segunda-feira, 22 de março de 2010

Porque ontem foi o Dia Mundial da Poesia...

As Borboletas (Vinícius de Moraes)
Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas

Borboletas brancas
São alegres e francas.

Borboletas azuis
Gostam muito de luz.

As amarelinhas
São tão bonitinhas!

E as pretas, então...
Oh, que escuridão!

Para quem gosta de listas...e de mulheres bonitas

Sim, eu sou heterossexual. Mas vou confessar: tem mulher que é de parar o trânsito e fazer a gente se perguntar porque Deus estava tão inspirado naquele dia e não com a gente. E quando a beleza vem aliada com talento é quase covardia. Ainda bem que parece que houve algum tipo de protesto formal, porque não fazem mais mulheres assim. Eu sei, eu sei, a Natalie Portman, a Scarlet Johanson e blá,blá,blá..mas olha esta lista aqui e vê se da pra comparar...

domingo, 21 de março de 2010

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sobre letras no papel...

Eles plantam árvores exóticas em seus jardins.
Eu, louca, planto livros dentro de mim.
Mairy Sarmanho

Vez ou outra escrevo aqui sobre filmes que marcaram minha vida, que fazem meu coração bater desenfreado e o doer tanto faz o rosto molhado. Falo de filmes, de gentes que os fizeram ou os pensaram ou os produziram. Falo tanto porque os amo muito. Mas ontem, lendo no meu blog preferido (etudogentemorta.com) um post do admirável Manuel (melhor ler juntos do que ser feliz sozinho) quedei a pensar: cadê os livros? Pois é, eu não sei falar deles. A vontade que tenho é pegar o telefone, ligar pra cada um de vocês e ficar lendo em voz alta as partes que mais me impressionam (hábito desenvolvido em noites de amigável partilha com Patty). Eu não sei dizer com precisão o que gosto nos livros que leio. Sei que é charmoso e está na moda dizer que adora ler. Eu dizia isso. Ultimamente estou achando que gosto mesmo é dos livros. Aí comecei a fazer uma lista, claro. Sem pensar muito, sem número prévio, uma lista assim como eu: desajeitada. Não sei se são os meus livros preferidos. Não sei se são os melhores que já li. Sei que pensei neles com um carinho tal. Ou como já escreveu Clarice: é com uma alegria tão profunda. É uma tal aleluia. Sinto-me só quando não estou com eles e aceito como normal e factível que Teresa se apaixone por Tomas(2) apenas e tão somente porque ele portava um livro. Uma identificação. O livro é uma seta luminosa: olha aí! Olha aí! Meus livros indicam que eu sou, como estou vendo tudo que rola por aí, eles me mantém senão inteira pelo menos coerente. Meus livros indicam meu ritmo, minha verve, meu ânimo. E, voilá, meus livros indicam qual deve ser o ritmo, a verve, o ânimo. Eu gosto mesmo é de reler. Devo ter batido records de releitura de Agatha Christie, não tenho nem vergonha de dizer que já li Assassinato no Expresso do Oriente mais de trinta vezes. Assim, por baixo. Porque? Porque gosto. Acho bom. Agatha dá uma coceirinha no meu juízo. Parece que são histórias de crimes. Parece. São livros sobre gente. Gente que ama, que mente, que mata. Aliás, no quesito gente e suas fragilidades tão enternecedoras, Chordelos de Laclos foi incomparável com seu Ligações Perigosas. Qual é o grande perigo? Eu já pensei que era sofrer. Hoje eu acho que é não. Não sofrer, não amar, não deixar, não estar. Não viver. O sentimento pulsante, em estado puro e aterrorizador vaga nas páginas onde morangos foram esmagados(18). Como você sabe, a gente, as pessoas infelizmente têm, temos, essa coisa, as emoções, eu lia isso e chorava e é porque eu nem tinha sofrido ainda. Saber coisas pelas palavras, saber da corrupção da imortalidade e da transigência com a beleza como um retrato me contou vezes repetidas (33). Ás vezes os anseios são como doenças. Como doenças de se morrer delas (01). Como a angústia de sempre que faz amar, escrever, viver nas linhas de Duras. Tem aquele povo do nome difícil e que me exige, como se eu pagasse por um crime (08), acompanhar não só a trama e o estilo. Nesta turma tem a Anna Karenina e a pergunta que já fiz sobre ópera: porque quando se morre há tanta beleza? Às adúlteras, às escolhas impossíveis, ao vinho, meu brinde: minha morte é meu estilo (16). Não que eu não goste de coisas cruas, retalhos do pensamento como “era uma vez o amor, mas eu tive que matá-lo”(13). Tantas vezes a única possibilidade é morrer tentando matar seja o amor de Heathcliff (25) seja a baleia (17). Resolvi, então, postar a lista e tratá-los individualmente lá no outro blog; de um por um quem sabe eu (me) entenda...

