terça-feira, 7 de agosto de 2018

Cansada



Das coisas que a gente aprende e não sabe nunca: as partidas. As esperadas e as que não. Planejadas ou nem. Voluntárias ou nem tanto. Permanentes. Temporárias. Tantas. Que fazem saber os vazios. As saudades ressoam como eco de vozes esquecidas em imensos corredores abandonados.

Às vezes tenho saudades da psicanálise, leio o que os psicólogos andam escrevendo e deixo pra lá.

Também tenho saudades dos trabalhos em psicologia comunitária, mas aí vou pra Pedra Branca e já melhoro uma coisinha.

Uma coisa que desaprendi: telefonar. Lembro, com alguma surpresa, do tempo em que tinha um aparelho de telefone no meu quarto e passava horas (mesmo) conversando com minha amiga Patrícia.

Sim, por ela eu até voltaria a telefonar. Saudades, amiga.

O trem que chega é o mesmo trem da partida e o mesmo que embaça meus olhos digitando estas coisas embora as minhas despedidas tenham sido majoritariamente em aeroportos, algumas vezes em rodoviárias e nunquinha em estações.


É que o cinema rabiscou roteiros em meu peito.

Hoje eu recebi o email de uma newsletter gracinha que eu assino. O assunto era: você pode desistir dos seus sonhos. Nem li ainda o texto pra não interferir no que fiquei pensando. Que começa mais ou menos assim: doía menos quando eu não sonhava. Esta frase não é triste, como parece, relendo. Não sonhar era bom pra mim. Eu apenas vivia os dias e, vamos combinar, meus dias tem sido muito bons, então, né, nunca pensar no que poderia ser mas apenas sentir o que estava sendo era vantajoso. Hoje, tenho quereres e eles fazem as vezes de miragens.

O belo é um tipo de oxigênio.

Tem coisas que eu simplesmente não consigo terminar.

Status: pedro pedreiro, again.

A sorte, o aumento, alguma coisa mais linda que o mundo, a festa, o carnaval, a morte. Nesta ordem. Com alguma sorte, a alegria de poder, vez em quando, esperar um trem. 

Esperando poder esperar os cinquentinha. 

A vida que escrevo não é minha. É das palavras que a definem, aprisionam, moldam, dão consistência e sentido. Viver é indizível, biografia é ficção. 





Um comentário:

Gisley Scott disse...

Sobre o não sonhar : comecei aplicar isso às pessoas. Deixei de sonhar com algumas delas, por elas, pelos sonhos delas e os meus dias melhoraram muito. As despedidas nem sempre são fáceis, principalmente aquelas que te pegam de surpresa e que você insiste em fazer questão quando para a outra pessoa é o tanto faz.

Não sei como cheguei aqui mas gostei :)
Beijos!!!

www.vivendolaforanoseua.blogspot.com

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