quarta-feira, 27 de junho de 2018

A Copa. As Ruas. As Cores. Os Des-amores.


Não ter jogo das 9hs deixa a mente futebolística da gente desocupada pra tresvariar. Pois bem, me lembrei do argumento "não tem clima de Copa porque não tem ninguém pintando as ruas". E fiquei pensando na relação da gente com a rua. Quanto tempo nós passamos nas calçadas conversando? Quem se sente confortável na rua? Quem brinca, se diverte, descansa na rua? Quem tem tempo pra ficar na rua? E quem tem tempo, fica? O mundo é um moinho, cantava o moço, e cada vez menos podemos ser em coletividade. 

Vejo as pessoas com camisetas do brasil no supermercado, vejo adesivos nas capinhas de celulares, vejo bandeiras nas janelas das casas, por detrás das grades. Passo na estrada e vejo verde e amarelo pintado nas casinhas esparsas ao longo da pista. Vejo solidão, atomismo, pressa, apreensão, incerteza,inquietação nas formas de ocupação do espaço público.

Suspeito que não pintar a rua diz muito menos da nossa relação com a Copa e/ou com a seleção brasileira de futebol e muito mais sobre a violência urbana, sobre a falta de dinheiro, sobre o pouco tempo de lazer e integração, diz muito mais do medo cotidiano, da pressa, da perda de vínculos comunitários.


Por outro lado, do lado de cá, valorizamos o esforço de seleções que ficam pelo caminho. Choramos com eles. Choramos por eles. Mas, no caso da nossa, só damos duas opções: lama ou glória. Um tantinho cruéis, não?

Jogadores de praticamente todas as seleções jogam fora dos seus países. Quase todos com salários espetaculares. Mas só os nossos perdem porque são mercenários. Só os nossos só se preocupam com sua própria imagem. Muitos choram no fim das partidas mas só os nossos o fazem porque são a) falsos; b) desequilibrados; c) desequilibrados e fracos. Quase todos, porque jogam fora, moram fora do seu país, se mencionam o “povo” são vinculados, comprometidos, se os nossos falam alguma coisa assim é demagogia e assessoria de imprensa. Estão ou estiveram, muitos, enrolados com fiscos vários, ganhando de várias fontes, com legislações diferentes, assessorias, advogados, todo mundo enrolado, mas só o nosso craque é “sonegador”.

Eu prefiro a discrição do Zico? Ô. A alegria malandra do Júnior Capacete? Claro. A elegância do Tostão ao abordar qualquer assunto? Ouiés. Eu tenho dificuldades com os Xóvens. Mas eles estão. Eles são. 


Um comentário:

laís disse...

estou achando muito legal ver teu amor pelo futebol e pelo esporte. andei xeretando uns posts aqui e você me trouxe muita inspiração para amar a vida também. obrigada e abraço o/

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