quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Flamengo 2 X 0 UCA

Correndo o risco de me repetir devo avisar que adoro futebol. Sou daquele tipo que assiste a série B do Campeonato Paulista naqueles jogos de domingo 11hs da manhã ou vibra com o campeonato neozelandês se ele for transmitido. E, como quase todos os brasileiros, entendo e acho que faria um trabalho muito melhor do que o Dunga (o que, convenhamos, nem é tão difícil). Mas a propósito de quê entrei neste assunto? É que estou vendo meu Mengo. Estou contente. Fora o Vagner Love (que eu não entendo, Senhor, senhor, porque me abandonaste?), acredito que meu time está bem arrumado, com jeito de quem quer ganhar os jogos...e ainda tem a raça. Eu gosto de futebol, gosto de ver um jogo bem jogado, gosto de gols, de bola na trave e - ai ai ai - gosto dos dribles. O drible é aquele momento de iluminação que, não tem jeito, você tem que acreditar em Deus. Por que, afinal, quem mais ia ter aquela generosa idéia e distribuí-la nos pés tortos de Garrincha, no frio planejamento de Djalminha, na inocência inicial de robinhos e ronaldinhos? Sim, ele existe e, se duvidar, torce Flamengo.
Hoje teve gol bonito, teve lançamento primoroso, teve desarmes perfeitos deixando o adversário com cara de paisagem, mas, devo admitir, pra mim faltou aquele momento de paz espiritual que corresponde ao êxtase de ver um drible. Inicialmente você nem acredita que ele aconteceu e, se você estiver no estádo, fica procurando a confirmação no rádio - que já está tratando de creme pra acnes e outras bobices vendáveis, no amigo do lado que também está com aquele ar de dúvida filosófica, na expressão dos demais jogadores, mas não, eles não estão parados aplaudindo, então você fraqueja, duvida, e a existência divina fica novamente em questão. Se você estiver em casa, vendo pela tv, tem que torcer para que o cara que edita a partida tenha a mesma sensibilidade artística que você, senão ele não coloca nem um replayzinho pra você gozar. De todo jeito, hoje o Flamengo ganhou, estou feliz e, daqui a pouco ainda tem patinação artística, vixe maria!, hoje vou demorar a dormir...

365 de mudança

Adorei este projeto! Logo cedo tirei a bendita foto, mas fui adiando a postagem, fui adiando, deu a hora da reunião no trabalho, depois uma cervejinha, quando vi não era mais ontem, já era um tênue hoje. Mas faz de conta que. A foto é esta que aqui apresento - clap, clap, clap - sem palmas por favor:


Esta é minha almofada num olhar assim, bem de pertinho. Gosto dela. Gosto de vermelho. Às vezes até penso que é minha cor preferida (mas não pra roupas: preto, preto, preto). Ah, o projeto está sendo transferido. Como eu não tinha nada pra fazer (kkkkkkkkk, risada histérica), acabei criando outro blog. E outro. E outro. Assim, são quatro os monstrinhos devoradores de idéias:
1. este: borboletasnosolhos.blogspot.com;
2. outrasborboletas.blogspot.com, um espaço só de citações e eventuais homenagens;
3. eusouagraúna.blogspot.com, um blog mais confessional; e
4. olhosdaborboleta.blogspot.com, que trata de coisas que se colocam ali, até onde a vista alcança. É pra cá que o projeto 365 vem /vai a partir da próxima foto. São todos convidados pra ver o que a borboleta tá vendo.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Porque a música é mais bonita quando se morre no final?


Explico: estou num desencavar de coisas que gosto e lembrei como me apaixonei por ópera. Pra ser bem sincera, apaixonei-me mesmo foi pelas histórias que as músicas ilustram. Meu pai tinha uma coleção linda, linda, linda, em vinil, com várias óperas e seus libretos. Eu devorava as narrativas e, de quebra, ouvia, enlevada, as interpretações musicais.

