segunda-feira, 8 de março de 2010

Perdas e danos

Morreram: Tullio Pinneli e Jean Simmons e Jennifer Jones...eu já sabia, mas dói mesmo assim! A vida já não é tão doce nem tão bela.

domingo, 7 de março de 2010

Esquentando os tamborins...

Já, já tem entrega do Oscar. Não assisti nenhum dos filmes que concorrem nas categorias principais, a não ser o inspirado Up!, então me contento com história. Adoro cinema, mas não sou uma estudiosa, gosto do que eu gosto. Muitas vezes escrevi que curto filme antigo, então hoje me dediquei a ler sobre as edições anteriores. Nesse pique acabei fazendo uma continuação da lista de filmes indicados à Aninha e, de quebra, pra minha amiga da sacolinha de euros, que sempre promete e promete assistir mas não sei o quanto sua vontade vira ação. Resolvi escolher entre os que concorreram em melhor filme e/ou melhor diretor.
Não assisti filmes premiados até 1935 (pena) mas já começo indicando o excelente Aconteceu naquela noite (1935). Engraçado e atemporal conquistou melhor filme, diretor, roteiro adaptado, atriz e ator (meu amado Gable). Tem cenas ousadas (para a época, claro, como a que Claudette pede carona mostrando as pernas). Ainda nessa década fico com David Copperfield que não ganhou melhor filme mas tem o excelente W.C. Fields famoso por suas frases sobre uísque e mulheres. Tem ainda O Galante Mr. Deeds com o incrível Gary Cooper dirigido por Capra (dureza,né?), Nasce uma estrela (refilmado depois com Judy Garland), Do mundo nada se leva (dirigido por Capra também, já deu pra sacar que eu sou fã) e Jezebel (salve, incrível Bette Davis). Não vou nem falar de E o vento levou... (não tenho condições sem derramar quatrocentas palavras só pra tratar do talento de Vivien Leigh) concorrendo com O mágico de Oz (melhor música de todos os tempos), A Mulher faz o homem (política e mar de lama e James Stewart, quer mais?), Ninotchka (divertidíssimo, até Garbo ri) e No tempo das diligências (sou fãzona do John Wayne).
A década de 40 tem o óbvio Casablanca e mais Núpcias de Escândalo (o trio Hepburn, James Stewart e Cary Grant) , Farrapo Humano (alcoolismo tratado com arte e brilhantismo), Rebecca um dos melhores roteiros da história do cinema), O Grande Ditador (Chaplin e não digo mais), Relíquia Macabra (Bogart em um filme inesquecível), Por quem os sinos dobram (não pergunte por quem os sinos dobram e tal...Cooper em um de seus melhores papéis), Quando fala o coração (já comentado neste blog), A felicidade não se compra (idem, mas ressalto a direção de Capra e o brilhantismo de James Stewart again), O tesouro de Sierra Madre (outra vez Bogart). 1950 chega com Crepúsculo dos Deuses e A Malvada. Qualquer um dos dois merecia mole, mole o Oscar de melhor atriz. Mas nem Gloria, nem Bette com seus olhos. Pelo menos A Malvada ganhou como filme e diretor...
Amanhã, na ressaca do Oscar, falo sobre a década de 50 e 60 ( e pronto, o resto pra mim é filme novo).

