
Pois é, eu sou dessas que se ligam em datas pontuais que têm apenas interesses comerciais. Dia do Amigo, eu celebro. Festejo. Porque minha vida é muito mais vida porque os amo tanto.
Sobre a amizade eu já escrevi muitas, muitas e muitas vezes. E outras tantas. Mas o que sempre repito e se repete em mim: a amizade é um amor. Com suas pequenas e belas imperfeições e demandas. Lembrei-me de Magneto (sim, eu cito X-Man e vou contar cenas do filme, ok?) e da dor em seu olhar quando Xavier se, como direi?, desmancha no ar (como, aliás, tudo que é sólido). Ah, a amizade em seu estado mais bruto: querer bem, querer a pessoa viva só pra ela estar assim mesmo: por ali; sabê-la é o bastante, com distâncias, diferenças, divergências, não importa, quer-se isso: sabê-la.
A amizade promove pequenas delicadezas e grandes brutalidades e as duas coisas são comoventes. Só pra um amigo você diz, com toda sinceridade e sem culpa: estou ocupada, não posso falar agora e ele entende, realmente entende. E só pra um amigo você diz: vem aqui, agora, sem querer saber se ele está ocupado. Não, a amizade não é justa. Ela é humana. Muito humana. Creio que uma das mais belas histórias sobre amizades é O Senhor dos Anéis. Vários pares e várias provas de amor. Eu gosto muito dos dois: livro e filme. Porque tem personagens incríveis. Personagens que ocupam minha imaginação. Mas, claro, sou passional e parcial, tenho meu preferido. De todos, todos (incluindo orcs e aranha), gosto mais do Boromir. Porque ele é tão, tão humano. Tão fraco, tão suscetível ao erro, tão vulnerável. É isso que mais amo: a vulnerabilidade. Porque é da sua imensa, enorme fraqueza, que ele se faz forte: ele é capaz de brincar, ele é capaz de comover-se com a dor dos outros, ele é capaz de cobrar-se pelos erros antigos, ele é capaz de inspirar-se pelas possibilidades. Ele é capaz de dar-se. Nenhum outro personagem me toca como ele. Ele não sabe os caminhos, ele só sabe a chegada e, nisso, perde-se.
Meus amigos são humanos. São bons, egoístas, carinhosos, falantes, fechados, generosos, confusos, sagazes, frágeis, lindos, machucados, corajosos, desconfiados, meigos, engraçados. Humanos. Amáveis. Eu os encontrei, na minha enorme vulnerabilidade, em momentos tão diferentes e de formas tão inauditas, eu os encontrei em mim e isto me faz feliz.
Sou grata pela intimidade, cumplicidade e conforto de ter olhares que me conhecem desde sempre ou vão me descobrindo agora e eu nesses olhares me vejo e me (re) conheço. Escrever aqui (e em todos os demais blogs) é, também, um jeito de estar perto dos amigos (e, surpreendentemente pra mim, um jeito de fazer amigos que vão passando do virtual pro real). E, hoje, este post é um abraço.
PS. Ontem vieram aqui mais de 80 pessoas. Oitenta, deusdocéu. Quem são vocês? Gostaram? Vão voltar? Foi por acaso ou vocês sabiam que estavam vindo pra cá? Vocês não sabem que a curiosidade matou o gato e pode ser fatal para borboletas também? Siga a indicação de Almodovar e Fale com Ela, ou melhor, comigo...
PS2. A lista de livros sai, um dia sai...

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