quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Minha Pequena Eva


Ontem eu revi o Rei Arthur de 2004 (sim, o filme é ruim) e, agora estou toda enrolada no tempo lendo o Derfel. Um dos poucos casos de causa e efeito comprovados nos seres humanos.

Um mês tão curtinho, umas contas tão grandes.

Vovó, pra que esse saco tão grande? Pra te aguentar melhor.

Evitando a condescendência, caindo na impaciência.

Às vezes, anseio ser um tantinho mais vingativa (ia escrever aspiro, mas a frase ficou feia #dessas)



Eu leio uma série policial que se passa no futuro (não muito distante). Eve é uma policial que não tem memórias precisas da infância, em que foi abusada e abandonada e cresceu no sistema. No primeiro livro ela vai investigar um crime e se apaixona por um dos suspeitos. Ele não é culpado, ajuda a desvendar o lance e eles se casam e a partir do livro seguinte vemos Eve caçando seus criminosos e a relação deles como casal (e ele é multimilionário e tal). Eu já li mais de 20 livros da série e já reli os oito primeiros e uma coisa passou a me irritar. Eve é uma policial – e uma pessoa – que aprecia a Lei. Mais do que isso, ela serve à Lei. Ela tem uma ética rígida em relação a assassinatos e se compromete com a descoberta da verdade e a prática do que pela Lei é a justiça. Roarke, o cara, também cresceu da miséria, ficou rico em golpes e coisas assim e, mesmo que tenha colocado todos seus negócios em ordem por causa de Eve, ele acha que a lei é flexível, que existem ações fora da lei que são justificáveis, que ter é poder. O que tem me irritado é que a série vai flexibilizando as posturas da Eve por causa do relacionamento – até aí, ok, o amor, etc - mas todo mundo, seu capitão, sua assistente, sua amiga, todo mundo mesmo, apoia e incentiva essa mudança. E a própria narrativa é construída de forma a evidenciar que é um lucro pra personagem, que é bom, que tudo bem passar por cima de certos direitos individuais se é pra fazer o bem, por exemplo. A personagem admirável, forte, inteligente, combativa passa, a partir de um certo momento na série, a usar, precisar e mesmo depender do Roarke e seus recursos pra desvendar os crimes. Fuen, fuen (mas vou seguir lendo, me apeguei).

Tentei ver Merli e Rita. Todo mundo diz que são ótimos e eu acredito. Mas não consegui passar do segundo ou terceiro episódio em nenhum dos dois. 

A falta que um Freud faz. 

Ainda sou: a Marquesa fala, em determinado momento, que não casou de novo pra ninguém falar com ela em determinado tom. Mais ainda, pra ninguém sequer achar que tinha o direito de. Além da óbvia identificação, o que mais gosto dessa parte aí nem é o conteúdo em si, mas o reconhecimento de quem somos, como funcionamos, qual nosso limite e desejo. Eu, por exemplo, não dou explicações (ou ainda, muito raramente). Daí que, às vezes estou comentando em posts de amigos e penso: porque mesmo estou me explicando? Apago tudo e vou ser eu em outras bandas.

Uma coisa que eu acho engraçado é criança de 10, 11 anos dizendo: “eu tive muita dificuldade de acreditar em mim no passado”.

Inclusivamente sujidade.

A saudade, tal qual o amor, é um bichinho que rói, rói, rói...


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