Pois bem, logo fiz uma lista das minhas óperas preferidas (quem resiste a listas? eu não, adoro fazer listas seja pro supermercado, seja das atrizes mais bonitas, livros que quero ler e por aí vai). Quando dei uma olhada no que gostava percebi que além de gostar do óbvio - alguém fala mal de Carmen, por acaso? - tinha uma predileção pelas histórias onde as mulheres morrem por amor não correspondido, ou por não amarem quem as queria, ou por amarem quem as amava mas não era permitido, ou por serem amadas em excesso, ou por serem amadas de menos,  enfim, como já disse Veríssimo, essas coisas são complicadas). 


Decidi comentar três que aceleram minha respiração: Carmen, Tosca, La Traviata. Carmen, então. Evidentemente. Manipuladora, sem (?) sentimentos, sedutora, encrenqueira...que mulher! Tão impressionante que exauriu Bizet que morreu três meses - eu disse três meses - depois da estréia de sua ópera, aliás, uma estréia polêmica. Nem todos gostaram: aquela personagem sem moral e sem remorsos, uma história sem absolutamente nada de edificante (eu ri muito disso, acho muito edificante uma mulher com esta quintura toda e, durante anos, acompanhou-me o presságio: vai morrer jovem! eu até desejei isso. Mas nem morri...) e uma música provocadora formavam a tríade a ser execrada. Eu adoro. Carmen é inspiradora. Callas cantando que o amor é um pássaro rebelde me dá a mais próxima dimensão deste sentimento a que eu pude chegar. A canção do toreador e o duelo final entre Carmen e José, "C'est toi! C'est moi!..." são registros que me fazem exatamente quem sou.


Aliás, antes de continuar nas minhas outras duas óperas devo dizer que o filme de Carlos Saura (aquele, Aninha, que faz parte da trilogia flamenca de Carlos Saura junto com Amor Bruxo - assiste, assiste, tem uma cena mágica; e com Bodas de Sangue, que aliás, é o primeiro) também chamado Carmen é belíssimo (ai, esta influência superlativa, só me falta mexer as mãos). Neste filme, eu relembro como as relações e- especialmente os homens - podem ser cruéis quando Antônio diz a Cristina que embora ela seja a melhor bailarina, seu balé exige uma mulher mais jovem e mais bela do que ela. É doloroso e tão próximo. Este é um filme sobre como transformar uma ópera em um balé flamenco - o que já é uma árdua empreitada - mas é principalmente um filme sobre amor e desejo.

Ai, ai, ai voltei à prática de posts enormes que ninguém consegue terminar de ler...bom, eu curto também Tosca. Ciumenta como ela só, exigindo que o quadro que seu amante pinta tenha os olhos negros como os dela... eu me repito: que mulher! Troppo bella! Primitiva. Quando Tosca mata Scarpia eu me sinto redimida, nem sei direito de quê, mas sinto. Em Tosca os personagens masculinos são impressionantes mas, puxa, perdem-se diante da presença intensa de Tosca. Ela é quem ama, ela é quem mata, ela é quem morre. Não há vitoriosos em Tosca. Recordo a frase que minha amiga Patty me apresentou anos atrás: ...uma batalha não acaba quando não há mais nada a perder. Sempre há. Ela termina quando não há mais nada a ganhar... Puccinni não levou isto em consideração e seguiu-se uma obra imponente. Sorte nossa. Quem quiser ver a morte de Scarpia com Callas assassinando e cantando, aqui está.

Por fim, La Traviata, que tem tema recorrente em obras de minha preferência, como Lucíola e A dama das camélias, apresenta outra morte feminina. Ativamente Violeta escolhe deixar o homem que ama e sua força é sua fraqueza. Ela definha com tuberculose, a mais romântica das doenças. Até existe uma reconciliação bacana perto do fim, mas não tem jeito: música boa tem que ter morte no fim. Lá se vai a bichinha pro outro mundo, quiçá menos preconceituoso  e cruel contra as mulheres que não se esquivam de ser.

365...

