domingo, 4 de fevereiro de 2018

Pizza, tempo e escrita

“Jamais escrevi, acreditando escrever, 
jamais amei, acreditando amar, 
jamais fiz coisa alguma 
que não fosse esperar diante da porta fechada”.

Quando a vida está difícil, uma boa massa, queijo, bacon e vinho. 
Quando não está, também.

Manda carta, bilhete, postal. Manda cartão de natal no meio do ano. Boas festas, quando quer que elas aconteçam. Manda notícia de quem você é, de quem nós fomos, de como nos sabermos ajuda a respirar.

Então tá combinado é quase nada é tudo somente sexo e amizade e a convicção que os russos escrevem os melhores romances.

Você ainda não está com fome, mas já já vai ficar. Tem a preguiça de descongelar alguma coisa. Tem a falta de vontade de comer algo parecido com o almoço. Tem a saudade de ingredientes de outras paragens. O orçamento do mês já no vermelho. Você não quer pedir uma pizza. Você vai acabar pedindo uma pizza.

Não esqueçam de dar uma passadinha na Central do Textão.

Quando você gosta muito da pessoa, mas tem um pouco de preguiça porque ela já leu tudo, fez tudo, pensou tudo.

Eu sinto saudade de quem eu era quando vocês me amavam. E sinto ainda mais saudades de quem vocês eram quando eu os amava.

E eu que achava que entendia o tal “rosto destruído” da Marguerite Duras. Sabia de nada, inocente. Depois desta espinha enorme, magoada, não cicatrizada, um rombo perto do queixo, fora toda a rosácea, aí sim, entendi o rosto destruído. O que pode ser uma excelente notícia, logo, logo vou passar a viver em hotéis e quem sabe alguém me diga: “Eu a conheço desde sempre. Todo mundo diz que você era bonita quando jovem; venho lhe dizer que, por mim, eu a acho agora ainda mais bonita do que quando jovem; gostava menos do seu rosto de moça do que do rosto que você tem agora, devastado”.

Ler é mesmo oxigênio.

Comprar uma caixa bonita e papeizinhos coloridos e todo dia escrever uma memória gostosa, um encontro legal, um pedaço de livro, qualquer coisa que seja eu. Quando ficar velhinha - se ficar velhinha - e esquecida,  ler e me apaixonar por mim mesma. 

Também vou comprar um baralho de tarô ou uma daquelas caixas de versículos da Bíblia. Se vou viver de histórias, que pelo menos tenha roteiristas consagrados. 

Os livros da MD tem sempre essa capacidade de me fazer lembrar que bons sentimentos são inconvenientes, a esperança é superestimada e quanto mais amamos, mais sozinhos estamos.

Você não pediu a pizza. 



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