sábado, 6 de março de 2010

Sul Maravilha

Estou de viagem marcada. Ué, você não acabou de chegar? Foi, mas estava de promoção, economizei. Mas se você não viajar não gasta nada, onde está a economia? E por aí afora, noite adentro, tatatitatatá...Eu e eu mesma. Quase nome de filme. Só faltou a Irene. Mas então é isso. Eu vou. Passagem comprada, mala já arrumada na cabeça. A graúna aqui vai pro Sul Maravilha. Vou ver meus chamegos. Estou com isso no pensamento desde que cheguei de viagem. É quase como se precisasse vê-los, dar um cheiro, conversar noite adentro pra tudo que vivi ultimamente ficar totalmente real. Como se o Colosso dependesse da aprovação deles pra virar pedra e sangue como de fato é. São duas coisas que sempre foram importantes pra mim mas que parecem voltar ao seu lugar de destaque: amigos e viagens.
Primeiro os amigos. Eu os amo, mas como já disse zilhões de vezes, sou uma graúna descuidada. E se já sou assim no normal (eu, normal? alguma vez?) imagine no meio de um relacionamento vampiro. Pois bem. Agora, parece que meus amigos foram soltos depois de longo cativeiro porque o que tenho recebido de amor e cuidado é uma festa. Vá la, eu sei que eles sempre estiveram por perto, cuidando, eu é que estava presa no meu mundo de fantasia e não reparava. Mas que tem sido bom, lá isso tem. E eu tenho amigos de todo naipe, de todo jeito e qualidade. Tenho amigo/parente, amiga brigona, amiga ausente, amiga continente, amiga perto /longe /casada /solteira /louro /careca /cabeludo /capitão...igual aquela brincadeira de pular corda. Tenho amigo novo que mora depois de um oceano. Tenho amigo baiano que liga depois de dez anos e me diz que estou bonita. Tenho amigo que me deixa de coração na mão ao passar por terremotos. Tenho amigos/irmãos que seguram minha mão e coração quando eu atravesso meus terremotos pessoais. Tem amiga fofa que me dá moedinhas de euro pra eu pegar carrinho de bagagem e eu gasto tudo em fontes cinematográficas. Tenho amiga que dirige tempos e tempos só pra não deixar eu chorar sozinha. Tem amiga que faz perguntas que eu não sei responder nem por decreto e que propõe rifas pra me fazer mais feliz. Tenho amiga que topa qualquer coisa. Tenho amiga que pondera. Tenho amiga que diz tudo, tipo tava sentindo falta de você assim solteira e namoradeira. Tenho amiga que cala e bota a cabeça no meu colo pra me consolar. Tenho amiga que lê pra mim pelo telefone. Tenho estes dois fofos que são casa, folia e consolo, tudo ao mesmo tempo.
E tem a minha verve cigana. Não que eu saiba dançar, ler mãos ou apresente olhar misterioso e sedutor. Nada disso, sou mesmo é bandoleira. Rueira. Andadeira (mamadeira, bananeira, lapiseira, vamos viajar na maionese, não importa, o que importa é viajar). Eu me lembro de viagens ao interior do Ceará, minha mãe acordando a gente só o suficiente pra eu me arrastar até o carro, encostar no vidro da janela e seguir num cochilo gostoso até o lugar ansiado. E de lá pra cá, amo cada vez mais a estrada. Pode ser viagem de carro, moto, avião, carroça, jegue...não tem importância. Claro que conforto importa, mas ainda mais importante é o deslocamento. Gosto do caminho. Pode ser viagem a trabalho ou só pra rever alguém. Pode ser viagem de impulso ou planejada e desejada. O que eu gosto, quero, preciso, é não ficar. Nômade. Por mais que eu queira minha casa, meu canto, ninho, sei lá como chame, eu quero mais o mundo. A casa é mais pra receber o mundo/amigos e ter pouso pra minha cria. Eu, eu mesma e, talvez a Irene, queríamos mesmo é ter sempre a mala na mão. Na falta de, levo no meu juízo.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Eu e o Roberto Carlos...