Pra quem não sabe andaram acontecendo algumas coisas barra pesada comigo, muito provavelmente porque eu não estava prestando atenção. Por outro lado, este ano ganhei um presente incrível: uma máquina fotográfica. Incrível e uma grande parte de vocês já sabem porquê: eu não entendo nada, nadinha de fotografia. Não entendo de luz, sombra, objeto, foco. Nada. Zero. Niente. Nothing. Rien. Nic. δεν...e eu podia continuar por todo o translate do google, mas já deu pra sacar, né? Estas duas situações, aparentemente dissociadas, colocaram-me em contato com uma nova (?) febre que passeia pelos blogs...Cada dia, uma foto. 365 fotos, esta seria a proposta. Comprei a idéia (mas sem pagar, que ainda tô sem grana dos meus desvarios no velho mundo). Resolvi que tenho que prestar mais atenção, olhar as coisas mais de perto. Deter-me no mundo. Deus sabe o quanto sou desligada (e um bocado de amigos também). Então, vou fotografar coisinhas bem de perto. Coisas do meu dia a dia que normalmente eu mal passeio a vista. Tenho certeza que não vai ser interessante pra ninguém...mas e daí? Também não serão 365 pois o fevereiro já finda e não vou roubar o tempo postando pratrasmente. Eu repito sempre um axioma da psicanálise que diz que as coisas que falo de alguém diz mais de mim do que da pessoa de quem falo. Talvez vocês se divirtam pensando isso sobre as imagens que postarei, elas provavelmente contarão por onde andam meus olhos. Resolvi começar pelo que estava mais perto, ou seja, virei-me na cama e mandei brasa: tirei uma foto. Uma só, pra não pensar a besteira de escolher a melhor (como se isso fosse acontecer, hahaha). Enfim, aí está:


domingo, 21 de fevereiro de 2010

No casulo de novo ou Casulo novo...

Resolvi mudar a minha apresentação. Não sei bem por quê, talvez eu seja de fases como a lua, talvez seja a proximidade do meu aniversário, talvez simplesmente tenha estado no casulo por um tempo e seja hora de ver as novas cores das asas da borboleta...Aproveitei e mudei as coisinhas que têm aí do lado - por exemplo agora tem uma lista de 05 coisas que me ocupam e uma frase que está me baldeando o juízo, creio que estes elementos mudarei toda semana - e ainda pretendo bulir mais, inserir ou retirar itens. De qualquer forma, eu não quero perder as palavras que já usei pra me dizer, então faço delas um post enquanto novas palavras chegam:

Sou uma mulher. Uma mulher que é mãe. Uma mulher que é apaixonada. Uma mulher que é amiga. Uma mulher que, se não é de Atenas, é quase, e com certeza é uma mulher de Hollanda (com duplo sentido). Uma mulher que descobriu que fazer 30 anos é maravilhoso(ou que descobriu que é maravilhosa com todas as idades, mas como tem 30...). Uma mulher que ri escandalosamente. Uma mulher desajeitada, mas charmosa no seu sem jeito. Uma mulher que ama desbragadamente. Uma mulher que se atira. Uma mulher que tem nervos, coração, estômago, tudo à flor da pele (o que dá uma impressão estética meio estranha, você não acha?). Uma mulher, que é gente, mas é muito, muito mais mulher. Uma mulher que é gata (conforme a canção de Enriquez/Bardotti) e que de vez em quando sonha ser Scarlett. Uma mulher de família (pois amo cuidar da casa, cozinhar, receber familiares e amigos). Uma mulher da rua (amo bar, dançar, ver o sol raiar). Uma mulher que não sabe ficar na sua (dou pitaco em tudo). Uma mulher meio fora de tempo (estrangeira na terra, como diria Clarice). Uma mulher prolixa,como você pode ver e ler...

Agora ficou assim: Por enquanto, na falta de mais palavras, Valsinha. Ou Marquesa, tá vendo, palavras não faltam, a gente é que manca com elas. Sou Scarlet, Gilda, Michael Corleone, sou o Corcunda de Notre Dame, aqui no semi-árido. Ginger Rogers, só por causa do Fred. Estou bonita como nunca e sou a condessa descaça e, às vezes, bonequinha de luxo. Sou Cláudia Cardinale e seus cabelos de fogo - só que meu fogo não tá no cabelo. Sou de peixes, água na fervura. Sou mulher de muitas palavras e, na ausência de outras, por enquanto, valsinha. Assim, continuo de Hollanda...

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