quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ela só quer...

Segundo a Nanica, tem gente por aí meio esprangida, querendo namorar. Como eu tinha muito o que fazer, deixei tudo de lado e saí catando beijo...

Agora, estão aqui a me inspirar a fazer menos coisas ainda...

Só pra deixar claro: eu que fiz. Menos dar os beijos. E registrá-los. E compor a música. E cantar. E todas as outras coisas artísticas. Mas juntei tudo. Deve valer de alguma coisa.





De qualquer forma, eis a inspirada e - como não dizer - inspiradora letra de A Tua Boca - Zeca Baleiro:

Não é veneno a tua boca
Quando chama a luz do dia
Quando diz que a chama é pouca
Quando ama tão vadia
Se reclama ser tão pouca
A outra boca que esvazia
Quando beija ou abandona
Quando clama entre as chamas
Quando chia...

Quando pia entre as ramas
Quando adoça é como ardia
Não é veneno quando mata
Quando salva e quando adia
Quando louca
Não é veneno a tua boca
Quando é coisa de magia...

Quando cobra que se enrosca
Quando água que se afoga
Quando forca que alivia...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Eu estou gostando de alguém...

Eu sou do tempo que a gente confessava assim: estou gostando de alguém. Pois é: eu estou. Na verdade, quem me conhece sabe que é paixão antiga.
Não tenho muita certeza do que me atrai: pode ser aquela timidez que dá vontade de ir lá e desvendar tudo, tudinho. Pode ser aquele peito que nunca enfrenta o mar mas tem toda cara de ter abraço estreito. Pode ser aquela boca quase em formato de coração ou fruta, sei não, só sei que é tentadora. Pode ser o jeito de ter sempre a coisa certa pra dizer. Podem ser as companhias que ele sempre as teve boas (sou meio esnobe, admito). Pode ser porque ele entende tão bem as mulheres e como quase sempre eu sou uma...Pode ser, pode ser, pode ser.
O certo é que eu gosto dele. Muito. As pernas tremem e as lágrimas muitas vezes comparecem. Gosto do que vejo sempre e gosto do que me surpreende. Gosto do que vejo sempre e às vezes me surpreende. Mas gosto ainda mais do que vejo sempre e é sempre tão confortavelmente o mesmo. Meu gostar é assim. Explicitamente reservado. Ou controladamente louco, depende do ponto de vista. Lembro sempre da bethania dizendo com uma voz tão direta que chega a ser sensual: Eu simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter, com outros eu simpatizo pela falta dessas mesmas qualidades e com outros, ainda, eu simpatizo por simpatizar com eles. Como eu sou rei absoluto na minha simpatia basta que ela exista para que tenha razão de ser...
Voltando ao meu bem amado. Eu não sei direito quando comecei a gostar dele. Foi meio sem querer e simplesmente assustador. Porque, claro, ele é de longe. Geograficamente também. Mas, principalmente, culturalmente. Eu sou meio...não, pra ser sincera, eu sou totalmente estabanada. E ele é fino, ah, isso ele é, por mais que se incline pro contrário. Mas como não ser fino vindo de onde ele vem? Difícil, né? Meu bem amado me faz mais eu: mais menina, mais ingênua, mais mulher da vida, de toda patente, mas suburbana, mais atriz, mais parada pregada na pedra do porto, mais gata, mais mulher, mais sirena, mais morena com olhos d'água, mais mais mais.
Gosto dos homens que me fazem sentir mais. Uma das coisas que gosto, gosto muito, é que ele me faz recordar coisas que eu não vivi mas é como se. Como se houvesse jaqueira, cheiro de jasmim nas almas e como se algum dia eu tivesse sido criança.
Fico a escutar vezes sem fim a suavidade que não é minha. Eu, se fosse você, escutava também.

sábado, 17 de abril de 2010

E por falar em saudade...

Esse quadro se chama Saudade, foi pintado por José Ferraz de Almeida Júnior e está na Pinacoteca de São Paulo. A foto, claro que não é minha, vejam como está bem enquadrada e tudo mais, é do meu dr. querido. O que mais gostei? Da lágrima que quase não se vê. Da luz. Da dor. E do brinco parece que vai sair do quadro. Juro.
E a propósito de quê estamos aqui, eu e a foto? É que, apesar do tempo delicioso, sentir falta parece que se tornou hábito. Então, só pra terminar de compor, um pouco de Clarice:

"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos."

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sorte na vida

Já disse e disse e disse que tenho vocação pra felicidade. É verdade. Além disso, tenho uma sorte surpreendente. A vida, as pessoas, meus homens, todos têm me tratado muito bem, com uma ou outra exceção pra fazer valer a regra. Vamos ver: trabalho. Sempre fiz o que gostei e se às vezes estive na pindaíba, outras vezes me pagavam bem paca pra coisas que eu provavelmente faria de graça, por exemplo, viajar meu Ceará todo, com amigos, fazendo reuniões com artistas. Sério, não estou inventando. E, hoje, faço o que gosto, onde gosto, com quem gosto. Bom demais. Ah, família, então: sou louca por eles, eles cuidam de mim, têm paciência com minha leseira crônica e até os agregados - cunhadinha! - vão mantendo o bom humor e o chamego. Ok, ainda não acreditam, pois vamos às amizades: quem tem um Paulo precisa do quê mais? Talvez de outro Paulo que surgiu assim, de repente, e já foi se alojando e, daqui uns dias, pelo andar da carruagem, será amigo de infância. E não estou nem mencionado os outros estrangeiros, as gurias da minha nova terra, as que vertem água e generosidade, as amigas do tempo do colégio que ainda me frequentam, as da faculdade que amo com loucura, os amigos de dançar e os de conversar, os amigos, os amigos, os amigos...Ah, borboleta, mas e os homens? Os famosos cafas, os canalhas, os sem jeito, os sempre malháveis homens? Então, sempre fui feliz. Desde o primeiro que sonhava ser caminhoneiro e me levar pelo Brasil adentro na boléia até os que recorrentemente decidiam que queriam se ajeitar e ser feliz pra sempre quando o que eu pretendia mesmo era ser um pouco usada, todos, todos, todos, até o que foi exceção pra confirmar a regra, me agradaram (eu sei, devia ser uma ênclise, mas assim fica melhor), me mimaram (idem). Sabe a música Teresinha? Pois quase sempre eles chegam mesmo do florista. E eu gosto assim.
Mas eu não estou escrevendo isso tudo só pra me gabar (embora faça parte do plano maior). Escrevo porque, apesar de toda a felicidade, de toda a sorte, às vezes se acorda de lundu, não é? Uma insatisfação que palavra nenhuma pode dar jeito, uma tristeza de se chorar sangue, um mau gosto em todas as alegrias, uma fome, uma ânsia, uma vontade...E, ademais, ainda tem o sofrimento do outro que a gente sente como nosso, aquele que a gente cala duplamente, aquele que nos amarra as mãos e amordaça os sonhos e como lateja a vontade de ir lá e tudo resolver. Sofro assim hoje, na vontade de ser a outra só pra ela não sofrer tanto assim, com vontade de ser colo, lenço, travesseiro, prato de canja, qualquer coisa que esquente e acalante. Sofro assim hoje, mas realmente tenho sorte, pois tenho aqui pra dizer e posso dizer e, mais importante, sei dizer: dói. E você me lê e amortece a dor na palavra que seu olho leva de mim.
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