1. A doença da morte- Marguerite Duras

2. A Insustentável Leveza do Ser - Kundera

3. A paixão segundo G.H. – Clarice (Água Viva, Felicidade Clandestina, A via crucis...)

4. Alice no país das maravlhas - Lewis Carrol

5. Anna Karenina - Tolstói

6. Budapeste - Chico

7. Carta ao Pai - Kafka

8. Crime e Castigo - Dostoievski

9. Crônicas de um amor Louco - Charles Bukowski

10. Le Fleurs du mal-Charles Baudelaire

11. Dom Quixote – Cervantes

12. E o vento levou – Margaret Mitchel

13. Era uma vez o amor, mas eu tive que matá-lo - Efrain Meina Reyes

14. Fogos - Yourcenar

15. Ligações Perigosas – Chordelos de Laclos

16. Madame Bovary - Flaubert

17. Moby Dick – Herman Melville

18. Morangos Mofados - CFA

19. Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto

20. O amante da China do Norte- Duras

21. O assassinato de Roger Ackroyd - Agatha Christie

22. O coração das trevas - Joseph Conrad

23. O erotismo - Alberoni

24. O livro do desassossego – Pessoa

25. O morro dos ventos uivantes – Emily Bronte

26. O Robe do Dragão – Sônia Rodrigues

27. O sol também se levanta – Hemingway

28. Quintana de bolso – Mário Quintana

29. Orgulho e Preconceito – Jane Austen

30. Os três Mosqueteiros – Alexandre Dumas

31. para uma menina com uma flor - Vinícius

32. Relíquias da Casa velha – Machado de Assis

33. Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde

34. Estrela da Vida Inteira – Manuel Bandeira

quinta-feira, 18 de março de 2010

Das incompreensões...

Tenho um novo amigo. Tem um oceano entre nós, mas isso é o menos importante. O mais difícil é que tem uma vida de gírias, peculiaridades linguísticas, regionalismos e, claro, a diferença de idiomas que faz com que tudo seja mais devagar. Como dizer eu te amo, sem parecer: estou apaixonada por você, pra uma pessoa que não diz eu te amo nem pra mãe? Porque só se diz eu te amo pra namorada, caso, esposa, etc. Dureza. Eu te quero bem não traduz nem de longe o calorzinho que dá quando a gente fala com um amigo que nos faz tão feliz. Mas enfim, dei pra pensar na ruma de palavras que eu não sei nem explicar quanto mais traduzir: chamego, por exemplo. Como se diz me pegue pra chamegar? Não dá, Elba, só entre nós mesmo. Chamego, molejo, dengo, marmota, esculhambação, roçar, se peneirar pra ir a algum lugar, vixe, são tantas coisinhas miúdas (como canta Bethania) que não parecem significativas mas, no meio do papo, principalmente escrito, faz toda diferença. E isso não é tudo, tem toda uma gama de referências culturais, históricas, geográficas. Como ligar pra uma pessoa e não dizer: sabe eu tava pensando na música feijãozinho com torresmo, você acha a Maria Creusa injustiçada? Tais diferenças terminam até grandes paixões, imagine um xodó novo entre conhecidos/amigos. Mas eu não me deixo abater e chafurdo (outra palavra difícil) a internet e os dicionários na ânsia de me fazer perto. Olhe que eu não tenho nem o inglês pra fazer o meio de campo. Nunca me preocupei em aprender outras línguas. Nunca quis. Hoje me ressinto um pouco, mas não me arrependo, porque gastei estas horas todas de não aprendizado agarrada em algum livro. E não pense que as dificuldades se apresentam só no quesito estrangeiro que não entende nadica de português. Tenho uma amiga/irmã que é gaúcha e a gente se confunde toda com palavras ou expressões idênticas que têm significados humanamente inconciliáveis como, por exemplo, quando eu digo que gostaria de chupar um dindin (e ela logo imagina sua amiga a lamber uma jardineira cheia de pessoas fantasiadas de personagens infantis) ou quando ela diz que a faxineira baldiou a sala e eu penso em bagunçar e ela queria dizer jogar água com um balde. Mas essa coisa da incompreensão vai ainda mais longe, ontem mesmo estava conversando com Aline sobre posts aqui do borboleta que ela pula já que as minhas notícias quentes e novidades cinematográficas são, predominantemente, das décadas de 40 e 50, período que talvez nem os pais dela estivessem com idade suficiente pra curtir filmes quanto mais ela. Muitas e muitas vezes tenho a impressão de que estou escrevendo só pra mim, porque as autoreferências se sucedem num ritmo tão alucinado que talvez só eu mesma pra me acompanhar...e olhe lá. Enfim, sei que o ser humano é um só (no sentido de solitário, claro) e que o entendimento é sempre uma ilusão e que a palavra é sempre incompleta e que nós nunca jamais estaremos tratando do mesmo...mas que eu bem queria um google translate mais preciso, ah, isso eu queria.
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