sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Status: sendo

Meus amigos me colocam no meu devido lugar.

Às vezes dói. 

Às vezes dói não ser a pessoa que eu gostaria de ser. Daí eu lembro como me tornei a pessoa que sou, os eventos, as pessoas, os discos e filmes (e nada mais, né, Elis) e  fico bem. 

Taí uma coisa que me tira do sério: banheiro de empregada.

Se eu tivesse coração diria que ele é uma delicada margarida com a qual a escrita da Fal brinca de bem-me-quer, mal-me-quer. Mas não pense que, despetalado, não lhe restaria vida ou beleza. Sabe aquele núcleo amarelinho? São diminutas flores hermafroditas. Se, eu disse, se eu tivesse coração.

Outra coisa que me deixa uma arara: esse negócio de velho com espírito jovem. Vontade de sacudir as pessoas. Idem para rejuvenescer e afins. Eu não sou divertida, animada, gostosa, whatever porque tenho alma jovem. Eu sou o que sou sendo luciana, eu, quarentona, com e por causa da vida que tenho vivido.

Já passeei pela idéia de esquerda libidinosa, esquerda festiva, esquerda isso e aquilo, mas fazendo os testes de afinidade com os candidatos e vendo meus resultados extremos ante os resultados ponderados dos amigos só posso concluir que sou esquerda-caricata.

Eu prefiro quando as frases não vêm redondas. Quando eu tenho uma idéia, mas ainda está manca, geralmente dirigindo, fico burilando mentalmente a frase e aí ela vai se incrustando no meu juízo. Mesmo fazendo algo entre pensá-la e ter oportunidade de registrar, ouvindo música, conversando com alguma amiga, parando pra resolver alguma coisa, orientando um aluno... quando procuro a frase, lá está, ao alcance. Mesmo que falte um pedacinho ou outro, consigo resgatá-la. Mas quando vem redonda, completa, ofuscante, passa glamourosa pelo juízo mas, se não for escrita imediatamente, não há santo que me faça reencontrá-la. E o pior é que geralmente sobra uma palavra, um fragmento, um pedacinho que não desgruda e fica zombando da minha ignorância. Hoje mesmo perdi uma ótima frase sobre sei que lá cartlandiana não sei mais o quê.

É melhor ser alegre que ser triste, né, Vinícius.

Acho que não tenho coração pra sofrer de amor romântico porque o Flamengo ocupa todos os espaços.

Uma prece: dai-me a coragem de não saber sobreviver.

Ou: dai-me a sabedoria de não ter coragem de sobreviver. Ou: dai-me a sabedoria de sobreviver sem coragem. Ou dai-me a coragem de sobreviver com sabedoria.

A verdade é que nunca aprendi a rezar mesmo.

Eu gosto de me ver em fotos e não lembrar o que eu pensava, queria, sonhava. Quem eu era? Não importa tanto. Olho e sou. Isso me faz sorrir.





2 comentários:

Anônimo disse...

Nasci pra te amar e, de novo, digo: queria beijar como você escreve. E quem dera encher o coração de Flamengo, isto aqui tá uma desgrama.

Marissa Rangel-Biddle disse...

O “desgrama” não foi meu, ô delicia! Ainda bem que você continua me amando.

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