quarta-feira, 25 de julho de 2018

Uma espécie de Dory


Pode ser o jeito como você anda. O timbre da sua voz. O modo como qualquer parte do meu corpo parece caber exata na sua mão. O cheiro morno do seu pescoço. A forma como para, às vezes, e fica me olhando nos olhos mas vendo uma pessoa que eu não sei direito ser. Logo se agigantam os meus braços, se movem descoordenadas as mãos, o corpo bambeia e a pele fica quente. Ou pode ser só aquele vinco que todas as suas calças tem, tão bem engomadas, tão estranhas ao seu jeito distraído. Pode ser porque era tarde, a vida em crepúsculo e tem tons mais lindos que os de bronze, laranja e aquele amarelo avermelhado mesmo que provavelmente já tenha ido mais tempo do que o que vem? Pode ser porque você nunca diz o que eu espero, mas sabe suspirar na hora exata quando vê um filme que eu gosto. Pode ser apenas porque fizemos ser, sempre fui boa em inventar histórias e você, é bom em quê?

As bíblias do mês: O Poderoso Chefão, Relações Perigosas, Fogos, A Filha Pródiga, A insustentável leveza do ser.

Os refúgios: qualquer um da Agatha, As Crônicas de Arthur, Memórias Póstumas de Brás Cubas, A Pátria de Chuteiras, qualquer um do LFV.

Quando eu era pequena, ali entre os 8 e os 11, 12, a gente brincava de ser ou de ter alguém. Sabe o Ray do Menudo? Era o meu. Nas Panteras eu era a Jill (não queria ser a Sabrina porque ela parecia que nunca entrava no caso diretamente e muito menos a Kelly que sempre se envolvia amorosamente com o bandido). Quando eu era pequena, eu disse?

É um pouco irônico que, tendo vivido tanta coisa boa, tenha uma memória tão ruim. Eu sei que vivi. Mas o quê mesmo?



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