sábado, 3 de novembro de 2018

Eu Gostava ou Um outono que já fui

Eu li, na TL de uma querida, uma lista de como sobreviver nestes tempos difíceis e a lista incluía fazer listas e beber água. Há esperança pra mim, então, já que listar é uma das minhas atividades mais frequentes. Faço listas de viagens desejadas (oi, Minas), listas de coisas pra comprar, listas de coisas pra mudar na casa, listas de livros, de filmes, de comidas pra testar, acessórios de cozinha, lista de listas que fiz... 

É impressionante como conseguiram errar tanto no filme sobre Grace Kelly. Vou rever Drácula apenas porque sim. 

Revi. Ainda amo aqueles homens todos. E sinto saudades da minha amiga Patrícia, com quem conversava sobre pulsão, histeria, desejo.


A gente espera, como se fosse possível.
Se embeleza, põe até óculos azuis.
Como se fosse possível, eu dizia. Mas não é.

Para o escritório de transição: 
- quadro de cortiça 
- gaveteiro (quem sabe uma cômoda?)
- pastas para documentos 
 - pastas para saudades
- tirar o móvel nada a ver 
- descer uns livros 
- arrumar uma beleza qualquer pra me fazer companhia 
- cadeira de escritório 

 Estou tentando beber água e não me afogar em tristezas.

Comecei a separar os livros. Que coisa boa é livro, né? 

Aqui está uma bagunça e quando eu digo bagunça não é essa roupinha no espaldar da cadeira e três pratinhos na pia que assustam uma porção de gente por aí... é bagunça profissional. O que sustenta a barricada é a possibilidade do bolinho de arroz. 

Hoje eu ganhei fotos do outono. Fotos tão bonitas como quem, tão gentilmente, as enviou. 

Mesmo sendo da terra em que é sempre sol, o outono é minha estação–casa, minha estação-lar, minha confort-estação... se tal coisa houvesse. Eu gostava (e conjugo, neste caso, tanto em brasileiro como em português de lá) de andar com o casaco aberto, sentindo o vento frio ajudando a entorpecer a vida que arde no peito. Eu gostava de sentir as mãos frias nas minhas e o nariz gelado na nuca. Eu gostava de ver a fumacinha nos carrinhos de castanha em tantas esquinas. Eu gostava de – e é tão bonito quando o pretérito imperfeito faz as vezes de futuro do pretérito. Então, dizia eu, recebi as fotos de um outono que não é meu, mas é como se. As folhas perdendo as cores, eu perdendo sonhos. O inverno está chegando.


Um outono que já fui

3 comentários:

Juliana disse...

Eu tb sou bagunceira profissional

Deh disse...

Bagunça? Sim. Três sacos de 50 litros sobre a cama. Roupas e sapatos saídos dos armários. Vivo tentando, vivo falhando.
Se tivesse mais um dia de feriado sozinha assistiria novamente ao Drácula também. Porque sim. Por que não?

Debby disse...

Olá...
Me vi um pouco nesse outono. Assim como você, nascida e criada na terra do sol... me identifico com tudo ligado a outonos!
Uma das minhas estações preferidas é o outono.

E quanto a bagunça, tenho um pouco do toc.. então bagunça só quando estou doente ou muito, muito ausente de casa kkkkkkkkkk
Perfeito o texto.

E.. vou assistir o filme

Bjs
Debby :)

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