sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Se aquele abraço crescesse

O barulhinho da água escorrendo na calha. O apito da chaleira. A voz da Salmaso. A lembrança de um abraço. O cheiro do cangote do afilhado. Aquele monturo gostoso de mãe, filho, irmãos, pai, sobrinhada. A polpa do mamão. O cheiro de chuva. Uma rima rememorada. Uma foto na caixinha. Um primeiro dia de aula. O amanhecer no sertão. A gaitada de uma criança na rua. Bóias. 

Agradeço o afeto que tenho recebido dos amigos que moram além-da-fronteira. Muitos não entendem tudo, o que é compreensível, alguns minimizam, faz parte, mas saber este carinho é alento. 

Já a caixinha com o amigo que já foi em tantos “por aí” mas é daqui me confirma a leitura desalentada do dia a dia. Todo dia eu acordo como quem levou uma surra. Respiro, recordo como sorrir, exercito. Penso nos que amo. Tento fazer esse amor render. É exaustivo.


Quem tiver pra onde ir, vá. Mesmo. 

Talvez eu devesse voltar pra análise, ando numa vontade de doar quase todos os meus livros. 

(e a gente ri, porque, né, quem não tem pra onde ir, volta)

Um sonho desfeito: aposentadoria. 

Meu coração errante se consolava em passagens e paisagens. Agora, nem isso.

É estranho saber que gente que eu julgava me querer bem me vê como criminosa. Ou, pior, acha que não vê.

O mundo caindo e eu querendo saber se minha rosa do deserto ainda vai florir outra vez.

Eu sei que não é sobre mim. Mas dá uma dor porque, né, eu ia ser feliz. 

Outro sintoma: voltei a escrever cartas. 

A lista dos nomes do meu blog é mais explícita que um strip tease. 

Eu gostaria de poder gostar de você. Deixa? 

Escrevo por todo lado coisas sem sentido sem poder dizer o que há para ser dito porque só saberia o que dizer no teu abraço. 

Eu tento não saber a solidão que passeia, senhora, em meu peito. 

Se você, ainda. Eu, também. Então, nós. Sós. Sóis.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...