Eu já disse que sou uma pessoa que me emociono fácil? Já. Até com propaganda de margarina? Pois é. Mas vou dizer de novo. Porque é verdade. Isso, entretanto, não desmerece os grandes prazeres, as surpresas e belezas realmente exóticas que de vez em quando aparecem. Eu gosto de gente. E quando tem alguém assim, sei lá, que advinha o jeito certo de aquecer o coração, vixe maria! é bom demais. Tenho amigos assim. Pessoas que sempre me enternecem e alegram. Pessoas que demoram a falar, mas que sabem exatamente a frase certa pra dizer na horinha exata que você não estava esperando. Um exemplo claro e evidente foi o dia que meu dr. me deu o disco da Vanessa da Matta. Nada demais, parece. Um presente. Um presente legal, até. E daí? Daí que era o disco dele, que ele estava ouvindo exatamente naquele instante em que eu disse: ai, que voz linda. E ele: toma, pra você. Assim, na boa. Lindo... (pode não ter sido exatamente assim, essas precisas palavras, mas o que importa é o calorzinho que ficou no coração, sensação boa de que alguém ali naquele instante te ama bem muitão).
Ontem foi assim, pôxa, ninguém avisa: lá vem a emoção! Não, não, eu estava ali, de bobeira, tentando entender como fazer meus alunos entenderem um treco qualquer de metodologia científica, ao mesmo tempo querendo fazer um convite de aniversário legal e lendo as atualizações dos blogs preferidos quando despejam um caminhão de delicadeza bem em cima de mim. Você já recebeu um concerto de violino via skype? Eu já. Não quero nem saber as motivações. Não perguntei nem vou perguntar. Mas estava ali, bem na minha frente, como se o Oceano Atlântico não existisse ou fosse um laguinho de brinquedo. Eu nem consegui falar direito, dizer obrigada ou parabéns era esforço demasiado, fiquei só com cara de boba, coração tuco, tuco, tuco - mas baixinho pra não atrapalhar e a música, a gentileza, o carinho tudo me abraçando, envolvendo, alegrando. Eu sei, eu sei, eu chorei, mas era de alegria, tá? E o mais fofo disso tudo é que foi um concerto de aprendiz, não foi uma apresentação estilo veja como sou bom nisso, foi a pessoa se desnudando, sabe? Coisa boa receber alguém assim, peladão no nosso quarto (era onde eu estava, mas podia ser sala, escritório, tanto faz). Já contei este episódio algumas vezes ontem (afinal não sou baú, né? queria partilhar com outras pessoas que amo), mas acho que só agora, escrevendo, foi que percebi que o que mais me tocou foi mesmo essa entrega, a coragem de mostrar erros e acertos.
Eu, tantas e tantas vezes sou covarde. Só quero mostrar o melhor ângulo, a postura mais correta, o exemplo mais preciso. Talvez nos blogs seja onde chego mais perto do desnudamento porque escrevo e posto sem conferir, corrigir, censurar. Pois então, como no auto da compadecida, só sei que foi assim. Que é assim. Que tenho gente linda por perto. Dou uma sorte danada nisso (e em viagem, já estou fazendo a propaganda, quem quiser me levar de amuleto...). E isso me emociona. E choro. E que venham as propagandas de margarina...

quarta-feira, 3 de março de 2010

Meu umbigo

Meu umbigo nem é tão lindo assim, mas ando numa fase, sei lá...só falta mesmo me virar pelo avesso. Mas tem explicação. Eu acho. Um bocado de tempo tomando conta do tempo, o amor em conta-gotas, eu olhando só pra fora, esquecida de ser quem eu ia sendo. Pois bem. Ou não, como diria Gil. Eu fui feliz, mas não tenho muita certeza se eu era eu. Dá pra entender? Eu dei. E resolveu. Assim, lá vai mais um post autodescritivo que devia estar mesmo era no somiolodepote, mas regra é regra...

