quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Números e Coronéis e Divagações Outras



Sabe aquele negócio que ser adulto é nos apresentar em dados e números?  Idade, peso, número da casa, de filhos, de bens, cpf, rg, registro profissional. Eu me perco. #Pequenopríncipefeelings. Só me sei no trivial. Como mais de uma banana de cada vez. Prefiro ficar bebendo no mesmo bar o dia todo. Não sei assoviar, piscar ou enrolar a língua. Gosto de cafuné. Meu cabelo é macio, mas tenho muito menos dele do que já tive. Faço planilha de gastos mensais, mas só porque meu salário agora emparelha com as contas. Gosto de coordenadas adversativas. Falo pelos cotovelos. E já tenho passagens compradas.

Eu gosto tanto de viajar que até dói.

Eu já desisti de entender quem acha que o Lula devia ser vice do Ciro. Perspectiva, cadê?

Minha campanha é pro Boulos.

Estou meio cansada de ver o pessoal chamando o Ciro de coronel (ou coroné, que é ainda pior). O coronelismo supõe o voto sem autonomia, consequência do poder político-econômico da elite que comprava os votos ou os demandava por coerção. O governo do Ciro Gomes no Ceará tá longe de ser um exemplo de gestão de esquerda, autoritário e relutante quanto à organização da sociedade civil, ignorando áreas como cultura, etc. Mas foi uma gestão que investiu forte em infra-estrutura, educação e saúde. Se há pessoas no Ceará que votam nele e em pessoas que o representam ou com ele se vinculam não é por dependência econômica, mas por ponderar em cima de fatos e experiências e optar por este estilo e plataformas. Chamar de coronel é rotular o eleitor cearense como incapaz de discernimento, é dizer, de um modo pouco sutil, que não sabemos votar por causa da nossa “pobreza e ignorância”. Ah, Luciana, mas esse é um conceito antigo, estamos falando apenas de pessoas que tem muito poder em uma dada região e trocam favores por votos. É interessante que práticas clientelistas em estados que não são do Nordeste são ignoradas ou minimizadas, mas, imagina, não é preconceito (inclusive quando a gente pesquisa sobre coronelismo o primeiro coronel mencionado é de onde? Ouiés, Piracicaba, SP, mas, né, manipulados e manipuláveis são os nordestinos, apenas). 

“Fulano não consegue se comunicar com as massas”, só pode escrever quem se considera diferente, né, especial Pois eu me sinto muito massa.

No frigir dos ovos, sou mais sertaneja que de esquerda, suspeito.

Não vou poder ver nem um pedacinho da campanha do PT pra presidência sem cair no choro, suspeito. Aquele Brasil lá, das cenas de abraço e esperança, eu o tenho todo em mim.

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