparente. Sem jogos. Sem paciência, talvez. A linguagem, digo e paro, o sentir incerto. Sempre meu refúgio, a linguagem agora me traiu. Iludiu. Velou os olhos e abriu o portal dos desejos. Mas é, ainda, pra linguagem que retorno, com Clarice - aqui, nesta seara, Adélia já não pode me valer - e com Clarice digo: "não tenho medo nem de chuvas tempestivas, nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite"

E, se nada disso bastar, digo como Almodóvar lhe diria: Fale com Ela. Ou, ainda, digo como eu mesma diria: Ata-me. Nunca se sabe o que vai deixar a Carne Trêmula.

Um adendo ao fim da tarde...

Se tu viesses ver-me…

(Florbela Espanca)

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,

A essa hora dos mágicos cansaços,

Quando a noite de manso se avizinha,

E me prendesses toda nos teus braços…

Quando me lembra: esse sabor que tinha

A tua boca… o eco dos teus passos…

O teu riso de fonte… os teus abraços…

Os teus beijos… a tua mão na minha…

Se tu viesses quando, linda e louca,

Traça as linhas dulcíssimas dum beijo

E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca…

Quando os olhos se me cerram de desejo…

E os meus braços se estendem para ti…


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