É melhor morrer de vodka do que morrer de tédio, disse Maiakovski. Ainda bem. Já tentei e tentei ser blasé, mas sou mesmo é uma deslumbrada. Este é meu perfil quando me vejo assim: cara a cara comigo mesmo. Ou seja, meio de lado. Somos mosaicos, eu sei. Mas as rachaduras são sempre tão evidentes? Em mim, sim. Eu sou assim: tagarela, riso frouxo, desajeitada. Ando esbarrando. Mesmo. Leio furiosamente. Amo desvairadamente. E tento comer devagar. Sei lá, pra compensar, talvez. Adoro esporte. Assistir, claro. Jogar, jogar mesmo, é baralho. Ou sinuca. Ou, num rasgo de disposição, porrinha. Tem gente que tem a cabeça no mundo da lua. Eu não. Quando vou lá, vou toda. Sou questionadora, mas aceito qualquer resposta. Só não, não. Aí demoro mais. Descobri recentemente que meu nome devia ser Elsa. Ou louca. Ou trator. Mas vou ficar com o de sempre que já me acostumei. Adoro televisão. Não assisto tanto, mas deixo ligada quase sempre. Se der sorte, tá passando um filme. Adoro filme. Adoro, ainda mais, o escurinho do cinema. Gosto de filme velho, quase cheirando a naftalina. Mulheres chamadas Gilda, homens que sabem demais, os maiores espetáculos da terra. Dos manda-chuva gosto dos óbvios Fellini e Hitchcock. E os menos unânimes: Billy Wilder, John Houston, Coppola, Almodóvar, John Ford. Uffa! E reverência sempre a Woody Allen. Não me canso de seguir sua mente neurótica e suas realizações brilhantes. Quando um de nós dois morrer, eu vou pra Paris! Ele disse, eu ri e fiz. Simples assim. Sou mulher de cama, mesa e banho. E forno. E fogão. Mas tenho horror a tanque. E à faxina. Sushi, paella, comida indiana...adoro e, claro, não sei fazer. Um dia aprendo. Ou não, porque tenho paixão por restaurante. Também adoro quase tudo que termina em ada: feijoada, panelada, palhaçada – se for de palhaço mesmo e não de ex-namorado. Depois da última viagem, fiquei hiperbólica. Queridíssimo, belíssimo, chatíssima. Digo seguidamente bobagens e inventei a origem do nome Patagônia. Se eu ganhasse na Mega Sena (bom, primeiro teria que jogar, mas aí já é outra história) eu seguiria viagem. Pra todo canto. Cigana, de alma e alma (assim mesmo). Bebo cerveja, bebo vinho e, depois das músicas italianas, bebo sonhos. De preferência na companhia de amigos, que tenho a graça de ter uma ruma e todos de primeira qualidade. Os que visito já, já: Um é médico do meu coração e o outro mantém relações públicas e privadas com minhas emoções. Tenho amigas do tempo que eu andava só de calcinha na rua e fiz amigas quase ontem, mas que já se tornaram das melhores. Aspecto físico? Língua afiada. Desvio no olho o que me torna inspiração pra música do Chico. Gesticulo muito, isso devia me garantir cidadania italiana. Uma voz que não sai, mas a menina com uma flor do Vinícius também. Gosto de fazer passeios: pegar o ônibus e dar a volta na cidade, olhar prateleiras do supermercado, viajar de balão. Bom, esse último nunca fiz, assim, pessoalmente, mas às vezes filme vale, né? Agrada-me envelhecer, uma vez ouvi e achei lindo que as marcas do rosto eram como um mapa da vida. Puxa, quero um mapa bem detalhado porque sou meio perdida. Tenho certeza de que sou como vinho, porque o tempo tem me ajudado pra caramba. Tenho religião, não tenho é tempo. E tenho boas desculpas. Quase sempre. Minha família é um espetáculo, podem prestar atenção: sou eu aplaudindo. Diversão garantida. Não vou nem falar dos fofos que são meu pai e mãe. Tenho uma irmã que administra o mundo, um irmão gênio e a outra que tem um GPS, um computador e uma calculadora na cabeça. E todos são gente fina. E olhe que eu nem sou de ficar me gabando. Muito. Quando criança eu era o cão chupando manga de danada, mas eu não lembro então não conta. Pra todos os efeitos, sempre fui assim: calma. Até que alguém comece uma discussão qualquer. Aí não sou mais. Gasolina? Pólvora? Presente. Gosto de fazer o que eu gosto. No mais, preguiçosa. Pouca culpa, poucas manias. Chorona assumida em quase todo tipo de filme, peça, show, pode é elencar. Tem um bocado de coisas de que não entendo nada: tecnologia, beisebol, fotografia, nova ortografia. Tem um bocado de coisas que gosto: cheiro de livro novo, andar descalça, banho de chuva, dormir de rede. E o mar. Perto de muita água tudo é feliz, já anunciava Guimarães Rosa e Bethania repetia. Amém.

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