Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas
Borboletas brancas
São alegres e francas.
Borboletas azuis
Gostam muito de luz.
As amarelinhas
São tão bonitinhas!
E as pretas, então...
Oh, que escuridão!
Vez ou outra escrevo aqui sobre filmes que marcaram minha vida, que fazem meu coração bater desenfreado e o doer tanto faz o rosto molhado. Falo de filmes, de gentes que os fizeram ou os pensaram ou os produziram. Falo tanto porque os amo muito. Mas ontem, lendo no meu blog preferido (etudogentemorta.com) um post do admirável Manuel (melhor ler juntos do que ser feliz sozinho) quedei a pensar: cadê os livros? Pois é, eu não sei falar deles. A vontade que tenho é pegar o telefone, ligar pra cada um de vocês e ficar lendo em voz alta as partes que mais me impressionam (hábito desenvolvido em noites de amigável partilha com Patty). Eu não sei dizer com precisão o que gosto nos livros que leio. Sei que é charmoso e está na moda dizer que adora ler. Eu dizia isso. Ultimamente estou achando que gosto mesmo é dos livros. Aí comecei a fazer uma lista, claro. Sem pensar muito, sem número prévio, uma lista assim como eu: desajeitada. Não sei se são os meus livros preferidos. Não sei se são os melhores que já li. Sei que pensei neles com um carinho tal. Ou como já escreveu Clarice: é com uma alegria tão profunda. É uma tal aleluia. Sinto-me só quando não estou com eles e aceito como normal e factível que Teresa se apaixone por Tomas(2) apenas e tão somente porque ele portava um livro. Uma identificação. O livro é uma seta luminosa: olha aí! Olha aí! Meus livros indicam que eu sou, como estou vendo tudo que rola por aí, eles me mantém senão inteira pelo menos coerente. Meus livros indicam meu ritmo, minha verve, meu ânimo. E, voilá, meus livros indicam qual deve ser o ritmo, a verve, o ânimo. Eu gosto mesmo é de reler. Devo ter batido records de releitura de Agatha Christie, não tenho nem vergonha de dizer que já li Assassinato no Expresso do Oriente mais de trinta vezes. Assim, por baixo. Porque? Porque gosto. Acho bom. Agatha dá uma coceirinha no meu juízo. Parece que são histórias de crimes. Parece. São livros sobre gente. Gente que ama, que mente, que mata. Aliás, no quesito gente e suas fragilidades tão enternecedoras, Chordelos de Laclos foi incomparável com seu Ligações Perigosas. Qual é o grande perigo? Eu já pensei que era sofrer. Hoje eu acho que é não. Não sofrer, não amar, não deixar, não estar. Não viver. O sentimento pulsante, em estado puro e aterrorizador vaga nas páginas onde morangos foram esmagados(18). Como você sabe, a gente, as pessoas infelizmente têm, temos, essa coisa, as emoções, eu lia isso e chorava e é porque eu nem tinha sofrido ainda. Saber coisas pelas palavras, saber da corrupção da imortalidade e da transigência com a beleza como um retrato me contou vezes repetidas (33). Ás vezes os anseios são como doenças. Como doenças de se morrer delas (01). Como a angústia de sempre que faz amar, escrever, viver nas linhas de Duras. Tem aquele povo do nome difícil e que me exige, como se eu pagasse por um crime (08), acompanhar não só a trama e o estilo. Nesta turma tem a Anna Karenina e a pergunta que já fiz sobre ópera: porque quando se morre há tanta beleza? Às adúlteras, às escolhas impossíveis, ao vinho, meu brinde: minha morte é meu estilo (16). Não que eu não goste de coisas cruas, retalhos do pensamento como “era uma vez o amor, mas eu tive que matá-lo”(13). Tantas vezes a única possibilidade é morrer tentando matar seja o amor de Heathcliff (25) seja a baleia (17). Resolvi, então, postar a lista e tratá-los individualmente lá no outro blog; de um por um quem sabe eu (me) entenda...
1. A doença da morte- Marguerite Duras
2. A Insustentável Leveza do Ser - Kundera
3. A paixão segundo G.H. – Clarice (Água Viva, Felicidade Clandestina, A via crucis...)
4. Alice no país das maravlhas - Lewis Carrol
5. Anna Karenina - Tolstói
6. Budapeste - Chico
7. Carta ao Pai - Kafka
8. Crime e Castigo - Dostoievski
9. Crônicas de um amor Louco - Charles Bukowski
10. Le Fleurs du mal-Charles Baudelaire
11. Dom Quixote – Cervantes
12. E o vento levou – Margaret Mitchel
13. Era uma vez o amor, mas eu tive que matá-lo - Efrain Meina Reyes
14. Fogos - Yourcenar
15. Ligações Perigosas – Chordelos de Laclos
16. Madame Bovary - Flaubert
17. Moby Dick – Herman Melville
18. Morangos Mofados - CFA
19. Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto
20. O amante da China do Norte- Duras
21. O assassinato de Roger Ackroyd - Agatha Christie
22. O coração das trevas - Joseph Conrad
23. O erotismo - Alberoni
24. O livro do desassossego – Pessoa
25. O morro dos ventos uivantes – Emily Bronte
26. O Robe do Dragão – Sônia Rodrigues
27. O sol também se levanta – Hemingway
28. Quintana de bolso – Mário Quintana
29. Orgulho e Preconceito – Jane Austen
30. Os três Mosqueteiros – Alexandre Dumas
31. para uma menina com uma flor - Vinícius
32. Relíquias da Casa velha – Machado de Assis
33. Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde
34. Estrela da Vida Inteira – Manuel Bandeira