Pra qualquer pessoa que me conheça minimamente deve soar muito estranho juntar, na mesma frase, meu nome e tecnologia. Não que eu seja contra a tecnologia, benzadeus, claro que não. Sou fã de pen drive, transmissão de tv via satélite, coisas misteriosas como telefone e leite condensado. E energia elétrica, então?
Mas que eu e a tecnologia não tínhamos hábitos parecidos nem chance de convivência pacífica, isso eu sempre tomei como certo. Afinal, como eu e ela podíamos ficar íntimas se eu sempre gostei de cadeira na calçada, dedilhado de violão e risadeira frouxa? Já a pobre tecnologia dificilmente se expunha no meio da rua, talvez com medo de pegar uma friagem, não sei, mas que ela gostava de cantinhos fechados e de um tete-a-tete lá isso ela gostava. Seguíamos assim, vidas paralelas e em razoável armistício. Eu era arisca e, mesmo, fã daquele dito/poesia do show Rosa dos Ventos da Bethania:
Dizem que há mundos lá fora
Que nem nos sonhos eu viMas que importa todo mundo
Se o mundo todo é aqui.
Mas mudei eu, mudou ela, mudamos todos, quem sabe? O certo é que eu agora fico mais, ela sai mais e vamos nos paquerando, ou a bem da verdade, vou paquerando por ela. Meu jeito estabanado já não a ofende tanto e a reclusão que ela impunha e que eu não tolerava se diluiu em encontros virtuais com amigas e amigos tão queridos que zelam pelo meu juízo. Assim, assim, minha irmã/marida foi me iniciado em alguns mistérios órficos e eu fui me deixando seduzir. Além disso tarifas mais baratas sempre ajudam, né? Sem contar a torradeira elétrica, cafeteira, máquina fotográfica digital...De qualquer forma e de muitas formas, fomos acertando os ponteiros, eu e a Tec (posso chamar você assim, querida? não, ainda não? ok, kátia).
Mas eu devo confessar que a uso do meu jeito e não do jeito dela. O Google Reader, por exemplo. Eu sei, eu sei, a gente assina aquilo tudo que nos interessa pra não perder um tempo precioso indo de bar em bar, digo, de blog em blog, atrás do que se gosta. Pois bem, eu sei, mas não adianta não. Meu google reader fica ali, ali, entre moleque de recados e um dedo-duro meio Sindicato dos Ladrões. Eu vou lá, naquela página lindinha e organizadinha só pra vadiar de um em um nos meus blogs de estimação. É isso aí mesmo: vejo no reader que tem novidade e toda saltitante, ao invés de ler lá, quietinha e disciplinada, vou pra página original, com todas as suas cores, fontes, comentários e outros atrasos de vida totalmente deliciosos.
E assim segue a borboleta entre avanços tecnológicos e nostálgicas saudades do que nem conheceu. E com cadeiras na calçada e um café coado no pano, por gentileza.